Leonardo Dias
Bom dia a todos. Estamos iniciando mais uma apresentação de divulgação de resultados da Construtora Tenda.
Eu sou Leonardo Dias, coordenador de Relações com Investidores. Temos aqui comigo hoje Rodrigo Osmo, nosso CEO, e Luiz Maurício Garcia, nosso CFO e DRI.
A dinâmica será parecida com as anteriores: o Luiz vai falar sobre os destaques operacionais e financeiros, e quem tiver alguma dúvida e quiser fazer perguntas é só levantar a mão que faremos a moderação conforme a ordem das perguntas no momento do Q&A. Passo a palavra para o Luiz.
Luiz, por favor, pode seguir com a apresentação.
Luiz Maurício Garcia
Obrigado, Léo. Bom dia.
Vamos dar início aqui, então. Bom, acho que tivemos tri muito forte.
O tri veio acima da nossa expectativa até e acho que acima do consenso também pelo que nós vimos aqui de prévias. E eu vou passar aqui por alguns destaques, né?
Então, nós tivemos uma venda líquida recorde que já havia sido reportada de 1 bilhão e meio, né? Principalmente quando a gente exclui aqui o Pode Entrar ano passado.
O nosso aumento de preço também foi forte no tri. Tivemos aumento no nosso preço raso, que exclui o pró-soluto pós-chaves, acima de 5%, e no preço nominal de 8%.
Então, aqui é importante mostrar, né, que a companhia foi muito ágil no repasse de preço decorrente de cenário com maior risco inflacionário. Com isso, mesmo já reconhecendo essa pressão de custos nos nossos orçamentos, a nossa margem REF também subiu no trimestre, atingindo recorde de 42.2%.
E, como resultante disso tudo, entregamos lucro líquido consolidado de 183 milhões, sendo 185 no segmento Tenda, né? Então, porque uma vez aqui que o ganho de swap mais do que compensou compensou, né, foi equivalente à perda que tivemos na Alea.
Então, o nosso lucro consolidado acabou sendo parecido com o lucro líquido do segmento Tenda ex-swap. E com isso, o nosso retorno sobre patrimônio já atingiu 49% nos últimos 12 meses.
Também outro destaque positivo foi a nossa geração de caixa. Nós tivemos uma conversão de lucro em caixa acima de 50% nesse tri, muito forte, mesmo com a companhia estando crescendo.
E isso é aumento de praticamente 240%, né, em relação à geração de caixa do 4T, né? Então, acho que aqui é destaque muito positivo.
De novo, como eu mencionei, né, mas só reforçando, mesmo a companhia crescendo num ritmo forte, teve uma conversão de lucro em caixa muito muito satisfatória. E ainda falando de caixa, eu acho que também era outro objetivo grande que nós havíamos traçado para o ano, e acho que começamos bem, que é a redução do consumo de caixa Alea.
E isso também possibilitou, né, ajudou na geração de caixa total, que está na linha de cima. Então, nós tivemos aqui consumo de caixa na participação Tenda de 14.9 milhões, e isso anualizado já fica abaixo dos 60 milhões, que é o ponto do guidance, né, o ponto mínimo do guidance, que seria o melhor, entre 60 e 80 milhões de reais de consumo do ano.
Então, acho que a Alea também alcançou o objetivo de melhoria operacional e, consequentemente, redução do consumo de caixa. Falando pouquinho de lançamentos, né, nós tivemos, então, como já foi reportado também, próximo de 1 bilhão e meio no tri.
Nós tínhamos conseguimos ter lançamento muito forte no 4T, e o objetivo da companhia é seguir com forte volume de lançamentos ao longo do ano. Destaque aqui que nós lançamos o nosso primeiro empreendimento em João Pessoa.
Cabe destacar que ele ainda não reconheceu vendas no primeiro tri, ele só vai reconhecer vendas no segundo tri, mas já foi considerado em lançamentos, né? E as vendas, bom, como eu já havia passado, também superaram 1 bilhão e meio.
Sobre a margem bruta ajustada no segmento Tenda, nós alcançamos o patamar de 38.5%, foi recorde histórico também. E a Alea, como já havia sido, né, divulgado anteriormente, entregou a melhora, uma forte melhora, né, após o reconhecimento e a reorçamentação dos nossos orçamentos de obra que ocorreram no quarto trimestre.
Então, a Alea entregou uma melhora forte já indo próximo aqui do zero a zero nesse tri e caminhando para ter melhoras gradativas daqui até o fim do ano. Agora falando pouquinho só da marca Tenda, né?
Então, a marca Tenda ela já tem EBITDA faz parte aqui do nosso guidance, né? Então, o EBITDA ajustado já superou 280 milhões.
Isso anualizado já equivale a patamar de 1.1 bilhão. E esse patamar já supera o limite superior do nosso guidance, que o nosso guidance vai de 950 a 1 bi e 50.
Portanto, o primeiro tri anualizado já indica que estamos acima do nosso guidance, né? Sobre a Alea, eu acho que aqui alguns destaques.
Primeiro, o freio de arrumação. Então, nós vemos que caímos de 33 obras em andamento para 13, uma queda de 61%.
E isso consequentemente também trouxe uma redução forte no consumo de caixa. Então, saímos de pico de consumo de caixa na participação Tenda de 53 milhões para 15 milhões agora, uma queda de 72%.
E seguimos evoluindo em preço, né? Então, a Alea saiu de patamar de preço em 2024 e 25 de 180, 190, respectivamente, e agora já está num patamar de R$ 200.000 por unidade.
Então, o objetivo é também acho que boa parte da da melhora operacional e da busca pela rentabilidade na Alea está no custo, está na execução, mas também tem uma componente de preço e de produto que também a gente vem buscando, e isso está acontecendo. E, enfim, acho que venda aqui não é o destaque porque a gente tem lançado pouco, mas as vendas seguem muito fortes diante do baixo estoque que essa operação tem atualmente.
Sobre a evolução do TCD, eu acho que aqui cabe colocar, né? Nós saímos aumentamos pouquinho o TCD, de fato.
Nós no passado falamos que nosso objetivo era navegar em torno de 10%. Ano passado, com o advento dos cheques e outros fatores, esse TCD, né, que é o pró-soluto pós-chaves, acabou caindo acabou descendo abaixo desse patamar.
Mas nós fizemos alguns testes aqui internamente e entre, vamos dizer, o cliente usar 30%, 40% da nossa política de crédito, que é uma política já conservadora, e ele usar 50%, 60%, a diferença em risco de crédito, ela era relativamente baixa. Então, com isso, entendemos que o que mais otimiza a geração de valor para a companhia hoje é sim TCD na casa de 10%, 10.5%, que é o patamar que nós buscamos porque, de novo, o risco de crédito aqui e, consequentemente, o risco de inadimplência, ele é muito baixo comparado ao retorno potencial desse aumento.
E cabe destacar aqui também que nós adotamos uma política mais conservadora. Então, esse aumento aqui ele também está vindo com uma política de de provisionamento mais conservadora, onde uma parcela maior, vis-à-vis o que acontecia no passado, desses desse pró-soluto de 10%, ela está sendo provisionada como PDD.
Então, não é só que aumentamos o PDD, mas também aumentamos aqui o o a essa política ela está constantemente sendo revisada ao longo do ano. Nós devemos passar por mais revisões de política e a gente vai sempre aumentar assim que se mostre necessário.
Sobre agora falando pouquinho do consolidado, então nós já atingimos o patamar de 450 milhões de lucro nos últimos 12 meses, né, 448 milhões ex-swap. Se traçarmos aqui uma uma uma média desde o primeiro trimestre de 2024 até o primeiro trimestre de 2026, a companhia tem aumentado o lucro na ordem de 70 milhões por trimestre, né?
Então, o último tri foi até pouquinho acima disso, né, de 370 ali para 448. Mas esse tem sido essa tem sido a média de aumento de lucro trimestral.
E, então, acho que isso mostra que a companhia está muito bem posicionada para eventualmente até superar o topo do guidance de 600 milhões de lucro consolidado no ano ex-swap, né? Com swap a gente já já até superou esse patamar.
Bom, diante de de início de ano tão positivo, né, acho que a pergunta que fica é como o cenário atual de aumento de custos pode nos impactar, né? Acho que essa nas últimas três, quatro semanas, né, essa tem sido a pergunta e acho que o grande tema do relatório dos analistas no mercado.
Então, nós trouxemos aqui uma uma análise com bastante dado que faz parte da da nossa mensagem da administração do release deste trimestre com alguns fatores mostrando por que nós estamos muito mais seguros do que estivemos lá no passado, né? Então, o primeiro ponto foi a evolução do nosso modelo de negócio.
Acho que muitos de vocês acompanharam aqui, ou praticamente, né, acho que todos vocês acompanharam as mudanças, né, que a empresa fez em controles internos, em conservadorismo de provisão, na governança, na nas na metodologia, né, de constituição e reversão da provisão de inflação e eventuais. Então, cabe lembrar aqui, né, que a Tenda lá atrás não tinha a provisão de inflação e eventuais, agora talvez a Tenda seja a empresa com a maior provisão de inflação e eventuais do mercado.
A gestão do estoque de preço também: nós saímos de de VSO de 32%, né, lá lá em 2020, e agora a gente tem aquele VSO na banda entre 25 e 30, trazendo isso para baixo uma vez que o cenário de inflação se mostre mais benigno. E também e e ainda ligado a esse ponto, agilidade na reprecificação dos projetos, né?
Então, como nós vimos aqui, nós já repassamos preço não só preço nominal, mas também preço raso neste trimestre. Então, nos próximos slides nós vamos abordar pouquinho do porquê que nós estamos confiantes mesmo diante desse cenário de maior risco inflacionário, né?
Então, primeiro, como nós falamos, mas só reforçando, passa pelo preço, né? A companhia foi muito ágil no repasse de preço com ganho de preço de trimestre para o outro, né, de acima de 6% no preço nominal e de 3% no preço raso, preço raso com aumento, né, de 5% também no ano.
Então, essa agilidade e e manter o VSO numa banda conservadora, né, ele também é muito importante. Então, acho que isso vai seguir ao longo do ano.
Cenário de inflação se mantiver ainda com maior risco, a gente vai sim manter VSO mais próximo da banda de 25 e tentando repassar mais preço. Assim que esse cenário se arrefecer, a gente volta o VSO mais próximo da banda de 30 e e consequentemente, né?
Mas acho que a ideia é que a companhia mantenha essa governança muito e muito atenta ao cenário que está acontecendo, né? Então, isso já aconteceu no primeiro tri.
Bom, acho que aqui é pouquinho do a gastar, né? Então, hoje nós decidimos manter a provisão de 7%, que já vinha sendo a nossa política no ano passado, né?
Havíamos até anunciado ao mercado que a gente poderia sim voltar a ter uma provisão de inflação de 5% esse ano, mas diante de todo o cenário no primeiro tri nós desistimos. Então, a companhia mantém uma política de 7% de inflação mais 4% de eventuais.
E isso, como podem ver aqui, representa 11% do nosso a gastar de obra, né? Então, nós temos a gastar aqui total de 2.7 bi quase, e praticamente 300 milhões é a provisão de inflação e eventuais.
Como no primeiro tri nós já retroalimentamos, né, isso acontece todo mês, todos os nossos orçamentos de obra com todos os custos já conhecidos, e isso, né, inclui todo o aumento que aconteceu mesmo antes do mesmo os aumentos que não estão relacionados ao conflito, né, no Oriente Médio, como, por exemplo, cobre, que já havia subido antes disso, então no ano a nossa só a nossa provisão de inflação, excluindo eventuais, ela já supera 8%. Porque, de novo, né, você tem os 7% anualizados, mas tem como a inflação que nós reconhecemos no primeiro tri foi acima disso, no ano a nossa provisão de inflação já supera 7, né, esse ano de 2026.
Olhando os próximos 12 meses ela está em 7. Então, 7 mais 4, 11.
Então, acho que a companhia tem uma uma uma provisão bem conservadora. Essa pequena queda que aconteceu entre o fechamento de 2025 e 1T26 foi decorrente do Pode Entrar principalmente.
Como vocês sabem, o Pode Entrar ele tinha uma provisão de eventuais dobrada e e agora que ele está chegando próximo à entrega, isso vem sendo revertido. A consequência disso é que mesmo com essa provisão conservadora, mas diante de de da nossa agilidade em aumentar o preço, a companhia conseguiu entregar aumento de margem mesmo diante desses cenários de maior pressão inflacionária, né?
Então, acho que aqui foi uma conquista muito importante que se reverteu no lucro, né? E, por último, aqui nós trouxemos uma simulação, acho que bem interessante, né?
Acho que, diferente lá de 2020, que a empresa tinha uma carteira de recebível pequena e estava com uma, né, não tinha estoque, hoje nós temos descasamento entre percentual vendido e percentual construído muito baixo. Então, ou seja, a empresa tem alinhamento muito maior entre o que está vendido e o que está construído.
Cabe lembrar também que nós reduzimos muito o ciclo de obra de 2020 até hoje. Então, não só o VSO reduziu, mas o ciclo de obra encurtou.
Então, o casamento entre o percentual vendido e o percentual construído hoje também está muito próximo. Ou seja, você não tem esse risco, você mitiga muito esse risco do choque inflacionário.
Além disso, nós trouxemos aqui uma simulação que hoje, dado o fato da nossa carteira também ser maior pré e pós-chaves do que era no passado, essa carteira ela também passa por uma correção: pré-chaves ela corrige a INCC e pós-chaves ela corrige a IPCA. Então, o que nós mostramos aqui é que mesmo com o IPCA com o INCC, desculpe, de 8% no ano e mesmo que isso não se reflita na correção dos nossos recebíveis, o que não faz sentido, né, porque o nosso recebível pré-chaves, como eu como eu já mencionei, né, ele corrige a INCC e o pós-chaves a IPCA e os dois indicadores estão subindo, ainda assim a gente não teria impacto de lucro no ano.
E num cenário que nós colocamos aqui como pior cenário, né, que o INCC fosse de 10% e ainda assim a gente não conseguisse corrigir os nossos recebíveis, digamos que vai ter uma inadimplência maior e a correção do do recebível vai ser compensada, né, por fatores exógenos, ainda assim o impacto em lucro no ano inteiro seria de 20 milhões, ou seja, muito baixo. O nosso cenário hoje base, ele está mais até para para efeito positivo, né, aqui olhando os recebíveis, dado que a tendência é que a correção desses recebíveis caminhe aqui para a coluna que está a 6%, 7%, né?
Então, ou seja, o impacto de lucro no ano, mesmo que esse INCC, vamos dizer, busque patamar de 10%, ele tende a ser ou zero ou muito baixo, tá? Então, acho que essa essa simulação aqui acho que traz conforto para o mercado também sobre esse aspecto.
Bom, entrando pouquinho na geração de caixa, como nós já mencionamos anteriormente, então tivemos uma geração de caixa total no tri de 87 milhões, né, descontando os 111 milhões de dividendos e recompra. Então, isso aqui já é, de novo, uma conversão de lucro em caixa acima de 50% mesmo, né, de novo, com a companhia crescendo e ainda com o consumo de caixa também que nós tivemos no na operação da Alea.
A nossa sobre a nossa estrutura aqui pouco falando pouquinho de estrutura de capital, né? Então, a nossa dívida líquida corporativa sobre o patrimônio continua muito confortável no patamar de -5%.
Isso até que nos nos deu conforto em também antecipar o pagamento de dividendos que nós fizemos em janeiro, né, sobre o lucro do ano passado. Declaramos e pagamos mesmo antes da Assembleia Geral Ordinária que aconteceu agora em abril.
Bom, sobre o guidance, acho que vou passar rapidamente aqui, mas a mensagem é que nós já estamos aqui próximos de 30% de todas as métricas ou já superamos, né, no caso do lucro, o patamar de 30% no primeiro tri, né? Então, o que mostra que tem risco de superarmos o limite superior de dos guidances divulgados para o segmento Tenda.
E mesmo no segmento Alea, nós também estamos bem posicionados, né? Então, o fluxo de acho que o consumo de caixa aqui, que é o principal ponto, que que esse aqui é o inverso, né, quanto menor, melhor, então ele também já está abaixo do do que seria o patamar, né, do limite pior aqui, que seria os 80 milhões, né?
Ele está navegando já abaixo dos 60. É isso.
Vamos para a sessão de perguntas e respostas. Obrigado.
Então, vamos dar prosseguimento.
Leonardo Dias
Dar início a nossa sessão de Q&A. Nossa primeira pergunta vem do Gustavo Cambauva, do BTG.
Camba, seu microfone está liberado.
Gustavo Cambauva
Oi, pessoal. Bom dia a todos.
Eu queria fazer aqui duas perguntas mais relacionadas aqui ao tema de custos, né? O Luiz abordou bem aí na apresentação, vocês abriram detalhamento legal também no release.
Mas eu queria entender na prática talvez dois pontos aqui. O primeiro, se vocês podiam falar pouco mais, né, desses impactos recentes que a gente viu da guerra, né?
Quando a gente fala com outros players, muita gente fala que tem aumento aí de custos talvez aí de uns 4% a 5% mais ou menos na obra. Eu queria entender do lado de vocês, dado o perfil, né, dos projetos que vocês fazem, se vocês viram algo parecido e até entender, né, pelo que o Luiz falou, isso já está refletido, vamos dizer, no orçamento atual, né?
E aí quando a gente vê essa margem REF que vocês reportaram no tri atingindo esse patamar aí de mais de 40%, né, eu queria entender pouco se, vamos dizer, o nível aí de confiança, se essa margem já tem essa revisão atual aí de custo dos últimos dois, três meses e também essa provisão que segue no 7 mais 4, né? E a minha segunda pergunta é pouco em relação a preço, que vocês subiram bastante o preço, né, esses 8%.
Mas eu queria entender também pouco, nessa dinâmica de margem, até que ponto isso se reflete em ganho de margem, em offset de aumento de custos, né? Pelo seguinte: eu entendo que muito do que vocês estavam subindo o preço médio era talvez puxado também por uma mudança no perfil, né, nas tipologias dos projetos, né, de colocar mais amenities e tudo, ou se isso aí, vamos dizer, de fato é que você tem aumento de preço quando você compara o mesmo projeto, né?
Então, entender até que ponto é a praça diferente que puxou o preço para cima ou a própria tipologia, o perfil do projeto, ou se quando vocês comparam talvez exatamente mesmo projeto numa mesma tipologia, na mesma cidade, vocês também continuam incrementando o preço, né? O que de alguma maneira poderia offsetar esse aumento de custo.
É isso. Obrigado.
Bom dia.
Rodrigo Osmo
Tudo bom, Camba? Vamos lá.
A primeira, os nossos orçamentos já refletem tudo que a gente tem hoje de pedidas dos nossos fornecedores. Então, quando a gente fala que a gente tem uma inflação implícita de 8%, ela conversa com o que veio já de pedidas de aumento de custo dos nossos fornecedores e com expectativa de aumento de dissídio para a equipe vertical.
Então, toda a informação já está nesses 8% de inflação implícita que a gente tem na nossa provisão e na nossa contabilidade hoje. Então a gente não tem contratado nada que já está no radar que poderia impactar isso.
Mas o que que a gente está muito atento? A gente ainda não viu se essa guerra vai ter efeitos de segunda ordem, por exemplo, de descontinuidade de cadeia de suprimentos.
Não tem nada, nada ainda acontecendo no radar, mas é algo que, se essa guerra perdurar durante muito tempo, é algo que a gente ficaria preocupado, tá? Mas o que os nossos concorrentes estão falando de 4% a 5%, eu não sei exatamente o que que é, mas a gente já contabilizou tudo o que está no nosso radar.
Com relação a preço, a gente tem ganhado, quando a gente olha empreendimento a empreendimento, a gente tem ganhado preço nos empreendimentos. Não é só ganho de mix, não, tá?
Eu acho que a gente foi relativamente rápido na reação do primeiro trimestre. Eu sempre gosto de olhar o preço raso e não o preço nominal.
A gente ganhou 3 pontos percentuais de preço raso do quarto tri para o primeiro tri. Eu não sei como é que é a quebra entre mix e projeto a projeto, mas eu sei que a gente ganhou sim projeto a projeto.
Só que a gente ainda performou com uma velocidade de vendas bastante forte no primeiro trimestre a guerra começou a se traduzir em sinal amarelo com relação a potenciais aumentos inflacionários lá para março. Então quando a gente olha agora no segundo trimestre, a nossa prioridade é muito mais margem do que volume.
Então a gente deveria esperar no segundo tri VSO pouco mais modesto do que foi no primeiro tri, mas com a gente continuando numa jornada de ganho de preço projeto a projeto, e não de mix, tá?
Luiz Maurício Garcia
Tem ponto aqui, Camba, só para reforçar esse ponto. Que quando você olha, né, na página 9 do release, né, tem o mix por faixa.
Você pode argumentar, né, "Ah, mas o faixa 2 subiu e o faixa 3 também, então não foi preço, foi mix." Mas não.
Ao colocar preço, você também força que aquela mesma unidade, que antes era vendida no faixa 1, ela passa a ser vendida no faixa 2. Porque, de novo, lembra, no primeiro tri ainda não teve o aumento da renda, né?
E a unidade que era vendida, sei lá, no topo do faixa 2, ela escorrega para faixa 3 e por aí vai porque você está vendendo para uma outra renda familiar. Então, aqui, nessa mudança do mix também tem isso, né?
A gente vê isso aqui muito internamente o que o Osmo falou, né? Como a gente tá tendo que repassar preço projeto a projeto, unidade a unidade, então aquela unidade que antes era vendida no faixa 1, ela acaba sendo vendida no faixa 2.
É a mesma unidade que teve ganho de preço, não é que teve mudança de tipologia de produto, entendeu?
Gustavo Cambauva
Tá. Tá ótimo.
Ficou claro. Obrigado.
Bom dia.
Leonardo Dias
Obrigado pela pergunta, Camba. Nossa próxima pergunta vem do Elvis do Itaú.
Elvis, seu microfone está liberado.
Elvis
Bom dia, Osmo, Luiz. Duas perguntas aqui também focadas em até margem bruta.
Vocês comentaram aqui que a margem bruta, né, ajustada do lançamento está subindo, né, ano contra ano, mas ela tá subindo mais do que a REF, né? E aí vocês estão mantendo as provisões de inflação das safras antigas e novas.
Me corrija se eu estou enganado assim, mas se as margens brutas das novas vendas elas estão subindo, você deveria incorporar uma margem maior ainda no seu REF, né? Como se o seu REF deveria crescer mais.
Então eu queria entender pouquinho mais como tá essa dinâmica, por que que a REF não expandiu, né, como pouco mais do que a própria margem bruta que apareceu no P&L, tá? E até voltando na pergunta do Camba, queria entender pouquinho mais, vocês já falaram do que tão incorporando todos os novos custos anunciados pelos fornecedores, né?
E, enfim, a inflação implícita de vocês nos orçamentos está perto de 8%. Queria só entender como que tá rodando de fato a inflação interna hoje da companhia, né?
Qual que é o gap para essa inflação implícita aí de 8%? É isso.
Obrigado.
Rodrigo Osmo
É, quer que eu comece, você termina aí, Luiz?
Luiz Maurício Garcia
Tá bom.
Rodrigo Osmo
É, eu acho que tem efeito importante no primeiro trimestre, que foi que a gente entregou muito empreendimento no primeiro trimestre. E esses empreendimentos, na média, eles não usaram a provisão toda que a gente tinha alocado para eles.
Então, a margem bruta, ela foi beneficiada por uma reversão de provisão de empreendimentos entregues. Quando a gente olha a margem bruta do quarto tri na marca Tenda, que foi algo como 37.5%, e do primeiro tri, que foi 38.5%, o 38.5% talvez esteja pouco beneficiado por essa entrega de unidades com reversão de provisão, mas a gente também não acredita que a gente vai voltar para o patamar de 37.5%.
Então, a gente acha que hoje, se não tivermos novas notícias ruins com relação a custo, e a gente já passou a mensagem de que a gente tá sendo, no nosso entendimento, bastante conservador com relação a provisionamento, a gente deveria orbitar mais ou menos nesse patamar de 38% para a marca Tenda. Quer falar alguma coisa disso antes de a gente falar de inflação?
Luiz Maurício Garcia
É, eu acho que só o ponto, agora está ligado ao que você disse, a REF carrega esse conservadorismo. Ela tem a provisão cheia sempre, né?
Se a gente não utilizar, vai reconhecendo economias e isso transita no resultado, né? Por isso essa diferença, né?
Mas sim.
Rodrigo Osmo
A segunda pergunta sobre inflação implícita, eu acho que eu esqueci qual que era o coração da pergunta. Você lembra aí, Luiz?
Luiz Maurício Garcia
Sim. Ele perguntou como é que está rodando a nossa inflação interna.
Então, hoje, Elvis, é, de novo, né, com a visibilidade que nós temos, eu acho que a inflação do ano, ela tende a caminhar para esse patamar de 8%, né, que nós temos já reconhecido. Então, eu acho que essa é a visibilidade que nós temos hoje.
O lado bom, isso já está tudo provisionado e já consta nos nossos orçamentos, né? E também, além disso, se eventualmente ficar nesse patamar e não tiver novas surpresas, a gente ainda tem uma possível economia da provisão de eventuais, né?
Então, mas eu diria que hoje a gente prefere manter uma visão conservadora e assumir que a inflação que será incorrida é de fato a que a gente está assumindo nas nossas provisões.
Elvis
Tá claro. Muito obrigado, pessoal.
Bom dia.
Leonardo Dias
Obrigado pela pergunta, Elvis. Nossa próxima pergunta vem do Tainan, do UBS.
Tainan, seu microfone está liberado.
Tainan
Bom dia, pessoal. Eu queria explorar aqui o tema de guidance com vocês, né?
Acho que vocês já deixaram de forma implícita, né? Se a gente pega ali EBIT, da até as próprias vendas e anualiza acho que para lucro também com e sem swap, isso daí já se encontra acima do topo do guidance, né?
A própria queima de caixa da Alea também anualizada já está abaixo, né, do bottom do guidance. Olhando para frente, né, vocês também parecem já confortáveis, não vou dizer confortáveis, mas pouco mais já estão incorporando, né, nível de provisionamento maior.
As próprias análises que vocês fizeram ali, cenário base de vocês para uma inflação pouco mais agressiva chega ali a 20 milhões, né, de prejuízo para o ano. Acho que a minha pergunta aqui é entender o que que ainda eventualmente faria, né, a gente acreditar que não teria upside para esse guidance, né?
O que que eventualmente desse primeiro tri vocês olham para o ano, né? Eventualmente alguma linha de resultado financeiro, até mesmo a Alea, né, que faria com que esse lucro eventualmente pudesse ali retornar para meio do guidance, eventualmente até ficar pouco abaixo.
Tá? Acho que a minha pergunta é realmente entender aqui esse guidance de vocês se eventualmente teria upside para alguma revisão em algum período do ano ou se tem alguma coisa ainda que deixa vocês desconfortáveis para essa potencial revisão.
Obrigado.
Luiz Maurício Garcia
Não, acho que você tá correto. O risco hoje, né, ele tá mais no upside.
Então, é isso. Acho que, de novo, tendo uma postura conservadora, a gente deixa para revisar no meio do ano, então seria na divulgação do segundo tri esse guidance, quando você já tem pelo menos metade do ano já percorrido.
Mas, sim, a visibilidade hoje é essa, que esse guidance, ele estaria mais para ser revisado para cima ao invés de ser mantido, grande parte dele, né?
Rodrigo Osmo
É, acho que é isso, Tainan. O upside risk é bem maior do que o downside risk, mas a gente não tem por política revisar guidance no primeiro trimestre, né?
Porque a gente correu quarto do ano, tem muita coisa para acontecer. Assim como o primeiro tri foi muito positivo, a gente quer consolidar essa percepção antes de falar de qualquer revisão.
Tainan
Perfeito. Bem claro.
Obrigado, pessoal.
Leonardo Dias
Obrigado pela pergunta, Tainan. Nossa próxima pergunta vem do André Mazini, do Citi.
Mazini, seu microfone está liberado.
André Mazini
Opa. Bom dia, Osmo, Luiz, Léo.
Obrigado aqui pela pergunta. São duas também.
A primeira sobre essa mudança de mix em que vocês meio que historicamente aí nos últimos anos têm introduzido mais faixa 2 e 3 do que vocês tinham tempo atrás, né? É claro que para introduzir mais faixa 3 vocês também introduzem piscina, varanda, garden, né?
Então, como é que vocês conseguem introduzir esses atributos, né, como vocês chamam, e mantendo os poucos SKUs, né, que eu acho que também é o norte da companhia, né? Diminui o risco, etc., né?
O processo construtivo de vocês muito industrializado, ele funciona bem com esses SKUs contidos. Então, como é que as duas coisas conversam, né, ir pouco mais para o faixa 3 com atributos e ao mesmo tempo mantendo esses SKUs contidos, que eu acho que deve ser o intento?
Essa é a primeira. E a segunda, se puderem falar sobre os vetores positivos que ajudaram a margem REF subir versus o quarto tri de 25, né?
Se foi aumento, né, provisionamento de inflação para 7 mesmo com aumento de provisionamento de inflação para 7%, né, se foi economia de obra ou alguma outra coisa, né? A margem REF subindo com aumento de provisão de inflação, o que que explica ela subir, né?
É se foi economia de obra ou outra coisa? Obrigado.
Rodrigo Osmo
É, tudo bom, Mazini? Uma coisa quando a gente fala de atributos, são poucos os atributos que de fato mexem com a unidade, com o apartamento.
O único atributo que impacta no apartamento é a varanda. E a gente conseguiu desenvolver plug-in na nossa fôrma que unidades com varanda e unidades sem varanda elas são exatamente a mesma tipologia, só que a unidade com varanda ela tem plug-in, o que não atrapalha em nada o nosso processo construtivo.
Vocês citou outro eventual atributo que seria o garden. A gente não tá trabalhando com garden, a gente fez alguns experimentos e por enquanto não achamos que ele se pague, então essa complexidade não tá hoje na nossa linha.
E a maior parte dos outros atributos, eles são externos à torre. Então, a gente tá falando de piscina, a gente tá falando de vaga de garagem, são coisas que, se a gente for para faixa 3 e eventualmente até faixa 4, a gente deve fazer lançamento teste de faixa 4, você muda muito o enxoval.
Você pode mudar o memorial descritivo da pia, da cerâmica, da esquadria da janela, e isso também não mexe na complexidade de execução. Ela simplesmente é instalar o mesmo componente só que de uma marca e de uma especificação diferente.
Vocês não têm ideia do cuidado que a gente tem com relação a isso. Qualquer discussão de atributo aqui precisa responder essa primeira pergunta: como é que esse atributo entra na linha sem atrapalhar a eficiência da execução na ponta?
Então a gente tem conseguido criar mix de tipologias e de atributos que tão adicionando quase nenhuma complexidade pra gente na ponta. E com relação ao REF, o que de fato aconteceu foi as obras já nasceram, uma boa parte delas, com uma boa provisão.
Quando a gente olha a provisão implícita que já existia em boa parte das obras, ela já era relevante. O que a gente teve que fazer de ajuste em obras pontuais para chegar em 8% para 2026 não foi tão relevante porque uma boa parte das obras já tavam bem provisionadas, e a gente ganhou preço, né?
A gente ganhou preço, principalmente preço raso. É ganho de 3% de preço num trimestre, uma boa parte deles vindo de mesmos produtos, é muito relevante.
Então, o que a gente teve de incremento de custo por aumento de provisionamento no REF foi menos relevante do que o impacto positivo no ganho de preço. Acho que é isso, né, Luiz?
Luiz Maurício Garcia
É isso.
André Mazini
Muito claro. Obrigado, Osmo, Luiz.
Leonardo Dias
Obrigado pela pergunta, Mazini. Nossa próxima pergunta vem do Herman Lee, do Bradesco.
Herman, seu microfone está liberado.
Herman Lee
Bom dia, Osmo, Luiz. Obrigado pelo espaço aqui.
Duas perguntas aqui, tá? Primeiro em relação a estratégia com o uso de pró-soluto, então parece que esse tipo de financiamento deve ou pode subir nesse cenário de inflação mais alta.
Queria saber se a venda de carteiras de pró-soluto deve acelerar também este ano. E pegando pouco desse gancho aí também, né, com o pró-soluto pós-chaves aumentando, queria saber como isso deve impactar a geração de caixa da companhia também ao longo de 2026.
Obrigado.
Luiz Maurício Garcia
Vamos lá, Herman. Sobre venda de carteira, acho que dá até passo atrás aqui, né?
Então, a estratégia da companhia ano passado, e naquele momento a gente tava pensando em alguma volatilidade esse ano ligado a outros fatores, né, que obviamente que não o que se concretizou até agora, né, que foi essa questão do conflito no Oriente Médio, então nós antecipamos toda a necessidade de captação da empresa, tanto dívida corporativa quanto aquilo que a gente também faz via cessão de carteira, né? E, de fato, o ano começou com as curvas, né, puxando pouco, né, diante do cenário maior risco inflacionário e etc.
Então, acho que a nossa decisão lá atrás, ela foi conservadora, né, a gente tava olhando outros riscos, né, volatilidade por eleição e etc. Então, o fato é que nós não temos necessidade de captar recurso esse ano.
A companhia, com a geração de caixa desse ano, ela faz frente a todos aos vencimentos de dívida, tanto corporativa quanto de amortização de carteira, né? Você vê que isso tá acontecendo.
Então, acho que nesse momento agora de curto prazo, acho que cabe sermos cautelosos, né? Não tem por que a gente emitir nada agora que a curva puxou pouco, as curvas longas, né, puxaram pouco, e o cenário de dívida estressou pouquinho, nada relevante, né, mas pouca coisa, e a gente esperar o melhor momento de fazer isso à frente.
Então, a gente não tem necessidade de fazer nenhuma operação de captação esse ano, e a gente também tem uma necessidade de ter uma geração de caixa forte, né? Cabe destacar aqui ainda que em abril nós tivemos o vencimento de dois contratos de swaps relevante que totalizaram mais de 5 milhões de ações, né, que são os contratos remanescentes que ficaram em aberto.
Por coincidência, esses foram contratos de 1 ano e meio que venceram em abril. Só o ajuste caixa dessas duas posições foi de 60 milhões, né?
E isso no segundo tri, né? Isso nem entrou no primeiro, vai entrar no segundo.
E no segundo semestre nós temos a entrega do Pode Entrar também, que tem efeito caixa relevante, né? Então, ou seja, a nossa situação de caixa no ano é bastante confortável.
E sobre o impacto no free cash flow, ele não tem impacto pelo seguinte: ele pode ter impacto na conversão do lucro em caixa, sim, mas não em relação à nossa expectativa prévia de geração de caixa. Por quê?
Porque como nós destacamos aqui, a gente tem focado e as métricas internas da empresa, da área comercial, ela é principalmente em preço raso, ou seja, preço sem o pró-soluto pós-chaves, né? O pró-soluto pós-chaves nós definimos em função de uma política daquilo que cabe no bolso do cliente, né?
E como eu disse, a gente aumentou pouco, né, o quanto o cliente toma em relação à política, mas ainda assim hoje o cliente tem usado 70% da política, então ele ainda tá abaixo do limite da nossa política de concessão de crédito. Então, dito isso, sim, você pode ter uma pior conversão, né, de lucro em caixa porque o lucro tem o pró-soluto pós-chaves, mas em relação à expectativa prévia não, porque o preço raso tem subido e a gente olha as métricas internas em relação a preço raso, tá?
Então, a tendência é que a conversão de lucro em caixa se mantenha num patamar saudável sim.
Herman Lee
Muito claro, Luiz, Osmo. Obrigado aí.
Bom dia.
Luiz Maurício Garcia
Bom dia.
Leonardo Dias
Obrigado pela pergunta, Herman. Nossa próxima pergunta vem do Ygor Altero, da XP.
Ygor, seu microfone está liberado.
Ygor Altero
Oi, pessoal. Bom dia.
Já pegando o gancho nesse ponto aí do lucro, né, na conversão de caixa, eu queria entender assim o que que a gente pode esperar ao longo do ano também no cenário de dividendo, né, tanto para esse ano como pro ano que vem, dado essa dinâmica de geração de caixa mais robusta aí que a gente deve ter. E o outro ponto é sobre as melhorias do programa aí, né, o quanto que você acha, né, que com essas melhorias aí vocês conseguem repassar preço, né, para tentar de alguma maneira offsetar aí essa pressão de custo, né?
Entender se vocês veem espaço aí para repasse de preço mesmo nas faixas mais baixas de renda, o que é onde a companhia tem uma exposição também relevante, né? Obrigado.
Rodrigo Osmo
Quer pegar a primeira, eu pego a segunda aqui?
Luiz Maurício Garcia
Tá bom. Vamos lá, Ygor.
Sobre dividendos, né, acho que é tema que tá sempre na nossa pauta. Eu acho que primeira metade do ano a gente, sem dúvida nenhuma, vai querer ter melhor visibilidade, né?
Acho que o cenário mudou pouco, né? Então, por exemplo, a expectativa de queda de juros já mudou, né?
A inflação também foi uma novidade, né? Então, acho que cabe à companhia ter uma prudência nesse primeiro momento e continuar focando na redução da sua alavancagem, por mais que ela seja baixa já, né, mas continuar focando na redução da alavancagem.
Mas, sem dúvida, né, acho que pensando daqui até o fim do ano, em algum momento esse tema vai vir até porque a gente vai ter que pensar pouco como é que vai ser a distribuição relacionado ao lucro desse ano, né? Mas, então, num primeiro momento o nosso objetivo é continuar reduzindo a dívida líquida corporativa, né?
Quer dizer, a dívida líquida, né, corporativa principalmente. E a cessão de carteira nós entendemos que até 30%, né, a cessão, se ela represente até 30% da nossa carteira líquida, que hoje já tá aí, né, aproximando de 2 bi, líquida de provisão, é patamar saudável, né?
Então, 30%, 600 milhões, a nossa cessão já tá abaixo disso, né? A gente tava em 600 milhões no quarto tri, que era esse ratio.
Então, se você ter uma cessão que seja equivalente, né, a 30% da carteira líquida, nós entendemos que é patamar superconfortável, e hoje ela tá abaixo disso. E a dívida corporativa ela segue negativa, mas reduzindo, e a dívida líquida total consequentemente vai tender a zero também, né, com o passar do tempo.
Então, acho que esses são os pilares, né? E acho que quão mais ou menos dividendos a gente vai distribuir vai depender de uma série de fatores, incluindo a expectativa de geração futura, que por enquanto ela tá inalterada, e o nosso objetivo de desalavancagem também vis-à-vis ao cenário de taxa de juros, né?
Então, acho que essas são as variáveis, mas, de novo, num primeiro momento acho que cabe a gente entender melhor o cenário onde essas variáveis vão parar. Mas acho que no final do ano, sem dúvida nenhuma, a gente vai trazer essa conversa de dividendos e de uma política, né, em relação à geração de caixa também.
Rodrigo Osmo
Ygor, com relação a melhorias do programa, o impacto da nossa capacidade de precificação ele foi relativamente limitado. Porque quando você pega o que na prática aconteceu, é uma faixa muito estreita, de R$ 2.850 a R$ 3.200 de renda, que teve benefício de taxa de juros.
Para nós o impacto mais relevante nem foi esse, o impacto mais relevante foi que quando, no nosso entendimento, o governo muda as faixas do programa, ele também muda a faixa de RET 1. E a gente tem na nossa carteira muitos clientes que foram vendidos no RET 1.
Então a tributação desse estoque de clientes ela também mudaria. Então, eu não lembro quanto, mas isso dava benefício que não era desprezível na margem.
Luiz Maurício Garcia
15% da base de
Rodrigo Osmo
Mas isso dava benefício de 0,3 na margem, alguma coisa assim.
Luiz Maurício Garcia
É, 15% vai em vez de 4%, paga
Rodrigo Osmo
E ao invés de 4%, paga 1%. Então, assim, esse é impulso que ajudaria na nossa margem, mas menos relacionado a novas vendas e mais relacionados a receita que a gente tem para reconhecer hoje no balanço.
Luiz Maurício Garcia
E sobre essa questão de preço também, Ygor, acho que a gente já vinha falando isso mesmo antes, né, desse cenário, né, e nós temos uma tabela disso na introdução do release, que é a diferença do INCC mão de obra para materiais, né? Por mais que materiais agora esteja subindo, né, e essa curva vai continuar, a inflação de mão de obra já vinha em 8%, né?
Então, acima de 8%, no caso, né? Então, ou seja, a necessidade de repasse de preço de players que são mais intensivos em mão de obra, por exemplo, como os que usam alvenaria estrutural, ela já vinha acontecendo mesmo antes do conflito, né?
E isso continua, né? Nós entendemos que não é que a mão de obra vai arrefecer, né?
Acho que ela vai continuar pressionada pela escassez, por todos os fatores que nós já conversamos amplamente. Então, dito isso, eu acho que uma vez que você tem grande parte do mercado usando uma metodologia construtiva que ela é mais intensiva em mão de obra, que já tá rodando acima de 8 já há bastante tempo, isso também abre espaço, né, porque naturalmente esses players têm que repassar preço porque, além da mão de obra, eles também vão se deparar agora com aumento do concreto, do cobre, da parte hidráulica e por aí vai.
Então, acho que a gente também segue num cenário onde o ambiente relativo de repasse de preço, ele também tá favorável ao nosso modelo, diferente do que foi lá atrás, né? Porque o nosso modelo foi muito mais impactado relativamente.
Ygor Altero
Tá bem claro. Obrigado, Luiz.
Obrigado, Osmo.
Leonardo Dias
Obrigado pela pergunta, Ygor. Nossa próxima pergunta vem do Victor Tapia, do Bank of America.
Tapia, seu microfone está liberado.
Victor Tapia
Bom dia, pessoal. Eu tenho eh duas duas perguntas aqui também.
Primeira acho que eh talvez tá mais direcionada aqui pro pro Osmo. E aí, Osmo, o que eu queria ver com você sobre a Alea é o seguinte: você pegou aí, né, o o manche aí eh no final do ano passado.
E aí no nosso último call aqui, acho que na discussão sobre a Alea ela passou muito sobre por que ser tão eh conservador assim, né, em eh se tava indo tudo bem na verticalização, por que ser conservador e não descarta outros potenciais desvios de custo? E aí a a colocação aqui, a justificativa foi que, pô, na Tenda vocês fizeram isso num prazo mais dilatado, na Alea vocês estavam correndo aí contra o relógio e tentando fazer eh bem mais apertado, né?
Hoje a gente já tá aqui em maio. Hoje quando você olha para tudo o que vocês executou e acho que esse primeiro tri também foi uma uma boa uma boa amostra, como é que você tá, né, em relação a esse a esse sentimento de expectativa aí que você tinha eh sobre esse prazo e sobre outros potenciais desvios?
Acho que é mais qualitativa nesse ponto. E a segunda pergunta acho que talvez pro Luiz, mas se você quiser complementar também, Osmo, é mais entender assim eh nessa análise de sensibilidade, né, de inflação de custo que vocês fizeram, como como que seria assim eh se a gente tentasse separar entre Alea e Tenda, né?
Dá Dá para dá para a gente inferir que a composição de custo da Alea ela tem eh componentes menores ou menos influência de eh de químicos direto e indiretamente a preço de petróleo? São esses dois pontos.
Rodrigo Osmo
É, acho que posso pegar as duas, Tapia. Eu vou tentar ser o mais objetivo possível aqui.
A gente no primeiro semestre, quando a gente fala em estabilização da operação de Alea, o que a gente tá buscando é conseguir chegar num patamar de produzir quatro casas dia em acabamento. É o que a gente chama de acabamento?
Quando você quebra as atividades de canteiro, você tem o radier, que é a base da casa, você tem a montagem da casa, que é trazer as paredes da fábrica e montar elas no canteiro, e você tem o acabamento, que é fazer tudo o que vem na sequência. Então a pintura, o forro de gesso, a cerâmica, as esquadrias, boa parte já vem de fábrica, mas o que sobra a ser feito no canteiro.
O radier e a montagem eram atividades que a gente já vinha fazendo ano passado. E a gente teve problemas muito sérios com fornecedores no acabamento.
Então a gente começou a verticalização em novembro do ano passado. Então em novembro do ano passado a gente produziu, em média, 0,2 apartamentos por dia.
Em dezembro, eu tô olhando aqui no gráfico e tentando fazer alguma média, tá? Em dezembro a gente deve ter produzido uns 0,7; em janeiro, 1; em fevereiro, 1.3; em março, 1.9; em abril, 2 e 3, 2.3; e a gente tá chegando em maio agora e a gente tá com uma expectativa de chegar em junho bem próximo desses quatro.
Tá? Então, a primeira etapa da estabilização é a gente conseguir ter o ritmo do acabamento igual ao ritmo do resto da obra, do radier e da montagem.
E a gente ainda não chegou lá, mas eu acho que a gente tá com indicadores muito promissores de que a gente tem condições de chegar em junho com isso atingido. Dali para dezembro o desafio é a gente conseguir reduzir a quantidade de mão de obra necessária para atingir isso que a gente chama de tact 4, que é quatro casas por dia.
Então hoje a gente, para chegar nesse tact 4, a gente tá com uma margem de segurança na mão de obra, ou seja, excesso de trabalhadores muito significativo. Então a gente tem hoje alguma coisa como 70% mais trabalhadores do que a gente entende que seria em regime.
Então esse é o desafio do segundo semestre, que é a gente reduzir esses 70% para o patamar que a gente entende que é o patamar necessário. Essa jornada toda que a gente tá fazendo em Alea muito mais rápido do que a gente fez em Tenda, mas com benefício de 15 anos de experiência acumulada da Tenda que tá sendo aportada na Alea, né?
Então a gente tem muita gente de Tenda que foi pra Alea agora pra ajudar nessa estabilização e tão ajudando bastante. Com relação à composição de custo, como a fonte primária de tensão de oferta hoje na inflação são todos derivados de petróleo, Tenda ela tem uma composição de petróleo, indiretamente na sua composição de custo, maior do que Alea, principalmente pelo concreto, né?
O concreto ele tem componente de frete muito importante. Apesar de Alea também ter frete, mas, incrivelmente, a gente fala: "Não, tem uma fábrica e tem que levar a 200 km da fábrica", mas o frete em Alea, ele representa alguma coisa como R$ 1.500, R$ 2.000 por unidade, ele não é tão relevante assim.
Então o aumento de diesel ele tem algum impacto, mas ele não mexe tanto assim o ponteiro de Alea. Então, em termos de exposição a risco de custo de derivados de petróleo, Tenda tem pouco mais do que Alea.
Victor Tapia
Tá, entendi. Dois follow-ups rápidos, então.
Sobre a primeira pergunta, bem rapidamente assim, dá para entender que tá acima ou em linha com as expectativas essa verticalização, dado o que você via lá em novembro ou dezembro quando você sentou? É mais esse ponto qualitativo.
E o segundo ponto, qualquer variação aqui de margem em Alea daqui para frente, ela vai ser uma leitura muito mais então da verticalização ter tido sucesso ou não do que grande impacto dado alta de petróleo. Também dá para a gente inferir alguma coisa assim, certo?
Rodrigo Osmo
Vou começar pela tua segunda: certíssimo, assim. O impacto da estabilização da vertical é muito mais relevante em Alea do que os custos de insumos, muito mais hoje.
E com relação a o quanto que a gente tá, a gente sempre articulou que a estabilização da vertical ela era desafio, né, porque a gente teria que fazer num prazo muito mais acelerado do que a gente fez em Tenda. A gente tá em linha com esse desafio.
Tá? Então, é difícil falar que tá em linha com o esperado, tá em linha com como a gente se desafiou a fazer.
Então a gente não tá nem acima, nem abaixo. E de fato, como era desafio, tinha risco grande da gente não tá conseguindo entregar o desafio.
Acho que eu computo como sendo uma boa notícia, uma muito boa notícia de que a gente tá em linha com o desafio.
Victor Tapia
Beleza. Obrigado.
Bom dia para vocês aí.
Leonardo Dias
Obrigado pela pergunta, Tapia. Nossa próxima pergunta vem do Motta, do JP Morgan.
Motta, seu microfone está liberado.
Marcelo Motta
Bom dia, pessoal. Dois pontos.
O Osmo comentou pouco do outlook do segundo tri, né, e ele falou aí que a ideia é trabalhar com uma velocidade de venda talvez mais próximo desse range do 25 do que do 30, né? E aqui entender se na cabeça de vocês a expectativa nossa aqui deveria ser que o nível de aumento de preço deveria continuar, né, pensando aí esses 3% tri a tri no preço raso ou enfim se vão tentar jogar esse videogame até chegar nessa velocidade de 25, subindo o preço o máximo possível.
Se entender se essa deveria ser a dinâmica pelo menos no curto prazo esse ano, né? A gente não sabe o que vai acontecer com inflação.
E a segunda pergunta é sobre Canoas, se tem algum update, alguma coisa que vale a pena comentar com a gente. Obrigado.
Rodrigo Osmo
Eu não sei se o nível de aumento de preço do segundo tri vai ser 3% porque isso é superdinâmico, né? A gente tá entrando em maio agora, né?
A gente tá entrando no segundo mês do segundo tri, então tem muita água para rolar, mas a prioridade é a gente trazer o VSO mais para próximo de 25 e tendo como contrapartida ganho de preço. Então não sei se vai ser 3%, tem chance até de ser melhor do que 3%, mas não sabemos.
Precisamos ver como é que vai rolar o trimestre.
Luiz Maurício Garcia
Mas a governança sim, é essa, né?
Rodrigo Osmo
É essa governança, sim. Acho que isso é superimportante porque uma das lições que a gente aprendeu a duras penas aqui de na época do Covid é que a gente precisa ter controles muito bons para retroalimentar muito rápido qualquer percepção de desvio de custo na ponta para que isso vire matéria de discussão para esse trade-off entre margem e volume e sempre priorizar a margem.
E é isso que a gente tá fazendo nesse trimestre. Então, como tem esse cheiro de risco potencial, a gente tá taticamente privilegiando a margem, o que até se não existisse essa questão da guerra no Oriente, esse era momento para a gente tá privilegiando volume, e era por isso que a gente tava num patamar de 30%.
A gente tá num dos melhores momentos históricos do Minha Casa, Minha Vida, tamos com a prateleira cheia de produtos, temos uma perspectiva de lançamentos superpositiva para o ano. Então era momento para a gente tá privilegiando volume, mas a gente se ateve à disciplina que a gente se impôs lá atrás de não, não, não.
Vamos parar, vamos esperar as coisas se estabilizarem, nesse momento privilegiar a margem. Se precisar a gente acelera de novo lá na frente.
Acho que é isso, né, com relação a
Luiz Maurício Garcia
Só fazer parêntese aqui, ó, a gente não vai segurar lançamento, tá, Motta? Só para deixar claro, né?
Porque você lança e você já começa a contratar a cadeia de suprimentos, né, daquele respectivo projeto e, consequentemente, você já vai travando o preço. Então, a gente não segura lançamento.
O que a gente segura sim é o VSO para você vender no preço certo, né? Mas isso é importante colocar, que a nossa busca por continuar acelerando o lançamento, ela continua, tá?
Acho que é ponto importante.
Rodrigo Osmo
Bom ponto. Com relação a Canoas, a realidade é o seguinte: hoje com o tempo que se levou para todas as aprovações, os economics do projeto eles não tão excelentes.
Então a gente tá buscando uma solução junto com os entes públicos para a gente conseguir reequilibrar de alguma forma os economics do projeto de Canoas. A gente tem muito interesse em fazer esse projeto, ele é projeto socialmente muito importante, mas a gente não tem como fazer projeto, ainda mais num momento de estabilização de Alea como a gente tá hoje, que a gente entenda que vá onerar ou atrapalhar a estabilização e consumir caixa, né, que é o grande objetivo do ano.
Então a gente tá nessas discussões com os entes públicos. A vantagem é que existe muito interesse político que o projeto saia.
Então a gente tem tido ótima interlocução com o governo estadual, com o governo federal, então a gente tá otimista que esse projeto vai sair, mas ele precisa dar uma redondadinha ainda.
Marcelo Motta
Perfeito. E só follow-up: vocês tinham falado que a ideia era sair até o final do semestre, né, desse primeiro semestre.
Acho que a gente pode pensar que isso aqui talvez é projeto para acontecer esse ano ainda?
Rodrigo Osmo
Canoas?
Marcelo Motta
É.
Rodrigo Osmo
Sim, sim, claro. Não, a gente precisa arredondar rápido.
Obrigado. Valeu.
Leonardo Dias
Obrigado pela pergunta, Motta. Nossa próxima pergunta vem do Luiz, do Santander.
Luiz, seu microfone está liberado.
Luiz
Oi, pessoal. Bom dia.
Aqui são duas perguntas, tá? A primeira, eu queria entender, né, o que o Osmo comentou ali de que a margem acha difícil de voltar a margem, né, para 37.5%, e que acredita que deve orbitar por volta de 38%.
O que eu queria entender o que que vocês tão olhando para essa margem de 38%, né? Porque quando a gente olha a margem bruta de novas vendas, tá em 37.3%.
Queria entender se vocês tão considerando esses 38 com futuras economias de obra, tá, para chegar nesse patamar. E a segunda pergunta é mais relacionada aqui ao pró-soluto, né?
Acho que vocês tiveram aumento bem significativo aqui. Mas com as mudanças ali do Minha Casa, Minha Vida já já nesse segundo semestre, né, o que que vocês esperam para esse patamar de pró-soluto?
Vocês acham que tem uma expectativa aí para cair esse patamar, voltar no ritmo de queda que vinha desde 2023, ou vocês acham que veio para ficar esse patamar pouquinho mais alto e rodar ali nesses 10% é mais a cabeça de vocês?
Luiz Maurício Garcia
Tá bom. Vamos lá, Luiz.
Então, sobre a margem novas vendas, né, a margem novas vendas ela carrega conservadorismo assumindo que a gente vai usar toda a nossa provisão, né? E ela é o preço que incorreu naquele trimestre, né?
Então também ela não assume, naturalmente, que você naquele mesmo projeto, né, vai conseguir precificar melhor. Por exemplo, a gente vem nos projetos de faixa 3, a gente vem cada vez mais sofisticando melhor a nossa reprecificação do projeto.
A gente vê que hoje, mesmo quando você olha a avaliação de projeto nosso faixa 3, ela ainda é muito aquém de concorrentes com produtos similares, né, que eu acho que é uma coisa que a gente também precisa trabalhar na avaliação desse projeto. Então, só mencionar aqui dois exemplos, Luiz, mas tem uma série de fatores que justificam isso.
Mas que na prática, como você mesmo colocou, né, você pode ter ao longo do tempo uma reprecificação melhor, você pode não usar toda a sua provisão de eventuais, você tem conservadorismo aqui de ciclo de obra e a gente tá executando a obra num tempo mais curto do que o previsto. Então, ou seja, tem uma série de fatores que vão acontecendo.
Cabe destacar, né, a Tenda ela tá no melhor momento operacional da companhia, né? A obra no tempo mais curto.
A gente antes, né, 4 anos atrás, a gente tava entregando obras verticalizadas com 30, 36 meses, né, usando todo o prazo contratual. Agora a gente entrega uma obra verticalizada em 24 meses.
O tempo de obra mesmo tá sendo 18 meses, né? É impressionante, é muito curto.
Então, ou seja, tem uma série de fatores aqui, mesmo a provisão nós não reajustamos esse encurtamento total do tempo de obra, né, o que também traz ganhos. Então, ou seja, já mencionei aqui quatro, cinco exemplos que ajudam a entender isso, tá?
Mas o que nós aprendemos lá atrás é que é melhor ser conservador e a gente, né, entregar melhor do que o esperado do que o contrário, né? Então, mas te dei aqui quatro, cinco exemplos do porquê que isso acontece, tá?
Sobre pró-soluto, não, como nós colocamos lá atrás, né, a gente vinha usando 50% da nossa política de crédito, 50%, 55%, e agora a gente tá usando 70%, né? E nós fizemos aqui e fazemos constantemente, né, backtests, né, entendendo a dinâmica, a gente revisita aqui riscos de inadimplência e políticas de crédito constantemente, né?
Então hoje o nosso cliente tem utilizado 70% da política, então, ou seja, ele saiu de 50 para 70, né, com esse aumento do utilização do pró-soluto. Por quê?
Porque estatisticamente nós vemos que a diferença de inadimplência entre o cliente usar 50 ou usar 70% da política é muito baixo. Ou seja, então isso aqui, de fato, a maior parte, né, desse aumento do pró-soluto ele vai reverter num ganho, né, para a companhia.
Então faz sentido utilizar, né? Então a ideia é que sim, esse pró-soluto se mantenha aí no patamar de 10.5%, né, por cento, ou seja, nessa janela entre 10 e 11, que é o patamar que nós havíamos indicado lá atrás.
De fato, ele caiu abaixo disso ano passado, mas entendemos que esse é o patamar que maximiza a geração de valor para o acionista.
Rodrigo Osmo
Mas a gente não pretende subir desse patamar, né, Luiz?
Luiz Maurício Garcia
É isso, é isso. É isso aí, ele maximiza justamente por isso.
Porque acima disso aí vamos dizer, o cliente estaria já se aproximando de 100%, né, da utilização da política de crédito, a gente acha que aumenta a exposição a risco, e abaixo disso a gente estaria deixando dinheiro na mesa, né? Então esse 70% de utilização da política hoje a gente vê como bom ponto de equilíbrio para maximização de valor.
Luiz
Tá, ótimo. Obrigado, pessoal.
Leonardo Dias
Obrigado pela pergunta, Luiz. Nossa próxima pergunta vem do Rafael, do Safra.
Rafa, seu microfone está liberado.
Rafael
Opa. Bom dia, pessoal.
Eu queria abordar pouco o tema de vendas. Como vocês falaram, né, de lado você tem o Minha Casa, Minha Vida no melhor momento da história, só que do outro a gente vem observando já faz tempo, né, o consignado do FGTS crescendo.
Março acho que foi o maior mês de contratação, aí você teve agora o novo programa do governo ali de dívida, o Desenrola. Queria mais entender assim para vocês, que têm uma exposição maior a essa faixa de cliente mais baixo, como que vocês tão enxergando essas duas vertentes, assim: de lado programa bom, só que do outro lado talvez o crédito aí do cliente pouco mais comprometido.
Rodrigo Osmo
Ô Rafa, a nossa preocupação maior é com relação a como isso pode impactar a qualidade da carteira, né? Porque a população de baixa renda tá cada vez mais endividada e com comprometimento cada vez maior com dívidas ex-habitação.
Mas em termos de facilidade de vendas, a gente claramente não tem tido grandes problemas, né? A gente operou com uma velocidade de vendas muito alta nesse último trimestre.
O que a gente nota é os parâmetros do programa hoje tão muito atraentes para comprador. A gente sempre se posiciona como o produto mais acessível do mercado, mesmo nos segmentos de faixa 3 e eventualmente faixa 4.
Então a demanda tá aí e a gente tem conseguido velocidades muito interessantes com uma rentabilidade muito interessante. O que nos preocupa é o que que essa deterioração da qualidade do crédito vai representar para a nossa carteira no futuro.
Então a gente tá superatento a isso, a gente acredita que tamos relativamente conservadores, mas não tamos tirando a atenção disso não.
Rafael
Não, é perfeito. Só para eu fazer follow-up só rapidinho: hoje vocês têm alguma assim noção em número do preço do imóvel quanto que o cliente usa do saldo do FGTS?
Porque a gente vem ouvindo até das outras empresas, né, que esse número já caiu bastante comparado com a média histórica, assim.
Rodrigo Osmo
Não, esse número ele é inacreditavelmente baixo. Para você ter uma ideia, antes do saque-aniversário, lá em 2020, se eu não me engano, ou 2021, a gente tinha, em média, cliente da Tenda ele usava 3 vezes e meia o salário dele em FGTS.
Então ele tinha saldo no FGTS de 3 vezes e meia o salário dele, que ele usava para comprar imóvel. Então imagina cliente de R$ 2.000, ele tinha saldo de R$ 7.000 no FGTS que ele usava para comprar o imóvel.
Esse número hoje tá na casa de 0,75. Então esse cliente saiu de R$ 7.000 para R$ 1.500.
Então, assim, E quando você olha a razão do cliente ter feito a opção pelo saque-aniversário, que é o que trava o salário dele, 80% dos clientes que fizeram a opção pelo saque-aniversário fizeram porque aderiram a consignado FGTS. Então aqui até tem uma boa notícia porque o governo agora restringiu muito o tipo de consignado FGTS que você pode fazer.
Você só pode fazer a cada 2 anos, se eu não me engano, você tem que ter prazo máximo de tanto tempo, você tem que ter valor mínimo de tanto. E eu acho que isso fez com que a quantidade de operações novas de consignado FGTS tenha caído muito.
O que subiu demais não foi o consignado FGTS, foi aquele consignado do eSocial, mas isso não tem a ver com o FGTS. Então, até a gente pode ter respiroozinho aqui porque realmente deteriorou demais a capacidade do cliente de usar o recurso próprio dele.
Rafael
Não, é perfeito, ficou superclaro. Obrigado, Luiz, Osmo.
Leonardo Dias
Obrigado pela pergunta, Rafa. Nossa próxima pergunta vem do Igor Machado, do Goldman Sachs.
Igor, seu microfone está liberado.
Igor Machado
Bom dia, pessoal. Obrigado pelo espaço aqui para fazer a pergunta.
Dois pontos do meu lado. Então, primeiro seria no repasse de preço relacionado ao Minha Casa, Minha Vida.
Ficou claro que o aumento seria limitado, né, que o principal benefício foi na melhoria do RET, mas eu queria entender se vocês já começaram a repassar esse preço vindo das melhorias, por mais que seja pequeno, e o quanto vocês ainda esperam que isso possa aumentar. E ainda em relação ao Minha Casa, Minha Vida, eu queria entender pouco se nesse cenário de inflação vocês podem repensar a exposição por faixas do programa que a empresa deseja ter.
É isso. Obrigado.
Rodrigo Osmo
É, tudo bom, Igor? Não, o repasse de preço do Minha Casa, Minha Vida, eu não me lembro se em março a gente já começou.
Luiz Maurício Garcia
Não, a grande mudança que tivemos no tri foi em janeiro com a mudança da curva de subsídio, né? Mas a mudança das faixas de renda a gente não capturou em abril.
Não, foi a partir de abril. Começou a partir de abril.
Rodrigo Osmo
Isso teve algum impactozinho sim no preço de abril. Abril foi mês bom, né, com relação a ganho de preço.
Eu não vou saber decupar o que que era Minha Casa, Minha Vida e o que que eram outras políticas internas nossas. Mas o que a gente viu na média é que os aumentos do Minha Casa, Minha Vida, eles impactavam alguma coisa como R$ 500 a R$ 700 somente na capacidade de compra do cliente.
Então não é realmente muito material. O valor maior tava no RET mesmo retroativo.
E com relação a repensar a exposição, a gente tem movimento já de longo prazo, né, de quase que tentar equilibrar as três faixas de renda. Então, faixa 1 hoje ele tá na ordem de 40 e tantos por cento das nossas vendas, ele tende a cair pouquinho com faixa 2 e faixa 3, principalmente faixa 3, ganhando representatividade.
Eu acho que aqui tem menos a ver com cenário de curto prazo e mais a ver com movimento estratégico de longo prazo. Como o Luiz bem falou, na verdade, né, essa movimentação de ganho de preço que a gente quer ter no curto prazo ajudaria a acelerar esse movimento porque a gente acaba fazendo com que clientes de menor renda tenham mais dificuldade de comprar imóvel do que tinham anteriormente.
Então é possível que o faixa 1 caia pouquinho já no curto prazo à medida em que a gente for priorizando o preço em detrimento de volume.
Igor Machado
Ficou claro, pessoal. Obrigado.
Bom dia.
Leonardo Dias
Obrigado pela pergunta, Igor. Não havendo mais perguntas, passo a palavra para o Osmo para as considerações finais.
Rodrigo Osmo
Bom, a gente começou superbem, né, esse ano. A gente não podia esperar primeiro trimestre melhor.
Tem ano inteiro pela frente, mas começamos com o pé direito. Eu acho que eu posso falar isso porque eu sou canhoto de pé, então não vou tá ofendendo ninguém aqui.
Vamos ver, vamos trabalhar para que esse ano seja ano espetacular. Acho que é isso, gente.
Luiz Maurício Garcia
Isso aí. Obrigado.
Obrigado a todos.
Leonardo Dias
Obrigado, Osmo. Obrigado, Luiz.
Obrigado a todos pela participação do nosso call. Nós iremos encerrar agora a transmissão.
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