Unipar Carbocloro SA

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Q4 FY2025 · Earnings Call TranscriptMarch 20, 2026

Operator

Bem-vindos à teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025 e ano de 2025 da Unipar. Hoje estão presentes Rodrigo Cannaval, CEO; Alexandre Gerusalmy, CFO, Diretor de Relações com Investidores; e a equipe de RI.

Informamos que este evento está sendo gravado e traduzido simultaneamente. A tradução está disponível clicando no botão Interpretation.

Para aqueles que ouvem a teleconferência em inglês, há a opção de silenciar o áudio original em português clicando em Mute Original Audio. A apresentação está disponível para download na plataforma e no site da companhia em ri.unipar.com.

Após a apresentação, iniciaremos a sessão de perguntas e respostas, quando mais instruções serão fornecidas. Antes de prosseguir, gostaríamos de esclarecer que eventuais declarações que possam ser feitas durante esta teleconferência relativas às perspectivas de negócios da Unipar, projeções e metas operacionais e financeiras constituem-se em crenças e premissas da administração da companhia, bem como em informações atualmente disponíveis para a Unipar.

Considerações futuras não são garantias de desempenho e envolvem riscos, incertezas e premissas, pois se referem a eventos futuros e, portanto, dependem de circunstâncias que podem ou não ocorrer. Investidores e analistas devem compreender que condições gerais, condições do setor e outros fatores operacionais podem afetar os resultados futuros da Unipar e podem conduzir a resultados que diferem materialmente daqueles expressos em tais condições futuras.

Gostaria agora de passar a palavra ao Alexandre Gerusalmy que iniciará a apresentação. Por favor, Gerusalmy, pode prosseguir.

Alexandre Gerusalmy

Olá a todos, bem-vindos ao nosso call de resultados do 4T e do ano de 2025. Lembrando que os números apresentados aqui nesse call estão ajustados pela exclusão dos efeitos da norma contábil IAS 29, que é aplicável a economias hiperinflacionárias como ainda é o caso da Argentina.

E vamos começar com os destaques operacionais de 2025, que incluíram entregas que, sem dúvida, fortalecem a resiliência do nosso modelo de negócios. Entregamos mais ano de excelência operacional, com uma taxa média de utilização de eletrólise no patamar de 80%, com destaque, nesse ano, para a nossa planta de Santo André e também para a nova planta em Camaçari, que já está operando aí a plena capacidade.

Tivemos também a vendas recordes de hipoclorito de sódio e de soda cáustica, evidenciando aí o nosso foco na maximização de produtos derivados de cloro, e que não estão aí expostos ao ciclo petroquímico, também beneficiados aí pelo fato da Unipar ter uma escala e uma capacidade diferenciada de entrega aos nossos clientes. Alcançamos também, em 2025, o maior consumo de energia renovável autoproduzida no Brasil, o que representa dos nossos pilares de competitividade no acesso a insumos estratégicos.

Bom, do ponto de vista de capex, a nossa planta na Bahia, que foi entregue em dezembro de 2024, já está operando a plena capacidade, como eu comentei anteriormente. E no contexto do nosso projeto de modernização tecnológica de Cubatão, paralisamos agora, em dezembro de 2025, a nossa operação de eletrólise base mercúrio e preparamos o caminho para início das operações da nova tecnologia agora a partir de março, tá?

E com isso, concluímos aqui na Unipar o nosso maior ciclo de capex da história. Então, foi ano aí que representou marco importante do ponto de vista de ciclo de capex na Unipar.

Como podem ver, em 2025 mantivemos o foco em aumento de competitividade por meio de tecnologias mais eficientes e consumo de energia competitiva, por meio de vendas concentradas em nossos mercados locais tanto no Brasil quanto na Argentina, onde oferecemos reconhecidamente uma solução diferenciada a nossos clientes, seja pela proximidade de produção, seja pela escala e confiabilidade no fornecimento, e também maximizamos a venda de clorados capturando aí as oportunidades originadas pelos investimentos na indústria de saneamento, por exemplo. Isso como estratégia para enfrentar os desafios externos que não estão no controle, obviamente, da Unipar e que foram, basicamente, ao longo de 2025, o ciclo petroquímico que traz margens persistentemente baixas, alto volume de importação de PVC que em 2025 atingiu níveis recordes aqui no Brasil, e o mercado de PVC da Argentina que segue enfraquecido ainda como consequência das reformas macroeconômicas do país.

Passando para a próxima tela, pessoal, temos os destaques econômico-financeiros de 2025. Então, alcançamos EBITDA ajustado recorrente de R$ 1 bilhão 109 milhões, 16% maior do que 2024, com margem de 22%.

Chegamos a lucro líquido de R$ 482 milhões no ano e tivemos uma geração operacional de caixa de R$ 1 bilhão 248 milhões. Nossa posição de caixa finalizou o ano em R$ 1 bilhão e 78 milhões, o que representa uma cobertura de 26 meses para amortização de dívidas, e nossa alavancagem fechou o ano em 2,2 vezes, o que é nível bastante confortável considerando que a nossa dívida tem prazo médio de 73 meses, sendo que 90% vence somente a partir de 2029, além de praticamente não termos endividamento com bancos comerciais.

E esses resultados sólidos de 2025 foram marcados por iniciativas voltadas à redução de custos fixos, que geraram uma redução da ordem de R$ 67 milhões em 2025 versus 2024, eu vou comentar pouco mais à frente na apresentação sobre isso; pela conclusão do nosso maior ciclo de capex da história da companhia, como comentei anteriormente, o que elimina fator de pressão em nossa alavancagem; e pela melhoria do nosso perfil de dívida, que traz conforto aí para os próximos anos. E a nossa visão, como a gente vem comentando em diversos calls, continua sendo uma visão de longo prazo, que visa uma resiliência cada vez maior para enfrentar-se desafios externos como, por exemplo, o desafio persistente aí do ciclo petroquímico de baixa.

Na próxima tela trazemos os destaques do 4T e tivemos no trimestre uma taxa de utilização de eletrólise de 79%, com destaque aqui também das plantas de Santo André e de Camaçari. O volume de vendas seguiu os efeitos da sazonalidade típica de último trimestre do ano, além do mercado de PVC pressionado no Brasil, com vendas de clorados em linha com o trimestre anterior e com redução de vendas tanto em PVC quanto em soda.

E tivemos no trimestre aumento do volume de energia elétrica de fonte renovável autoproduzida no Brasil, que representou 68% do consumo do trimestre no Brasil versus 63% no trimestre anterior. Do ponto de vista de resultados econômicos, nosso EBITDA recorrente foi de R$ 182 milhões no 4T, com margem de 16%, ou seja, menor do que o terceiro trimestre, e isso se explica principalmente pela queda nos preços internacionais tanto de soda quanto de PVC no quarto trimestre, de 5% e 10% respectivamente.

E esse EBITDA recorrente do 4T foi ajustado, pessoal, pela exclusão de algumas despesas não recorrentes ocorridas agora no 4T, que foram a provisão contábil de margem negativa em estoque de PVC, que pode ser revertida a depender da dinâmica de preços futuros de PVC, e também outro ajuste foram várias despesas relacionadas à finalização do projeto de modernização tecnológica de Cubatão como, por exemplo, despesas de descontinuidade de eletrólise base mercúrio e também despesas de baixa de estoque de equipamentos sobressalentes relativos justamente às tecnologias em substituição. Em termos de geração de caixa operacional, finalizamos o trimestre com uma geração de R$ 296 milhões.

A tela seguinte apresenta a evolução da taxa de utilização de eletrólise no Brasil e na Argentina e mostra uma taxa consolidada consistentemente no patamar de 80%, que consideramos bastante saudável. Tivemos também uma evolução positiva no volume de energia autoproduzida no Brasil, que chegou a 60% na média do ano, na média de 2025, apesar do curtailment de 20% no ano, e 68% na média do trimestre, com curtailment de 13%.

Isso mostra que do ponto de vista de capacidade produtiva já temos condições técnicas para chegar a 80% de energia autoproduzida no Brasil sem a necessidade de investimentos adicionais. Na tela 8 está a evolução da nossa receita líquida tanto em bases anuais quanto em bases trimestrais.

Então no ano tivemos aumento de receita líquida de 1%, com o efeito das vendas menores de PVC compensado por maiores vendas de clorados e maiores vendas de soda cáustica, que inclusive como comentei anteriormente atingiu nível recorde. E também tivemos o impacto da redução de 13% em média nos preços internacionais de PVC, que foram parcialmente compensados pelo aumento de 7% no preço internacional médio de soda.

No 4T a nossa receita líquida caiu 11% em relação ao trimestre anterior, reflexo da queda nos preços internacionais tanto de soda quanto de PVC, também dos efeitos da sazonalidade, que normalmente jogam para baixo o volume de vendas aí no período no último trimestre do ano, além do mercado de PVC que segue pressionado pelo volume de PVC importado, que vem especialmente da Colômbia e do Egito, é o que temos visto aí nos últimos meses. Tivemos também no trimestre o impacto das vendas de clorados, que foram mantidas aí no trimestre de trimestre para outro, e lembrando que o nosso foco segue sendo, como comentei anteriormente, a maximização do volume de produção e vendas da parte de clorados relacionado à nossa capacidade de prover soluções diferenciadas a clientes, a nossa escala também, além do fato de que esse segmento não está exposto ao ciclo petroquímico.

Em relação aos custos, pessoal, na tela 9, o desempenho do ano foi bem interessante e evidencia como temos usado iniciativas de redução de custo como instrumento de fortalecimento da resiliência aí do nosso negócio. Então tivemos aumento de 4% ano contra ano no nosso custo de produtos vendidos, no CPV, impactado pelo maior custo de etileno consumido pela Unipar, que foi influenciado pela valorização do euro contra o real no período.

E, como contrapartida, houve impacto positivo no CPV relacionado a melhores coeficientes técnicos obtidos aí nas nossas plantas e também a maior participação de energia autoproduzida aqui no Brasil. No trimestre, o nosso CPV foi 6% menor em relação ao 3T por conta principalmente do menor volume de vendas de soda e PVC no trimestre, pela redução no preço médio de etileno consumido aqui pela Unipar, e também pelo aumento do volume de energia autoproduzida no Brasil.

E quando a gente soma os custos fixos embutidos no CPV com as despesas gerais e administrativas e aí a gente compara 2025 com 2024, a gente percebe uma redução de 5% de ano para outro, equivalente a R$ 67 milhões. Esse resultado positivo de redução de custos fixos, ele foi fruto de uma série de iniciativas e esforços voltadas principalmente à reorganização de equipes, também consolidação, né, por meio dessa reorganização de equipes de posições seniores em menos posições aqui na empresa, ou seja, a concentração de determinadas posições seniores em uma quantidade menor de executivos, além de revisões de processos e uma série de iniciativas voltadas a automações que foram aplicadas tanto em algumas rotinas industriais como também em algumas rotinas aí corporativas.

Então essa captura de redução de custos, sem dúvida, gera maior resiliência e ganhos recorrentes para o futuro da companhia, que é justamente o que a gente vem indicando aqui para vocês ao longo dos trimestres, esse é o grande esforço que a gente tem ao longo do tempo. E como resultado, pessoal, temos aqui na tela 10 a evolução do EBITDA tanto em base anual quanto em base trimestral.

Então no ano contra ano nosso EBITDA recorrente aumentou 16% em 2025, atingindo R$ 1 bilhão 109 milhões, com margem de 22%. E esse resultado foi fruto de maior venda de clorados e soda, apesar do menor volume de vendas de PVC; também de iniciativas, como eu comentei, de redução de custos fixos; do efeito positivo da desvalorização do real versus dólar em média de 4%; e também do maior volume de energia autoproduzida.

Tivemos como impacto também agora no ano os movimentos aí dos preços internacionais, com aumento de preço internacional de soda e queda do preço de PVC, como eu havia comentado anteriormente. Quando adicionamos os ganhos não recorrentes do ano, que tiveram efeito líquido de R$ 57 milhões, o nosso EBITDA ajustado de 2025 chegou a R$ 1 bilhão 166 milhões, uma margem de 23%.

Na base trimestral, pessoal, nosso EBITDA recorrente do 4T representou uma queda de 32% em relação ao 3T, com margem de 16%. E esse resultado refletiu a queda nos volumes de vendas tanto de soda quanto de PVC no trimestre, explicados como eu comentei antes em parte pela sazonalidade do período, e também a queda nos preços internacionais tanto de PVC como de soda, como eu comentei anteriormente.

E aqui a gente tem também alguns efeitos não recorrentes, então quando a gente adiciona os efeitos não recorrentes do trimestre, que totalizam R$ 39 milhões em despesas, né, comentei antes o tema da provisão da margem negativa em estoque de PVC e também das despesas relacionadas ao phase-out da tecnologia de mercúrio, então quando adicionamos essas despesas não recorrentes de R$ 39 milhões chegamos a EBITDA de R$ 143 milhões agora no trimestre, com uma margem de 12%. Passando para a tela 11, temos a evolução do saldo de caixa tanto na base anual quanto na base trimestral.

Então no ano tivemos uma geração operacional de caixa de R$ 1 bilhão 248 milhões, capex de R$ 1,1 bilhão e captações líquidas de R$ 1,2 bilhão, com destaque aqui nas captações para os desembolsos do financiamento do BNDES e do financiamento garantido pela ECA alemã Euler Hermes aqui para o nosso projeto de Cubatão, e também os desembolsos do Banco do Nordeste relacionados à nossa planta recém-inaugurada no final de 2024 na Bahia. E tivemos também R$ 1,4 bilhão relacionados a dividendos e recompra de ações.

Então lembrando, pessoal, que a finalização desse ciclo de capex, que é o maior da nossa história, representa marco importante para a Unipar e elimina fator de pressão na nossa alavancagem. E em relação à distribuição de dividendos, vocês percebem que, de fato, distribuímos dividendos pouco acima da média nesse ano, porém o nosso perfil de dívida permaneceu bastante alongado e o perfil de crédito permanece bastante saudável em termos de finalização do ano.

E no trimestre tivemos uma geração operacional de caixa de R$ 296 milhões, que apesar de positiva reflete, como eu comentei antes, as margens aí mais apertadas tanto de soda quanto de PVC no trimestre. Na tela 12 detalhamos aí o nosso perfil de dívida, então finalizamos o ano com uma cobertura de caixa de 26 meses em relação às nossas amortizações de dívida.

Finalizamos com 90% da nossa dívida vencendo a partir de 2029 e com prazo médio de dívida pouco acima dos 6 anos. Então vocês percebem que, de fato, entre 2026 e 2028 a empresa não tem qualquer pressão e qualquer concentração de dívida que se concentra aí nesse período de 3 anos.

Nossa dívida, pessoal, é composta majoritariamente por debêntures e bancos de desenvolvimento, o que caracteriza esse nosso acesso bem fluído ao mercado de capitais. E a gente então com isso expõe que não temos exposições relevantes com bancos comerciais, e esse ponto é ponto importante de ser frisado.

Em dezembro agora a nossa perspectiva de rating com a Fitch foi alterada de neutra para positiva e já havíamos desembolsado agora no final do ano cerca de 81% do nosso financiamento do BNDES para o projeto de Cubatão, então ao longo aí do primeiro tri a gente teve novos desembolsos também. Ou seja, como vocês podem ver, o nosso perfil de dívida é bastante saudável, não temos concentrações de obrigações nos próximos 3 anos e também não temos ocupações em limites de crédito de bancos comerciais que representem aí volumes mais expressivos ou relevantes.

E é isso. Passo agora a palavra para o Cannaval, que vai comentar pouco sobre nossos projetos estratégicos, e muito obrigado a todos.

Eu volto na sessão de perguntas e respostas. Abraço a todos.

Cannaval, é com você. Obrigado.

Rodrigo Cannaval

Boa tarde. Obrigado, Alexandre, pela apresentação dos resultados.

E agradeço a presença de todos que nos acompanham nessa teleconferência. Antes da abertura para as perguntas, quero fazer breve complemento.

É importante destacar nosso compromisso com o futuro. Olhamos o curto prazo sempre com muita disciplina, mas sempre também mantendo nossa visão de longo prazo.

Nesse contexto, executamos em 2025 o maior ciclo de capex da nossa história, com capex de mais de R$ 1 bilhão. Direcionamos os recursos para projetos estratégicos que fortalecem ainda mais nossa competitividade e avançam na nossa agenda de sustentabilidade.

Com certeza a modernização tecnológica de Cubatão é dos principais exemplos que confirma nossa direção. Representa expansão a partir de eficiência, contribui com excelência operacional, reduz emissão de carbono e fortalece a competitividade da Unipar.

Partimos nossa operação modernizada este mês, abrindo novo capítulo na história da Unipar. Em 2026 seguimos com novos projetos estratégicos.

Em Santo André temos dois investimentos importantes: a expansão da capacidade de cloro, que nos dá mais competitividade e flexibilidade; e também temos outro projeto de incremento de capacidade de PVC emulsão, projeto que conta com o apoio do incentivo fiscal promovido pelo regime especial da indústria, o REIQ. Destaco ainda a evolução da nossa fábrica em Camaçari.

Estamos em plena capacidade e iniciamos a segunda fase com o objetivo de atender o agronegócio. Nesta mesma direção temos projetos de energia renovável, que continuam performando muito bem, como já mencionado, mas continuamos avançando e acabamos de anunciar uma nova parceria com a Casa dos Ventos para novo parque solar no Mato Grosso do Sul, outro projeto com foco em competitividade e sustentabilidade.

Esses são exemplos importantes da nossa agenda de longo prazo. Para finalizar, avalio que fechamos o ciclo de 2025 com resultado sólido, que traduz a resiliência do nosso negócio.

Repetiu-se o cenário complexo que temos vivenciado desde os meados de 2023, o que produziu ambiente marcado por elevada volatilidade e pela continuidade do ciclo petroquímico de baixa. Neste contexto, nosso EBITDA ajustado recorrente cresceu 16% e nossa margem evoluiu 3 pontos percentuais, passando de 19% para 22%.

Quando olhamos para o setor, continuamos acreditando nos fundamentos da indústria química. Trata-se de uma indústria essencial para diversas cadeias produtivas, do saneamento ao agronegócio, da construção à infraestrutura, e que devem se beneficiar da recuperação gradual dos ciclos globais ao longo dos próximos anos.

A Unipar segue comprometida com uma agenda com foco na execução, na eficiência e na geração sustentável de valor para todos os seus públicos. Muito obrigado.

Passo agora a palavra para a Raquel, que irá conduzir a sessão de perguntas e respostas.

Operator

Obrigada, Cannaval. Iniciaremos agora a sessão de perguntas e respostas.

Para fazer uma pergunta, por favor clique em levantar a mão. Se a sua pergunta for respondida, você pode sair da fila clicando em abaixar a mão.

Para fazer uma pergunta por texto, basta enviá-la através do ícone Q&A, informando nome e empresa. Nossa primeira pergunta é da Nicole Alonso do Santander.

Por favor, Nicole, pode prosseguir.

Nicole Alonso

Oi, pessoal, tudo bem? Boa tarde.

Obrigada, Cannaval, Gerusalmy, Raquel aí por aceitarem minhas perguntas. São duas do meu lado.

A primeira sobre a dinâmica de margens. Queria saber como é que vocês estão vendo a margem aí na ponta atualmente, né, considerando o cenário atual, e se o preço do PVC no mercado interno tem sido suficiente para compensar o aumento de custo do etileno; e caso não, se existe alguma negociação em andamento com a Braskem essencialmente no sentido de reduzir ou alterar a indexação à nafta, né?

E a segunda é sobre alavancagem, que hoje vocês estão rodando a 2,2 net debt/EBITDA. Queria saber como é que vocês estão enxergando essa trajetória de alavancagem e distribuição de dividendos daqui para frente.

Obrigada.

Alexandre Gerusalmy

Obrigado, Nicole. Boa tarde, Gerusalmy aqui falando.

Eu vou começar pela última pergunta e depois o Cannaval comenta a primeira, tá? Então, sobre a alavancagem, é algo que foi muito bem discutido aqui internamente em termos de o que que seria a nossa alavancagem uma vez finalizado esse nosso ciclo de capex, e como eu disse na apresentação é o maior da história.

A gente considera aqui muito natural que num ciclo de capex mais intenso a gente tenha aí aumento de certa forma pontual na alavancagem. Por outro lado, a gente tem perfil de dívida que a gente veio trabalhando com mais intensidade aí nos últimos 2 anos, que é perfil de dívida muito confortável, né, com prazo médio de dívida acima de 6 anos, enfim, aquilo tudo que eu comentei agora há pouco na própria apresentação.

Então, tudo isso para dizer que essa nossa alavancagem ela não é objeto de preocupação, mas também por outro lado a gente vai trabalhar muito ao longo desse ano para reduzir essa alavancagem, enfim, e especialmente no capex do ano passado. Em relação a dividendos, a nossa política ela é clara, né, é uma política de dividendos que estabelece os níveis mínimos de distribuição de dividendos, que é 25% do nosso resultado líquido, e tudo aquilo que exceder esses 25% aí sim são objetos de discussão aqui dentro de casa, aqui na Unipar, e a gente tem que avaliar a questão de qual que é o impacto em alavancagem, qual que é o impacto na gestão de liquidez, enfim.

Então, de fato não dá para a gente adiantar absolutamente nada em relação a como é que vai ser esse ritmo de dividendos, mas o que eu posso te adiantar é que a gente já está na verdade implementando uma série de iniciativas com foco na redução agora dessa alavancagem que teve, como eu falei, esse pico por conta do nosso ciclo de capex. Passo aqui a palavra para o Cannaval então para comentar sobre a dinâmica de margens.

Rodrigo Cannaval

Obrigado, Gerusalmy. Obrigado, Nicole, pela pergunta.

Nicole, eu acho que vale destacar que primeiro a Unipar tem negócio, parte do negócio exposto ao saneamento que nos dá uma certa resiliência nesse momento de ciclo de baixas petroquímicos, e esse tem sido a nossa fórmula de sucesso nos nossos resultados anteriores. O que a gente observou no início desse ano aqui, existiu ali uma leve recuperação dos preços, com uma tendência então de recuperação de margem.

Mas se eu digo por hoje, eu vejo sistema de alta volatilidade, onde a gente já observou incremento de preços do PVC no mercado internacional, a gente observou incremento de preços da soda no mercado internacional, e a gente também observou de certa maneira aumento nos fretes internacionais, que de certa maneira esses são elementos que contribuem positivamente para a Unipar. Mas ao mesmo tempo, a gente tá vendo ali dado a incremento de gás natural, a gente já tá olhando tendências de preços de etileno, e o que agora a companhia tem que buscar saber é navegar muito bem nesse ambiente de volatilidade para conseguir capturar melhores margens, mesmo com incremento de custos, observando essas oportunidades do mercado que apareceram nesse momento dado a guerra.

Obrigado pela pergunta.

Nicole Alonso

Obrigada, pessoal.

Operator

Nossa próxima pergunta é do Regis Cardoso da XP. Por favor, Regis, pode prosseguir.

Regis Cardoso

Oi, Raquel, Cannaval, Gerusalmy, obrigado pelo espaço, pelas perguntas. Se a gente puder talvez pegar aí do comentário final da pergunta anterior e discutir talvez pouco mais em detalhes aí os efeitos e impactos nesse contexto desde que o conflito do Irã, né, surgiu.

E aí eu entendo assim, direcionalmente as partes, né, os moving parts aí que vocês já comentaram de, enfim, de fretes, custo de energia, gás, PVC, nafta, mas eu não sei se a gente consegue talvez entrar pouco mais no detalhe dos spreads, porque é pouco a dificuldade que eu tenho tido aqui pessoalmente é entender, vamos dizer assim, o que que cresce mais rápido, né? Se são as receitas ou os custos, dado que ambos tão aí nesse contexto mais inflacionário do setor.

Essa é a primeira pergunta. E aí talvez a segunda se puder dar pouco mais, Gerusalmy, de abertura sobre os efeitos da baixa nos estoques e como é que vocês pretendem reconhecer esse negócio nos resultados no tempo, né?

Quer dizer que nos resultados futuros vai ter efeito lá de recolocação desse custo que foi baixado ou não? Obrigado.

Rodrigo Cannaval

Bom, Regis... Tá no microfone?

Regis, obrigado pela pergunta. Como você comentou, concordo com você, tá difícil avaliar o comportamento das margens nesse momento de volatilidade, o que que acontece primeiro, né, se é o repasse de volumes ou incremento de custos.

Mas há de se observar o aspecto da demanda, Regis, nesse momento, né, e além disso dos estoques da cadeia. Então, eu não vou ser preciso na resposta para você o que acontece primeiro, mas eu diria que os dois vão acontecer e o pace deles ainda tá sendo determinado porque a gente tem, de certa maneira, hoje uma demanda de PVC no Brasil de certa maneira arrefecida dada a taxa de juros, uma construção civil mais baixa.

Não obstante, a oferta global tende a reduzir dados os incidentes como a gente viu lá de, por exemplo, anúncios de força maior em produtores chineses, redução da disponibilidade de dicloroetano no Oriente Médio. Então, essa dinâmica de demanda e uma queda de oferta, eu acho que vai ter uma certa equalização dos estoques e é essa sim a minha grande expectativa para ter a foto desse cenário e depois dia responder para você com muito mais precisão do que eu tô fazendo agora.

Obrigado pela pergunta.

Alexandre Gerusalmy

Regis, boa tarde, tudo bom? Gerusalmy aqui, vou responder a tua segunda pergunta.

Então, sobre a questão dos efeitos aí de estoque, né, do impairment, então o que acontece? Nós de fato no final do ano fechamos o ano com nível maior do que o habitual de estoque, principalmente de PVC.

Isso foi uma decisão nossa aqui basicamente porque o mercado naquele momento tava muito comprimido, muito pressionado, então nós optamos por deixar esse PVC dentro de casa justamente porque a gente não tem uma pressão de caixa para precisar colocar necessariamente esse PVC com uma rentabilidade, com uma margem que a gente não considera uma margem adequada. Essa é uma estratégia nossa, o que a gente privilegia aqui é a venda saudável do produto, enfim, busca de rentabilidade.

E aí justamente por isso a gente teve que fazer o impairment contábil desse estoque do PVC no final do ano, que é basicamente a metodologia contábil. Você tem lá o posicionamento do estoque no final do ano, você olha para frente próximos 3 meses, projeta aquilo que você tem de expectativa de preço para os próximos 3 meses e aí você faz comparativo com aquele teu custo que você manteve em estoque.

Se esse custo obviamente for maior do que aquele preço que você espera ou que projeta comercializar, aí então você faz o impairment. Por outro lado, o que a gente tem visto é que as nossas projeções, inclusive não só nossas mas do mercado como todo, foram bastante diferentes daquilo que tá acontecendo, que é o ponto justamente que o Cannaval comentou.

A gente tem visto muita volatilidade nos preços. Em relação ao preço de PVC, basicamente a gente tem visto inclusive aumento substancial.

Como você falou, a gente tem que prestar muita atenção em qual vai ser também o aumento dos insumos para daí sim a gente ter uma noção de qual que vai ser o efeito no spread, mas especificamente nessa questão de provisão de margem negativa em estoque vai afetar diretamente pura e simplesmente o preço do PVC, né? Então chegando agora no final de março, o que a gente vai precisar fazer é olhar para o preço dali de final de março para os próximos meses e avaliar se a gente tem a condição contábil de fazer a reversão dessa provisão que a gente reconheceu agora no final do ano.

Então é basicamente essa dinâmica. Por isso que, do ponto de vista mais de itens recorrentes, a gente exclui esse efeito do impairment do estoque porque justamente a gente não considera que esse efeito ele é condizente ou cabível para o resultado efetivamente conquistado do 4T.

Ele na verdade é efeito contábil que muito mais olha para frente, o que que é uma projeção de preço, e aí a depender da dinâmica de preço a gente tem a possibilidade de reverter essa provisão.

Regis Cardoso

Perfeito. Combinado.

Obrigado pelas respostas.

Operator

Nossa próxima pergunta veio do Santiago Gottschall: "Qual o percentual de redução no faturamento deve-se esperar no primeiro trimestre de 2026 em função da paralisação da produção de cloro e soda em Cubatão?"

Alexandre Gerusalmy

Obrigado, Santiago, pela pergunta. Então, o que acontece?

Nós fizemos preparo que durou já vários meses até o momento que tá bem próximo, inclusive, da entrada em operação efetivamente da nova tecnologia. Então esse preparo, ele começou justamente em gestão de estoques, ele passou pela, por exemplo, descontinuação da eletrólise base mercúrio, isso aconteceu em dezembro do ano passado, ele passou também pela descontinuação recentemente da tecnologia diafragma, e de novo, em paralelo com uma boa gestão aí de estoque para não deixar os clientes desabastecidos.

Então, do ponto de vista especificamente da sua pergunta, que é o efeito em faturamento, não teremos efeito relevante justamente porque foi feita em paralelo essa gestão de estoque, que fazia parte desse preparo mais abrangente aí das trocas de tecnologia.

Rodrigo Cannaval

Só para complementar, Gerusalmy, vale destacar que não houve paralisação da produção, uma vez que a gente segue operando a tecnologia de membranas em Cubatão. Então foi uma redução do pace para conexão dessa nova tecnologia.

Alexandre Gerusalmy

Você quer comentar do REIQ?

Operator

Mais uma pergunta do Santiago Gottschall: "Qual o impacto para a Unipar da lei sancionada ontem pelo governo federal que reduziu impostos PIS e Cofins para a indústria química e petroquímica?"

Alexandre Gerusalmy

Ótimo. Obrigado pela pergunta.

A gente tem de fato impacto, ele é impacto positivo, então a gente vai ser capaz de se beneficiar dessa decisão do governo justamente no consumo de insumos aqui no Brasil, o principal deles o etileno. Então isso quer dizer que no consumo do etileno para PIS e Cofins a gente vai ter pagamento menor do que vinha tendo até agora, né?

E lembrando que a gente já vai conseguir capturar esse benefício já a partir de março.

Operator

Obrigada, Gerusalmy. Só instante enquanto verificamos as demais perguntas.

Temos duas perguntas aqui, uma do Reinaldo Kramer da BRZ Investimentos e outra da Luciana Machado do Citi referente ao capex para 2026 e sobre a entrada da tecnologia de eletrólise por membrana nos resultados do primeiro trimestre de 2026.

Alexandre Gerusalmy

Ótimo. Obrigado aí aos dois pela pergunta.

Então, em relação ao capex do ano, nós infelizmente não transmitimos o guidance, né, qual que vai ser a projeção desse capex, mas o que eu posso dizer é que de fato ele vai ser substancialmente inferior ao capex que a gente teve em 2025, justamente porque os gastos relacionados ao principal projeto que a gente tem, que é o de Cubatão, estão praticamente concluídos. Em relação ao próprio projeto de Cubatão, a modernização da planta, se a gente startar esse projeto de fato agora em março, a gente começa a ter ainda em março algum benefício do go-live desse projeto, e é claro que nos 9 meses seguintes ao início da operação é que a gente tem o benefício full desse projeto.

E lembrando, né, então a gente vai ter uma tecnologia nova, membrana, estado da arte, moderna. Nós já conhecemos essa tecnologia porque é a mesma que a gente aplica nas plantas de Santo André e Camaçari.

A gente já conhece e já executou recentemente o ramp-up dessa tecnologia agora na nova planta de Camaçari, foi muito bem-sucedido. É uma tecnologia que nos permite, se por lado a gente mantém a capacidade nominal da planta praticamente, por outro a gente passa a produzir o cloro e a soda consumindo muito menos energia, né?

Se a gente olha a planta de Cubatão como todo, a gente vai ter consumo equivalente a 18% a menos de energia elétrica, né, fora a questão de evitar a emissão de CO2, né, a gente tá falando de 70 mil toneladas ano de evitar a emissão de CO2, e também a questão de que a gente evita ou reduz o nosso volume de resíduos sólidos também, cerca de 150 toneladas ano. Então é uma tecnologia muito bonita na realidade porque ela alia essa questão de benefícios econômicos, né, a gente de fato vai ter efeito positivo em EBITDA justamente por consumir menos insumos, e por outro lado a gente também vai ter os efeitos positivos de sustentabilidade e ambientais que nos ajudam na nossa rota de aplicar cada vez mais tecnologias limpas aqui na empresa e dessa forma nos tornarmos cada vez mais sustentáveis.

Então é uma tecnologia que joga dos dois lados, e justamente foi por isso que a gente conseguiu esse financiamento diferenciado também no BNDES olhando tanto para a parte da modernização quanto para a parte da tecnologia ser uma tecnologia muito limpa que substitui as tecnologias que de certa forma são obsoletas.

Operator

Temos mais uma pergunta do Vidal Morato: "A nova fábrica de Camaçari, na Bahia, conseguirá atender plenamente ao crescimento de consumo de cloro e soda advindo do marco de saneamento no Nordeste nos próximos anos, já que haverá muitos investimentos das empresas estaduais de saneamento naquela região, ou haverá necessidade de expansões na fábrica?"

Rodrigo Cannaval

Obrigado pela pergunta, Vidal. Sem dúvida o marco do saneamento é uma oportunidade para o portfólio da Unipar se desenvolver.

No nosso projeto de Camaçari, quando a gente contemplou as capacidades, a gente já levava em consideração o crescimento futuro de mercado, esse é fato muito importante. E tem uma segunda novidade importante na nossa fábrica de Camaçari é que no terceiro trimestre desse ano aqui a gente começa a abastecer cloro líquido para cliente específico lá na região de Camaçari, onde a gente vai atender também o agronegócio.

Então a unidade está preparada tanto para absorver essas demandas do agro, bem como futuras demandas do marco do saneamento.

Operator

Obrigada, Cannaval. Encerramos neste momento a sessão de perguntas e respostas.

Gostaria de passar a palavra ao Gerusalmy para as considerações finais.

Alexandre Gerusalmy

Obrigado, Raquel. Primeiro obrigado a todos pela audiência, pela participação no call, obrigado pelas perguntas.

No 4T, como vocês viram, nós tivemos alguns impactos, alguns deles decorrentes do setor petroquímico, outros decorrentes do nosso phase-out das tecnologias na planta de Cubatão, mas a gente teve também uma geração operacional de caixa bastante sólida no trimestre. No ano, o que a gente viu foi ano excelente em termos de resultado, o maior resultado em termos de EBITDA recorrente e geração de caixa quando comparado a 2024.

A gente de fato implementou uma série de medidas ao longo desse ano de melhorias de processos, automações, reorganização de equipe. Várias dessas medidas vão sim ter impacto recorrente nos nossos resultados.

A gente também teve a capacidade de melhorar o nosso perfil de dívida, então a nossa dívida agora tá muito mais alongada e tem formato que eu diria bastante satisfatório e competitivo em termos de custo e composição. Temos também essa questão que a gente enfatizou bastante, que é o fim desse ciclo de capex.

Foi ciclo de capex em que ousamos realizar essa modernização tecnológica grande em Cubatão. Trouxemos também essa nova planta em Camaçari que teve o início de operações agora em 2024.

Trouxemos também os outros projetos estratégicos que o Cannaval comentou ao longo da apresentação. E com isso a gente estabelece também essa via de resultados que, a partir do momento em que esses projetos são concluídos, eles virão também para a empresa.

Então, nesse sentido a empresa se torna cada vez mais resiliente, inclusive para enfrentar os ups and downs, né, os movimentos do ciclo petroquímico, mas também para aproveitar e capturar as oportunidades do segmento de clorados. Como o Cannaval falou, uma delas, por exemplo, são as questões relacionadas ao marco do saneamento, então a gente tá acompanhando muito de perto para de fato capturar todas as oportunidades que vierem nesse sentido.

Então finalizamos o ano de 2025 muito melhores do que finalizamos o ano de 2024 e a gente tá bem preparado mesmo para enfrentar os desafios ao longo de 2026. Obrigado a todos.

Já deixo aqui o convite para que vocês participem do nosso conference call em maio para falar do resultado do primeiro tri, e desejo bom final de semana a todos.