Vulcabras SA

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Q4 FY2025 · Earnings Call TranscriptMarch 4, 2026

Operator

Bom dia, senhoras e senhores. Sejam bem-vindos à videoconferência da Vulcabras para discussão dos resultados referentes ao quarto trimestre de 2025.

Gostaria de passar algumas instruções antes de começar. Essa videoconferência será realizada exclusivamente em português.

A transcrição do evento no idioma inglês será posteriormente disponibilizada no site de RI da companhia. O vídeo e a apresentação desta videoconferência serão divulgados no site de RI da companhia, www.vulcabrasri.com, e na CVM após o fechamento do mercado.

Informamos que todos os participantes estarão apenas ouvindo a videoconferência durante a apresentação e, em seguida, iniciaremos a sessão de perguntas e respostas quando mais instruções serão fornecidas. Informamos que previsões acerca de eventos futuros estão sujeitas a riscos e incertezas que podem fazer com que tais expectativas não se concretizem ou sejam diferentes do esperado.

Estas previsões emitem a opinião unicamente na data em que são feitas, e a companhia não se obriga a atualizá-las. Está presente hoje conosco o senhor Pedro Bartelli, Diretor-Presidente, e o senhor Wagner Dantas, Diretor Financeiro e de Relações com Investidores.

Agora, vamos assistir a vídeo institucional e, na sequência, voltamos com o senhor Pedro.

Pedro Bartelli

Bom dia. A combinação de marcas fortes e modelo de negócio verticalizado e uma estratégia comercial que concilia oportunidades sem abrir mão de rentabilidade fizeram a Vulcabras superar seus próprios recordes e registrar no 2025 mais ano de resultados históricos.

A companhia registrou faturamento bruto de R$ 4,2 bilhões, novo recorde, com crescimento de 16,7% em relação a 2024. A margem bruta de 41% demonstra a capacidade e a resiliência da companhia em manter a rentabilidade mesmo diante de todos os desafios enfrentados com mão de obra direta, o que foi potencializado pelo crescimento acelerado da produção ao longo do ano.

O EBITDA recorrente totalizou R$ 763,1 milhões, crescimento de 13% em relação ao ano anterior. A margem EBITDA recorrente foi de 21,4%, enquanto o lucro líquido recorrente foi de R$ 572,9 milhões, com uma margem líquida recorrente de 16,1%.

No ano, o canal de e-commerce seguiu em crescimento acelerado, com alta de 25%, saltando de R$ 433,7 milhões em 24 para R$ 543,1 milhões em 25, passando a representar 15,3% da receita líquida total. A receita da divisão de calçados esportivos registrou crescimento de 17,4% no acumulado do ano, resultado da força das marcas e a estratégia de expansão do portfólio de produtos voltados para alta performance, agregando valor e impulsionando o aumento do ticket médio.

A Vulcabras encerra o quarto trimestre de 2025 atingindo novo marco histórico: receita líquida superior a R$ 1 bilhão em único trimestre, com crescimento de 11,4% em relação ao quarto trimestre de 2024. A companhia consolida o seu 22º trimestre consecutivo de crescimento.

Na categoria de calçados esportivos, registrou crescimento de 11,2% no trimestre, impulsionado por mix mais qualificado em todas as marcas do grupo, com destaque para produtos de maior valor agregado, tanto em alta performance quanto em corrida e lifestyle esportivo, contribuindo para a evolução do preço médio. A divisão de vestuários cresceu 12,7%, refletindo também a qualificação do portfólio das marcas e a melhoria contínua do nosso mix.

A margem bruta no trimestre foi de 41,4%, praticamente em linha com o quarto trimestre de 2024, reforçando a significativa evolução das eficiências operacionais e produtivas após o período de aceleração na expansão do quadro de colaboradores nas unidades industriais. A margem EBITDA de 21,9%, 0,7 pontos percentuais superior ao registrado em 2024, é resultado da combinação de crescimento qualificado, evolução significativa das eficiências fabris e a captura de alavancagem operacional entre os canais.

Firme no compromisso com a maximização do retorno aos seus acionistas, em meio ao trâmite da reforma tributária sobre dividendos em 2025, a Vulcabras realizou relevante distribuição de R$ 1 bilhão 541,9 milhões, sendo que destes, R$ 563,3 milhões retornaram ao caixa da companhia através da subscrição privada finalizada no mês de dezembro. Para suportarmos tamanha distribuição, a Vulcabras encerrou o período com uma dívida líquida de R$ 769,4 milhões, o equivalente a 0,9 vezes EBITDA, nível previamente alinhado à estratégia de fortalecimento da estrutura de capital da companhia, preservando o equilíbrio financeiro e a capacidade de investimento para sustentar o nosso crescimento nos próximos anos.

Em 2025, nossa estratégia priorizou investimentos que apoiassem o crescimento acelerado, ao mesmo tempo que preservasse a flexibilidade e resiliência do nosso modelo de negócio. Para 2026, iniciamos ano com uma produção estável e com eficiências em patamares regulares, níveis de estoque das nossas marcas em patamares saudáveis e com uma perspectiva otimista frente às carteiras construídas para a coleção deste primeiro semestre, que seguem tracionadas pela boa performance do sell-out dos nossos produtos.

Nós seguimos confiantes na nossa capacidade de continuar crescendo, inovando e gerando valor para os nossos consumidores e acionistas. E agora, para a apresentação do nosso desempenho no trimestre, eu passo a palavra ao Wagner Dantas, nosso CFO e Diretor de Relações com Investidores.

Obrigado.

Wagner Dantas

Bom dia a todos. Vamos iniciar nossa apresentação pelo volume bruto faturado, dos principais indicadores operacionais da companhia que está detalhado no slide 5.

O quarto trimestre de 2025 foi marcado por ambiente promocional mais intenso e prolongado no varejo, tanto físico quanto online. As liquidações que anteriormente se concentravam na Black Friday passaram a se iniciar já em outubro.

Esse alongamento do calendário promocional ao longo do trimestre gerou maior dispersão da demanda e reduziu a concentração tradicionalmente observada no período do Natal. Nesse contexto, a Vulcabras manteve-se fiel à sua estratégia de disciplina comercial, gestão eficiente de estoques e preservação de posicionamento de suas marcas, priorizando vendas com qualidade e rentabilidade.

Essa postura reforçou o compromisso da companhia com a construção de resultados sustentáveis, mesmo em ambientes mais desafiadores. No quarto tri de 2025, o volume bruto faturado atingiu 9,2 milhões de pares e peças, representando crescimento de 0,2% ao registrado no quarto tri de 24.

Vale destacar que a base comparativa do quarto tri de 24 já refletia desempenho expressivo, especialmente em calçados esportivos, categoria que havia apresentado crescimento de 6,6% naquele período. Assim, a manutenção do patamar no volume no quarto tri de 25 evidenciou a consistência operacional e comercial da companhia.

Apesar da estabilidade no volume, a receita consolidada apresentou evolução, impulsionada pela qualificação do mix de produtos e pelo avanço do ticket médio, o que contribuiu para a recomposição de margem bruta e para a expansão de margem EBITDA no trimestre. A categoria de calçados esportivos registrou volume de 5,9 milhões de pares no quarto tri de 25, uma redução de 1,7% em relação ao quarto tri de 24, mantendo praticamente o mesmo nível observado no terceiro trimestre de 25 e suportando o crescimento de 3,2% no segundo semestre de 2025.

O desempenho refletiu a crescente participação de modelos mais tecnológicos no mix, que demandaram maior complexidade em termos de fabricação. Esse movimento foi acompanhado por aumento de 13% no ticket médio em comparação ao quarto tri de 24, evidenciando a evolução qualitativa das vendas.

A demanda permaneceu consistente tanto no mercado interno quanto no mercado externo, sustentando o elevado patamar de comercialização da categoria. Outros calçados e outros apresentaram queda de 2% no quarto tri de 25, devido à retração no volume comercializado de botas de uso profissional, parcialmente compensado pelo crescimento nos volumes de chinelos esportivos.

Vestuário e acessórios registraram crescimento de 7,8% no quarto tri de 25, com as três marcas apresentando desempenho positivo, com destaque para a marca Under Armour. O resultado refletiu o fortalecimento da presença da companhia nesse segmento e a consolidação da estratégia de diversificação do portfólio.

Avançando para o slide 6, passamos a analisar a receita líquida segmentada por categorias, onde conseguimos observar com mais clareza a evolução do nosso portfólio. No quarto tri de 25, mantivemos crescimento consistente de receita, consolidando os avanços construídos ao longo do ano.

Registramos, assim, o 22º trimestre consecutivo de expansão, com receita líquida de R$ 1 bilhão 8,6 milhões, alta de 11,4% frente ao quarto trimestre de 24, mesmo sobre uma base comparativa já bastante robusta, que havia apresentado expansão de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, evidenciando a consistência e recorrência da trajetória de crescimento. A categoria de calçados esportivos cresceu 11,2%, com avanço das três marcas e destaque para a linha de corrida da Olympikus.

Outros calçados e outros avançou 12%, impulsionado principalmente pelos chinelos esportivos. Já em vestuário e acessórios, o crescimento foi de 12,7%, com destaque para Under Armour e a expansão contínua da Olympikus no segmento.

No ano de 2025, a receita líquida resultou em R$ 3 bilhões 560,3 milhões, 16,8% superior ao ano de 2024, quando a mesma foi de R$ 3 bilhões 48,6 milhões. Seguimos crescendo com equilíbrio, disciplina comercial e foco em valor agregado.

Seguindo para o slide 7, detalhamos agora a receita líquida por mercado, destacando o desempenho no Brasil e no exterior. No mercado interno, encerramos o quarto tri de 25 com receita líquida de R$ 977,7 milhões, crescimento de 11,5% frente ao quarto tri de 24.

Todas as categorias avançaram, mesmo sobre uma base comparativa forte. O resultado reflete a evolução consistente das marcas, o fortalecimento da nossa distribuição e a eficiência das ações comerciais, sustentando mais trimestre de crescimento sólido no Brasil.

No mercado externo, a receita foi de R$ 30,9 milhões no trimestre, uma alta de 7,7%, indicando maior estabilidade das operações internacionais, apesar do ambiente ainda desafiador na América Latina. No acumulado de 2025, o mercado interno cresceu 17,8%, totalizando R$ 3 bilhões 430,2 milhões, impulsionado principalmente pela força de calçados esportivos.

Já o mercado externo somou R$ 130,1 milhões no ano, queda de 4,4%, refletindo as dificuldades enfrentadas ao longo do exercício, especialmente na Argentina. No slide 8, analisamos o desempenho do canal de e-commerce, que segue como dos pilares estratégicos do crescimento da companhia.

Frente a varejo de liquidações intensas que perduraram praticamente o trimestre inteiro, a estratégia comercial implementada no canal de e-commerce foi a de manutenção do posicionamento das principais histórias, protegendo e capturando margens saudáveis, especialmente no subcanal de vendas através de marketplaces, onde as liquidações foram ainda mais intensas. Como resultado, mesmo com crescimento mais moderado de receita, seguimos evoluindo a margem EBITDA do canal.

A receita líquida do e-commerce foi de R$ 147,8 milhões no quarto tri de 25, alta de 3,8%, com participação de 14,7% na receita total consolidada. No acumulado do ano, o canal cresceu 25,2%, totalizando R$ 543,1 milhões e representando 15,3% da receita total da companhia, reforçando a relevância estratégica do digital dentro do nosso modelo de negócio.

Dando sequência, no slide 9, apresentamos a evolução do lucro bruto e da margem bruta. No quarto trimestre de 25, registramos lucro bruto de R$ 417,9 milhões, crescimento de 10,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A margem bruta foi de 41,4%, 0,2 pontos percentuais abaixo do quarto tri de 24. Apesar dessa leve retração, é importante destacar que a pressão observada foi significativamente menor do que nos trimestres anteriores, quando concentramos o aumento do quadro de mão de obra direta.

Isso já evidencia uma melhora relevante na eficiência operacional e avanço consistente na trajetória de rentabilidade. No acumulado do ano, o montante alcançou R$ 1 bilhão 461 milhões, o que representa uma alta de 14,3% frente ao mesmo período do ano anterior.

A margem bruta do ano de 2025 foi de 41%, ficando 0,9 pontos percentuais inferior à obtida no mesmo período de 2024. No slide 10, passamos a detalhar as despesas relacionadas a vendas e sua evolução no período.

No quarto tri de 25, as despesas com vendas, propaganda e PCLD totalizaram R$ 176,4 milhões, crescimento de 5,5% na comparação com igual período de 2024. Desconsiderando os investimentos em propaganda, as despesas com vendas e provisão para devedores duvidosos somaram R$ 122,1 milhões, com alta de apenas 0,7%.

Em relação à receita líquida, houve ganho de eficiência relevante, com redução de 1,3 pontos percentuais, passando para 12,1% no trimestre. Essa melhora reflete principalmente o mix das marcas, produtos e canais, com menor impacto de comissões e provisões com perdas para devedores duvidosos.

No acumulado do ano, as despesas com vendas, excluindo propaganda, cresceram 9,4%, totalizando R$ 441,8 milhões. Ainda assim, representaram 12,4% da receita líquida, redução de 0,8 pontos percentuais frente a 2024.

Avançando para o slide 11, analisamos os investimentos em propaganda e marketing e o fortalecimento das nossas marcas. No quarto tri de 25, os investimentos em propaganda e marketing somaram R$ 54,3 milhões, crescimento de 18,3% na comparação trimestral, representando 5,4% da receita líquida, ficando 0,3 pontos percentuais acima do quarto tri de 24.

Esse movimento reflete a intensificação das ações de comunicação e posicionamento das marcas, especialmente no contexto da comemoração dos 50 anos da Olympikus. Ao longo do trimestre, reforçamos a gestão das marcas com lançamentos, ativações e presença em eventos estratégicos.

A Olympikus consolidou sua liderança na corrida, patrocinando 38 provas em 26 cidades ao longo do ano, reunindo mais de 150 mil corredores e conquistando importantes reconhecimentos de mercado. A Mizuno avançou com o lançamento da linha Neo, fruto da colaboração entre Brasil e Japão, além de fortalecer seus pilares de performance e relevância cultural.

Já a Under Armour ampliou sua conexão com a Geração Z e com o lifestyle esportivo por meio de ativações e lançamentos relevantes. No acumulado de 2025, os investimentos em propaganda e marketing totalizaram R$ 193,8 milhões, alta de 25,7%, representando assim 5,4% da receita líquida total, reforçando nossa estratégia de construção de marca como pilar fundamental do crescimento sustentável.

No slide 12, apresentamos as despesas gerais e administrativas e sua dinâmica ao longo do trimestre e do ano. No quarto tri de 25, as despesas gerais e administrativas somaram R$ 59,8 milhões, crescimento de 12% na comparação trimestral, refletindo principalmente maiores despesas de TI relacionadas a plataformas de e-commerce e serviços extraordinários com assessorias e consultorias.

Mesmo com o aumento nominal, as despesas se mantiveram estáveis em relação à receita, representando 5,9% no trimestre, mesmo patamar do quarto tri de 24. No acumulado de 2025, as despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 216,7 milhões, uma alta de 21,9%.

Em proporção à receita líquida, houve aumento de 0,3 pontos percentuais frente ao ano de 2024. Importante destacar que o ano foi impactado por eventos não recorrentes.

Se desconsiderarmos esses eventos, as despesas recorrentes somariam R$ 207,4 milhões, equivalente a 5,8% da receita, reforçando a manutenção do controle e disciplina sobre a estrutura administrativa. Avançando para o slide 13, analisamos o resultado financeiro e a evolução da dívida líquida, com destaque para os principais movimentos da estrutura de capital.

No acumulado de 2025, o resultado financeiro foi impactado positivamente por efeitos não recorrentes ligados à recuperação de créditos de PIS/COFINS, que adicionaram R$ 127,9 milhões ao resultado do ano. Desconsiderando esses efeitos, o resultado financeiro recorrente foi uma despesa de R$ 26,8 milhões, refletindo o novo perfil de alavancagem da companhia ao longo do exercício.

Encerramos 2025 com uma dívida líquida de R$ 769,4 milhões, frente a R$ 22,6 milhões ao final de 2024. Esse aumento está relacionado principalmente à emissão de debêntures no montante de R$ 500 milhões captado no mês de julho, em função da maior necessidade de capital de giro, da aceleração do CAPEX e da robusta distribuição de dividendos realizada ao longo do ano.

No slide 14, destacamos o lucro líquido e o ROIC ajustado, indicadores importantes da nossa geração de valor. No quarto tri de 25, registramos o lucro líquido de R$ 158,8 milhões, uma queda de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, com margem líquida de 15,7%, redução de 3 pontos percentuais.

Essa variação reflete principalmente o aumento das despesas financeiras, em função do novo perfil de alavancagem, além do maior reconhecimento de imposto de renda e contribuição social no trimestre. Em conjunto, esses fatores impactaram negativamente o resultado em R$ 34,2 milhões na comparação trimestral.

Ainda assim, entregamos mais trimestre de lucro robusto, sustentado pelo forte desempenho das vendas e pela maior diluição das despesas operacionais, compensaram parcialmente a pressão financeira e tributária. No acumulado de 2025, o lucro líquido totalizou R$ 1 bilhão 165,3 milhões, crescimento de 104,5%, com margem líquida de 32,7%.

É importante destacar que o resultado do ano foi impactado positivamente por R$ 592,4 milhões referente a créditos de PIS/COFINS e o reconhecimento de tributos diferidos. Desconsiderando esses efeitos não recorrentes, o lucro líquido atingiu R$ 572,9 milhões, evidencia a consistente geração operacional da companhia ao longo do exercício.

O ROIC ajustado anualizado atingiu 44,2%, registrando aumento de 14,7 pontos percentuais frente ao resultado do 31 de dezembro de 2024. Dando continuidade, no slide 15, detalhamos a evolução do EBITDA e da margem EBITDA.

No quarto tri de 25, o EBITDA totalizou R$ 220,7 milhões, crescimento de 14,8% na comparação trimestral, com margem de 21,9%, avanço de 0,7 pontos percentuais frente ao quarto tri de 24. No acumulado do ano, o EBITDA somou R$ 884 milhões, alta de 28,7%, com margem de 24,8%, uma expansão de 2,3 pontos percentuais em relação a 2024.

É importante destacar que o EBITDA do ano foi impactado positivamente em R$ 120,9 milhões por efeitos não recorrentes relacionados a créditos de PIS/COFINS, com impacto de 3,4 pontos percentuais na margem. Desconsiderando esses efeitos, o EBITDA recorrente teria totalizado R$ 763,1 milhões, crescimento de 13%, com margem de 21,4%, refletindo a evolução consistente da geração operacional ao longo do ano.

No slide 16, abordamos o investimento realizado no período e a evolução do CAPEX. No quarto trimestre de 2025, realizamos investimentos de R$ 63,7 milhões em imobilizado e intangível, uma redução de 9% na comparação trimestral.

Essa variação está relacionada principalmente à sazonalidade dos investimentos. Em 2025, concentramos os nossos desembolsos entre abril e setembro, período em que aceleramos a ampliação da capacidade instalada com expansão do parque fabril e reforço do quadro de colaboradores, enquanto em 2024 os investimentos ocorreram de forma mais homogênea ao longo do ano.

Por fim, no slide 17, analisamos o fluxo de caixa e os principais movimentos que impactaram a variação do caixa no período. Encerramos 2025 com caixa de R$ 206,8 milhões e dívida líquida de R$ 769,4 milhões.

Mesmo após uma distribuição relevante de dividendos ao longo do ano, mantivemos uma estrutura de capital sólida e uma alavancagem em patamares conservadores, o que reforça a capacidade da companhia de avançar em oportunidades de crescimento com disciplina e responsabilidade, preservando sua capacidade de geração de caixa e de pagamento. A variação de caixa no ano totalizou R$ 107,4 milhões, refletindo uma combinação equilibrada entre forte geração operacional e decisões estratégicas de alocação de capital.

Entre os principais movimentos do período, destacam-se o EBITDA de R$ 884 milhões, o aumento de capital de R$ 567,7 milhões decorrente da subscrição privada de ações e do exercício do plano de stock option, ganho de resultado financeiro de R$ 101,1 milhões, aumento do passivo bancário em R$ 639,4 milhões, maior necessidade de capital de giro de R$ 294,7 milhões, investimentos em imobilizado e intangível de R$ 241,4 milhões, variação entre ativos e passivos de longo prazo de R$ 155,1 milhões, além da distribuição de R$ 1 bilhão 541,9 milhões em dividendos ao longo do ano. Esse conjunto de movimentos demonstra a solidez financeira da Vulcabras e a consistência da nossa estratégia de crescimento com geração de valor ao acionista.

Encerramos aqui a nossa apresentação e a partir deste momento ficamos à disposição para responder as perguntas. Obrigado.

Operator

Iniciaremos agora a sessão de perguntas e respostas para investidores e analistas. Participantes podem enviar perguntas por escrito utilizando a ferramenta de Q&A na parte inferior da tela.

Para realizar perguntas via áudio, basta clicar no botão levantar a mão. Quando seu nome for chamado, aparecerá uma notificação para abrir seu microfone.

Nossa primeira pergunta vem de Victor Rogatis do Itaú BBA.

Victor Rogatis

Bom dia, Pedro. Bom dia, Wagner aí, todo o time da Vulca.

É, obrigado por pegarem nossas perguntas. É, a primeira é a seguinte, né?

Vocês entregaram ali 2000 2025 ali fantástico em termos de vendas, né? Principalmente ali na categoria de calçados esportivos.

É, a gente olha para volume ali nessa categoria, cresceu 3,5%, o ticket cresceu praticamente 13%. A primeira pergunta é: como é que tá a cabeça para vocês para 26 assim em termos de ticket e volume, né?

E se vocês pretendem fazer alguma coisa de diferente esse ano versus o que vocês fizeram no ano passado. E a segunda pergunta é: pensando ali num patamar de payout de dividendos para esse ano, o que que vocês tão trabalhando mais ou menos?

Obrigado, pessoal. Abraço.

Pedro Bartelli

Bom dia. Bom dia a todos.

Obrigado pela pergunta, Rogatis. São 22 trimestres consecutivos de crescimento.

De fato a gente vem ampliando a nossa coleção, nosso portfólio de produtos, reajustando alguns preços e melhorando o nosso mix. Então estamos atuando em várias faixas de preço e novas categorias.

A tendência é continuar a expansão. A gente entrou ano de 2026 com uma sinalização de carteira muito positiva, inclusive recorde para a empresa.

E a gente segue a nossa agenda de ampliar a participação, principalmente no setor de corridas no Brasil que vem crescendo muito, né? Seja pelas novas gerações ou pelo acesso a produtos de qualidade que a Vulcabras consegue fazer, principalmente pela Olympikus que é excelente custo-benefício que tem ampliado a corrida no Brasil.

Estamos lançando produtos ainda mais elaborados, então em algumas faixas de preço que nós não atuávamos. E segue a mesma agenda.

Nós pretendemos continuar nesse ritmo, no mesmo ritmo de 2025 para 2026. Algumas melhorias estão sendo planejadas para o ano de 2026.

Acho que a gente falou pouco lá atrás sobre uma pressão na nossa eficiência por contratações aceleradas no ano passado, isso no quarto trimestre já se regula e daqui para frente a gente quer continuar a nossa agenda de ampliação do nosso portfólio de produtos e crescimento de vendas. Acho que, Wagner, você pode fazer a segunda parte.

Wagner Dantas

Sim, com certeza. Bom, a respeito dos nossos dividendos, né?

Eu acho que a empresa vem aí nos últimos 3 anos, até pouco mais que isso, com uma agenda pujante de distribuição de dividendos e, na verdade, com uma disciplina e mindset de buscar a melhor alocação de capital em cima do caixa que a empresa gera, né? Então a gente sempre faz o assessment da nossa posição de caixa, nossa posição de endividamento.

Todo o excedente de caixa que a gente não tenha, né, investimento, CAPEX, seja novo negócio para ser realizado em que a gente acredite, né, que nos nossos assessments que mantenha o ROIC da empresa nos patamares que a gente trabalha, né, a gente veio ao longo desse tempo, esses anos, devolvendo isso para os investidores, devolvendo isso para os acionistas, fazendo com que eles tomassem a decisão onde melhor alocar esse caixa onde a empresa não tinha ali naquele momento novo projeto, né? O fato é que o ano passado a gente teve ali, dentro do escopo da reforma tributária, né, o advento aí da tributação sobre dividendos, e a gente imprimiu uma agenda de antecipação, de aceleração nessas distribuições, indo além da nossa geração de caixa, indo além da posição de caixa líquido com a qual a gente vem trabalhando aí nos últimos anos, né?

Então a gente distribuiu ao todo, né, mais de R$ 1 bilhão e meio. Se a gente lembrar o dividendo mensal que a gente se propôs a fazer há quase 2 anos, de forma anualizada ele dava ali perto pouco mais de R$ 400 milhões, né?

É justo também dizer que do R$ 1 bilhão e meio de dividendos distribuídos ou anunciados ao longo do ano passado, pouco mais de R$ 500 milhões voltaram para o caixa da empresa através de uma subscrição privada, e esse movimento da subscrição privada inclusive foi a ferramenta que a gente utilizou para manter esse valor passível de redução de capital no futuro, sem exposição à tributação, mas sem expor ainda mais o balanço da empresa a uma alavancagem que começasse a cruzar patamar razoável aos nossos olhos, razoável à taxa de juros que a gente convive hoje no Brasil, né? Então, agora em 31/12 a gente divulga aqui o balanço com uma alavancagem financeira de 0,9 vezes EBITDA, menor que 1 vez EBITDA, comparado com outras empresas, comparado com peers de bolsa, é patamar de alavancagem muito baixo com as réguas do mercado, mas é sim uma alavancagem superior à nossa zona de conforto, né, que tá ali entre 0 e 0,5 vezes EBITDA de alavancagem, né?

Então acho que o nosso mindset para 2026 é de usar essa geração de caixa para reduzir esse endividamento. A gente nos nossos planos, né, a gente pretende acabar o final de 2026 no quadrante de baixo, né, não com uma alavancagem entre 0,5 vezes e 1 vez EBITDA, mas com uma alavancagem mais entre 0 e 0,5 vezes EBITDA, né?

E eu acho que a ótima notícia é que a gente consegue resolver isso no curto prazo. A geração de caixa da empresa segue pujante.

Os investimentos serão mantidos. O balanço da empresa se mantém, mesmo com essa alavancagem de 0,9 vezes EBITDA, pronto para capturar ou para abraçar novas oportunidades orgânicas e inorgânicas que venham a aparecer.

Então acho que o primeiro ponto: a alavancagem não é uma preocupação, mas é uma lição de casa que a gente vai fazer sim ao longo de 2026. Uma vez feita essa lição de casa, aí o excedente de caixa a gente volta a dinâmica que vivemos ao longo dos últimos anos, né?

Excedente de caixa sem projeto nos ROICs que entregue ROIC nos patamares que a gente costuma trabalhar, a gente deve tá voltando aí a devolver isso através de dividendos, através de outras ferramentas que a gente recém aprovou na nossa AGE, né? Então hoje eu posso cumprir esse payout através de dividendos, através de JCP, redução de capital ou mesmo recompra de ações, né?

E aí voltando para sua pergunta, Rogatis, obrigado porque ela foi tema aqui de dúvida de alguns outros investidores. Eu acho que tô investindo bastante tempo aqui para tentar explanar ela de forma completa, né, e já matar aí outras dúvidas.

A gente mantém o nosso payout mínimo de 25%. Então o lucro de 2026 ele será distribuído no mínimo de 25%, ou sim ou sim em qualquer dos cenários.

O que eu acredito é que a partir do momento que a gente voltar para nível de endividamento entre 0 e 0,5 vezes EBITDA, a gente retoma uma agenda mais proativa de dividendos, voltando para os acionistas, né, o caixa que a gente não tenha ali uma aplicação, investimento que sustente o ROIC nos patamares que a gente sempre trabalhou.

Victor Rogatis

Claríssimo, pessoal. Muito obrigado.

Abraço para vocês.

Pedro Bartelli

Obrigado.

Wagner Dantas

Obrigado, abraço.

Operator

Nossa próxima pergunta vem de Eric Huang do Santander.

Eric Huang

Bom dia, Pedro. Bom dia, Wagner.

Obrigado aí por pegar nossas perguntas. Duas aqui do nosso lado.

Acho que uma olhando pouquinho para o canal digital, né? No trimestre vocês desaceleraram pouco o crescimento, acho que parte disso tem a ver com a disciplina aí, né, olhando para mercado pouco mais promocional.

Então é só entender pouco mais como é que vocês estão olhando para esse canal em específico, como é que tá o ambiente, segue mais promocional ou vocês já observam uma melhoria, e aí o que que vocês esperam aí para esse canal ao longo desse ano. E olhando pouquinho para a categoria de vestuários que teve trimestre bom agora no quarto tri, então entender como é que vocês estão olhando aqui em termos de oportunidade de crescimento agora para 26 com os lançamentos, acho que principalmente na Olympikus, e como que isso eventualmente conversa, né, com uma oportunidade aí de eventualmente entrar pouco mais forte no projeto, né, de lojas, olhando mais pro lado de vestuário.

Obrigado.

Pedro Bartelli

Começo aqui. Eric, obrigado pela tua pergunta.

Nós crescemos 25% no nosso canal digital no ano de 2025. De fato a tua leitura é super correta sobre a nossa estratégia.

Nós somos donos ou representantes das marcas no Brasil. Nós temos compromisso com a rentabilidade da nossa empresa e dos nossos clientes, então a gente não entra nessas grandes liquidações.

O Black Friday pra gente não é algo que eu acho que até o comércio inteiro não tem gostado, mas nós mesmos não entramos nessa liquidação por alguns motivos. Deles é para que a gente preserve as nossas margens, mas também porque nós somos uma empresa verticalizada, rápida, a gente não produz estoques, então a gente não gera sobras.

Então a gente não tem excedentes, né? A gente não importa com muita antecedência, sobras, etc., o que acontece.

O mercado ainda é bastante promocionado e eu acho que é legal chamar a atenção aqui do quarto trimestre, porque no quarto trimestre a gente recupera a margem, cresce pouco mais de 11% enfrentando essa grande liquidação de produtos que existe no mercado. É cenário que se tornou normal hoje no Brasil.

A gente aprendeu a trabalhar dentro desse cenário, mas nós vamos continuar a nossa agenda de crescimento do nosso e-commerce, mas não a qualquer custo, né? O nosso e-commerce e as nossas lojas próprias, já vamos falar pouco sobre isso, elas são rentáveis.

Então a gente desde o primeiro ano que nós internamos o nosso e-commerce, na Vulcabras ele já se tornou rentável. Representa hoje pouco mais de 15% do faturamento e tem uma tendência de crescimento.

E aí eu já engato na tua segunda pergunta que é sobre o vestuário que tem muito a ver com isso. Vestuário no Brasil, ele tem problema: a maior parte dos calçados esportivos vendidos no Brasil são vendidos em sapatarias ou em casas esportivas que não vendem vestuário nem acessórios.

Então existe uma deficiência de canal para expor melhor a proposta das marcas, seja de vestuário, acessório ou a proposta completa. O nosso vestuário vem crescendo, mas vem crescendo por causa da nossa maior participação no e-commerce.

O e-commerce vem alavancando a venda do vestuário. Além disso, falando sobre lojas, nós estamos com 18 lojas hoje, duas lojas já contratadas para serem abertas agora a curto prazo, uma terceira em negociação.

Pode não parecer tão relevante dentro da empresa, mas nós estamos montando uma estrutura de varejo físico. Nosso varejo digital ele considerado por nós já bastante eficiente e maduro.

Nós no ano passado trouxemos para a empresa novo conselheiro, que é o Alberto Serrentino da Varese, que tem nos ajudado muito a mapear toda a parte de varejo e evolução tecnológica, omnicanalidade, etc. Então é trabalho que tá sendo desenvolvido aqui dentro.

E eu vejo sim aumento das nossas vendas diretas porque elas são complementares, principalmente para alavancar a venda de vestuário e acessórios. Então a nossa agenda continua de crescimento orgânico, normal.

Pode surgir alguma oportunidade tanto de marcas quanto de negócios, a gente tem sempre bom mapeamento do mercado, mas a agenda é de crescimento tanto no wholesale quanto na venda direta.

Eric Huang

Ótimo. Obrigado, Pedro.

Pedro Bartelli

Obrigado, Eric.

Operator

Mais uma vez, para fazer perguntas basta clicar no botão de levantar a mão. Caso deseje fazer a sua pergunta por escrito, você pode clicar no botão de Q&A.

Nossa próxima pergunta vem de Larissa Sauer da XP.

Larissa Sauer

Bom dia, pessoal. Pedro, Wagner, obrigada aqui por pegar nossas perguntas.

Duas aqui bem rápidas do nosso lado, né? Acho que a maioria já foi endereçada aí, mas se a gente pudesse comentar pouquinho como que tá a cabeça para despesa ao longo do ano aí 2026.

Esse ano de 2025 vocês foram pouco mais intensos em marketing, né, muito por conta ali do aniversário da Olympikus. A gente pode pensar que essa linha ela se acomoda mais nesse ano e aí traz pouco mais de espaço para alavancagem operacional?

Teria alguma outra linha que vocês já mapearam que precisa de algum investimento adicional, como que tá a cabeça? E aí aproveitando essa temática de investimento, falar pouco sobre CAPEX também.

Vocês comentaram aí agora na resposta para o Eric sobre a abertura de loja, né, como que tá a cabeça para esses investimentos em CAPEX, se ainda tem coisa em capacidade produtiva, só para a gente ter uma ideia aqui do que que vocês tão vendo para o ano. Obrigada.

Pedro Bartelli

Obrigado, Larissa. Deixa eu começar aqui.

As nossas despesas no ano de 2026, no início do ano de marketing ainda são pouco maiores pelos 50 anos da Olympikus, mas não crescerão em percentual comparados com o ano passado, até vão se comportar na nossa avaliação igual ou até pouco menor. CAPEX foi feito CAPEX adicional o ano passado para sustentar esse crescimento, foi algumas ampliações que a gente fez e compras de maquinários.

Esse CAPEX mais intenso foi feito no ano passado de ampliação. Esse ano não vai ser necessário, o nosso planejamento mostra que os últimos investimentos sustentam esse nosso ritmo de crescimento de pelo menos os próximos 2 anos, então o CAPEX tende a se tornar menor.

E é ano que a gente tem falado aqui ano de rentabilizar os investimentos. Realmente a gente tá procurando ganhar mais eficiência depois de grandes contratações, grandes investimentos feitos.

A gente impôs para a Vulcabras grandes dificuldades nos últimos anos trazendo muita evolução tecnológica, expansão dos nossos produtos, expansão das solas, novas formulações, materiais, produtos, placas de propulsão. A gente foi aprendendo a trabalhar com produtos de altíssima tecnologia e sempre isso gera aprendizado.

E hoje a gente domina muito bem isso, tem lançado novos produtos, mas dentro de tecnologias já conhecidas dentro da empresa. Então acho que é manter a nossa estratégia que na nossa avaliação tem sido muito muito boa, continuar crescendo, expandindo e aproveitando esse setor que cresce mais que o mercado, o setor de corrida, de cuidado com a saúde, etc., que tem nos mostrado caminho muito bom, principalmente no caminho de corrida onde a gente identificou essa tendência 6 anos atrás, investiu muito, criou a linha do Corre da Olympikus, ampliou as coleções de Under Armour e de Mizuno e hoje a gente vê, né, só na Olympikus, por exemplo, o tênis mais utilizado pelos corredores brasileiros pelo terceiro ano, dito pelo Strava, a sexta palavra mais buscada no Google, a única disparada a mais importante de sapato no Brasil é Olympikus Corre.

Então eu acho que tem trabalho muito bem feito que tem que agora expandir o portfólio de produtos e continuar crescendo organicamente com essas três marcas.

Wagner Dantas

Acho que teria só pequeno complemento aqui na questão das despesas que se a gente demonstrou ao longo de 2025 a capacidade de capturar uma alavancagem operacional importante, talvez os números consolidados eles não fiquem tão claros, né, mas a gente cresceu 25% o nosso D2C, nosso e-commerce. Então o e-commerce de fato cresce de forma mais acelerada do que o wholesale, né, ou o todo da empresa.

E isso deveria ser até deflator, né, deveria trazer percentuais de despesas de SG&A pouquinho mais pesado uma vez que estruturalmente esse canal tem SG&A mais relevante em percentual de receita do que a operação normal e regular através do wholesale, né? E não foi isso que a gente viu no nosso resultado, né?

Na verdade, o mesmo delta na margem bruta foi exatamente o delta capturado na margem EBITDA recorrente, né? Então crescer mais rápido em canal que tem SG&A pouquinho mais pesado e não ter isso no consolidado, né, se refletindo, demonstra a capacidade que nós tivemos aí ao longo de 2025, que a gente espera manter ao longo de 2026, na captura de certo nível interessante aí de alavancagem operacional.

Larissa Sauer

Super claro, pessoal. Obrigada aí por pegar nossas perguntas e parabéns de novo pelos resultados.

Pedro Bartelli

Obrigado.

Wagner Dantas

Obrigado, bom dia.

Operator

Nossa próxima pergunta vem de Isabella Lamas do UBS.

Isabella Lamas

Bom dia, Pedro, Wagner. Obrigada pelo espaço aqui.

Dois pontos aqui do nosso lado. Primeiramente eu queria aprofundar pouquinho mais sobre a dinâmica de volumes do tri, né, que vocês destacaram bem a evolução do mix, né, que tem a participação maior dos produtos com maior valor agregado, e isso naturalmente traz componente maior de ticket e menor de volume, né?

E aí eu queria entender assim se essa dinâmica ela pode seguir pra frente, assim se a gente pode esperar componente mais significativo de ticket no top line agora pra esses próximos trimestres ou talvez até pouco mais estruturalmente, ou se teve algum efeito pontual no tri também, talvez até relacionado ao ambiente mais competitivo, mais promocional, se teve alguma talvez uma questão ali do bolso ali do consumidor, se vocês acham que talvez o aumento de preço que vocês fizeram ao longo do ano talvez pode ter batido pouquinho, como é que vocês tão enxergando essa elasticidade, enfim. Era esse ponto aí.

E aí, por outro lado, o segundo ponto que é ainda relacionado ao top line que vocês citaram uma carteira do primeiro semestre sólida. Então pensando aí agora pra esse curto prazo aí futuro, se vocês podiam dar mais detalhes de como é que tá essa demanda em termos de marca, em termos de categoria, das linhas de produto, né?

A gente espera aí o lançamento do Corre 5, então o que que vocês podem dar de mais color de como é que vem se comportando a demanda. É isso.

Obrigada, pessoal.

Wagner Dantas

Isabella, obrigado aí pela sua pergunta. Eu vou começar respondendo aqui pouco mais do quarto trimestre, né, e aí o Pedro emenda aqui olhando pouco da nossa visão pra frente, tá?

Acho que o quarto tri tem contexto que é importante trazer, que foi o contexto do consumo no Brasil, o varejo como todo, né? A gente pega aí outros segmentos, principalmente outras empresas, né, de varejo de vestuário, tiveram quarto trimestre bastante desafiador, né, quanto a consumo, quanto a volumes, tá?

A gente consegue crescer de forma qualificada através de portfólio de mix de produtos mais técnico, mix de produtos que tem ticket médio maior. A gente praticamente sustenta, né, o patamar em volumes absolutos ali flat, né, na casa dos 6 milhões de pares dentro do trimestre.

E a gente decide por não participar de liquidações, né, que se mostraram extremamente agressivas dentro desse período, né? Então acho que a gente não enxergou ou capturou sinais de uma perda de volumes ou sinais de consumidor que não conseguiu acompanhar a evolução e aumento de preço que a gente precisou submeter nas coleções.

A gente viu sim uma sustentação de volumes e a gente viu sim também apetite contínuo pelas nossas marcas, mas não ao preço que a gente entendia ser razoável ou saudável de ser comercializado, né? Então a gente, estrategicamente, como cultura e mindset, a gente sempre vai tá buscando decisões que construam valor para o acionista, que preservem margens.

E tem uma frase que a gente usa muito aqui, né: a gente tem apetite gigantesco por crescer, mas não vamos crescer a qualquer custo. Então outras marcas, acho que não vou falar de outras marcas, mas estão dispostas a sustentar volumes ou crescer a qualquer custo, não é a semântica da Vulcabras.

A gente, na fortaleza das nossas tecnologias, no posicionamento das nossas marcas, na assertividade do nosso marketing, a gente conclui o quarto trimestre muito feliz com o resultado obtido, não só pela evolução das margens, mas pelos volumes e a forma com que a gente navegou, né, dentro de mar que tava bastante tumultuado, mar que tava extremamente liquidado dentro desse período.

Pedro Bartelli

Obrigado, Wagner. Eu, Isabella, eu falo pouco sobre 2026.

É lógico que a empresa vem crescendo, né, a 22 trimestres consecutivos, então, normalmente as carteiras de pedidos deveriam ser maiores a cada ano, mas a gente realmente se surpreendeu com uma demanda bem grande de pedidos que nós tiramos no ano passado. Então entramos o ano de 2026 com o primeiro semestre muito bem desenhado.

Isso mostra a força da nossa estratégia, dos nossos produtos. E aí falando pouco especificamente sobre as nossas estratégias, sim, agora a gente recém lançou produto estrela nosso que é o Pacer, produto altamente tecnológico, produto caro, produto de posicionamento, produto que tem características fantásticas de expansão em nitrogênio, sem compressão.

Metade dessa entressola é feita por robô, a outra metade é feita por pessoas, pelo ser humano. A gente consegue dentro de produto de 140 g disputar pelos produtos mais leves do mercado, mas preservar as nossas características de estabilidade.

Botamos uma palmilha dentro desse produto, a maioria dos concorrentes nem palmilha coloca. Fizemos uma placa de propulsão contínua que do tamanho inteiro do pé, e alguns dos nossos concorrentes fazem menor para conseguir essa leveza.

Não usamos borracha na sola, usamos outro composto, poliamida no cabedal. São várias evoluções tecnológicas que a gente vem trazendo para a empresa, que logicamente ajudam a posicionar, mas que vão buscando melhorias para que depois permeiem na nossa coleção normal e a gente consiga trazer ainda mais evolução tecnológica para os nossos consumidores.

Esse é produto estrela que recém foi lançado. O Corre 5 vai ser lançado agora no final deste mês.

Estamos muito satisfeitos com as primeiras impressões do Corre 5. Ele vem com evolução importante do Corre 4 pro Corre 5, então ele é produto ainda melhor.

E na Olympikus é interessante falar que o sucesso das nossas franquias, seja do Corre 5, do Max, do Turbo, eles vêm carinhosamente a gente fala aqui dando cria, né, dando filhos. Então a gente vem ampliando essas franquias e fazendo produtos ainda mais elaborados e alguns produtos pouco mais simples para que a gente possa democratizar também essas categorias de corrida, seja autoamortecimento, seja velocidade, propulsão.

Então a coleção vai crescendo. Então acredito eu que dentro dessas faixas de preço e novas faixas que a gente vem atuando, o mix vai continuar crescendo.

Como esse produto é mais elaborado, o mix da Olympikus tende sim a se tornar cada vez mais caro, com valor cada vez maior por causa do valor agregado dos produtos. E muito interessante falar sobre a Under Armour e sobre a Mizuno, porque a Under Armour não tinha uma coleção de produtos de running, hoje ela tem desenvolvida por nós, criada por nós, inclusive a tecnologia.

Isso entra no mercado a partir desse ano. Então a Under Armour também vai participar desse enorme boom de corridas que tá acontecendo no Brasil.

E na própria Mizuno, que sempre foi uma marca muito forte em corrida, a gente também desenvolveu uma coleção de produtos nacional da linha Neo, que já está no mercado desde o final do ano passado e vem crescendo. Então a gente vai ampliar a nossa coleção de produtos para continuar nesse ritmo de crescimento.

O Brasil é país que vocês têm visto, instável, cheio de incertezas, mas independente disso a gente tem feito a nossa lição de casa de ampliar os nossos negócios para continuar crescendo. Então, na nossa opinião aqui, nas nossas metas, é a gente continuar com os patamares de crescimento e de lançamento e investimento que a gente vem fazendo.

Pouco menor agora em investimento de aumento de produção e sim continuar o nosso investimento em evolução tecnológica.

Isabella Lamas

Entendi, super claro. Se eu puder fazer só follow-up rápido, já que o Wagner citou aqui a Under Armour, mas especificamente agora na parte de vestuário da Under Armour, né?

Vocês já falaram pouco dessa dinâmica do vestuário, que foi super bem, mas vocês colocaram que a Under Armour foi destaque aí. Queria só saber assim, vocês fizeram algum esforço de vendas direcionado ou teve alguma coisa, alguma iniciativa específica que trouxe isso, pra gente entender aí que a gente achou bem positivo esse ponto.

Obrigada.

Pedro Bartelli

A marca mais relevante em vestuário da companhia é a Under Armour. Por mais que ela dentro do faturamento entre as três ela não é a maior, ela é a menor, mas a Under Armour nasceu na roupa e a Under Armour no mundo 80% do faturamento dela é vestuário e acessórios, ela faz bem vestuário e acessórios.

E a gente tem conseguido ampliar a venda da Under Armour. A coleção, a gente acredita ser uma coleção muito competitiva, vencedora, de muita tecnologia, mas a ampliação vem através das nossas vendas diretas porque os canais onde a gente distribui, a gente tem relacionamento ótimo com praticamente todos os clientes no Brasil, ela tem uma certa limitação de venda.

Então a gente precisa para ampliar canais diretos. O e-commerce é super relevante para isso, algumas lojas que a gente tem aberto, e o futuro é ampliar essa participação direta para que o vestuário possa crescer ainda mais.

Eu vejo uma oportunidade enorme para a Under Armour crescer em vestuário e acessórios no Brasil, dependendo de a gente ampliar os nossos canais.

Isabella Lamas

Tá ótimo, super obrigada, pessoal.

Pedro Bartelli

Obrigado.

Wagner Dantas

De nada.

Operator

Novamente, para fazer perguntas basta clicar em levantar a mão. Caso deseje fazer uma pergunta por escrito, toque no ícone de Q&A.

Por favor, aguarde enquanto coletamos as perguntas.

Wagner Dantas

Bom, a gente respondeu várias perguntas, acho que cobrimos quase que todas as perguntas que vieram pelo chat. Tem uma pergunta aqui que eu acho que a gente não trabalhou ela ou tema que não foi explorado em profundidade.

E eu vou ler a pergunta aqui pra gente poder caminhar para o encerramento até em respeito aí ao horário, tá? A pergunta veio do Lucas de Oliveira, né?

"Vocês mencionam que a margem bruta foi impactada pelas ineficiências das contratações de mão de obra direta nos trimestres anteriores. Embora uma estabilização tenha começado em outubro, já podemos considerar que a curva de aprendizado da nova capacidade fabril foi superada e veremos uma alavancagem operacional mais limpa no CPV do primeiro semestre de 26?"

Eu vou começar aqui, Pedro, e fica à vontade pra adicionar, tá? Obrigado, Lucas, pela sua pergunta.

Sim, eu acho que a gente encerrou o ciclo de contratações aceleradas ali no finalzinho de setembro. A gente manteve a nossa produção, nosso quadro produtivo, né, estável desde então.

Isso não quer dizer que a gente não continua, né, contratando pessoas, até porque existe nível de turnover hoje relevante no Brasil. O absenteísmo é pain point que ainda não tá resolvido, né?

Eu acho que se dá para tentar trazer algum sinal positivo nesse tema é de que ele tá estável. O sinal muito negativo é que ele estabilizou em patamares bastante superiores ao que a gente historicamente sempre trabalhou.

Então eu acho que o quarto trimestre é trimestre onde a gente demonstra sim uma evolução muito relevante. A gente trabalhou com gaps de margem, né, no segundo e no terceiro tri de 1,7 pontos percentuais, a gente praticamente fechou esse gap de margem e eu acho que o primeiro semestre a gente ainda vai tá convivendo com alguns desafios, mas num caminho de se não fechar gaps de margem, estar muito próximo, tá?

Eu acho que evoluções mais relevantes a gente deve esperar ao longo do segundo semestre, até em função de aumentos de preço que a gente vai tá praticando ao longo de 2026. Importante também lembrar, né, que desde o dia 1º de janeiro de 26 a gente convive com a segunda etapa do processo de reoneração da folha.

É mais peso que infelizmente a gente tem aí dentro do composto do Custo Brasil dentro da nossa produção, mas eu acho que a Vulcabras ela já demonstrou, né, e segue bastante confiante na busca por melhores eficiências, em caminhos, né, pra poder contornar isso e na sua capacidade de repassar preço pro ponto de venda, né, à medida do necessário assim quando for, né? Não sei, Pedro, se você tiver algum ponto pra...

Pedro Bartelli

Não, acho Wagner cobriu perfeito. É uma nova realidade.

Infelizmente o absenteísmo é crescente, a gente teve que aprender a trabalhar com isso ao longo do ano. Diminuiu pouco, mas não voltou a patamares normais.

Essa rotatividade, ela também cresceu. Isso gera uma necessidade de você ter efetivo pouco maior para que você possa estar com as pessoas treinadas.

Nós não estamos fazendo as nossas metas, os nossos orçamentos esperando que isso melhore. Se melhorar, os resultados melhorarão, mas aprendemos a conviver com isso.

Cada dia tem uma novidade e a gente precisa se adaptar. A Vulcabras é uma empresa ágil, rápida, se adapta muito bem e aprendemos a conviver com mais essa dificuldade, e os resultados estão aparecendo.

Operator

Obrigada, pessoal. Não havendo mais perguntas, eu gostaria de passar a palavra ao senhor Pedro para as considerações finais.

Pedro Bartelli

Pessoal, queria mais é agradecer. Obrigado pelas perguntas.

Acho que a gente cobriu os assuntos principais aqui, deixar o nosso pessoal à disposição, todo o time de RI para esclarecer qualquer outra dúvida. E ficamos à disposição de vocês aí.

Convido vocês a entrar nos nossos sites, nossos Instagrams, etc., para ver as nossas ações. A gente vem desenvolvendo uma relação com essa comunidade de corrida, com o consumidor brasileiro de esporte muito interessante, o que tem valorizado muito as nossas marcas.

Então convido todos vocês a nos acompanharem. Muito obrigado e bom dia a todos.

Wagner Dantas

Obrigado, bom dia a todos.

Operator

A videoconferência da Vulcabras está encerrada. Agradecemos a participação de todos e tenham ótimo dia.