Construtora Tenda SA

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Q4 FY2025 · Earnings Call TranscriptMarch 6, 2026

Leonardo Dias

Bom dia a todos. Estamos iniciando mais uma apresentação de divulgação de resultados da Construtora Tenda.

Eu sou Leonardo Dias, coordenador de Relações com Investidores. Temos aqui comigo Rodrigo Osmo, nosso CEO, e Luiz Maurício, nosso CFO e DRI.

A dinâmica será parecida com a das anteriores. O Luiz vai falar sobre os destaques operacionais e financeiros, e quem tiver alguma dúvida e quiser fazer perguntas, é só levantar a mão que faremos a moderação conforme a ordem das perguntas no momento do Q&A.

Passo a palavra para o Luiz. Luiz, por favor, pode seguir com a apresentação.

Luiz Maurício

Bom dia. Vamos dar início aqui, então.

Obrigado, Léo. Podemos passar o slide, por favor.

Tá bom. Então, começando aqui com os nossos destaques, né?

Acho que o principal ponto aqui é a gente falar de ano de recordes, né, em 2025. Tivemos recordes tanto de lançamento, quanto vendas, e também EBITDA e geração de caixa e, consequentemente, lucro, né?

Então, acho que foi ano muito robusto em resultados para nós. O segmento Tenda já superou R$ 500 milhões de lucro, e o consolidado também veio acima de R$ 500 milhões de lucro uma vez que o resultado do swap mais do que compensou o prejuízo que veio da operação da Alea.

Eu acho que também outro destaque aqui bacana que nós optamos por já trazer para o mercado para celebrar também junto com todos foi o primeiro bimestre de 2026. Esse já teve recorde de venda também histórico na companhia.

Nós vendemos mais de R$ 1 bilhão em venda bruta nesses dois meses, e isso é crescimento de 27% comparado ao primeiro bimestre de 2025. Então, eu lembro bem, né, no quarto tri quando nós lançamos muito e a VSO não veio, nós fomos bastante enfáticos, né, com o mercado que aqui o nosso modelo de vendas é modelo de venda contínua.

Então, aquele efeito da VSO era meramente efeito, né, do forte lançamento, né? Então, quando você pega a equação ali no numerador e denominador.

Mas o primeiro bimestre mostra que nosso posicionamento estava correto, e a gente já iniciou o ano com uma venda muito forte. Lembrando que em janeiro já teve pequeno ajuste na curva de subsídio, principalmente a curva de subsídio de entrada.

E agora, em março, a gente espera que também tenha a revisão dos tetos. Mesmo assim, o ano já iniciou muito forte, mesmo antes disso.

Do lado operacional, também outro marco importante para dividir com o mercado foi o recorde de 20 mil unidades concretadas no segmento Tenda no ano, e o nosso ritmo atual já está em 22 mil unidades por ano. Ou seja, nesse contexto de desafio de mão de obra, escassez de mão de obra e etc., a Tenda vem conseguindo crescer o ritmo produtivo com indicadores operacionais ou no recorde histórico ou muito próximo do recorde histórico com eficiência.

Como eu já antecipei, então, a marca Tenda já superou R$ 500 milhões de lucro em 2025, e isso já equivale a retorno sobre capital empregado de 45%, bastante expressivo. Quanto à Alea, o nosso principal desafio que havíamos colocado, né, desde o terceiro tri, era a redução do consumo de caixa.

Acho que a redução do consumo de caixa, que ela é uma proxy que esse freio de arrumação está dando resultado, isso de fato aconteceu, e o consumo de caixa Alea reduziu para R$ 16 praticamente R$ 17 milhões, vindo de pico de mais de R$ 60 no segundo tri de 2025. Ou seja, mostra que nós fomos bastante eficientes nessa gestão do consumo de caixa Alea.

E por último, eu acho que também optamos por já reconhecer isso aqui no a gastar de obras, né, da Alea, R$ 55 milhões de custos extraordinários que entendemos ser o suficiente para terminar as obras do legado. Mas cabe destacar que mesmo assim, mesmo com esse reconhecimento de R$ 55 milhões no a gastar de obras Alea, o nosso lucro líquido do trimestre ex-swap foi de R$ 116 milhões, aumento de 3,5%, né, em relação ao 3T25, e de mais de 250% em relação ao 4T24.

Ou seja, então, ainda assim conseguimos entregar resultado trimestral acho que bastante bastante robusto. Bom, sobre FGTS e a possível mudança de teto das faixas, né, do Minha Casa, Minha Vida.

Acho que são duas notícias muito boas. Então, o fundo destinado, né, com recursos do pré-sal para o ano passado era de até R$ 15 bilhões, né, isso não foi utilizado, ele agora vai para R$ 30 bilhões.

O próprio FGTS teve aumento aqui na casa de R$ 10 bilhões. Os recursos oriundos de poupança também a expectativa é que cresça.

E o desconto FGTS, né, pro subsídio também foi para R$ 12,5 bilhões, né? Ou seja, então acho que a parte de funding, disponibilidade de crédito para o setor, ela tá dada.

O setor teve recorde de contratação, né, excluindo o FAR, ano passado, né, de quase 670 mil unidades. O recorde histórico tinha sido acima de 1 milhão, mas isso incluía o FAR, né?

E esse ano a estimativa é de 750 mil unidades, então é bem expressivo. Quando a gente vai pro lado direito aqui do slide, acho que o principal destaque é o aumento de teto de renda, né?

Nas faixas 1 e 2, principalmente, né, mas todas as faixas devem passar por aumento de renda. E esse aumento, né, nas faixas 1, 2 e 3, principalmente, mas a 1 e a 2 que são mais relevantes para nós, elas trazem na Faixa 1 aumento do poder aquisitivo do cliente de R$ 8.000, é muito expressivo, e no consolidado nosso como todo, R$ 4.000.

Então, é bem relevante essas mudanças de faixa para nós. Sobre destaques recentes, então anunciamos uma nova distribuição de dividendos de R$ 100 milhões no final do ano passado, que foi paga agora em início de 2026.

Também anunciamos uma reorganização na diretoria executiva, com a mudança da Alea e também na nossa área de TI e marketing digital, com a vinda do Martini, e da Alea pra de novo pra uma cadeira aqui de holding, né, assumindo essas posições. Também inclui CRM e algumas outras funções.

E por fim, a Alea obteve o Certificado de Sustentabilidade Casa Azul, que é marco também importante mostrando a inovação da Alea na questão de sustentabilidade, com metodologia construtiva diferenciada, então isso tem sido reconhecido também. Então, acho que nós tínhamos aquele desafio de crescer em lançamento e vendas e conseguimos, né?

Não tanto quanto gostaríamos pela restrição do landbank, mas é importante colocar aqui que nós estamos cada vez mais trazendo essa flexibilidade para a companhia. Então, por exemplo, ano passado nós lançamos 23 mil unidades, né, que foram equivalentes a esses R$ 5,1 bilhões.

E compramos o equivalente em terrenos, né, landbank, o equivalente a 35 mil unidades. Ou seja, então nós estamos trazendo essa flexibilidade para poder crescer lançamentos se o cenário continuar positivo como tem sido, né?

Então, o objetivo desse ano é de fato continuar acelerando, e a gente começou bem o ano. E vendas também acompanharam aqui ano passado, né, e a gente já tá com crescimento no primeiro bimestre acima disso.

Aqui acho que o destaque principalmente aqui no canto direito, né, o lado aqui de pró-soluto segue muito estabilizado, mas a margem bruta nossa de novas vendas já superou 36,5%, e pode passar, por favor. E a margem ajustada do tri já tá em 37%.

Acho que a gente tem sido muito bem-sucedido no ganho de margem, principalmente por eficiência construtiva. Então, a companhia, de forma recorrente, vem conseguindo obter algumas economias de custo, seja da provisão de eventual, né, quando a gente considera a provisão de eventuais mais inflação que ela tava em 11% do a gastar, como vocês viram no Tenda Day, bem expressiva, então a gente vem conseguindo economizar parte desses 11%, e isso traduz numa margem bruta reportada até acima da margem bruta de novas vendas, né, que ainda considera todas as provisões lá dentro.

Então, foi uma margem recorde pro segmento Tenda, superou 37% já. De novo, teve pequeno benefício aqui de economia de custo de obra também, importante colocar.

E no segmento Alea, como eu disse, né, nós fizemos o ajuste de R$ 55 milhões no a gastar. Isso teve impacto expressivo em margem bruta, a margem bruta foi pra -29%, e agora, gradativamente, ela deve ir recuperando.

A margem REF da Alea tá em 12%. Não significa dizer que ela volta pra 12, né, já no tri seguinte, porque essa margem REF é blend de diferentes safras, né?

Mas ela naturalmente vai tendendo a ter uma melhora aqui constante tri a tri vindo desse patamar, né? Então, a gente já espera uma melhora de margem sequencial da Alea pra frente.

Aqui já passamos, né, mas acho que outro destaque aqui, o EBITDA do segmento Tenda, ele atingiu R$ 235 milhões, né, nesse quarto tri. Isso já anualiza R$ 941 milhões, nível muito próximo já do piso do nosso guidance, né, de R$ 950 a R$ 1,050 bilhão.

E lembrando que o nosso guidance não tem melhorias de programa Minha Casa, Minha Vida, né? E tem volume também pouco mais conservador do que é nosso objetivo fazer.

Então, acho que a gente já iniciou o ano muito bem posicionado para entregar e vamos buscar superar esse guidance, né? Eu acho que aqui a gente passou pouquinho, mas esse freio de arrumação aqui é só importante colocar que a gente espera forte ritmo de redução de obras agora em Alea.

E uma vez a verticalização concluída e sendo bem-sucedida, a expectativa é que a gente retome lançamentos Alea a partir do meio do ano. Então, isso gradativamente vai acontecer, a gente não parou de lançar, tem tido lançamentos, mas a gente deve acelerar mais conforme essa verticalização de mão de obra nas regiões, né, foco da companhia, sejam bem-sucedidas, a gente se sinta confortável de voltar a acelerar.

Sobre escassez de mão de obra, que acho que é tema relevante no setor e também tem a discussão do fim da jornada 6 por 1, eu acho que a manchete aqui é que a Tenda tá muito bem posicionada para lidar com esses desafios. Eu acho que a gente tava até conversando sobre isso aqui mais cedo, né, Osmo?

Acho que a nossa leitura é que o tema escassez de mão de obra, ele é muito mais relevante do que o possível fim da jornada 6 por 1, porque o fim da jornada 6 por 1, ele é evento único, né, uma vez só, e a escassez de mão de obra, ela é evento recorrente e que veio para ficar, né? Então, nós esperamos que esse gap entre inflação de materiais e inflação de mão de obra se mantenha, né?

Ele tem sido aí, em média, 4 pontos percentuais acima de delta. E acho que a Tenda tá muito bem posicionada aqui, né?

A Tenda usa abordagem industrial, O nosso componente de mão de obra hoje já tá em 33%, né, comparado quando a gente olha 45%, 40%, 45%, né, na maioria das outras empresas que usam outras metodologias construtivas. E também sobre o fim da jornada 6 por 1, a Tenda já tem uma grande verticalização de atividades, como vocês sabem, e que remunerado por tarefas e que incluem tarefas e horas extras, né?

Então, isso faz com que, na média, nosso trabalhador, ele já tenha uma carga semanal de 40 horas, ou seja, o impacto do fim da jornada também é muito baixo. Já estamos caminhando já para a parte final.

Acho que o resultado, então, nós falamos, né? Acho que teve ganho expressivo aqui do lucro do swap, e ainda assim o resultado sem swap ficou acima do piso do guidance, então ficou dentro do guidance, né, de R$ 360 a R$ 400 [milhões?]

, mesmo com essa inclusão desse custo Alea, né? É importante colocar que o lucro Tenda recorrente foi de R$ 166 milhões, isso já anualiza mais de R$ 650 milhões também.

A geração de caixa foi positiva, né? Então, acho que também a companhia tem sido bem-sucedida em ter uma geração de caixa positiva.

E no ano, a geração operacional de caixa do segmento Tenda foi recorde também, acima de R$ 237 milhões. A nossa estrutura de capital segue muito confortável, né?

Endividamento com covenant ainda é negativo em 5%, nossa dívida líquida em patamares confortáveis de R$ 260 milhões. O crescimento da dívida líquida foi principalmente dividendos e recompra, né, dado que a companhia teve geração de caixa positiva.

E sobre atingimento do guidance, nós falamos. Acho que conseguimos superar em Tenda e consolidado.

E Alea, naturalmente, como já era esperado, ela não atingiu o guidance, mas acho que ela tá bem posicionada para atingir os guidances 2026. É isso.

Obrigado. Vamos para a sessão de perguntas e respostas.

Leonardo Dias

Bem, pessoal, vamos seguir com o nosso Q&A. Nossa primeira pergunta é do Gustavo Cambauva, do BTG.

Cambauva, seu microfone está liberado.

Gustavo Cambauva

Oi, pessoal. Bom dia.

Eu queria fazer algumas perguntas aqui focadas em Alea, basicamente, tá? Primeiro, eu queria entender pouquinho esse desvio de custo, né, que vocês comentaram de R$ 55 milhões.

Mais entender pouco até que ponto, vamos dizer, tem conforto de que foi tudo aqui, ou entender se tem algum tipo de conservadorismo, né, de alguma maneira, vamos dizer, nas premissas que vocês estão usando pra revisar os custos da Alea, né? E entender pouquinho talvez o que que seria, né, a margem bruta aí dos novos projetos de Alea, né, nesse novo modelo, já com as manchas, né, reduzidas, numa operação talvez pouco menor e tudo mais.

Aí outro ponto que também eu queria entender, que de alguma maneira tá dentro desse tema, é essa provisão adicional, né? Eu queria entender o que é isso exatamente, né?

Vocês citam ali no release 13, 13.9%, né? Entender pouquinho o que que isso dá de conforto, né, até quando você compara com aquelas provisões de eventuais que vocês fazem na Tenda e tudo mais, como que isso aí se traduz e conversa com as premissas de orçamento de Alea.

E aí, por fim, assim, a minha última pergunta, vocês reportaram, né, de fato, vamos dizer, prejuízo muito grande na Alea, mas o cash flow, ele já tá meio que dentro do que seria o guidance, né? E aí, eu entendo que esse estouro de custo que vocês bucaram no quarto tri, ele é, né, de fato contábil.

E aí eu queria entender pouquinho se de fato a expectativa de vocês é que o lucro líquido da Alea em 2026, ele já vai convergir, né, pro free cash flow, né? Isso deveria acontecer em algum momento se não tiver mais nenhum tipo de questão contábil aí no meio do caminho.

E aí entender pouco se de fato, vamos dizer assim, essa premissa aí dos R$ 60, R$ 80 milhões de Alea pra 2026, né, até que ponto isso também já é o que tá sendo entregue aí praticamente no quarto tri se a gente pensasse numa anualização do cash flow, né? Então entender como é que vocês tão vendo a relação ali do contábil e do caixa, né, pra Alea em 2026.

Acho que é isso aí. Obrigado, bom dia.

Rodrigo Osmo

Dia, Camba. Você fez [risos] poucas perguntas aqui.

Vou tentar endereçar todas. Se eu esquecer alguma, você me lembra aqui, por favor.

Com relação ao desvio de custo, a gente tentou ser bastante realista no quarto trimestre com relação ao que de fato seriam os custos necessários para terminar todas as obras em andamento e os novos lançamentos, mesmo cujas obras não tivessem sido iniciadas, mas caso a gente mantivesse a performance de execução parecida com o que a gente vinha fazendo até agora. Então, num cenário em que a gente não tenha grande estabilizações de Alea, o que tá contabilizado hoje, ele é realista.

Mas se a gente conseguir ter uma velocidade de estabilização bastante acelerada, é possível que a gente possa vir a ver reversões de provisões, tá? Eu não te diria que a gente vai enxergar agora os primeiros trimestres sem desvio de custo, mas qualquer desvio de custo que apareça, na minha expectativa, ele vai ser de uma ordem de grandeza muito menor do que o que foi no ano passado, tá?

E como vocês notaram, a gente colocou no release que a gente tem uma provisão de obras entre inflação e eventuais sobre o a gastar das obras próximo de 14%, na comparação com 11% de Tenda. "Ah, isso é conservadorismo?"

Não necessariamente, porque os 11% de Tenda, eles estão sobre ambiente de operação muito mais controlado. Então a gente entende que é uma provisão adequada para uma operação que ainda não tá no nível de estabilização desejado.

Com relação a margem bruta de novos projetos, uma vez a operação estabilizada e a gente tendo terminado essa jornada de verticalização, que é algo que a gente gostaria de terminar nesse ano e já chegar no final do primeiro semestre desse ano com nível de verticalização bastante alto, a gente deveria tá enxergando margens brutas dos novos projetos de 25% a 30%, o que ainda é bastante inferior ao que a Tenda tem entregue hoje. Então, não é no business as usual de operar em cidades pequenas do interior de São Paulo, a gente entende que é business bastante rentável, mas é business muito menos rentável hoje do que a Tenda tá entregando.

A aposta de Alea não é necessariamente de que a gente vai ter negócio extremamente rentável no curtíssimo prazo. Ele é uma aposta muito mais estratégica de que os ventos da construção civil tão soprando pra modelo de negócio muito parecido com o que a gente tem feito em Alea, e ela tenderia a ganhar bastante competitividade ano a ano.

Por exemplo, o Luiz falou e é ponto que eu gosto muito de reforçar, que estruturalmente, não é da conjuntura atual, estruturalmente a inflação de mão de obra, ela tem sido 5 pontos percentuais acima da inflação de materiais, e não vai melhorar. E talvez piore.

Então, métodos construtivos que minimizem radicalmente o componente mão de obra, e Alea é disparado o método construtivo que menos utiliza a mão de obra no canteiro, eles tendem a ganhar muita, mas muita competitividade. E finalmente a tua pergunta sobre cash flow, né, sobre lucro líquido.

A gente já convergiu no quarto trimestre pra cash flow aderente ao guidance. Então a gente, na nossa participação, a gente teve consumo de caixa na ordem de R$ 17 milhões em Alea.

A gente espera obviamente podem haver flutuações entre trimestres, mas a gente espera que a ordem de grandeza dos consumos trimestrais, eles fiquem mais ou menos por aí, o que levaria a gente pro guidance, que é guidance de consumo anual de R$ 60 a R$ 80 milhões. Com relação ao lucro líquido, a gente ainda não tá no patamar desejado.

A gente teve R$ 50 milhões de prejuízo na participação, o que na verdade R$ 50 milhões de prejuízo de forma geral. Se a gente tivesse já no final do terceiro trimestre contabilizado todo o desvio de custo que a gente contabilizou no ano, que foram os R$ 99 milhões, o EBITDA do quarto trimestre teria sido alguma coisa como R$ 30 milhões ou R$ 25 milhões na nossa participação, o que levaria para EBITDA anualizado de R$ 100 milhões.

O nosso guidance falava de 70, é isso, Luiz? De 70.

Então a gente ainda tem exercício de melhoria operacional para Alea para trazer esses R$ 100 milhões para algo próximo de R$ 70, R$ 60 milhões, que a gente acha plenamente factível. Então esse ainda não tá no patamar do guidance, mas ele tá numa ordem de grandeza que a gente entende que as melhorias do ano deveriam levar a gente pra isso.

Não sei se eu respondi tudo, Camba.

Gustavo Cambauva

Não, tá ótimo, obrigado. Só se puder fazer follow-up só nessa questão, né, que você colocou mais pra entender pouco o ritmo de recuperação de margem, né?

Porque você falou que dos novos projetos aí talvez rodando no patamar de 25% a 30%, quando a gente olha o REF, né, ele é uma margem uns 13%, mais ou menos, né, pra Alea. Mas se não tiver desvio, eu entendo que ela deveria subir rápido, né, já no primeiro trimestre, né?

E aí entender pouco que, pô, como você tem ciclo mais curto aqui com novos projetos entrando, né, eventualmente você tem uma melhora já muito muito relevante, tipo no primeiro tri mesmo, né, uma vez que você não deveria ter grandes desvios, né? Então quando que vocês veem talvez essa convergência aí para alguma coisa entre o REF e a margem de novos projetos, né?

Seria já no primeiro tri que a gente poderia já esperar isso, ou você ainda tem peso muito grande dessas obras que você tá acelerando agora? Por exemplo, você falou que vocês estão acelerando muito as obras deficitárias, né?

Então como é que você acha que essa dinâmica acontece aí no tri a tri? Vocês têm alguma visibilidade?

Rodrigo Osmo

Olha, eu te confesso que eu não tô muito gerindo a empresa focado no DRE nesse momento. Eu tô focado em duas grandes coisas: na melhoria operacional e na minimização do caixa.

E como a melhoria operacional às vezes eu não tô dizendo que vai acontecer, tá? Não tem nada no horizonte, mas às vezes a gente precisa reconhecer os problemas rapidamente pra gente conseguir atuar, como a gente fez no quarto trimestre com o reconhecimento de R$ 55 milhões de desvio de custo em Alea, pode ser que a margem bruta, ela tenha oscilações entre trimestres.

Eu tô dizendo isso sem e de verdade, sem nada de perspectiva, eu não tô sugerindo que a gente vai ter algum one-off relevante de Alea no primeiro trimestre, tá? Não tem nada disso no horizonte.

Mas a mensagem que eu queria passar é: nos próximos trimestres, 1, 2 trimestres, o nosso foco lá é em trazer o consumo de caixa para patamar que não seja material para a Tenda, a gente tá falando em algo como 1,5% da receita, que a gente entende que se a gente pensar nisso como investimento de R&D, ele é baixo pro potencial de geração de valor que a Alea teria, e a gente acelerar as melhorias operacionais. O reflexo que isso vai ter na DRE do curto prazo, eu nem sei.

Eu nem tô muito preocupado com isso, tá, Camba?

Gustavo Cambauva

Tá bom. Obrigado, gente, bom dia.

Rodrigo Osmo

Bom dia.

Leonardo Dias

Obrigado pela pergunta, Camba. Nossa próxima pergunta vem do Pedro Lobato, do Bradesco.

Pedro, seu microfone está liberado.

Pedro Lobato

É, bom dia, pessoal. É, primeira pergunta aqui sobre caixa, né?

A gente já tem tem claro aí qual que é a expectativa de de queima de caixa na Alea. Queria entender com vocês o que que vocês esperam da dinâmica aí da da geração de caixa do core business, né, Tenda on-site, e do business de carteira aí pra 2026 pra 2026.

É e aí, enfim, se vocês qual qual que deveria ser o trigger aí pra que vocês tenham mais conforto pra payout maior ao longo do

Luiz Maurício

Obrigado, Pedro. Sobre caixa, acho que a nossa expectativa, ela continua em linha com o que já vínhamos falando, né?

O que que é isso, né? O segmento Tenda segue melhorando.

Lembrando que o segmento Tenda, ele tem fator importante de geração de caixa esse ano que é a entrega dos projetos Pode Entrar. A gente começa a finalizar algumas fases do projeto Pode Entrar já agora no meio do ano, e aí a gente vai entregando gradativamente fase por fase até novembro.

E a expectativa é que a gente receba isso até o fim desse ano e começo do ano que vem. Vamos trabalhar para tentar receber esse ano ainda.

Então o Pode Entrar, ele tem uma ajuda, né? Então a gente deveria ver a geração de caixa operacional da Tenda continuar crescendo.

E isso ajudar no consolidado. No consolidado também, acho que como você bem colocou, também tem a redução do consumo de caixa Alea, que também tem ajudado, né?

Então acho que esse é outro fator positivo também. Então, dito isso, acho que a gente mantém uma linha de, num primeiro momento, reduzir a dívida líquida da companhia para zero, né?

Isso continua sendo o nosso objetivo. Você viu que tava, né, no quarto tri ali em R$ 260 milhões.

A gente também pagou dividendos já no primeiro tri. Então, primeiro objetivo é trazer essa dívida líquida para zero.

E a cessão de carteira, assumindo que o custo dela se mantenha parecido com o custo de uma dívida corporativa, né, que tem sido o caso, aí a gente seguiria fazendo emissões, vamos dizer, recorrentes, mas sem a necessidade de fazer nenhuma captação de curtíssimo prazo, né? Só relembrando, né, nós antecipamos toda a necessidade de captação de 2026 para o ano passado, então nós fizemos tanto venda de carteira quanto a captação de CRI corporativo, né, no final do ano passado, e isso nos deixa num patamar confortável para não ter que acessar mercado de capitais esse ano, né?

Naturalmente a gente fez isso porque tinha contexto de possível piora, né, de mercado de crédito. Ano passado tinha aquela questão de benefício possível do fim ou não da isenção, então tinha uma demanda muito grande.

Nós aproveitamos aquela janela e antecipamos toda a necessidade de captação. Então a gente não tem uma grande necessidade de captação esse ano.

Então a gente vai atuar aqui de forma oportunística. Sobre dividendos, eu acho que sim, uma vez chegando nesse cenário dívida líquida zero e mantendo o passivo de cessão num patamar adequado, que acho que ele tem sido o caso, né, tá num patamar baixo, a gente tem R$ 600 milhões, o que equivale a 30%, né, da carteira financiada diretamente pela Tenda, entendemos que esse patamar é adequado, esses 30%.

Então, uma vez chegando em dívida líquida zero, a gente sim vai voltar a pagar dividendos extraordinários de forma mais recorrente. Então, acho que a partir do fim desse ano a gente vai trazer esse tema pra pauta sim.

Pedro Lobato

Ótimo, Luiz. Obrigado, bom fim de semana.

Leonardo Dias

Obrigado pela pergunta, Pedro. Nossa próxima pergunta vem do Victor Tapia, do BofA.

Victor, seu microfone está liberado.

Victor Tapia

Fala, pessoal, bom dia, tudo bem? É, eu queria ainda bater nessa tecla de Alea aqui mais pouco e duas perguntas.

Vou fazer a primeira, depois eu faço a segunda. Mas a primeira assim, esse desvio de custo agora, né, que vocês fizeram essa provisão, eu imagino que a composição de mão de obra, né, dentro da Alea seja ainda menor do que a Tenda.

Vocês conseguem dar pouco mais de detalhe do que que foi exatamente esse desvio? Assim, eu imagino que o ambiente da fábrica vocês têm ambiente bastante controlado ali em termos de custos, né?

Então, dá pra gente afirmar que esse desvio, ele é basicamente parte do que era terceirizado e que vocês vão verticalizar agora e que de fato isso aqui vai resolver o problema? Essa é a minha primeira pergunta.

Rodrigo Osmo

Na verdade, a fábrica tá bastante controlada, a gente tá tendo altíssimo grau de controle lá. A gente não tem erros de materiais, né, os materiais também, o quantitativo deles é bastante controlado.

Onde que os desvios aconteceram? Nos terceirizados, que acabaram custando mais, tendo retrabalho, precisando de substituições.

E como a eficiência deles tem sido muito menor do que a gente antecipava originalmente, a obra tem demorado mais. E a obra demorar mais, ela acaba acarretando num aumento de indiretos, o que pra Alea é muito mais significativo do que pra Tenda.

Porque se a gente pegar, por exemplo, uma obra de Casa Pátio, tá, que são as nossas casas em loteamentos já prontos, essa é uma obra pra durar 5, 6 meses. E se a gente tem aumento de prazo de indireto de 3, 4 meses, a obra teve de indireto alguma coisa como 60%, 70% a mais.

E indireto é muito representativo no custo da nossa obra, né? Então, desvios de execução, eles têm esse duplo problema: o fornecedor custa muito mais, e a obra demora muito mais acarretando em desvio de custo.

Victor Tapia

Tá, entendi. E aí a segunda pergunta, então, Osmo, ela é mais assim nas falas aí você colocou como uma provisão realista, né?

E ao mesmo tempo se vocês colocam aí também que vocês não descartam outros desvios, né, mesmo que ainda menores, né? E aí vocês colocam lá no release também que esse processo de estabilização da Alea, ele é muito mais simples, né, ou menos complexo do que o de Tenda, né, essa verticalização.

O que que tá no meio do caminho aí pra você considerar essa provisão como realista, né, e não como conservadora, dado que acho que esse é grande parte do problema e esse problema vocês tão colocando como muito mais simples do que foi em Alea? Acho que não sei se ficou clara a minha pergunta aí.

Rodrigo Osmo

Do que foi em Tenda, né?

Victor Tapia

Do que foi Tenda, desculpa.

Rodrigo Osmo

Eu acho que o que a gente vai resolver, eu não tenho dúvida que a gente vai resolver, mas foi processo gradual que a gente foi fazendo melhoria contínua ao longo de 3, 4 anos, né? Se vocês visitarem uma obra da Tenda e na sequência uma obra da Alea, vocês vão ver que a complexidade do que está sendo executado numa obra da Tenda é muito maior do que o que tá sendo executado numa obra de Alea, mas muito maior.

Pela própria natureza, porque o que a gente tá tentando atingir com a Alea é ter método onde toda a complexidade é transportada para uma fábrica e não pro canteiro. Só que o nosso objetivo em Alea é estabilizar ela em 6 meses, enquanto Tenda foi processo gradual que chegou nesse nível de excelência ao longo de 4 anos.

Isso é componente. O outro componente é o seguinte: em Alea, apesar da natureza do trabalho ser muito mais simples do trabalho no canteiro, a logística, ela é mais complexa.

Porque em Tenda todas as equipes, elas sempre transitavam dentro de uma mesma cidade ou de uma região metropolitana, enquanto que em Alea a gente tem equipes transitando entre cidades diferentes. Então, algumas vezes as equipes precisam ficar alojadas, você tem turnover maior.

Então isso traz uma particularidade pra Alea que a gente precisa entender com cuidado. E também tem último aspecto que é o seguinte, assim: o Brasil de hoje, em termos de mão de obra, não é o Brasil de 2012, 2013, né?

O Brasil de hoje é Brasil que tá vivendo uma crise de escassez de mão de obra na construção civil. Enquanto a gente tá tentando formar equipes do zero em Alea, a Tenda ela, por exemplo, esse ano a Tenda fez trabalho espetacular de crescer de 5.500 para 7.000 colaboradores, o grosso disso em vertical porque a gente foi crescendo o tamanho da operação, mas a gente tinha pessoas em cada uma dessas equipes que tavam com a gente há 10 anos.

Então a densidade cultural de cada uma dessas equipes já era muito alinhada com a forma de trabalhar da Tenda, enquanto em Alea a gente tá tendo que construir isso em equipes muito novas. Então são desafios diferentes, mas quando você olha o desafio, o desafio não é se a gente vai chegar lá, o desafio é se a gente vai chegar lá em 6 meses, que é isso que a gente tá tentando fazer em Alea agora.

Victor Tapia

Entendi. Então, só pra resumir aqui: é prazo mais acelerado do que foi essa verticalização em Tenda, essa logística das equipes, e aí montar uma equipe com essa escassez de mão de obra.

Acho que esses três pontos aqui É isso? Tá bom.

Rodrigo Osmo

Esses três pontos. Exatamente.

Victor Tapia

Tá bom. Do meu lado era isso.

Obrigado, bom dia.

Rodrigo Osmo

Bom dia.

Leonardo Dias

Obrigado pela pergunta, Tapia. Nossa próxima pergunta vem do Tainã, do UBS.

Tainã, seu microfone está liberado.

Tainã Costa

Bom dia, pessoal. Eu queria abordar dois pontos aqui também.

Acho que primeiro começar com reforma tributária, né? Queria ouvir pouquinho da estratégia de vocês pensando agora em 2027, o que que é a expectativa aqui para eventualmente seguir com o RET até 28, ou se já tem uma expectativa dada aquilo que vocês têm até comentado, colocado no Tenda Day, né, sobre os benefícios que eventualmente o IVA podem conceder a vocês.

Então essa é a primeira parte da pergunta. E a segunda é com relação ao P&L de reforma tributária, né?

Se na visão de vocês vocês enxergam alguma espécie assim de possibilidade de zerar essa alíquota já em 27, ou eventualmente reduzir ali 100, 150 bps de alíquota e dado todos os redutores, né, de base, de alíquota e até os créditos na cadeia que vocês possuem. E aí outra parte da pergunta, aí mais voltada pra Tenda, receita financeira.

Acho que foi dos bits que chamaram a atenção aqui do nosso lado, né? Vocês comentam que tem uma gestão ali de caixa, tem peso melhor do saldo médio também no período, mas se eu estimo aqui caixa médio, eu pego essa receita financeira, eu chego numa rentabilidade assim pouco acima, talvez assim 110%, 115% de CDI, né?

Eu queria ouvir pouco de vocês então o porquê dessa rentabilidade maior, né, se é nível de patamar recorrente ou se eventualmente teve algum one-off nessa linha que a gente não consegue capturar aqui via ITR ou earnings. Obrigado, pessoal.

Luiz Maurício

É, vamos lá. Então, sobre a receita financeira, a gente tem alguma sazonalidade, né, tri a tri em função de qualquer evento externo, né?

Então, mas nesse período especificamente, o que você tá dizendo que foi mais alta, né, dependendo das operações de cessão, a gente tem fundo de reserva que ele fica externo, né? Então você vê esse fundo de reserva, ele tá contabilizado em outra linha do balanço que não caixa, né, disponibilidade de caixa, e mais a receita financeira decorrente dele nós reconhecemos, né, porque é benefício da companhia.

Então esse fundo de reserva fica lá segregado na securitizadora numa conta apartada, mas ele tá no nosso ativo e ele tem uma contribuição pro nosso resultado financeiro. E porque de fato como é que funciona?

Quando, Tainã, esse fundo de reserva, ele tá aplicado a 100% do CDI, né? Então quando esse fundo de reserva equivale ao saldo devedor daquela dívida ao qual ele é uma garantia, ele liquida a dívida, né?

Ou seja, então ele tá crescendo todo dia em função do CDI, e isso traz retorno financeiro pra companhia também, tá?

Rodrigo Osmo

É, com relação a reforma tributária, Tainã, a gente precisa fazer a conta caso a caso, mas o nosso entendimento é que na grande maioria dos projetos o que a gente tem de resíduo tributário é muito maior do que o benefício do RET. Então, eu imagino que uma boa parte, se não todos os projetos nossos, devem migrar do RET pro IVA dual já em 2027.

O impacto disso no curto prazo, ele é pouco relevante em Tenda, ele é pouco mais relevante em Alea já em 27. Lembrando, né, no Tenda Day a gente tem uma tabelinha onde a gente fala que se nada mudar no setor, a Tenda deveria ganhar 4 pontos de margem em função da implantação da reforma tributária até 2033, e Alea 5 pontos de margem.

Para 27, Tenda deveria ter muito pouco benefício, alguma coisa como 0,2 pontos de margem, e Alea já teria na largada benefício relativamente grande de alguma coisa como 2,5 pontos percentuais. Por quê?

Porque Alea tem duas características diferentes de Tenda: uma é o componente de material de Alea ainda é muito maior do que Tenda, então ela carrega resíduo tributário muito maior, e Alea tá operando numa margem muito menor. Então a estrutura de custo de Alea é muito mais representativa do que a de Tenda com percentual da receita.

Então, mas quando a gente olha o consolidado, o impacto para 27 da reforma tributária ainda não vai ser tão significativo.

Tainã Costa

Perfeito, Luiz, Osmo, bem claro. Obrigado, bom dia.

Leonardo Dias

Obrigado pela pergunta, Tainã. Nossa próxima pergunta vem da Fanny, do Santander.

Fanny, seu microfone está liberado.

Fanny Oreng

Olá. Bom dia, vocês estão me ouvindo?

Alô? Oi, pessoal.

Rodrigo Osmo

Estamos ouvindo, Fanny.

Fanny Oreng

Vamos lá, obrigada, Osmo. Bom dia, pessoal.

Então, eu teria duas perguntas, até na linha agora do que o Osmo falou. Quando a gente pensa em Alea, estrutura de custo dela, queria entender o quanto é material comparativamente a mão de obra, e dentro da estrutura material, qual a representatividade de madeira?

E aí tem uma segunda pergunta assim, como é que vocês estão vendo a pressão que a gente tem visto aí no custo de madeira, que continua acho que bastante pressionado esse mercado de madeira, e eventuais impactos em Alea, o que que vocês estão fazendo para tentar mitigar essa pressão, né, de falta de madeira no mercado e também consequente custos mais altos? Essa seria a minha primeira pergunta.

Segunda pergunta é com relação a Tenda. O Luiz mencionou na fala dele lá no início do call que teve também uma economia de obra na margem da Tenda.

Então só queria entender se a gente pode considerar essa margem aí do que vocês entregaram, né, agora no tri como sendo recorrente para os próximos trimestres, ou a gente deveria excluir o impacto aí da correção monetária da, né, da parte do Pode Entrar e também esse eventual aí economia de obra. Então seriam basicamente esses as minhas perguntas, obrigada.

Rodrigo Osmo

Com relação a composição de materiais, eu vou ficar te devendo, Fanny, eu não tenho o número de cabeça aqui. Mas a participação de madeira, se você pegar tanto madeira em si quanto OSB, que é derivado da madeira, ele deve representar da estrutura de custo total alguma coisa como 10% a 12%.

Por aí, né? Madeira mais o OSB.

Mais o OSB, meio que metade e metade, madeira, metade OSB. A gente não tem sentido ainda nenhum grande impacto de custo de madeira na nossa estrutura de custo.

Se a gente pegar os últimos 12 meses, a Alea tem conseguido, assim como a Tenda na verdade, comprar a sua lista de materiais com uma inflação na nossa cesta menor do que a inflação do índice do INCC de materiais, então a gente não tem sofrido grandes avanços, não.

Luiz Maurício

Tem ponto aqui, Fanny, que quando você olha esse indicador de madeira, né, e naturalmente isso aqui tem muito da indústria de papel e celulose, até porque você tem grandes fábricas entrando e não necessariamente a floresta tá pronta, você tem impacto na madeira diretamente, né? Mas quando você olha uma madeira Alea, o peso da madeira em si, até como o Osmo falou, ele é a menor parte, porque ali tem logística, tem beneficiamento, tem tratamento, tem uma série de coisas que não tão subindo.

Então, a componente madeira, quando você olha no custo dessa madeira pra Alea, ela se dilui muito por esses fatores adicionais, entendeu? Então, por isso que a Alea também não sente a madeira diretamente, que é o caso, né, da indústria de celulose e outras coisas, né, que tão tendo que comprar mercado.

Fanny Oreng

Tá ótimo, obrigada. E Tenda?

Luiz Maurício

Sobre o segundo ponto, acho que tem duas considerações aqui, né? Você viu que a nossa margem bruta de novas vendas, ela tá em 36,5%, né?

Então, ou seja, não havendo economia de custo de obra, esse é o patamar que a companhia entende como recorrente hoje. E nós reportamos 37% e pouquinho, né?

Por outro lado, também a gente continua conseguindo executar as obras com economia, tá? Então, assim, por lado, o 36,5% é o recorrente caso eu não tenha economia de eventuais, mas por outro, a gente espera que continue tendo economia de eventuais.

Então, obviamente você tem uma sazonalidade tri a tri, né, mas hoje esse é o cenário. Então, assim, é possível que a companhia, né, em tris eventuais, continue conseguindo reportar acima dessa margem bruta de novas vendas, que seria o recorrente, né, do 36,5% por conta disso.

Fanny Oreng

Perfeito, Luiz, obrigada. E de quanto em quanto tempo você faz essas revisões pra ver a questão da economia de obra?

Luiz Maurício

É, então, isso é que é uma coisa legal, né? A revisão na Tenda, ela segue uma governança e uma mecânica pré-definida.

A Tenda não revisa custo porque, né, teve alguma coisa ou porque teve evento exógeno. Isso é que é legal.

Nós temos uma mecânica onde a reversão pra projetos não verticalizados, né, projetos sem elevador, que hoje em dia é muito pouco representativo na nossa operação. Então esses projetos a gente começa a reverter logo após o início da construção, porque esses projetos, eles não têm surpresa de custo ao longo do processo, é processo muito dominado por nós.

E os projetos verticalizados, nós revertemos a provisão de eventuais nos 6 meses finais e a de inflação em função do a gastar de obra. Então, ou seja, ele segue essa mecânica.

Então, a mecânica que diz se a gente vai ter economia ou não. E da mesma forma que nós também revisamos o custo todo mês.

Então, por lado, o custo é sempre o custo mais atual, quase que online, né? Por outro lado, a reversão de provisão de inflação e eventuais, ela segue uma governança.

Então essa equação que diz se tem economia ou não. Felizmente, na maioria dos casos a gente tem tido porque a gente não tem usado os eventuais.

Fanny Oreng

Beleza, perfeito, super obrigada.

Leonardo Dias

Obrigado pela pergunta, Fanny. Nossa próxima pergunta vem do Ygor Altero, da XP.

Ygor, seu microfone está liberado.

Ygor Altero

Oi, pessoal, bom dia. Queria entender pouco mais aí, né, o que que vocês tão vendo aí, né, sobre as melhorias do programa aí que a gente deve ter na próxima reunião do FGTS, acho que o timing é dia 24 de março, né?

E também aliado a isso, tem o incremento do orçamento também do, né, do FGTS indo pra 209 R$ 209 bi. Então entender pouco, né, na visão de vocês como que isso pode beneficiar a Tenda, né?

Seja pra acelerar pouco mais o ritmo de crescimento da companhia, melhorar a margem, reduzir pró-soluto. Então esse é o primeiro ponto.

E depois entender pouco uma segunda pergunta, né, mais entender pouco aí dada a preocupação que a gente tá vendo com a mão de obra, a gente tem visto aí players, né, no movimento aí de players de alvenaria procurando alternativas, né, pra operar na fôrma. Então queria entender, né, o que que vocês acham que vão ser os principais desafios desses players, se vocês acham que tem alguma perda de competitividade.

Enfim, é isso do meu lado, obrigado.

Rodrigo Osmo

Essa aí, Ygor. Vamos lá.

Melhorias Minha Casa, Minha Vida, acho que o Luiz cobriu isso na introdução dele. O impacto objetivo que isso tem pra capacidade de pagamento do nosso cliente é alguma coisa como R$ 8.000 para os nossos clientes Faixa 1, que representam mais ou menos 50% dos nossos clientes, então impacto ponderado de alguma coisa como R$ 4.000 na nossa base total de clientes.

De regra, a gente tem impactos de segunda ordem, né? Porque quando você tem esse benefício tão relevante pro cliente Faixa 1, ele tende a aumentar a participação dele no nosso mix de vendas.

Então, se a gente considerasse esse impacto de segunda ordem, talvez os R$ 4.000 virassem, sei lá, R$ 5.000. Esse ganho de participação do cliente do Faixa 1, ele tem talvez outro benefício muito importante, que é o RET 1, né, que tem uma diferença de 3 pontos percentuais de imposto com relação ao RET 4.

Então, pra nós essa mudança, ela é bastante relevante, né? Então, tamo ansiosos pra no dia 24 isso se materializar.

Com relação à questão da mão de obra, né, a gente tem uma aposta já histórica de muito tempo de que a construção civil, ela tem problema de produtividade que vai ter que ser enfrentado porque a mão de obra, ela vai virar recurso muito mais escasso, né? E eu vou falar de novo isso porque eu acho que é muito importante, em termos econômicos, isso tem se traduzido nos últimos 4 anos com a inflação de mão de obra sendo 5 pontos percentuais acima da inflação de materiais, sem perspectiva de melhora, talvez piore, né?

E vários players tão começando a ficar muito preocupados com isso, tanto que alguns dos maiores players do mercado que tradicionalmente trabalham com alvenaria estrutural têm começado a dizer que vão ter uma participação muito relevante no seu mix em parede de concreto. Não acho que é trivial você mudar uma matriz tecnológica.

Quem passou por essa etapa sabe que é processo de estabilização que pode demorar bastante tempo, né? Porque a empresa inteira tá acostumada a trabalhar com uma linguagem, com sistemas, com processos que falam com tipo de tecnologia, e de repente você tem uma tecnologia que é quase vírus dentro da companhia que exige uma cultura e uma abordagem bastante diferente.

Obviamente que dá pra fazer, vários fizeram, mas não é processo de estabilização rápido e é processo, na minha visão, que é mais complexo se você já tem tamanho muito grande de companhia. Então, eu não acho que é algo que é trivial de ser feito, mas eu acho que eventualmente vão conseguir fazer.

Mas como tudo no nosso setor tem ciclos muito longos, né, esses ajustes não são ajustes de trimestres, eles são ajustes de anos. Essa é a minha visão.

Ygor Altero

Tá claro. Obrigado.

Obrigado, Osmo. Obrigado, Luiz.

Luiz Maurício

Obrigado, Ygor.

Leonardo Dias

Obrigado pela pergunta, Ygor. Nossa próxima pergunta vem do Elvis Credendio, do Itaú.

Elvis, seu microfone está liberado.

Elvis Credendio

Bom dia, Osmo, Luiz, eh Léo. Eh, duas perguntas aqui.

Primeiro sobre o segmento Tenda, né? Quando a gente olha ali o lucro ajustado pelo total return swap ali, tá anualizando para os últimos R$ 600 milhões, R$ 660 milhões, né, o que é Quando eu olho ali pro pelo menos os nossos números aqui, tá muito próximo do que seria 2026, né?

E e na ponta vocês falando ali de vendas muito fortes, né, a margem bruta expandindo mesmo com PDD, tem essas mudanças do Minha Casa, Minha Vida que, se eu não me engano, eh não tão incorporadas no guidance. Então, olhando, enfim, sei que tá cedo ainda, mas primeiro trimestre desse ano, olhando em retrospectiva as premissas que vocês assumiram lá pro guidance, é o que que tá o que que pode tá surpreendendo vocês eh pela frente, né, dado essa esse ritmo de demanda mais forte, eh e e pode e se de repente eh olhando pra frente a gente poderia até eh poder ser surpreendido novamente aí com com algum resultado de de Tenda mais forte do que previamente estipulado, né?

Olhando em retrospecto parece que parece que vocês tão num caminho pra isso. E e segundo item eh sobre a Alea, né?

O Osmo até comentou aí no no quarto tri que se eles eh se ajustassem ali, né, pelo estouro que vocês reconheceram antecipadamente, vocês teriam mais ou menos eh teria algo como R$ 100 milhões de EBITDA negativo, né, anualizado, se não me engano. Eh, e se eu faço uma conta rápida aqui, a margem bruta teria sido zero, né, fazendo usando esse número aqui.

Eh, a REF de vocês é 12%, né? Então, eh entender pouco da dinâmica.

Sei que vocês não pilotam aí a Alea olhando pra pro contábil, né? Eh, mas eh primeiro entender qual que é a diferença, né, da REF de 12% ali da Alea pro P&L, eh como as margens brutas aí da das novas vendas de Alea, elas tão vindo, né, pra mais pra gente entender pouco mais dessa dinâmica pela frente aí da da margem bruta da da Alea ao longo de 26.

É isso, obrigado.

Rodrigo Osmo

Quer ir primeiro, Tenda?

Luiz Maurício

Tá bom. Vamos lá, Elvis, obrigado pelas perguntas.

Sobre Tenda, você tá certo, né? Eu acho que quando nós fizemos o guidance, lembrando, né, esse guidance não tinha nenhuma premissa de melhoria do programa.

Esse ano já foi uma, né, o ajuste da curva de subsídio que aconteceu 12 ou 14 de janeiro, e a nova do teto, que é a mais relevante ainda, né? Então, ou seja, como o Osmo mesmo bem lembrou, ainda tem, além do benefício, né, do poder aquisitivo das famílias, ainda tem o RET, né, que também é outro benefício expressivo.

Então acho que como você mesmo trouxe, né, ainda é cedo pra gente falar de novos números, mas o que a gente pode falar é que o guidance não previa essas melhorias que estão ocorrendo, e de fato a gente acho que começou o ano melhor do que o previsto. Isso é que dá pra gente antecipar aqui, mas acho que a linha tá muito positiva sim.

Rodrigo Osmo

É, com relação a margem de Alea, a margem bruta das novas vendas, elas têm vindo bem melhores porque a gente, nesse freio de arrumação, a gente fez uma priorização muito grande de projetos. Pra vocês terem uma ideia, a gente terminou o ano passado com sete projetos aprovados que a gente não lançou por questão de rentabilidade em Alea.

Então a gente passou pelo longo processo de aprovação desses projetos, chegamos na hora de lançar e falamos: "Não passa no nosso novo crivo de rentabilidade, não vai lançar." Então, isso tem forçado a gente a só avançar novos projetos.

Porém, a gente reduziu muito o tamanho esperado da operação, então o receitamento da companhia, ele não vai ser receitamento muito significativo. O que que isso quer dizer?

A gente hoje, em Alea, a gente tá menos preocupado em gerar resultado relevante no curto prazo e muito mais preocupado em ter ambiente de trabalho estável pra gente conseguir criar as condições de, uma vez que os unit economics estiverem encaixados, a empresa poder crescer em cima de bases sólidas. Então, ela tem uma tendência a ter resultado de curto prazo ruim, mas com uma volatilidade muito baixa.

Ou seja, ela é ruim, mas ele não tem o risco de virar catastrófico que nem foi o ano passado. Então esse é o nosso objetivo de curto prazo em Alea, tá?

Elvis Credendio

Tá ótimo, ficou claro, obrigado.

Leonardo Dias

Obrigado pela pergunta, Elvis. Nossa próxima pergunta vem do Rafael Rehder, do Safra.

Rafa, seu microfone está liberado.

Rafael Rehder

Bom dia, pessoal. Obrigado pelo espaço.

Eu tenho dois pontos também que eu queria abordar. O primeiro é na operação no on-site.

A gente viu, né, o lucro crescendo mais do que 20% na comparação trimestral, mas quando a gente olha a geração de caixa operacional, ela acabou caindo, né, acabou ficando quase metade do que foi no terceiro tri. Queria só ver se vocês podiam abordar pouco mais essa dinâmica, talvez foi volume de repasse menor no trimestre, ou se tiveram alguns outros efeitos não recorrentes.

E a segunda pergunta, eu queria tocar pouco mais nessa questão da provisão da Tenda mesmo, que vocês até colocaram ali no release que tá com esses 11%, que realmente parece patamar bastante conservador, mas tentar entender com vocês agora também com todos esses riscos geopolíticos que a gente tá vendo, se tiver aumento mais expressivo assim no custo do frete, se vocês entendem que poderia até ter que adotar patamar ainda mais conservador, ou até ver melhor qual que seria o impacto assim de frete maior que vocês sentiriam na operação. Obrigado.

Luiz Maurício

Vamos lá. Rafa, sobre a geração de caixa, o que você sabe, né, a geração de caixa do setor, ela é sazonal, ela passa por volatilidades, né, em função de n fatores.

E a gente segue, por exemplo, mesmo quando a gente olha obras Pode Entrar, né, que eu disse que a gente vai começar a entregar fases já agora no meio do ano, então essa obra tem ido num ritmo bem forte e você depende de fatores, né? A gente lançou muito, né, no último tri, e quando a gente lança, você tem as cláusulas que você inicia o pagamento do terreno, né?

Então a gente lançou muito, né? Esses terrenos você eventualmente inicia o pagamento, mas você ainda não arrecadou nada.

Então só para citar aqui exemplo também que pode acontecer num tri que você lança bastante, né? Porque a gente tem muitos terrenos que são permutas financeira, mas tem muitos terrenos que são o pagamento parcelado que ele segue uma dinâmica de permuta, mas num primeiro momento é diferente, né?

A gente começa a pagar quando baixa a cláusula e quando lança, né? Então esse é bom exemplo de impacto que você pode ter.

E também teve a questão dos cheques, né? A gente lembra que no terceiro tri a gente teve o repasse do legado dos cheques lá de Pernambuco, por exemplo, que estavam atrasados.

Então isso também quando você repassa esse grande volume legado, isso também gera uma ajuda na geração de caixa, né? Então que você também não teve no quarto tri.

Então acho que são aqui dois exemplos que ajudam a entender. Sobre custo de frete, né, relacionado a questão do petróleo, né, eu acho que é cedo ainda para falar, né?

Até o início da guerra o mundo vinha numa dinâmica de que petróleo é para baixo porque tem excesso de produção, né, e consumo estabilizado, né, ou crescendo muito pouco na maioria das regiões, né? E várias regiões do mundo estão aumentando produção de petróleo, né, como é o caso do próprio Brasil e, enfim, Venezuela também nesse curto período de tempo aí já aumentou a exportação.

E então assim, eu acho que é cedo para falar. Eventualmente a expectativa de todo mundo é que essa crise do petróleo, né, decorrente dessa situação do Oriente Médio seja passageira.

Então acho que a gente precisa esperar avançar, né? Naturalmente se isso não se mostrar passageiro, acho que cabe a nós aqui agir e, de certa forma, antecipar qualquer possível impacto.

O lado bom é que vamos dizer que o pior cenário aconteça e a gente tenha que por acaso repassar preço decorrente de uma possível inflação que estará vindo, a gente tá passando por mudanças do programa, né, que permitem isso, né? Então acho que a gente não vê desafio grande caso tenha que repassar cenário inflacionário, até porque se isso acontecer será o setor inteiro repassando, então não deveria ter impacto relativo para nós.

Rafael Rehder

Não, perfeito, Luiz, ficou super claro. Obrigado, pessoal, bom fim de semana.

Leonardo Dias

Obrigado pela pergunta, Rafa. Nossa próxima pergunta vem do Piero Trotta, do Citibank.

Piero, seu microfone está liberado.

Piero Trotta

Oi, bom dia, Osmo. Bom dia, Luiz.

Obrigado pelo call. Eu tenho duas perguntas aqui.

A primeira é se vocês pudessem comentar na aquisição mais relevante aí de R$ 4 bi em landbank no trimestre, entender se puderem dar pouco mais de cor das regiões, o que que pode ter sido uma concentração em termos de faixa de renda, e até a rentabilidade dessa nova aquisição, se tá em linha com o que vocês tão vendo aí na margem bruta de novas vendas, facilidade também na compra dos terreno, quanto que pode tá representando do VGV. Então pouco essas perguntas em torno do landbank.

E a segunda seria pouco relacionada também aos potenciais ajustes do programa que podem vir agora em março. Além do que o Osmo até comentou, né, de crescimento de exposição orgânica ao Faixa 1 pela melhora da affordability, essas mudanças, elas fazem mudar pouco meio que marginalmente assim o que vocês tão pensando de share de lançamento por faixa para esse ano?

Muda alguma coisa ou segue a mesma estratégia que vocês desenharam e até ajudaram a comentar no Tenda Day? E aí assim outro ponto também, ainda nessas melhorias do programa, é se vocês tão vendo alguma mudança em cheques regionais, né?

Acho que o ano começa pouco mais devagar, imagino, nisso, mas eu queria entender se vocês já tão vendo algum movimento dos governadores em acelerar pouco os cheques regionais para esse ano. É do meu lado é isso, obrigado.

Luiz Maurício

Bom, eu vou começar aqui. Então vamos lá.

Vamos lá, Piero. Sobre o landbank, esse landbank, ele, na média, dá pra gente dizer que ele tá até melhor, né, porque nós temos uma premissa conservadora aqui de, no momento da compra do landbank, não assumir totalmente, não assumir na íntegra, né, o benefício de atributos, né?

Então a gente normalmente tem dado pênalti, né, vamos dizer, Porque como é algo novo e a gente não tem certeza se aquele projeto que a gente comprou inicialmente para Faixa 2, por mais que ele possa ser Faixa 3, ele terá todo esse benefício. Então a gente tem dado pênalti, então no momento da aquisição a gente assume que essa grande maioria foi Faixa 2, Faixa 2 alto, mas no momento do lançamento a expectativa é que boa parte disso seja Faixa 3 e esse benefício a gente nem levou em consideração no momento da aquisição.

Então eu diria que a rentabilidade desses projetos, ela é em linha com a nossa rentabilidade atual até mais alta, tá? E sobre a dispersão, acho que ela segue nosso posicionamento geográfico, né?

Lembrando que a gente retomou a atuação em Curitiba, né, voltamos a lançar em dezembro. Agora iniciamos a praça de João Pessoa.

Então a compra ela tá em todas as regiões, inclusive mesmo São Paulo e Rio, que a gente vinha tendo mais dificuldade, né? Como a gente agora tem essa adoção de atributos aqui em São Paulo, a gente conseguiu também ter bom volume de aquisição em São Paulo também.

Então, acho que de forma geral essa é a visão. Sobre ajustes do programa, quer que eu fale?

Rodrigo Osmo

Quer que eu fale?

Luiz Maurício

Pode falar.

Rodrigo Osmo

Bom, eu acho que esse tema de ajustes do programa, eu acho que, de novo, não sei se você tá falando especificamente da mudança de teto ou você tá falando da curva de subsídio de janeiro? Qual seria seu foco principal aqui?

Piero Trotta

O principal é no teto mesmo. Essa que pode vir em março.

Luiz Maurício

É, não, a expectativa é que venha. E como nós já falamos, né, eu acho que o aumento do poder aquisitivo é bastante expressivo, é na casa de R$ 8.000 no Faixa 1 e acima de R$ 4.000 no consolidado.

Então acho que a expectativa é que isso traga benefício grande sim. Lembrando que primeiro bimestre, né, nós conseguimos crescer bastante mesmo sem esse benefício, né?

Então a expectativa é que seja positiva e que venha sim, né, como já tem sido amplamente divulgado pelo governo.

Piero Trotta

Não, maravilha. E aí só último ponto do cheque regional, se vocês têm visto alguma

Luiz Maurício

Tá. Não, sobre os cheques, assim, a gente teve quarto tri teve volume concentrado ali São Paulo é sempre muito sazonal, né, depende de programa, mas nós tivemos cheques em São Paulo e em Pernambuco, e a grande novidade foi que a gente no quarto tri voltou o programa de cheques do Rio Grande do Sul, né?

E o governo do Rio Grande do Sul tem dito, né, o diretor regional teve numa reunião recente, né, acho que essa semana ou semana passada com eles lá, e eles têm dito que o programa agora tende a ter uma recorrência, o que é muito bom. Então acho que o Sul retomou e era uma praça que também teve volatilidade, né, ao longo do ano passado.

E ele tendo retomado agora e a sinalização que o governo, né, e o próprio secretário de habitação nos passou é muito positiva dessa continuidade. Então a gente tá animado também com a continuidade de cheques no Sul, a expectativa é que ela se mantenha daqui pra frente.

Piero Trotta

Não, tá ótimo. Muito obrigado, viu, pessoal?

Boa sexta.

Leonardo Dias

Obrigado pela pergunta, Piero. Nossa próxima pergunta vem do Jonathan Koutras, do J.P.

Morgan. Jonathan, seu microfone está liberado.

Jonathan Koutras

Obrigado, Léo. Bom dia, Osmo e Luiz.

Obrigado pelo call. Tinha duas perguntas do meu lado.

A primeira, se puderem dar update nas licenças do Casa Pátio Canoas. Lembro que era VGV relevante, acho que uns R$ 300 milhões, se não me engano, para ser lançado no segundo semestre do ano passado, que acabou escorregando.

Não sei se o primeiro bimestre forte agora se deu por conta desse projeto. E a segunda pergunta, outro follow-up sobre as mudanças no programa, né?

É dado que o Faixa 1 e 2 tendem a ficar mais atrativas de novo, né, como vocês tão falando, vocês veem cenário com mais competição no segmento com outros players querendo atuar de maneira mais pujante, digamos? Ou eles devem continuar mais concentrados mesmo no top end do programa, que também só vai se tiver umas melhorias com o Faixa 3 e o vento a favor no Faixa 4, né?

Obrigado.

Rodrigo Osmo

Jonathan, você pode repetir a segunda pergunta que o áudio tava ruim aqui, a gente não conseguiu ouvir direito?

Jonathan Koutras

Não, claro. Não, era se vocês tão vendo pouco mais de competição no Faixa 1 e 2 com essas mudanças no programa que estão por vir.

Vocês acham que isso pode acontecer, ou vocês esperam que eles devem continuar mais focados ali na Faixa 3 e 4?

Rodrigo Osmo

É, vamos lá. Com relação ao Casa Pátio Canoas, esse é o maior projeto do FAR dos últimos 10 anos, então ele tem nível de complexidade regulatória relativamente grande.

A gente tá vencendo todas elas, não tem nada aparentemente intransponível no meio do caminho, mas a gente não iniciou as obras. A gente não deve iniciar essas obras no primeiro trimestre, a expectativa é que elas comecem agora no segundo tri se tudo der certo, tá?

Com relação à competição no Faixa 1 e 2, a gente não tem sentido aumento, não. Aliás, muito pelo contrário, quando a gente olha o market share relativo da Tenda nos mercados que ela atua em 2025, a gente ganhou participação relativa nos Faixas 1 e 2 na comparação com os nossos competidores.

Aqui eu acho que a imensa maioria dos nossos competidores tão focados nas Faixas 3 e 4. E a questão do Faixa 1 e 2 é que a economia dos projetos, ela não é fácil de fechar e ela requer custo de construção oriundo de uma excelência operacional muito grande.

E eu acho que aí esse segmento, Faixa 1 e 2, é o segmento natural da Tenda onde a gente tem diferencial competitivo muito grande. Então a gente não tem sentido grande competitividade nas praças que a gente atua, não, tá?

Jonathan Koutras

Perfeito. Obrigado, Osmo.

Leonardo Dias

Obrigado pela pergunta, Jonathan. Nossa próxima pergunta vem do Jorel, do Goldman Sachs.

Jorel, seu microfone está liberado.

Jorel Guilloty

Bom dia a todos. Obrigado por tomar minhas perguntas.

A primeira é pensando pouco sobre as mudanças aqui contempladas para Minha Casa, Minha Vida, mais bem falado sobre a mudança do teto do preço e a renda. Eu só queria entender como isso poderia impactar quais faixas vocês se focariam.

Quer dizer, vocês poderiam mudar e focar mais em Faixa 1 versus Faixa 2, ou vocês seguiriam com a mesma ideia indo para a frente? E a segunda pergunta é sobre o guidance de lucro líquido para 2026.

A gente reparou que não mudou, apesar da revisão de custos na Alea e o impacto na margem REF da Alea e o margem REF consolidado. Então eu queria entender pouco mais o porquê disso.

Quer dizer, o guidance já tá contemplando essa revisão de custos, ou é porque vocês estão esperando uma melhora significativa na margem em 2026, é outra coisa? Seria isso, obrigado.

Luiz Maurício

Tá bom. Vamos lá, então.

Eu começo aqui, depois o Osmo complementa. Eu acho que, Jorel, quando acontece esse tipo de mudança, né, que agora ela tá pegando muito mais faixas 1 e 2, naturalmente, né, aquela perda de share da Faixa 1, né, que a gente chegou a ter 60% lá atrás, veio pra 50% e agora no último ano 45%, 47%, ela retarda, né?

Ou seja, ela acontece de forma mais devagar porque a Faixa 1 volta a ser muito relevante, ela tem o benefício do RET 1 e, como o Osmo bem colocou, a Tenda é o player mais forte de Faixa 1. Então, não significa dizer que a gente não vai ter mais projetos de, né, de Faixa 3 e etc., esse plano segue acontecendo, mas naturalmente quando você aumenta muito a melhora das condições, né, das faixas 1, principalmente, e 2, significa dizer que a redução dessas faixas no nosso mix acontecerá de forma mais devagar, né?

Sobre o guidance de lucro, acho que assim, o ponto que nós colocamos hoje aqui ao longo, né, da apresentação é que foi ao contrário, né? Foi que, apesar desse reconhecimento do custo Alea, ainda assim a gente tá num lucro bem mais forte do que implícito no guidance 2026, né?

Então, por exemplo, você olha que só o segmento Tenda, se você pegar o lucro recorrente do segmento Tenda no quarto tri de R$ 166 milhões e anualizar, ele já passa de R$ 650 milhões, né? Então acho que a nossa risco aqui de guidance é muito mais revisar o guidance pra cima do que pra baixo.

Porque como você falou de Alea, né, mas a gente tá vendo o contrário, a gente tá vendo o risco de revisar pra cima e não pra baixo.

Jorel Guilloty

Não, ficou claro. Obrigado.

Leonardo Dias

Obrigado pela pergunta, Jorel. Não havendo mais perguntas, passo a palavra para o Osmo para as considerações finais.

Rodrigo Osmo

É, bom, obrigado, gente. Léo, você tem como colocar a última página da apresentação aí?

É, na verdade aquela que tem o lucro líquido last 12 months, essa aí. Compartilha?

É, isso, não, se puder compartilhar. Eu acho que a gente teve ano espetacular em 2025.

É, quando a gente olha operacionalmente, a Tenda ela fez ano quase que irretocável. A gente cresceu, ganhou preço, ganhou margem.

E eu acho que principalmente a gente tirou fator de risco importante pro futuro que é o ganho da nossa capacidade operacional. A gente cresceu muito a quantidade de fábricas, como a gente chama, de algo com 26 fábricas para 40 fábricas ao longo do ano.

A gente teve que fazer esse crescimento porque a gente tinha uma operação muito concentrada no Pode Entrar. Só que esse crescimento, ele veio pra ficar.

E hoje a operação, ela tá rodando num run rate, em termos de execução de obra, de 21 a 22 mil unidades ano, que é mais ou menos o que a gente tá lançando. Então hoje a gente já tem a capacidade produtiva para entregar os lançamentos de agora.

Então a gente não espera nenhum grande soluço de execução daqui pra frente, o que é uma ótima notícia num ambiente competitivo por mão de obra que a gente tem hoje em dia. E a gente tá vivendo num ambiente macro espetacular, né?

Metade das perguntas aqui foram sobre duas revisões do Minha Casa, Minha Vida que tem impacto significativo no poder de compra dos nossos clientes. Então a Tenda ela tá num momento muito bom operacional, muito bom estratégico, e sem perspectiva de deterioração num horizonte relativamente longo, 26, 27 parece ter alto grau de previsibilidade.

Alea a gente realmente acelerou antes do tempo em 24. A gente teve que fazer freio de arrumação.

Esse freio, ele causou uma dor substancial, que foi resultado muito ruim que a Alea apresentou no ano passado, mas ele não causou nenhum dano permanente. A tese de Alea continua muito forte.

Aliás, eu diria até mais forte porque as questões de reforma tributária e de escassez de mão de obra elas tão se materializando de uma forma muito rápida. E esse freio de arrumação, ele foi muito importante pra criar a sensação de crise pra gente resolver os problemas da companhia.

Então a gente reduziu o número de manchas, reduziu a escala da companhia, iniciamos processo acelerado de verticalização. E quando a gente olha pro futuro, a gente enxerga em Tenda ano onde as peças tão muito encaixadas.

Então o desafio aqui é a gente conseguir lançar o máximo que conseguir e não perder a mão da disciplina de execução, que é o que faz a gente se diferenciar e ser os líderes principalmente do Faixa 1 e 2. Em Alea as prioridades são estabilizar a operação e minimizar o custo de caixa pra criar a base pra crescimento acelerado lá na frente pra explorar o enorme potencial que ela tem.

Por que que eu quis mostrar esse gráfico? Porque eu acho que o mercado, de forma correta, ele não nos deu benefício da dúvida depois dos problemas muito sérios que a gente teve depois do COVID.

E isso explica principalmente a falta de previsibilidade do nosso resultado, a falta de visibilidade da nossa estabilidade operacional, esse é o motivo que explica o desconto que a gente negocia com relação a players que são percebidos como players excelentes do setor, principalmente Cury e Direcional. Só que quando a gente olha numa perspectiva de longo prazo, a gente tem crescido o nosso lucro líquido dos últimos 12 meses, e isso é o consolidado incluindo todos os problemas que a gente teve em Alea nesse ano, a gente tem crescido algo como R$ 70 milhões o lucro acumulado de 12 meses a cada trimestre.

E como o Luiz falou, ele passou uma perspectiva de que a visibilidade da nossa entrega do guidance desse ano hoje ela é uma visibilidade muito boa. Óbvio que coisas acontecem, essa guerra não existia uma semana atrás, não sabemos as ramificações, mas no contexto atual, ceteris paribus, as bases de ano muito promissor pra Tenda em 2026.

Então eu queria festejar 25, acho que foi ano espetacular em termos de execução. Queria dizer que os nossos resultados para 26 parecem tá sendo construídos em bases muito sólidas e a empresa tá num momento estratégico numa visão de mais longo prazo que eu entendo que é a única e tô muito otimista com o futuro da empresa.

Acho que é isso.

Luiz Maurício

Isso aí. Obrigado.

Obrigado a todos. Podemos encerrar então, Léo, por favor.

Leonardo Dias

Obrigado, Osmo. Obrigado, Luiz.

Obrigado a todos pela participação no nosso call. Nós iremos agora encerrar a transmissão.