Eucatex S.A. Industria e Comercio

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Q4 FY2025 · Earnings Call TranscriptMarch 16, 2026

Operator

Bom dia a todos e sejam muito bem-vindos à conferência de divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 da Eucatex. Informamos que esta conferência está sendo gravada e será disponibilizada no site de RI da companhia, onde se encontra disponível a respectiva apresentação.

Para o Q&A, sessão de perguntas e respostas, orientamos que sejam enviadas via ícone de Q&A no botão inferior de sua tela. Ressaltamos que as informações contidas nesta apresentação e eventuais declarações que possam ser feitas durante a videoconferência relativas às perspectivas de negócios, projeções e metas operacionais e financeiras da Eucatex constituem-se em crenças e premissas da administração da companhia, bem como em informações atualmente disponíveis.

Considerações futuras não são garantias de desempenho. Elas envolvem riscos, incertezas e premissas, pois se referem a eventos futuros e, portanto, dependem de circunstâncias que podem ou não ocorrer.

Investidores devem compreender que condições econômicas gerais, condições de mercado e outros fatores operacionais podem afetar o desempenho futuro da Eucatex e conduzir a resultados que diferem materialmente daqueles expressos em tais considerações futuras. Agora gostaria de passar a palavra para o senhor José Antonio Goulart de Carvalho, Diretor Vice-Presidente Executivo e de Relações com Investidores da companhia, para iniciarmos a nossa apresentação.

José Antonio Goulart de Carvalho (Diretor Vice-Presidente Executivo e de Relações com Investidores): É, bom dia a todos. Obrigado por estarem nos acompanhando nessa teleconferência, onde faremos a divulgação dos resultados da Eucatex S.A.

relativos ao quarto trimestre de 2025 e também, obviamente, o fechamento do ano, né, o ano de 2025. Bom, nesse 4T, de certa forma foi trimestre que não trouxe muitas surpresas, pelo menos no que diz respeito ao mercado interno, né?

Já no front externo, quer dizer, uma série de emoções, por assim dizer, logo na virada do ano, né? Mas aqui internamente a gente viu pouco mais do mesmo, né?

Uma continuidade de uma espécie de queda de braço, né? De lado o Banco Central com uma política de juros restritivas e, ao mesmo tempo, crescimento do endividamento das famílias e a dificuldade que essas estão de honrar seus compromissos; e, de outro, o desemprego que ainda continua baixo e governo com o pé no acelerador, com uma série de políticas de incentivo e de transferência de renda.

Mas, ao que parece, quando a gente pega os indicadores econômicos, né, e nós vamos trazer quatro indicadores de segmento onde a gente atua, esse modelo, né, de incentivo ao consumo via estímulo fiscal e creditício parece que está se esgotando, né? E, de fato, o mercado desacelerou e, junto com essa desaceleração, também veio uma queda no câmbio.

O fato é que esses dois elementos conjugados aí têm tido uma consequência positiva, por assim dizer, que é a baixa da inflação. Mas é óbvio que a manutenção dos juros nesse patamar é algo muito nocivo para o endividamento público e para as companhias, né?

É algo que nós temos visto nos últimos dias várias empresas aí sofrendo com esse patamar de juros, né? Bom, como nós já estamos aí na virada, né, já estamos no mês de março, quase para terminar o primeiro tri, quer dizer, é óbvio que a gente tem que comentar alguns eventos que ocorreram depois do fechamento de 2025.

O primeiro deles, positivo, que é a questão das tarifas, né, a ilegalidade que foi decretada com relação às tarifas impostas pelo presidente Trump. Isso para nós foi extremamente positivo porque a gente vinha sofrendo de uma maneira individualizada, né?

Isso é que penalizava ainda mais a empresa, né, porque nós estávamos com tarifas de 10% mais 40%, e isso basicamente para o Brasil, basicamente para os nossos produtos. Nossos competidores, em que pese eles tenham algum tipo de tarifa, eram muito menores do que a nossa.

Com a decretação da ilegalidade, quer dizer, todos hoje ou praticamente todos estão com uma tarifa de 10%. Então, não só a tarifa é menor e isso é positivo para nós, como essa tarifa também está aplicada a todos os nossos concorrentes, o que deixa a gente bastante mais competitivo.

Então, essa aí foi a boa notícia, vamos supor, desse início do ano. E a má notícia é a questão da guerra, né, da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

É uma guerra de consequências ainda incertas, de prazo incerto. Ontem eu lia no Estadão, quer dizer, essa incerteza vem primeiro do fato de nem mesmo o Trump dizer exatamente por que que ele começou essa guerra, quer dizer, ora é por conta da questão nuclear, ora é para derrubar o regime, ora é para enfraquecer o regime, enfim.

A gente não tem uma resposta única e certa do porquê do começo dessa guerra. E se você não sabe por que começou, muito menos ainda como vai terminar.

Então, a gente tá num cenário bem nebuloso nesse sentido. Uma consequência certa foi a questão do petróleo, da subida dos preços do petróleo e isso certamente terá consequências inflacionárias nos Estados Unidos e aqui.

Tanto que acho que o mercado como todo vinha trabalhando com a ideia de uma queda expressiva da Selic agora na quarta-feira, pelo menos de meio ponto, e essa certeza começa a ser revisada, grande ponto de interrogação, quer dizer, não sabemos nem se de fato haverá redução ou se houver, essa deve ser da ordem de 0,25 somente. Então, assim, o começo do ano que começa com boas e más notícias, né?

Mas, enfim, vamos à nossa apresentação, vamos dar início à apresentação. E a gente pode pular diretamente para o slide de número quatro.

Vamos pular aqui. Então, como eu disse, nós sempre trazemos aí quatro índices de mercados onde a gente atua.

Esse primeiro, ele dá informações da indústria de material de construção. Então, ele é muito abrangente, quer dizer, pega todo tipo de produto que tá ligado a esse segmento.

E de certa forma a gente consegue ver através desse índice bom exemplo do que aconteceu durante o ano, né? Nós começamos esse ano de 2025, quer dizer, o primeiro índice que nós divulgamos da Abramat relativo a 2025, que foi do primeiro tri, ele foi de 5,7% de crescimento em relação ao primeiro tri de 24.

E o prognóstico para o ano era crescimento de 2.8%. E aí, ao longo do ano, essas projeções e esse índice veio se reduzindo e acabou terminando aí o ano com -1.2%.

Então, esse eu até acho que é retrato até pouco pior do que aconteceu em outros segmentos que a gente participa, mas dá bom exemplo aí do que que a gente viveu ao longo do ano. A gente começou o ano de uma maneira muito forte, os mercados aí crescendo bastante em relação ao ano passado, e esse crescimento foi se deteriorando e, no caso aí de materiais de construção, terminou até de forma negativa em relação ao ano anterior.

Esse próximo índice é da Abrafati, é bem mais focado, ele trata somente de tintas imobiliárias. A Abrafati é uma associação que deve congregar em torno aí de 75% a 80% das empresas do setor de tintas.

A Abrafati, ela não faz previsões, quer dizer, quando a gente iniciou o ano, o que a gente tinha de informação da Abrafati era o comportamento do primeiro tri de 25 versus o primeiro tri de 24. E isso mostrava crescimento, né, no comparativo desses dois trimestres, eu anotei aqui, de 6,8%.

Então, nós começamos o ano com a Abrafati mostrando crescimento de 6,8% e terminamos com 0,3%. É ainda positivo, mas, obviamente, muito mais modesto do que o dos anos anteriores e da forma como a gente começou o ano.

O Ibá produz dois índices, né? O primeiro deles é relativo aos pisos laminados.

Também começamos o ano de maneira mais forte e também viemos perdendo tração aí ao longo do ano, mas, de qualquer jeito, neste caso, é uma reversão de uma tendência importante, né? A gente vê que houve grande decréscimo no ano de 2022 e isso veio se atenuando em 23 e 24 e, finalmente, ainda que bastante modestamente, a gente termina o ano com crescimento, ou seja, revertendo índices negativos.

Esse é produto que tem encaixado muito bem no Minha Casa, Minha Vida, que é segmento que tem se beneficiado aí do apoio do governo. A gente tem feito trabalho particularmente importante com construtoras, tem também crescido bastante junto às construtoras.

E bom, tanto que a nossa ideia, isso deve se materializar aí nas próximas semanas, nós estamos criando uma gerência específica para a área de construtoras, quer dizer, nós vamos deixar de atuar na construtora com cada gerência com o seu produto e vamos ter uma gerência por canal, né? Nós devemos ter gerente nacional que vai trabalhar o canal construtora.

Então, nós vamos focar bastante no canal e trabalhar com todo o leque de produtos da companhia. Agora nesse próximo slide, no sete, são informações do Ibá também, são os painéis de madeira que são produzidos no Brasil.

E aqui a gente tem informação de dois mercados, né? Do mercado interno, aliás, eu tô com o laser aqui.

Nós temos a informação do mercado interno, que é essa coluna mais escura, e do mercado externo. O que a gente vê no front externo é uma queda bastante grande em relação ao ano passado.

Neste último tri, uma queda de 10.2% em relação ao ano passado. E no mercado interno, a gente também tem uma queda de 4,6%.

É uma queda menos acentuada, mas o ano ainda termina positivo. Então, aqui é bem aquilo que nós vimos, né?

O ano começa mais forte e vai perdendo tração, nesse caso até por terminar com índice negativo. A ociosidade do setor, que é essa coluna aqui amarela, esse trecho amarelo, em que pese ela ter subido, ela tá bem melhor do que em anos anteriores, né, onde ela já foi 36%, e tá num patamar que é bastante razoável para a indústria trabalhar.

Evidentemente 20% é melhor, mas 24% é número ainda bastante razoável para esse tipo de indústria. Bom, esses eram índices de mercado, né, e agora a gente vai falar pouco mais especificamente do desempenho da Eucatex.

E nesse slide aqui é interessante a gente olhar porque ele traz bem a forma como nós estamos organizados. Nós temos três diretorias, vamos falar assim, para trabalhar nossos mercados.

Essas duas aqui do lado esquerdo trabalham o mercado interno e essa última aqui trabalha o mercado externo. Quer dizer, antes da gente entrar aqui pouco no desempenho de cada uma, é interessante a gente já ver aqui a receita, né?

Nós tivemos crescimento de receita no último tri de 3,1%, quer dizer, isso também significa uma certa desaceleração em relação à forma como a gente começou o ano, e a gente termina o ano com 8,6%, né? Então, a gente termina o ano ainda com crescimento, mas perdendo pouco daquela tração inicial do começo do ano, mas ainda bastante positivo.

E aí falando pouco de cada segmento, né, começando aqui com a indústria e revenda, é segmento que representa 36% da nossa receita. Aqui, basicamente, a gente vende painéis de madeira, né?

E esses painéis são vendidos ou para a indústria seriada, que são grandes fabricantes de móveis, ou para as revendas, que, no final do dia, vão abastecer as pequenas indústrias e/ou os marceneiros. A revenda tem se mostrado também canal importante para a venda de produto, ele até não tá aqui representado, mas que são os painéis ripados.

É painel que nós basicamente pegamos o MDF e transformamos num elemento de decoração. Então, ele sai do móvel, né, ele sai de ser produto basicamente destinado à fabricação de móveis e passa a ser produto de decoração, como a gente tá vendo aqui no slide, e aplicado na parede.

Então, isso é uma tendência que tem crescido, não só aqui, mas uma tendência que cresce muito lá fora, tanto que a gente tem notícias que, por exemplo, hoje em dia no mercado europeu quase que esses produtos de parede já têm quase a mesma expressão do que o uso de painéis para fabricação de móveis, e a revenda é grande canal para isso. Esse segmento ficou relativamente de lado no último tri, ele ficou com -0,6% em relação ao mesmo período do ano passado, mas vale lembrar que aquele índice do Ibá que nós vimos há pouco, que representa bem esse segmento, né, que é o segmento de painéis de madeira, ficou com -4,6% e nós ficamos com 0,6% negativo.

No ano é crescimento ainda, nós crescemos 6,8% em relação ao mesmo período do ano de 2024. Depois aqui no centro o que a gente chama de segmento de construção civil, com 38% da receita.

Aqui é leque de produtos, mas que representa bem a estratégia da companhia. Então, o que a gente faz?

A gente transforma, vamos supor, esses painéis que tão aqui do lado representados numa escala de valor, numa estratégia de buscar nicho e de escalar valor. Então, a gente transforma painéis de MDP, por exemplo, em pisos.

Nós transformamos chapas de fibra e painéis de HDF em portas e batentes ou em divisórias. E aqui dentro também nós temos tintas e vernizes, que é muito representativo dentro desse segmento, em torno de 60% o faturamento desse segmento é tintas e vernizes, né?

Foi uma performance muito positiva, ainda mais quando a gente compara ao que a gente viu lá da Abramat, né, com número final negativo, né? A gente tem número de 7,8% pro trimestre e o número de 4,6% pro ano.

Tivemos resultado bastante positivo nesse segmento. Depois o último deles, a exportação, 23% da receita.

Enfim, nós exportamos todos os tipos de produtos, quer dizer, podemos não só exportar os painéis, que são os nossos carros-chefes, mas também portas e tintas, mas a verdade é que o carro-chefe na exportação são os painéis e os painéis finos, né? Não são nem os painéis de MDP ou de MDF, são os painéis de fibra e de HDF, que são painéis mais finos e que são mais competitivos na exportação.

E nós tivemos também desempenho positivo, quer dizer, mesmo aí com a questão cambial e com o tarifaço, ainda assim, o tarifaço americano, né, que nós já comentamos, ainda assim a gente conseguiu ter crescimento em relação a 2024, né? Crescemos 3,3% no trimestre e tivemos crescimento muito expressivo no ano, tivemos crescimento de 21%.

Essa certa desaceleração que houve aqui no crescimento das exportações fez com que a gente tivesse que redirecionar produtos para outros mercados e nós tivemos sucesso nisso, tanto que tivemos crescimento aí em todos os segmentos. Seguindo adiante.

Bom, vale comentar também aqui, peguei nas minhas anotações, quando nós fizemos o nosso orçamento, isso deve ter sido em meados de outubro, é evidente que nós fizemos o nosso orçamento com base naquilo que era possível ver naquele momento que era o tarifaço americano. Então, essa redistribuição que eu comentei agora de produtos antes destinados aos Estados Unidos, né, ou parte deles destinado aos Estados Unidos para outros mercados, é muito provável agora que a gente reveja essa redistribuição e volte a direcionar mais produtos para o mercado americano, que é o mercado de preços bastante interessantes, porque basicamente a gente vende lá produtos de decoração diretamente em lojas, né, tipo na Home Depot ou na Lowe's.

E isso é bem relevante não só porque as margens são positivas no mercado americano, mas também porque a gente enxuga a oferta no mercado interno e isso permite com que a gente busque nichos aonde a empresa é mais representativa e onde nossas margens são melhores, né? Então, isso nos ajuda de duas maneiras, né, quer dizer, é mercado na exportação mais rentável e ao mesmo tempo ajuda na estratégia do mercado interno porque enxuga a nossa oferta aqui e a gente pode trabalhar onde a gente é mais representativo e mais relevante.

Bom, agora a gente vai trazer alguns índices financeiros, né, que a gente pinçou da nossa DRE. Primeiro deles aqui do lado esquerdo, a gente já comentou, que a nossa receita líquida com crescimento de 3,1% no último trimestre e 8.6% no ano, alcançando mais do que três mais do que R$ 3,1 bilhões.

A nossa margem bruta, ela cresce significativamente, né, tanto do ponto de vista de reais, né, que é essa seta aqui de 22,5% e 13%, quanto no comparativo do percentual em relação à ROL, né, onde a gente sai de 34.7% para 38% e 33.1% para 37.3%. Aqui dois aspectos: o primeiro deles é a questão da gente ter conseguido trabalhar bem o nosso mix de produtos, né, trabalhando produtos onde a gente escala valor, né?

O segundo é a questão de gestão de custos, né, e aqui nós tivemos pouco de ajuda do câmbio, né? Se a gente lembrar janeiro desse ano a gente chegou a ter câmbio de R$ 6,20 e no final desse ano a gente teve câmbio aí em torno de R$ 5,40, R$ 5,50, né?

Se de lado isso diminui pouco a exportação, de outro lado ajuda na parte de custos, né? E aqui também a gente tem que registrar crescimento importante também na parte de ativo biológico, também ajudou pouco dessa margem bruta, isso por conta de uma base florestal maior e os preços continuamente crescentes da madeira.

Bom, aí em relação às despesas administrativas e com vendas, quer dizer, o fato das despesas crescerem mais que a ROL, elas subiram mais do que a inflação e pouco mais do que a ROL, aqui, basicamente, a gente tem alguns motivos, entre eles, nós aumentamos bastante o nosso número de CDs, principalmente na atividade de tintas e vernizes. A gente espera com isso uma melhoria importante quando esses CDs tiverem maduros, né, na qualidade de serviço nossa e, enfim, no final do dia também uma eficiência maior na parte de fretes.

E a gente investiu também, ou tem investido bastante também na parte de TI, não só na parte de segurança, né, mas como também na transformação digital da companhia, e investimos, especialmente nesse ano de 25, muito em pessoas e na formação de pessoas. Isso acabou então puxando pouco das nossas despesas administrativas e os CDs pouco na despesa comercial.

Mas, de qualquer forma, enfim, o resultado é bastante positivo, quer dizer, o fato desse crescimento de receita associado a uma melhor margem trouxe crescimento importante do EBITDA, quase 15% no último tri, quase 30% no ano, com crescimento também importante na relação do EBITDA versus a ROL, fechando o ano tanto o trimestre quanto o ano em 24.3%, quase quatro pontos percentuais acima do mesmo período do ano passado. E o lucro bruto, uma espécie de consequência, também crescimento muito relevante, né, entre 50% e 60%, e terminamos o ano aí com R$ 340 milhões de lucro.

Bom, vamos lá para o próximo slide. Aqui informações da parte de financiamento, endividamento.

Enfim, tivemos uma boa gestão aí da questão financeira ao longo desse ano. Nós fizemos a emissão de dois CRAs com bastante sucesso, no primeiro tri e praticamente no final do terceiro tri, início do quarto.

Foram no total os dois CRAs de R$ 620 milhões. Isso não só tem aspecto positivo, que a gente pode ver aqui na distribuição da dívida de curto e longo.

Quem já acompanha a gente por mais tempo sabe que essa relação aqui já foi bastante diferente, hoje ela tá num patamar bastante positivo, mas também porque o fato da gente ter feito essa emissão, né, e eu não me lembro, já são muitos e muitos anos que a companhia não acessava o mercado de capitais, isso significa abertura de outro canal que não só o canal bancário para financiar as atividades da companhia, né? Bem, além disso, também o que cabe destacar é que as disponibilidades hoje dão bastante tranquilidade para a empresa, muita tranquilidade, né, em relação ao curto prazo.

A empresa mantém o nível de alavancagem bastante conservador, o que nesse momento é muito relevante, né? A gente tem visto muita coisa aí nos últimos dias referente a grandes empresas enfrentando processos de recuperação judicial.

Ontem eu também lia no Estadão levantamento que foi feito junto a 282 empresas de capital aberto e mostrando que quase metade delas, 47%, tão com uma relação dívida/EBITDA acima de três. E numa conta simples isso significa em torno de metade da geração de caixa só para pagar despesas com juros.

E mostrava também que em torno de 1/4 dessas empresas, 24%, tava com uma relação dívida/EBITDA acima de seis vezes, o que muito provavelmente vai colocar a empresa numa situação de insolvência. Então, essa questão dos juros realmente tem machucado bastante e tem trazido muitas dificuldades para as empresas.

Depois aqui uma informação sobre o nosso giro. Aqui o que cabe destacar, quer dizer, fornecedores mais ou menos estável, clientes a gente tem conseguido alguma redução de prazos.

O que nós tivemos aqui que não nos possibilitou talvez resultado melhor, né, no que diz respeito inclusive à dívida, né, que eu até não comentei, mas subiu pouco em relação ao ano passado, subiu em torno de 1,5%, né? Se você pegar o final do ano passado e o final desse ano, é 1,5% de subida.

Mas, enfim, aqui a gente subiu no que diz respeito a essa retrospectiva que tá aqui mais alto dos nossos dias de estoque. Nós crescemos bastante na ENA, né?

Nós acabamos tendo uma estocagem grande na ENA, que é a Eucatex North America. Isso certamente hoje já está retroagindo nesse primeiro trimestre.

Tivemos também uma estocagem em tintas e vernizes e também fizemos estoque de madeira. A verdade é que nós acreditamos que esse número agora pro primeiro tri do ano deve recuar razoavelmente bem, deve vir mais próximo daquilo que estava no terceiro ou mesmo no segundo tri do ano passado.

Seguindo adiante, aqui nossos investimentos. Aqui cabe algumas considerações, né?

Primeira é que nós vamos fechar o ano com R$ 410 milhões. Quem também acompanha a gente desde o início do ano sabe que o orçamento para esse ano era em torno de R$ 350 milhões, R$ 360 milhões.

Então, nós acabamos gastando valor adicional àquilo que a gente havia previsto. Isso não é muito comum, normalmente quando a gente faz uma previsão de investimentos é mais ou menos aquilo que a gente realiza ao longo do ano.

Este ano essa previsão ela acabou, vamos dizer assim, não se materializando, tendo número maior. E aí, basicamente, dois motivos, né?

Quer dizer, primeiro, a gente tem sofrido com isso, não só a Eucatex como várias empresas do segmento florestal, aqui principalmente no estado de São Paulo e em outros estados também, né, com as questões climáticas. Nós ao longo desse ano tivemos que refazer alguns plantios que nós tínhamos realizado, quer dizer, não esperávamos por isso, isso por conta às vezes de geada, por conta de falta de chuva.

Então, nós tivemos que refazer algumas áreas que nós já tínhamos plantado, isso acabou demandando investimento adicional em florestas. E uma outra parte dessa diferença foi valores que nós já adiantamos dos investimentos relativos ao ano de 2026.

E no qual, enfim, a nossa previsão é bem superior, né, são quase R$ 500 milhões, uma previsão bem superior àquela realizada em 2024. E aqui nós temos uma série de investimentos que nós julgamos bastante relevantes para a competitividade da empresa.

Isso de certa forma coloca a gente na contramão, né? Nós acabamos de falar de empresas aí se reestruturando, vendendo ativos para conseguir gerir o seu endividamento, e a gente tá exatamente na ponta oposta, né?

Nós estamos acelerando nossos investimentos. Com isso, a gente vai tá mais bem preparado em termos de produtos, e isso deve começar a se materializar agora mais pro final do ano, né?

Bom, entre esses investimentos a gente trouxe alguns aqui. O primeiro é uma nova prensa de BP.

BP é tipo de acabamento de alta resistência e de alto valor agregado que se faz em cima de painéis. Normalmente são painéis que são usados em superfícies planas, né, de cozinhas e mesas, né?

É acabamento de muita resistência, só que ele é acabamento feito via de regra em chapas grossas. As chapas normalmente que recebem esse revestimento têm entre no mínimo 6, justamente pela dificuldade de se prensar esse tipo de acabamento em chapas finas.

Nós conseguimos aí através não só pelo fato da gente ter chapa de fibra, né, ou talvez principalmente por sermos os únicos fabricantes de chapas de fibra no Brasil, nós conseguimos viabilizar uma prensa que vai aplicar esse tipo de acabamento em chapas finas. Isso abre pra gente alguns mercados, né?

O primeiro deles o mercado de móveis, né? Toda vez que você faz móvel, armário, uma estante, você precisa de fundo.

Esse fundo via de regra é chapa fina. Aí duas alternativas: ou você coloca uma chapa no fundo de 6 para que o fundo combine com o restante do móvel, você possa ter o mesmo BP que você tem na porta do móvel ou nas laterais você possa ter no fundo, ou você coloca outro tipo de fundo porque você vai ter que colocar uma chapa fina e ela não vai estar com esse acabamento em BP.

Agora nós temos o acabamento então que vai combinar com todo o restante do móvel de uma forma exclusiva. Nós temos também neste tipo de chapa uma aplicação muito importante no segmento de portas.

Então, nós vamos lançar esse ano conjunto de portas com acabamento em BP, que é algo inédito no mercado, e vamos poder também vender essas nossas chapas para outros fabricantes de portas. Nessa mesma linha nós estamos modernizando a nossa fábrica de portas, a gente tá crescendo bastante o nosso output, nós vamos quase que quadruplicar a nossa produção ou ter a capacidade de quadruplicar a nossa produção de portas.

É claro que a depender do mercado, a venda, mas, enfim, vamos estar bem mais com uma musculatura bem maior na produção de portas e, principalmente, vamos estar também com o nível de qualidade assegurada muito maior porque o nível de intervenção humana vai cair drasticamente com este investimento. Também devemos no ano que vem aumentar a nossa área plantada, nós vamos para 8.250 hectares, isso vai aparecer no próximo slide, o que é recorde.

Aqui já são questões pouco mais técnicas, né, mas Isso aqui é produto intermediário na fabricação de tintas que se chama slurry. Nós vamos fazer uma fábrica, quer dizer, nós vamos deixar de comprar esse produto intermediário no mercado e vamos fabricar nas nossas instalações.

Isso vai trazer uma competitividade de custo muito grande para o segmento de tintas. Nós vamos investir, aqui tá faltando até o gerador de calor, nós vamos investir numa caldeira e num gerador de óleo térmico de calor para a fábrica de MDP.

Bom, esses dois investimentos visam a gente não mais gastar madeira oriunda das nossas florestas, mas poder consumir todo tipo de resíduo, o que já acontece em Salto, também passar a acontecer na fábrica de fibra e na fábrica de MDP em Botucatu. E uma nova envasadora de tintas, que vai aumentar bastante a nossa velocidade no envasamento de tintas base d'água.

Há pouco tempo atrás a gente comprou novas envasadeiras para base solvente, agora a gente tá comprando para base d'água. Aqui são informações das nossas fazendas e da nossa base florestal, são quase 40.000 hectares.

Isso é muito próximo de garantir 100% da nossa necessidade de madeira, o que nos dá uma competitividade importante aí. Nós sabemos que muitos dos nossos competidores não têm uma base florestal para cobrir 100% da sua necessidade, e isso tá trazendo aperto grande aí na parte de custo porque o mercado de madeira tem escalado em preço fortemente, né?

Que hoje a gente fala em madeira no mercado de São Paulo, a unidade compra o metro cúbico, a gente fala em madeira por volta aí de R$ 280, às vezes R$ 300 o metro cúbico, coisa que já foi R$ 50 há não muito tempo atrás. E, como eu disse, a gente deve plantar aí volume importante, né, 8.250 hectares nesse ano.

Bom, já caminhando aí para o final, acredito eu é o último slide, vamos para as perguntas. Não, tem mais da fazenda.

Bom, enfim, aqui a gente é pouquinho mais do mesmo, né? A gente tem comentado, quer dizer, como a gente tem avançado no que diz respeito à governança corporativa com diversas iniciativas, como três membros independentes no conselho, comitês de auditoria, ética, gestão, pessoas, canal de ética muito segregado e seguro, né, para qualquer tipo de denúncia, né?

Nós fizemos regimento interno, quer dizer, fizemos a criação do regimento interno para o conselho de administração, temos grupo aí para tratar os temas de ESG, estamos com o conselho fiscal instalado e temos uma Big Four já nesse ano de 2025 auditando as demonstrações financeiras da empresa. E trouxemos aqui pequeno quadro, quer dizer, mostrando que a gente tem avançado nesse tema governança, quer dizer, aumentando aquilo que nós estamos aderentes e reduzindo aquilo que nós não estamos aderentes, né?

E aqui o último slide, nós fizemos aí fato relevante ou comunicado, melhor dizendo, no começo do ano. Nós vendemos uma fazenda.

A Eucatex como esse ano tá completando 75 anos tem algumas áreas, nós temos pelo menos mais duas fazendas, vamos dizer assim, que passam a ter uma vocação muito mais próxima de loteamento, de condomínio do que ser uma fazenda para plantio de eucalipto. Então, nós tínhamos essa fazenda que ela tá próxima a parque que tá sendo montado e pra ser lançado, que é parque temático lá da Cacau Show.

Essa fazenda tá bem próxima e a partir daí interessou desenvolvedor de condomínios, né, interessou a ele a sua aquisição, né? Para nós foi muito relevante porque é uma área relativamente pequena, ela do ponto de vista de floresta plantada nossa ela tem 500 hectares, né?

A gente viu que a gente tem quase 40.000 plantados, essa área tinha 500 hectares. É uma fazenda no total que tem 800.

O interessante também é que nós vamos ficar na posse da área pelos próximos cinco anos, quer dizer, a floresta que tá plantada lá vai ser colhida por nós e, quando terminar de ser colhida, em aproximadamente cinco anos, a gente vai devolver a área. Foram R$ 200 milhões por esses 800 hectares.

Nós já recebemos no começo do ano R$ 60 milhões e vamos receber o restante em 60 parcelas corrigidas, né, que dá aproximadamente R$ 2,3 milhões por mês. Então, esse ano a gente deve receber já uns R$ 80 milhões.

Então, era isso e agora a gente fecha aqui a apresentação e fica disponível para possíveis perguntas. Obrigado.

José Antonio Goulart de Carvalho (Diretor Vice-Presidente Executivo e de Relações com Investidores): Bom, nós temos uma primeira pergunta relativa aos programas, né? A gente comentou aí no início da apresentação que a gente tem aí no governo aí com o pé bastante no acelerador não só com programas de crédito, de transferência de renda, mas com alguns programas que são diretamente aderentes àquilo que a gente faz, né?

Então, tem uma pergunta se essas alterações que foram feitas aí no programa Minha Casa, Minha Vida como é que elas vão impactar o nosso setor. Eu acho que nesse ponto a gente pode dizer que nós estamos num segmento de construção civil que de certa forma tá privilegiado, né?

A gente vê outros segmentos sofrendo mais porque não contam aí com apoio tão grande do governo federal, né? Esse programa Minha Casa, Minha Vida realmente tem sido muito relevante, hoje a gente vê que mais de 50% ou aproximadamente 50% dos lançamentos são dentro desse programa.

Foi criada a faixa 4 nova, né, para esse programa, foi aumentada a régua de financiamento de imóveis. Então, tá se incentivando bastante esse programa e isso tem tido uma resposta muito importante das construtoras.

E nós temos vários produtos que se encaixam perfeitamente nesse programa. A gente mencionou tintas, mas tem o pisos laminados, portas, enfim, são produtos que se encaixam muito bem e por conta disso, vamos dizer assim, nós estamos atenuando aí a dificuldade que outros setores têm enfrentado, né?

Então, é isso. É, tem uma segunda pergunta relativa a se a companhia tem ideia de voltar a acessar o mercado de capitais no curto prazo.

Bem, enfim, como eu disse, se foi uma importante abertura, né? Quer dizer, o fato da gente ter criado esse ou voltado ao mercado de capitais nos dá uma segunda alternativa para financiamento das nossas atividades, quer dizer, antes a gente só contava com o canal bancário, então isso foi bem relevante.

Enfim, neste momento não, isso é talvez uma reflexão que a gente faça mais pro final do ano deste ano agora, né, mas certamente nesse começo de ano não. A gente viu que a empresa tá com uma disponibilidade de recursos importante e que mais do que cobre o curto prazo.

Então, nesse momento nós não devemos voltar a acessar o mercado de capitais não. Não havendo mais perguntas, encerramos a sessão de perguntas e respostas e agora gostaríamos de passar a palavra para o senhor José Antonio para as considerações finais da companhia.

José Antonio Goulart de Carvalho (Diretor Vice-Presidente Executivo e de Relações com Investidores): Enfim, acho que nós exploramos bastante o resultado da companhia, mais uma vez, enfim, nós entendemos que foram bastante positivos, principalmente quando a gente pensa no sentido não só absoluto, mas principalmente no sentido relativo, né, do que se enfrentou, daquilo que se está se enfrentando em termos de mercado, da desaceleração que a gente percebeu nos vários segmentos onde a gente atua e nos resultados ou na manutenção do crescimento que a empresa foi capaz de mostrar, mais uma vez aí fruto da estratégia, trabalho importante na parte de mix, trabalho importante na parte de escalar valor dos produtos, enfim, é algo que tem dado resultado. Então, muito obrigado a todos que nos acompanharam.

Assim, o último slide normalmente acho que desse aqui a gente não trouxe, mas tá aqui. A gente sempre traz aqui os nossos dados para contato.

Se alguém tiver alguma pergunta que não tiver sido possível de formular, a gente tá sempre à disposição. Muito obrigado e bom dia a todos.

A videoconferência de resultados da Eucatex está encerrada. O departamento de relações com investidores está à disposição para responder as demais dúvidas e questões.

Muito obrigado aos participantes e tenham uma boa tarde.