Positivo Tecnologia SA

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Q4 FY2025 · Earnings Call TranscriptMarch 19, 2026

Operator

Obrigado pela presença de vocês na conferência de resultados da Positivo Tecnologia para o quarto trimestre e ano de 2025. Primeiramente, eu gostaria de agradecer a paciência e compreensão de todos porque acabamos tendo que postergar levemente a divulgação dos resultados de ontem à noite para agora de manhã e antes da abertura dos mercados.

Então agradeço e peço desculpas aí por qualquer inconveniência. Estou aqui acompanhado do nosso CEO, o Hélio Rotenberg, o Fábio Fajli, nosso CFO, a Marielva Dias, vice-presidente de Negócios com Instituições Públicas, o Norberto Maraschin, VP de Consumo e Soluções de Pagamento, e temos online também a presença do Rodrigo Guércio, VP de Negócios Corporativos, e o Carlos Maurício, CEO da Positivo S+.

A apresentação de resultados já está disponível no site de RI. Começaremos agora a apresentação, depois abriremos para perguntas e respostas.

Começando então agora com o Hélio.

Hélio Rotenberg

Bom dia a todos. Tivemos trimestre bom, trimestre dentro das expectativas, trimestre lucrativo, trimestre melhor que o trimestre de 2024, e com uma visão bastante otimista sobre a implementação da nossa estratégia, né?

Câmera? Tem câmera não?

Lá na frente? Lá na frente.

Muito bem. Essa implementação da estratégia se traduz em números.

No trimestre, a gente teve crescimento bastante expressivo em servidores, bastante expressivo em HaaS, bastante expressivo em serviços. Ou seja, naquelas áreas que a gente se propôs a crescer, se propôs a transformar a empresa numa grande empresa de infraestrutura de TI em que todo CIO do Brasil e, logo, todo CIO da América Latina nos consulte para infraestrutura de TI, seja PC, seja servidor, seja serviço.

Ou seja, em toda a área de infraestrutura de TI. Então, em soluções de pagamento, a nossa outra área, uma alternativa ao core da empresa, também vai muito bem, com crescimento bastante expressivo, faturamento recorde.

Eu quero trazer que a integração comercial entre as áreas de servidores, PCs e serviços para vender para instituições públicas, para vender para corporações, para vender para média empresa está acontecendo. Já existem as primeiras vendas cruzadas acontecendo e essa união acontece ao longo de 2026, mas está indo muito bem o projeto.

Parece que a empresa sabe se adaptar ao mercado, né? Se a gente pega uma área de consumo bastante distinta da área de consumo do que a gente via há alguns anos, com uma migração para o online, com uma migração para os sellers, para uma migração das lojas próprias, para uma migração do online mesmo para o online dos varejistas.

E a gente consegue surfar bem. A gente previa uma coisa no final de 2024 e foi muito mais agudo essa transferência, e a gente surfou muito bem e conseguiu ir para os canais digitais, crescendo muito nesses canais digitais.

A gente continua inovando. Somos uma empresa de tecnologia, evidentemente temos que inovar sempre.

Fizemos aí lançamento time to market com os mercados mundiais, claro que fomos o primeiro no Brasil. Fui muito orgulhoso de ver o nosso produto exposto na CES, em lançamento em janeiro, do Positivo Master Copilot, primeiro notebook brasileiro com 50 TOPS.

Na área de servidores, a gente participa dos grandes projetos de inteligência artificial do Brasil. Esse cluster da USP é projeto que nos deixa também muito felizes, né?

E a gente continua tendo uma disciplina, né? Porque a gente tem percalços de mercado.

Nós não tivemos uma área de instituições públicas como a gente imaginava no ano. A gente teve percalços na área de smartphones, com uma concorrência muito forte de entrantes chineses e do grey market, e a gente não foi bem.

Então a gente não foi bem em smartphone, não foi bem em instituições públicas, mas conseguiu compensar bem com as outras áreas, com disciplina nos custos, no caixa, e conseguimos gerar caixa operacional de quase R$ 300 milhões no ano, e acabamos com saldo de caixa de R$ 600 milhões no ano. Continuamos nos preocupando com ESG, né?

A gente obtém a medalha ouro na EcoVadis, ou seja, a gente está entre as 2% das melhores empresas do mundo, né, no quesito ambiental, social. E a gente obtém uma certificação muito importante na nossa área de serviços, na área de pós-venda, no Support Center Certification no HDI, que é considerado pelos CIOs como a mais importante certificação.

Então a gente vai muito bem nessa linha, vai muito bem na implementação da estratégia, estamos muito felizes com isso e trazemos trimestre bom também em resultados. Então a gente vê aqui trimestre lucrativo, com R$ 21 milhões de lucro, pouquinho abaixo do último trimestre do ano anterior em faturamento, justamente por causa das instituições públicas e de smartphone.

O resto todo foi bem, o resto todo cresceu. Uma margem bruta de 25%, uma margem EBITDA de 12% aí, e endividamento de 2,1 vezes EBITDA, porque a gente teve uma diminuição de EBITDA no ano, não que o endividamento tenha aumentado, pelo contrário, ele diminui.

E no ano, a gente tem aí quase R$ 4 bilhões de faturamento bruto, R$ 3,300 de líquido, 25% de margem bruta, 9% de EBITDA e lucro no ano, compensando os prejuízos dos trimestres anteriores, de R$ 12,2 milhões, uma geração de caixa de R$ 298 milhões. Na página seguinte, tentando mostrar esse caminho que a gente está seguindo em prol de uma estratégia definida com muita clareza em 2018, mostrando que a execução está acontecendo, está acontecendo firme, vindo muito mais para receitas recorrentes, vindo para áreas mais lucrativas, vindo para serviços, vindo para servidores, vindo diversificando a empresa.

Não dependendo mais só de computador, só de dispositivos. Não que a gente tenha tirado o pé de dispositivos, continuamos muito forte em dispositivos.

Dá para ver que em 2018 100% da receita vem de dispositivos, com 46% no consumo. E a gente vê em 2025 com já 57% em dispositivos, 17% em negócios emergentes, o maior deles não tem dúvida nenhuma as soluções de pagamento, 20% em serviços, 7% em servidores.

Ou seja, a gente diversifica bastante a empresa, continua na diversificação. E o consumo representando 30%, instituições públicas, como eu disse, pouco atípico, foi mais fraco do que a gente esperava, com 20%, e o corporativo propriamente dito com 50%, ou seja, o que chama de Commercial com 70% versus 30% de Consumer.

Isso mostra bem a nossa evolução. Dá para ver a evolução também de 2024 para 2025, que ano a ano a gente tem evoluído nessa diversificação e nessa modificação da empresa em prol da estratégia definida.

Na página 5, a gente traz uma novidade, a gente quer mostrar isso com mais clareza e alinhar pouco o nosso discurso a alguns players multinacionais. Então a gente vai mudar a partir de 2026 a maneira de ver os segmentos da empresa, né?

A gente vai dividir em infraestrutura, serviços e soluções de TI, ISS; a parte de dispositivos inteligentes de consumo, DI; e a parte de soluções de pagamento. Vamos medir isso com mais clareza para o mercado, para ver como é que a gente está.

E a gente deixa aí negócios adjacentes, que são outros negócios que não se encaixam nessas três categorias, hoje com muito pouca significância. A ideia, a estratégia está calcada nessas três grandes categorias: na infraestrutura de TI, a parte de dispositivos inteligentes para o consumo e a parte de soluções de pagamento.

Então a gente já vê aí uma evolução de 2018 para 2025 nesta classificação bastante importante, né? Então os dispositivos para consumo, não que ele tenha diminuído de tamanho, pelo contrário, ele cresceu, mas ele representa só 30% em relação a 2000 em relação ao todo, e 46% em 2018.

E a parte de infraestrutura já representando 53%. Eu passo a palavra então...

É o Guércio agora, né? Para o Guércio falar pouquinho sobre o segmento Commercial da empresa.

Rodrigo Guércio

Obrigado, Hélio. Bom dia a todos.

Bom, é, antes de abrir aqui o slide, eu queria deixar só duas duas mensagens-chaves aqui. É, o destaque aqui é a continuidade da trajetória de crescimento em negócios corporativos, né, com o reforço de soluções de maior valor agregado, como já comentado pelo Hélio, né?

É, o desempenho aqui, como os senhores podem ver, é sustentado por avenidas estratégicas com perfis complementares, né? O Hélio já bem colocou aí: servidores, Positivo S+, soluções de pagamento e o HaaS, que reforçam a diversificação e a qualidade da receita que a gente vem trazer e demonstrar aqui para vocês, né?

Então, passando para Commercial propriamente dito, né, os negócios corporativos, nós observamos aqui uma trajetória consistente de crescimento, né, que reflete a execução da estratégia de diversificação e fortalecimento de soluções de maior valor agregado, né? No trimestre especificamente, a receita bruta evolui aí, né, do que a gente tem ali de R$ 491 milhões para R$ 535 milhões, e no acumulado do ano de 1.486 bi para 1.9 bi, né, reforçando essa tendência.

Dentro das avenidas estratégicas em servidores, né, o crescimento no quarto trimestre e no ano foi impulsionado por uma maior demanda de clientes por repatriação de dados e por construção de nuvens híbridas, obviamente também puxado pela parte de supercomputação de arquiteturas de referência de IA que começam a acontecer, evidenciando também a aderência que nós temos aí a projetos de infraestrutura mais complexos, né? Em Positivo S+, o Carlos Maurício vai detalhar pouco mais, mas o desempenho se manteve aí consistente, né, no quarto tri e no ano, com a leitura centrada aí em dois pontos, né: contribuição com vetor de crescimento e recorrência e o seu papel como habilitador de cross-sell dentro da proposta integrada de infraestrutura que o Hélio bem comentou aí no início, né?

Soluções de pagamento, que o Norberto detalha pouco mais adiante, o avanço no trimestre e no ano reforçam também a consolidação da Positivo como player relevante aí no segmento e contribui para a diversificação do portfólio no mercado de elevada adoção tecnológica, né? E, por fim, aqui, pessoal, em HaaS, a expansão no quarto tri e no ano reforça a relevância do modelo como pilar para a recorrência de receita, com potencial de ampliar muito a nossa rentabilidade ao longo do ciclo de vida do cliente, pelo fato da gente constantemente estar tocando esse cliente, e, obviamente, aumentar aí o acoplamento de serviços.

Em síntese, esse slide, acho que ele consolida a mensagem de crescimento com qualidade, acima de tudo, ancorado num portfólio mais amplo e numa execução que foi extremamente disciplinada, né? Podemos passar para o próximo aí.

Então, depois da gente evidenciar a evolução do Commercial e das avenidas estratégicas, esse próximo slide aqui traz exemplo de inovação de portfólio que eu acho que reforça muito a nossa trajetória de atualização tecnológica, né? Aqui nós apresentamos o nosso Positivo Master AI PC, né?

O Hélio comentou ali do lançamento do produto na CES, né? Acho que aqui nós temos exemplo objetivo da nossa agenda de inovação, né?

O Positivo Master com foco em performance, produtividade e segurança para o cliente corporativo, e, do ponto de vista tecnológico, traz uma arquitetura híbrida com CPU, GPU e NPU de 50 TOPS e reforça o posicionamento da Positivo em capacidades de IA na borda, né? Então, nesse slide aqui, além da gente apresentar o Positivo Master com essa proposta de alta performance e durabilidade para uso intensivo em ambientes corporativos, combinamos também performance, produtividade e segurança com a última linha de processadores Intel, que é o Core Ultra Série 3, né, Panther Lake, junto com o Windows 11 Pro.

Então, além da proposta de valor aqui, tem elemento técnico relevante, né, para a tese de inovação, que esse modelo N8460, como eu já mencionei anteriormente, tem uma arquitetura híbrida, e aqui é importante destacar o conceito da NPU como processador voltado à otimização de cargas específicas de inteligência artificial, né? Esse lançamento, ele funciona para nós como marco concreto de evolução do nosso portfólio, acho que reforça a capacidade da companhia de incorporar tendências tecnológicas relevantes e de uma forma bastante rápida, como os AI PCs, obviamente, dentro desse contexto, mantendo o foco em atributos que o cliente corporativo valoriza, né: confiabilidade, segurança, produtividade.

Em resumo aqui, o slide acho que ele complementa a narrativa de execução e diversificação e traz uma evidência objetiva de inovação aplicada. Bom, do meu lado era isso aqui.

Eu passo a palavra agora para o Carlos Maurício.

Carlos Maurício

Obrigado, Guércio. Bom, gente, Positivo S+, nós estamos realmente muito contentes com os resultados desse ano de 2025.

No começo dele, desenhamos muitos desafios e uma estratégia bastante centrada, bastante agressiva. Não sei se vocês se lembram, nós tínhamos que fazer toda a integração das empresas, nós tínhamos que fazer a retenção de clientes e principalmente mudar a marca, né?

Então foi ano de muitos desafios, tremendos desafios, mas com uma estratégia bem-feita e uma execução precisa nós conseguimos terminar o ano com todos os recordes batidos. Foi ano onde nós conseguimos crescer a receita na ordem de 20%, coisa que a gente nunca tinha conseguido na história dessa empresa.

É uma empresa de receitas recorrentes, clientes muito grandes, né? É bastante difícil você ter trimestre a trimestre crescimentos na ordem de 20%, e nós conseguimos fazer isso num mercado que cresce 8%, né?

Principalmente o mercado que cresce 8%. Então foi ano realmente espetacular, mas não só pelo crescimento, acho que o crescimento é uma consequência da inovação, que aparece aqui para vocês com o reconhecimento do MIT Technology Review.

É uma consequência do lançamento de novos produtos, nós lançamos o Master Data Operations Center, que é uma plataforma de software mais serviços para suportar a transformação digital e a implantação de IA nas empresas. Não há IA que funcione se os dados não são bons, não há transformação digital que resulte em nada se os dados não forem sempre coerentes e corretos.

Então, portfólio atualizado, portfólio em constante crescimento e renovação, o prêmio por inovação, mas principalmente, né, o que reflete a retenção e aquisição de novos clientes é uma entrega com qualidade, uma entrega com pontualidade, e isso é reflexo do nosso NPS. Nós chegamos a 95 sobre 100, que é NPS benchmark mundial, no setor que tem NPS de 40.

Então, isso tudo retraduzido para crescimento no trimestre de 23% ano contra ano, e o crescimento de 2025 em relação a 2024 de 20%. Então assim, eu acho que a execução da estratégia foi perfeita e logramos os resultados que esperávamos.

É isso que nós tínhamos da Positivo S+. Muito obrigado.

Eu passo a palavra para o Norberto. Por favor, Norberto.

Norberto Maraschin

Aqui mais de soluções de pagamento, é uma unidade de negócio que nós temos relatado já há algum tempo de uma consistência bastante grande do crescimento. O que a gente está trazendo aqui é mais luz, mais transparência a vocês da potencialidade desse negócio.

Então a gente traz uma visão mais de longo prazo no gráfico da direita. E os senhores podem notar que realmente o crescimento de receita é muito bom.

No último ano a gente cresceu 30%. Se a gente pega CAGR dos últimos 5 anos, a gente está falando de 52% de crescimento.

Então, nós acreditamos que devemos continuar crescendo. Em unidades é mais fácil tangibilizar no hardware, né?

Mas eu brigo com todo mundo: Eu vou explicar pouquinho mais para vocês. A gente deixou de fazer maquininha de pagamento.

Maquininha de pagamento não existe mais, né? Existe uma plataforma na ponta.

Então, a proposta de valor da Positivo no mercado e por que nós temos conquistado os nossos clientes é porque nós fazemos diferente. Nós entregamos uma solução completa e nós devemos nesse ano ter muitos lançamentos e posicionamento muito diferente.

Então, primeira mensagem é: é negócio que cresce, é negócio consistente, é negócio bom, é negócio com ciclo de caixa menor, é negócio que está começando a trazer recorrência, seja em serviços, seja em software, e nós estamos bastante, bastante orgulhosos sobre o futuro dessa unidade. No próximo slide, a gente detalha pouquinho mais, né, o que que é essa plataforma que você está falando, Norberto.

Basicamente, é mais fácil tangibilizar no hardware, mas por trás desse hardware, eu sempre falei para vocês, existe uma barreira de entrada gigante de segurança, de certificações e também de integração com os PSPs, com os arranjos de pagamento e também com as software houses, que são nossos parceiros. Então, a Positivo começou a atuar como parceiro de tecnologia.

Nós não somos PSPs, nós não somos software house, e nós prestamos as tecnologias para eles. Então, nós devemos anunciar muito em breve grande contrato também de software para grande banco brasileiro, onde a gente, além do hardware e das integrações, a gente começa a oferecer essa tecnologia ao mercado.

A gente tem conseguido expandir em geografias, e o pipeline está muito robusto de novos clientes. Nós acreditamos que se concretizarem a venda disso aqui é uma venda de mais de ano, então a gente tem uma visibilidade muito boa do que vai acontecer ao longo desse ano até o início do ano que vem.

Nós acreditamos que esse pipeline robusto de clientes permite a gente continuar avançando no crescimento dessa unidade de negócio. Aqui tem uma foto do Octa, né?

A gente também traz inovação nesse segmento. Esse produto, ele tem duas telas.

Essa tela da frente porque os clientes falavam que a coisa que mais incomodava quando eles pagavam a conta é que não viam quanto era o valor da conta que estavam pagando, né? Então a gente trouxe a tela na frente para justamente mostrar.

Mas aí, junto com a tela na frente, touch, a gente vai fazer pesquisa, a gente vai colocar retail media, quer dizer, o dono do estabelecimento pode rodar marketing ali ou coisas diferentes, então vai aumentar a interação. Esse é só o chamariz, né, de inovação.

Esse produto está sendo certificado em quatro grandes adquirentes já. Eu acho que esse produto vai ser grande sucesso no nosso pipeline.

Então, e eu queria chamar todos vocês para entender pouquinho mais detalhe. Nós teremos a maior feira de automação comercial e pagamentos da América Latina, que é a AUTOCOM, do dia 31 ao dia 2 de abril, 31 de março a 2 de abril.

Nós teremos estande bastante forte e, neste momento, nós traremos inovações bastante disruptivas, sejam tecnológicas agregadas no hardware, sejam inovações tecnológicas do que eu estava falando, do core de adquirença, do back office de adquirença e subadquirença, e também todos os softwares de gestão. Então, vai ser ano bastante importante na unidade de negócio, estamos bastante otimistas.

Acho que vale a pena você dar uma passadinha lá na AUTOCOM para ver tudo que a gente está fazendo, ok? Próximo slide a gente fala de consumo.

Como o Hélio antecipou, consumo não foi ano bom de receita. Nós tivemos uma quebra de receita devido a planejamento de a gente diminuir a nossa intensidade em smartphones.

Ele é mercado onde o grey market gerou uma briga irracional de preços. Junto ao grey market, houve uma entrada muito acelerada de vários players no mercado e nós conseguimos fazer isso de uma forma saudável.

A margem que nós tivemos em consumo em 2025 foi melhor que 2024. Então eu queria trazer para vocês, e talvez a grande mensagem num gráfico onde a receita não cresce e está tudo céu de brigadeiro, não, não está céu de brigadeiro, é trazer uma grande mensagem sobre a Positivo para vocês.

Faz mais de 17 anos, não comparo com a Mari e com o Hélio aqui, que eu trabalho nessa empresa que eu amo. A nossa grande diferenciação, o nosso grande atributo é que nós somos bastante flexíveis, nós somos muito guerreiros de mudar, e essa diversificação que o Hélio fala da estratégia existe componente impressionante: é essa capacidade da empresa se reinventar.

Então, quando eu começo a tirar a dependência de smartphone, enfraqueço o negócio de consumo, cresço em computadores, cresço em tablets, faço uma transformação dos canais de distribuição para canais de distribuição que eu vou mostrar pouquinho mais de detalhe mais rentáveis, isso mostra o que a empresa pode fazer. Graças a Deus temos a opcionalidade hoje de poder tirar o pé da receita, né, de negócio que não traz retorno sobre capital investido para a gente trazer coisas com margens mais saudáveis, com uma melhor resiliência.

Então, lógico que existe trabalho enorme, lógico que precisaria falar sobre o avanço da marca Positivo no mercado, o reconhecimento dessa marca, a consideração da compra da marca Positivo aumentando em vários segmentos no consumo. A marca VAIO sendo cada vez mais conhecida, espero que vocês tenham tido também contato com a marca VAIO.

Então, esse arcabouço de consumo, ele é importante também para a empresa como todo. Afinal, o consumo, ele traz uma constância de relação com fornecedores, uma fábrica que roda sem muitos solavancos, então ele é amortecedor no negócio como todo para a gente poder alçar voos maiores na estratégia macro que o Hélio explicou.

O próximo slide, ele traz essa transformação dos canais de consumo, né? Vejam: antes, nós éramos muito dependentes dos grandes varejistas.

Os senhores sabem que o grande varejo passa por uma crise bastante acentuada no Brasil: o custo de capital, os estoques, a operação de e-commerce, tudo isso traz grandes desafios. Então, nós não esperamos o mercado ter problema, nós antecipamos e nós conseguimos em 2025 nos consolidar, né, com uma estratégia de canal muito mais saudável, muito mais rentável para a companhia e, com certeza, muito mais sustentável.

Hoje, os canais que a gente fala o D2C, que é o nosso principal canal em termos de rentabilidade, né, mais os sellers, já são 43% da receita de consumo. Lógico que a gente continua fazendo com todos os esforços os nossos varejos tradicionais, mas a gente conseguiu, de certa forma, equilibrar esse negócio de consumo para que ele traga os benefícios para a empresa, mas que ele continue sendo sustentável, trazendo uma margem na última linha.

Era pouco isso que eu queria trazer sobre os negócios que estão sob minha gestão, peço para a Mari falar pouquinho sobre instituições.

Marielva Dias

Obrigada, Norberto. Bom dia a todos, obrigada pela presença.

Novamente, eu estou aqui, né, como patinho feio dos resultados, mas, como o Norberto disse, ele tem 17 anos, eu tenho 34 dentro dos 36 da Positivo, e foram muitas crises que nós transformamos em oportunidades, né, Hélio? Então, eu já começo com uma mensagem otimista: nós estamos preparados para essa diversidade de estabilidade nos mercados, digamos assim.

Então, quando está bem, o outro compensa, e, felizmente, nós conseguimos aí cumprir o nosso guidance e ajudando o outro como sempre, né? Então, Instituições Públicas fechou o quarto tri com uma receita bruta de R$ 233 milhões e o ano com R$ 784 milhões.

Ainda é faturamento relevante. Nossos resultados, eles foram bastante impactados pelos atrasos recorrentes nas publicações de grandes editais, como eu vinha falando para vocês.

Alguns deles que nem sequer finalizaram até agora, e alguns que finalizaram em função dessa situação, né, que foi comentada do problema de abastecimento de memórias e tudo, que está sendo solicitado o reequilíbrio econômico-financeiro. Caso o órgão opte por não dar o reequilíbrio econômico-financeiro, provavelmente vai ser relicitado.

Nós fomos bastante impactados também pelo contingenciamento do orçamento público federal, mas, felizmente, como o Brasil é muito grande, a gente atende o Brasil inteiro aí, mais de 5.500 municípios, né? Alguns estados estão bem, continuam comprando e nós continuamos ganhando nesses estados e fornecendo.

Tivemos importantes fornecimentos para o estado do Paraná, de Chromebooks, projeto grande que continua ainda sendo atendido este ano. Fizemos também negócio grande de HaaS, né, diversificando os nossos negócios, não só fornecendo, mas também fazendo Hardware as a Service no governo, para a SEDUC do Rio Grande do Norte.

A vertical educação, ela continua sendo muito forte para Instituições Públicas. E mesmo nesse cenário adverso, melhoramos a nossa margem de contribuição.

Essa é uma boa notícia em comparação ao ano anterior e refletindo a recomposição gradual aí que nós estamos prometendo para vocês, né? Outra boa notícia é que, em casa de ferreiro não é espeto de pau, nós usamos a IA internamente.

Nós temos grande projeto dentro da minha BU, né, que usa a Lícia, a inteligência artificial. Com isso, nós melhoramos muito os nossos processos internos.

Nós estamos conseguindo hoje captar muito mais editais, fazer uma triagem melhor desses editais para escolher os que temos maior chance, digamos assim, de vencer, e estamos com o índice elevado de vitórias. Isso aí vai formar o nosso colchão agora para já no final do ano passado e esse ano para atender aos grandes projetos, claro se os órgãos decidirem comprar, né?

Porque nós estamos vivendo realmente momento muito atípico, cenário aí adverso, onde as compras estão baixas, mas a demanda está alta, reprimida, né? Então, nós temos oportunidades.

Então, com a empresa que nós construímos de atender instituições públicas não só em PCs, mas em todo tipo de serviços de TI, né, como o Hélio falou, PCs, infraestrutura de serviços, data centers, servidores, e a gente enxerga, sim, uma demanda muito alta por servidores para inteligência artificial, o que justifica até o desvio, né, das memórias DRAM para as memórias aí High Bandwidth para poder atender esse mercado. O nosso pipe subiu, está em 3.8 bi, então mostra aí o meu otimismo.

Nesse 3.8 bi não estão os possíveis processos que venham a ser relicitados, porque tem muitos concorrentes desistindo de entregar e desistindo de esperar o reequilíbrio econômico-financeiro. E, como eu sempre digo, né, nós somos muito otimistas, né, Norberto?

Amamos essa empresa, somos guerreiros, vamos estar aqui batalhando por melhores resultados, porque a gente é campeão em transformar crises em oportunidades, né, Hélio? Vamos lá.

Passo a palavra para o Fábio.

Fábio Fajli

Obrigado, Mari. Bom dia, obrigado pela presença de todos.

Passando os destaques financeiros aqui do quarto trimestre e do ano, resumindo o que os colegas já falaram, a gente fecha uma receita bruta no trimestre próxima a 1.2 bi, muito em linha com o ano passado, mas 22% acima do terceiro tri, respeitando a nossa sazonalidade, mas dando destaque também para as avenidas de crescimento que a gente comentou, tanto serviços, soluções de pagamento e servidores, com uma forte recorrência. No ano, a gente entrega uma receita próxima a 3.

R$ 3.853 milhões. Tirando a receita de projetos especiais que tivemos, né, no ano passado, mostra uma estabilidade da empresa, uma variação mínima de 2%.

Então a receita mostra, né, a estrutura toda da companhia. No próximo slide, a gente apresenta o lucro e a margem bruta.

Então, como o próprio Hélio já comentou no início, né, a gente entrega, no quarto tri, 25%, né, 25,4% de margem bruta, muito próxima ao ano anterior, puxado também pelo melhor mix de faturamento da companhia. E no ano estabilidade acho que é a palavra, com todos os desafios que nós tivemos durante todo o ano, com a dinâmica de instituições públicas bem desafiadora no primeiro semestre, nós conseguimos entregar uma margem, né, bruta exatamente igual à do ano anterior, o que é ponto muito importante.

Indo para o EBITDA, a gente fecha o quarto tri muito forte, com R$ 118 milhões de EBITDA, né, R$ 18 milhões a mais do que o quarto tri do ano anterior e bastante acima do terceiro tri, né, com 12%, né, arredondando a nossa margem EBITDA, mostrando o efeito do melhor mix e a parte da contenção dos gastos, né, da gestão forte da companhia sobre as despesas operacionais. E a gente fecha o exercício com R$ 313 milhões, a uma margem EBITDA de 9,3%, comparada a 2024 pouco abaixo, justificado principalmente pela redução de faturamento no ano.

Lucro líquido forte no quarto trimestre, 22%, como a própria Mari comentou, a gente reverte a posição de prejuízo que acumulado que a companhia vivenciou nos nove primeiros meses. Então a gente encerra o exercício com R$ 12 milhões de lucro.

É lucro importante para a companhia frente aos inúmeros desafios que nós tivemos aqui, sem falar do efeito da despesa financeira puxada, né, no nosso resultado em razão principalmente da alta da Selic. Olhando o fluxo de caixa operacional, a movimentação aqui no quarto trimestre, né, a gente consome R$ 34 milhões.

É uma fotografia do quarto tri dado a sazonalidade da operação da companhia. Historicamente, a gente tem uma forte concentração de vendas no final do ano e aí acabam carregando a geração de caixa para o ano seguinte.

Mas o ponto importante é a geração operacional acumulada no ano, né, próxima a R$ 300 milhões, reforça, né, a estrutura de capital da companhia e o controle principalmente do capital de giro, né, de os negócios. Indo para o endividamento líquido, esse é gráfico importante: se a gente comparar quarto tri de 24 com o quarto tri de 25, vejam que a dívida líquida é exatamente a mesma num ano com milhões, né, milhares de desafios que a companhia teve.

Só reforça, né, a disciplina financeira da companhia, né? A gente entrega uma alavancagem de 2,1 vezes, bem controlada em relação aos nossos covenants de dívida.

No gráfico abaixo, a gente mostra a nossa dívida bruta total de quase 1.3 bi, baixo crescimento em relação ao ano anterior, custo da dívida estável, né, com uma boa participação de bancos de fomento dentro do composto financeiro da companhia, e uma duration acima de 2 anos, o que dá segurança para a companhia na gestão financeira. Aqui reflete, né, então vejam que a gente tem uma cobertura de curto prazo de 1,4 vezes.

Então 2026 a gente está bem coberto, né, com a posição de caixa que a gente vira no exercício de R$ 618 milhões. E no gráfico acima, a gente mostra a continuidade, né, da manutenção da maior parcela de endividamento no longo prazo, entregando mais de 60%, né, na posição de final de ano agora de 2025.

Por fim, a gente apresenta o guidance. Importante reforçar que o guidance de 2025 foi atingido, né?

A gente entregou uma receita bruta de R$ 4 bilhões, e nisso a gente solta, né, o guidance, né, a projeção de guidance da receita bruta para 2026 num intervalo de 4 bi a 4 bi e 200 milhões, olhando todo o nosso contexto atual, o push importante das avenidas de crescimento, com o ano muito importante para servidores, a continuidade de crescimento em serviços e soluções de pagamento, os desafios que a gente tem em instituições públicas e no próprio Consumer, como os colegas colocaram, o aperto momentâneo atual agora que temos na questão das memórias, né? Então exige uma postura bastante prudente da companhia, mas a gente acredita muito no atingimento desse guidance proposto aqui para o exercício de 2026.

Bom, eu passo a palavra para o Hélio para as considerações finais.

Hélio Rotenberg

Só completando essa questão do guidance, é pouco guidance talvez bastante conservador no sentido de que a gente está enfrentando uma crise muito forte de abastecimento, né? O que se diz, né, o que a imprensa, os fornecedores dizem, a gente faz cálculos e não é só isso, mas esse é o principal motivo que é a construção dos grandes data centers nos hyperscalers faz com que parte dos wafers, parte significativa dos wafers que são os mesmos usados em memórias e memórias de massa e memória RAM dos computadores, dos tablets, sejam desviados para esses grandes data centers.

Com isso, faz com que haja uma crise de abastecimento que eu nesses 36 anos nunca vi, uma crise bastante forte de abastecimento de memórias. E isso faz com que os preços das memórias subam muito.

Há a escassez e há a subida de preço. Esse preço está sendo repassado ao consumidor, às empresas, ou seja, ao preço, porque é uma crise que afeta a todos os concorrentes, não é uma crise que afeta a nós, a todos os concorrentes, então todos repassando.

A gente já vê repasses de 10%, 20% nos primeiros meses do ano e deve haver repasses ainda maiores, porque o custo das memórias subiu muito. Algumas memórias subiram cinco, seis vezes de preço.

Então, a gente tem então cenário conservador. A gente está bastante bem abastecido.

Normalmente, a gente mantinha cerca de 45 dias de estoque de memórias. A gente está com memórias que a gente já tem comprado o ano inteiro, algumas delas até agosto, setembro, numa média aí a gente está abastecido até outubro para dar uma ideia de abastecimento dessa memória.

Ou seja, a gente não tem problema de abastecimento, mas a gente tem problema de custo mais alto que está sendo repassado ao consumidor. Por isso, talvez crescimento aí de receita conservador porque nós não sabemos bem como é que vai acontecer ao longo do ano.

O começo do ano vem bem, dentro das expectativas, sem nenhum problema, mas a gente tem esse conservadorismo aí no guidance. Mas na página seguinte, falando das minhas considerações finais, né, reforçando esse provedor fim a fim de infraestrutura de TI que a gente se tornou, né, foi a nossa grande guinada estratégica.

Acho que isso vai muito bem, né? Essa união comercial entre as áreas corporativas, projeto muito bonito, muito desafiador, mas dando os primeiros resultados, né?

Esse desempenho anual de serviços e soluções de pagamento e de servidores muito forte. Uma geração de caixa operacional que mostra que a gente continua trabalhando para diminuir endividamento, né?

Só que o custo de capital, né, a 15% CDI realmente nos castiga. Se a gente tirasse o custo financeiro da dívida, nós teríamos lucro muito grande em 2025, apesar de tudo, né?

Crescimento dos novos canais, né, nessa transferência para o D2C e para os sellers. Mesmo assim, crescimento em dispositivos de 9% em tablets e PCs, decrescimento em smartphones, como a gente falou, mas esse crescimento muito grande naquelas áreas que a gente está investindo e continuará investindo, uma dívida controlada.

E aqui para encerrar, falar que nós estamos muito bem preparados também para as oportunidades de mercado. E as oportunidades de mercado devem vir, não vieram ainda, mas devem vir.

Você tem o PBIA, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, em que a gente se posiciona como player nacional, né? Essa questão de soberania muito importante no Plano Nacional de Inteligência Artificial, então a gente está muito bem posicionado, só tem que sair, né?

Se não sair não adianta, a gente não vai vender, né? A gente está com o projeto de terminal lotérico pronto, em transformação, porque a Caixa tem mudado esse projeto, mas a licitação A gente tem falado nisso nos últimos dois anos, a licitação também não saiu.

Deve haver uma nova licitação de urna esse ano, a gente está posicionado também com o novo projeto de urna, né? O ReData vem aí como uma oportunidade, a gente está vendo que o ReData protege a indústria nacional, atrai data centers ao mesmo tempo que protege a indústria nacional, então a gente também está preparado para essa guinada.

A gente também está preparado para essa evolução da inferência na inteligência artificial sendo feito nas empresas por causa do custo alto de fazê-lo em nuvem. Já vê o movimento no mundo é muito forte, a gente vê isso ao longo de 2027 no mundo inteiro, o que não veio ainda forte para o Brasil, mas deve vir, ou seja, que é a venda de servidores de inteligência artificial para as empresas.

Isso também deve ser uma grande oportunidade de mercado. O data center soberano que o Serpro tem coordenado é outra vertente importante.

São oportunidades que a gente coloca aqui como oportunidades, mas mesmo que elas não aconteçam, o nosso dia a dia está muito forte e a gente pretende continuar nele, mas podem vir essas oportunidades extras também. Muito obrigado a todos.

Abrimos para perguntas.

Operator

Abrimos então para perguntas. Utilizem, por favor, o botão, o ícone de Q&A abaixo da tela.

Já temos aqui algumas perguntas aguardando. Começaria então com a Maria Clara Infantozzi, analista do Itaú BBA.

Se pudermos abrir o microfone da Maria Clara. Bom, vou passar para a próxima aqui.

Eu tenho o Rafael Oliveira, do UBS. Ele deixou as perguntas já por escrito.

A primeira delas: "Eu gostaria de saber o que que vocês estão considerando, se podem dar mais detalhes o que que vocês consideram dentro desse guidance e como estão enxergando o impacto dos preços das memórias?"

Hélio Rotenberg

Eu acho que em parte a gente já respondeu a questão da memória, né? Ou seja, esse repasse de preço.

O que a gente vê no guidance é talvez uma diminuição de volume de dispositivos com aumento do seu preço, tá? O mercado vai cair.

Ontem tem uma matéria no Valor, que a gente tem acompanhado também, o IDC, que é dos institutos de pesquisa aí prevendo queda de cerca de 11% no mercado de computadores, né, no Brasil. Então, a gente não sabe quanto vai acontecer, quanto não vai acontecer.

O mercado para nós, as vendas para nós não caíram em relação ao primeiro trimestre do ano passado, tá? Então a gente está vendendo até mais, mas não temos ainda quadro do ano com esses repasses de preço todos que têm que acontecer.

Mas mesmo com uma queda de volume, como os preços vão estar mais altos, a gente acha que vai conseguir fazer esse faturamento. E também a gente está prevendo crescimento aí em serviços, crescimento em servidores, nas nossas receitas das avenidas de crescimento, crescimento em máquinas de pagamento.

A gente está prevendo tudo isso dentro desse guidance, mas a gente foi conservador no número porque a gente não quer de novo ter que rever no meio do ano uma posição dada agora. Então a gente está bastante conservador no número e acha que esse número é bastante factível de ser atingido.

Operator

A Maria Clara teve problema com a conexão, mas o Leo Sim, do time do Itaú BBA, está conectado. Leo, você quer perguntar?

Leo Sim

Sim, por favor. Bom dia, pessoal.

Obrigado, Luís. É, eu queria perguntar, acho que vocês exploraram pouco da parte de top line aqui do guidance, eu queria explorar pouquinho a parte de margens também, para entender o que que vocês estão vendo para 2026 aqui, entendendo que vocês estão shiftando pouco o business, né, para essa parte mais de TI, infraestrutura, com servidores indo muito bem, bastante oportunidade, pipeline mais robusto aqui.

Só para entender a visão de vocês para margem tanto bruta quanto EBITDA aqui para o ano. Obrigado.

Hélio Rotenberg

Fábio, quer comentar pouco sobre margem?

Fábio Fajli

Posso comentar. A tendência de 2026 é replicar muito o que a gente vivenciou no quarto tri, com uma posição forte das avenidas de crescimento já compondo o todo, né, e trazendo uma margem melhor, seja em soluções de pagamento, em servidores e em serviços, né?

A recorrência dessas avenidas, a tendência é que a gente comece a ter uma margem bruta, né, cada vez melhor.

Hélio Rotenberg

Muito bem.

Operator

O Luís Chagas, da XP, analista da XP, está conosco aqui. Chagas, nos ouve?

Se não, eu passo para a próxima aqui. Tem uma pergunta do Sílvio Garbim sobre: "Vemos aumento do endividamento líquido de cerca de R$ 80 milhões do terceiro trimestre para o quarto, né?

Foi para R$ 665 milhões. Temos guidance de 4 bi a 4.2, que é bem próximo ao número reportado em 2025.

E se você pudesse esclarecer quais ações a empresa deve adotar para aumentar o seu lucro líquido no exercício de 26, tendo em vista o crescimento previsto de custo de componentes, a elevação do endividamento e esse limitador de guidance, né, de 4.2 bi? Então, repetindo, com ações para ampliação de lucro, tendo em consideração a elevação daí do custo dos componentes, como que a gente deve controlar o endividamento e como que esse guidance pode ajudar ou prejudicar, né, a rentabilidade?"

Hélio Rotenberg

Deixa eu começar explicando pouquinho da dinâmica de preços de computadores e servidores. Não existe preço.

Existe uma margem em cima de custo. É assim que se precifica.

A indústria não é uma indústria que tem computador de R$ 3.000. Ele tem computador que tem custo de R$ 2.500 e a partir de uma margem de lucro em cima daquilo.

Então não há de se fazer ações internas para offsetar aumento de memória, não há, é impossível fazer isso. Então existe repasse de preço do custo médio do teu estoque daquele componente que você compra mais caro.

Essa é a dinâmica de preços em toda a indústria de hardware no mundo. Não existe preço, tá?

Existe a gente forma o preço a partir do custo. Não existe aquele equipamento é tal, então vamos reduzir outros custos para caber naquele preço.

Não existe isso. E vai haver também uma mudança de computadores de maior configuração para menor configuração daquelas pessoas que têm o bolso finito ou o bolso finito das empresas.

Então aquele cara que comprava 16 GB, talvez compre 8 GB de memória, em vez de 512 de SSD, compre 256 de SSD. Essa é a dinâmica do mercado.

Mas claro que nós temos que fazer muito esforço interno. Esse esforço interno continua.

Eu acho que o Fábio pode contar pouquinho dos nossos projetos de redução de custo ao longo do ano, tá, que é o que a gente pretende fazer e continuar fazendo. Já fizemos bastante forte no ano passado, continuamos fazendo, e a inteligência artificial vem a nos ajudar também nessa vertente de tentativa de redução de custos fixos da empresa.

Norberto Maraschin

Hélio, me permita só adendo teu antes que o Fábio fale mais para os números. O que que a Positivo é diferente e como a subida de preço de custos pode beneficiar a gente?

Eu acredito que nós teremos margens melhores este ano do que nós tivemos no ano passado, porque nós demonstramos uma flexibilidade, uma velocidade de decisão muito grande. Então, nos momentos onde o preço está subindo 10% a cada mês, aquele que é mais ágil em aproveitar a oportunidade de disponibilidade de determinado insumo, e isso a Positivo tem diferente de uma multinacional, a Positivo tem mais flexibilidade, tem menor time to market para lançar produtos e soluções, e esse é pouco o nosso DNA.

Então, nós estamos notando, por exemplo, em consumo e em alguns deals inclusive com a Mari, que essa nossa flexibilidade está deixando a gente pronto com uma margem melhor que a gente teria em condições normais de temperatura e pressão. Então, o jogo da Positivo vai ser jogo de muito trabalho, de muita flexibilidade para aproveitar desse limão e fazer uma limonada.

Eu estou bastante confiante que a gente consiga melhorar nossas margens de contribuição. E é lógico que aí o resultado cabe muito mais às vezes financeiro, custo da dívida, etc., mas em termos de produto e unidade de negócio, bastante otimista, respeitando as regras que o Hélio disse que é como o mercado funciona.

Fábio Fajli

Acho que só para complementar, né, a companhia tem o programa de lucratividade. Ele teve data de início, que foi setembro de 2024, e não tem data de fim.

Então a companhia atua ativamente, né, em todas as linhas do P&L, com metas para todos os executivos, onde a gente busca sempre a melhor equação, a melhor eficiência. Isso já se refletiu no quarto trimestre com uma redução importante, né, nas despesas gerais e administrativas.

Então, o planejamento da companhia para 2026 é continuidade. A gente tem as metas claras para todo mundo e vai buscar sempre a melhor eficiência operacional.

Operator

O Luís Chagas, da XP, pediu para tentar de novo. Podemos abrir o microfone do Luís?

Luís Chagas

Oi, pessoal. Bom dia.

Vocês me escutam?

Hélio Rotenberg

Sim.

Luís Chagas

Opa, obrigado pelo espaço. Então, do meu lado são duas perguntas.

A primeira, acho que o Hélio comentou ali que o número do guidance é factível, conservador, e aí eu queria explorar pouco mais esse tema. Queria entender, na visão de vocês, quais potenciais upsides vocês veem nesse guidance.

E aí a segunda pergunta ali sobre servidor, cresceu bastante ali tanto nesse trimestre quanto no ano, e eu queria entender assim, quanto que vocês veem de mercado endereçável para esse segmento e o que que vocês estão vendo de oportunidade e desafios aqui nesse subsegmento para 2026? Obrigado.

Hélio Rotenberg

Eu começo então falando do que que pode surpreender o guidance, o que que tem de oportunidade, e depois eu passo para o Guércio para falar pouquinho do servidor se ele responder essa pergunta, Chagas. As oportunidades eu tentei destacar no meu encerramento, que são oportunidades que podem vir a acontecer: como o PBIA, como o ReData, como o data center soberano, como aumento radical, acho que o Guércio vai falar mais disso, da internacionalização de servidores de IA.

São grandes oportunidades que a gente está vendo. A gente está vendo também oportunidades nas instituições públicas de crescimento porque a gente tem índice de vitória nesse começo de ano bom, pode ser que isso se mantenha, daí existem oportunidades de aumentar esse guidance.

E se o abastecimento se regulariza e o repasse de preço se dá naturalmente sem perda de volume, evidentemente que a gente vai fazer faturamento maior do que a gente está prevendo no guidance. Guércio?

Rodrigo Guércio

Bom, complementando aí, já que o Hélio já falou do economics aí, eu acho que a gente precisa comentar dois temas aqui, né? Você de uma maneira muito clara nos pergunta o que que a gente vê, como a gente vê a dinâmica de mercado, né?

Primeiro, o primeiro movimento que está muito claro e que está estabelecido, quando a gente fala de impulsionador forte para nós, é como as empresas estão lidando com a questão das arquiteturas de IA, né? Eu estou no aeroporto, estou voltando do GTC aqui da Nvidia, e uma das coisas que ficou muito claro, não só nas interações com os clientes, mas que foi muito comentado no evento, é que existe uma preocupação das companhias com relação a onde colocar esses dados e uma preocupação bastante grande também com o custo do token na nuvem pública, né?

E quando a gente fala de infraestrutura on-prem, que é onde a gente está situado, né, e do quanto a gente é capaz de entregar com mais precisão quanto isso vai custar na linha do tempo para o cliente final, isso passa a ter valor muito grande na hora que você vai discutir futuras arquiteturas que podem ser adotadas por essas empresas todas, né? Uma coisa que ficou muito clara também é que existe, sim, movimento das companhias de tentar proteger as bases de dados que elas têm, mantendo-as dentro de casa, que isso não sou eu que estou falando, o mercado de uma forma geral aponta para isso.

E diante de cenário como esse, eu acho que a gente está muito bem posicionado para a gente capturar esse tipo de crescimento e essa dinâmica que está sendo colocada no mercado, né? Não obstante, uma força que a gente já observava o ano passado e que eu acho que ela se mantém para esse ano é para os outros workloads mais tradicionais, né, e a gente está muito bem posicionado para isso através de soluções de hiperconvergência, a gente também percebe uma preocupação grande das empresas com relação ao controle de custo também das outras coisas que elas têm rodando em nuvem pública, buscando trazer para ambiente mais híbrido, ou seja, escolher melhor o que que fica dentro de casa e aquilo que vai para a nuvem.

E nesse contexto, quando a gente fala de repatriação de dado, a gente também está muito bem posicionado para poder capturar. Eu diria que esses dois vetores são os grandes vetores que a gente esperaria, junto com uma mudança de dinâmica que pode se materializar com pouco mais de força na parte de client, né, na parte dos PCs, porque quando a gente olha, né, como eu tive a oportunidade de ver essa semana, uma vastidão, uma enormidade de fornecedores que estão desenvolvendo aplicações para que elas possam rodar cada vez mais na borda e menos na nuvem, isso também mostra que existe potencial que ele pode se materializar.

Existe uma dificuldade nesse momento de determinar em que tempo isso acontece, mas que ela pode se determinar e ela pode acontecer também nos dispositivos. Então eu diria que essas três frentes, né, são frentes que eu vejo que podem potencializar e podem trazer receitas adicionais aí ao longo do ano de 2026 para a companhia, ok?

Luís Chagas

Perfeito, pessoal. Muito obrigado.

Operator

Pouco antes eu li duas perguntas do Rafael Oliveira, aqui ele pediu para fazer mais uma. Entendi que você quer que abra o microfone, Rafael?

Rafael Oliveira?

Rafael Oliveira

Fala, pessoal. Tudo bem?

Vocês me escutam?

Hélio Rotenberg

Sim.

Rafael Oliveira

Então, eu queria bater no ponto do guidance mais uma vez. Eu sei que teve o atraso de várias publicações de editais em instituições públicas.

Eu sei que a visibilidade disso não é tão grande, mas como vocês estão enxergando ali uma melhora para o segmento em 2026? E se essa melhora acontecer, isso também poderia ser upside para o guidance?

Hélio Rotenberg

Sim, poderia. Mas passo para a Mari responder.

Marielva Dias

Então, Rafael, nós estamos num ano eleitoral, é ano bem desafiador. Nós temos mudanças agora de gestores agora em abril, porque muitos saem para competir, né, em cargos públicos.

Mas os editais continuam, porque eles precisam. A tecnologia, ela é necessária para essa entrega.

Eles estão muito ansiosos em melhorar a produtividade, em ter servidores de inteligência artificial, estão muito preocupados com a questão da soberania. Eu também voltei ontem de Maceió, nós estivemos dois dias lá num evento grande da de municípios, da Ancit.

Então, deu para perceber o quanto eles ainda precisam de equipamentos. Mas a questão toda que mais impacta aqui é a questão do orçamento, né?

Então a gente não sabe como será esse ano, né? Se o governo liberar dinheiro, eles vão comprar.

E, como eu disse também, felizmente tem muitos que estão bem e estão comprando. Então, nós vamos brigar por qualquer pedacinho aí que qualquer oportunidade que surgir para tentar melhorar o nosso número, com certeza.

Não sei se respondi.

Rafael Oliveira

Tá ótimo. Superclaro, obrigado.

Operator

Eu vou ler uma pergunta do Luiz Felipe, analista da RCA Research. E ele diz que o TSE lançou edital de 130 mil urnas.

Veremos a companhia participando desta licitação? O que que podemos saber de antemão sobre esse projeto nesse momento?

Marielva Dias

Na realidade, nada, né? Porque licitação é sempre uma disputa lá na hora.

O que nós queremos dizer é que nós estamos preparados, nós estamos trabalhando há bastante tempo nesse projeto. Vamos procurar fazer o nosso melhor lá, entrar de forma bastante competitiva.

E não sabemos aí se teremos concorrentes fortes ou não. Infelizmente, não temos como adiantar nada, não sei se...

Hélio Rotenberg

Mas estamos fortes para participar, com certeza.

Marielva Dias

É. Isso.

Operator

Acho que entramos no horário aqui do almoço. Eu tenho algumas perguntas que já foram feitas, de uma forma ou de outra, qualquer outra eu responderei diretamente.

Hélio, quer fazer algum comentário final?

Hélio Rotenberg

Contar que a gente está feliz com essa implementação da estratégia, apesar das adversidades pontuais do mercado, não é o que está acontecendo com a empresa como todo. A empresa está se movendo para o lado certo, as coisas estão acontecendo e os resultados a gente acha que vão começar realmente a vir, como vieram no último trimestre.

A gente pretende ter ano melhor, evidentemente, e pretende que continue nessa ascendência de resultados e faturamento diante dessa nossa estratégia, modéstia à parte, que está sendo muito bem executada por toda a empresa, por esse corpo fantástico de executivos. Muito obrigado.

Operator

Obrigado a todos. Nos vemos em dois meses no call do primeiro trimestre.