Operator
...aqui comigo, Rodrigo Osmo, nosso CEO, Marcos, nosso co-CEO, e o Luiz Maurício Garcia, o CFO e DRI. A dinâmica será parecida com as anteriores.
O Luiz vai falar dos destaques operacionais e financeiros. Se tiverem alguma dúvida, quiserem fazer perguntas, é só levantar a mão que faremos a moderação conforme ordem das perguntas no momento Q&A.
Passo a palavra para o Luiz. Luiz, por favor, pode seguir com a apresentação.
Luiz Maurício Garcia
Obrigado, Léo. Bom dia.
Vamos dar sequência aqui então. Bom, começando, nós tivemos mais trimestre muito forte, veio acima do que nós esperávamos, e com alguns recordes aqui que cabe destacar.
Então nós tivemos recorde histórico de lançamentos para 2T, com volume de R$ 1,8 bilhão praticamente. Isso foi crescimento de 59% em relação ao 2T25.
O preço médio desses lançamentos também foi destaque. Nós havíamos divulgado ao mercado que entraríamos com uma política de preço pouco mais forte para conter o possível pressão inflacionária após março, e com isso nós conseguimos chegar no preço de R$ 249 mil.
Isso foi aumento de 10%, de quase 11% em relação ao 2T. Também tivemos recorde histórico na receita líquida trimestral da história da companhia, chegando a R$ 1,1 bilhão, crescimento de 36% ano contra ano.
A margem bruta da Tenda rodou a 40%, crescimento de 5,7 pontos percentuais ano contra ano. A margem de novas vendas rodou a 37,5%, e aí depois a gente entra pouquinho mais em detalhe dessa margem.
Como consequência, tivemos lucro de R$ 171 milhões, tivemos lucro de R$ 171 milhões sem o efeito swap e de R$ 179 milhões ajustado, crescimento aí de mais de quase 100% em relação aos últimos 12 meses. A nossa geração de caixa também foi muito forte.
Acho que essa é uma combinação interessante, né? Então a companhia tá crescendo, expandindo margem e gerando caixa.
Esse é tripé difícil de ver acontecendo simultaneamente. Então tivemos uma geração de caixa de R$ 78 milhões no tri.
E, por fim, a Tenda também a B3 anunciou na última segunda-feira a Tenda já entrando na primeira prévia do Ibovespa, que terá início a partir de setembro. Bom, em lançamentos, nós, como eu coloquei já anteriormente, crescemos 59% ano contra ano.
As vendas, 17%, mas no semestre, 28%, né? A venda do 2T, ela teve uma queda de VSO já esperada em função da estratégia de aumento de preço, mas agora indo para o segundo semestre, o nosso objetivo volta a ser tentar voltar com esse VSO para o patamar de pelo menos 25%, né, dentro daquele nosso range apontado como o ideal.
Sobre o preço, também como já mencionado, acho que o importante destacar aqui foi o aumento do preço raso de 7%. Acho que esse é ponto importante, pois esse preço raso ele também acompanhou a nossa estratégia, né, de ganho de preço.
Então acho que mostrar a qualidade desse ganho de preço não foi só no preço nominal, mas principalmente no preço raso também. Entrando pouquinho na margem bruta ajustada, eu acho que aqui cabem dois pontos, né?
Primeiro, cabe lembrar, voltando pouquinho para final de 2024 e começo de 2025, quando nós revisamos o nosso provisão de inflação naquele momento para 7%, isso foi bastante questionado pelo mercado, né, por que que a gente tava fazendo aquilo. Então essa combinação de uma inflação mais conservadora que a companhia teve desde 2025 somado a ganho de eficiência e a ciclo construtivo muito muito forte, né, ganho de eficiência muito muito forte, isso tem trazido economias de custo importantes, como vimos agora no 2T, né?
Então, excluindo as economias de custo, a nossa margem estaria rodando num patamar de 38%, 39%, mas sem dúvida nenhuma aqui tem benefício dessas economias. E falando pouquinho de Alea, a Alea já também teve tri de retomada para uma margem bruta positiva.
Isso também é marco. No último dia 30 de junho, nós tivemos uma visita na operação de Ribeirão Preto da Alea, que é a operação que tem liderado a verticalização de mão de obra, e nós vimos que em julho nós já alcançamos o marco, né, a meta que era denominada Takt 4, que é você ter a execução de quatro casas na pré-montagem, com toda a estrutura de radier, a montagem e acabamento.
Então o objetivo agora é a gente fazer, né, o rollout disso para outras manchas construtivas e outras equipes de obra, mas acho que isso aqui também já começa a refletir na melhora da margem bruta da Alea. Como eu disse, então indo para o próximo slide, acho que nós vimos a eficiência de estrutura da Tenda cair pouquinho quando teve grande crescimento do número de jogos de forma.
Isso aqui também foi combinado com a entrada da execução da estrutura do Pode Entrar, das obras do Pode Entrar, e nós conseguimos recuperar. A nossa meta aqui para eficiência de estrutura gira em torno de 97%, e nós estamos novamente num patamar recorde de 99% em percentual de dias úteis concretados, né?
Então acho que essa eficiência construtiva aqui, ela também reflete naquele ganho, naquela economia de custo de obra que eu mencionei anteriormente, seja pela menor uso da provisão de inflação, seja pelo não uso parcial da provisão de eventuais. Indo para as despesas de vendas e gerais e administrativas, acho que despesas com vendas, naturalmente a gente tem esse ganho de preço.
Ele em primeiro momento também reflete numa despesa com venda maior, né, até que você tenha a diluição disso com o recebimento desses projetos com preços mais altos. Então é natural que a despesa com venda cresça pouco na frente, mas ainda assim ela se manteve em linha com o patamar histórico de 7%.
Já o G&A, eu acho que cabe destacar aqui, tivemos quatro eventos principais, né, sendo dois não recorrentes e dois recorrentes. Os dois não recorrentes foi ajuste da provisão de bônus 2025.
Lembrando, né, o bônus do ano anterior, ele é sempre apurado após o fechamento contábil, que esse fechamento contábil normalmente ele acontece ali em março, né, quando acontece a divulgação do resultado do ano anterior, e você tem também a apuração das metas individuais, né? Então essa combinação desses dois fatores levaram a uma despesa com bônus 2025 de R$ 11 milhões acima do previsto.
E isso somado a outros efeitos, isso representou 0,85 aqui nesse 1,1, né, de não recorrente aqui no G&A, 0,95, desculpa. E outros eventos como, por exemplo, o fato da companhia estar transitoriamente com dois CEOs mais pequenos eventos não recorrentes também representaram mais 0,15, ou seja, então 1,1, o equivalente aqui tamos falando de algo como R$ 13 milhões, foram impactos não recorrentes no EBITDA desse 2T.
Então o patamar teria sido de 7,1. Mas ainda assim nós tivemos aumentos considerados recorrentes aqui.
O que que foram esses? Primeiro, o ajuste na provisão do bônus 2026, dado o fato da companhia estar entregando resultados acima do previsto anteriormente, nós reajustamos a provisão do bônus 2026.
Isso aqui representou o impacto de R$ 3 milhões no trimestre. E também, naturalmente, o aumento do quadro decorrente do crescimento da companhia traz outro impacto.
Então, mas acho que cabe reforçar aqui esse impacto não recorrente no tri foi importante. Bom, indo para o próximo slide, acho que nós voltamos para patamar recorde de retorno sobre capital empregado e também recorde do EBITDA da companhia em R$ 300 milhões na marca Tenda.
Indo para a Alea, como eu mencionei anteriormente, nós já retomamos parte do crescimento do número de obras, né? A Alea está com prazo entre lançamento e início de obra dilatado propositalmente, justamente porque o objetivo é avançar na verticalização do processo de mão de obra para depois iniciar essas obras e ter segundo objetivo aqui que é iniciar essas obras bem vendidas, né, para reduzir a necessidade de caixa durante a execução.
Então acho que a gente alcançou esses dois marcos, né? A Alea tem vendido muito bem.
Então a gente tem iniciado obras bem vendidas, e a verticalização da mancha piloto, que é Ribeirão Preto, também tem sido alcançada dentro das metas, então isso reflete pouco do por que que voltamos a aumentar o volume de obras na Alea, né? Para o segundo semestre, também o objetivo é voltar a crescer lançamento na Alea, e nós anunciamos inclusive nesse release o início da operação da mancha Campinas.
Bom, indo para o pró-soluto pós-chaves, né, o que nós chamamos internamente do TCD, já vimos uma pequena redução dele agora no 2T, e o nosso objetivo aqui passou a ser uma redução desse patamar para frente, não mais crescimento. Acho que decorrente do cenário macro atual, que nós abordaremos mais à frente.
E também olhando a evolução das margens brutas da companhia aqui, eu acho que também cabe destacar que, no segmento Tenda principalmente, essa margem bruta rasa de novas vendas, ela não inclui naturalmente o benefício de economia de obra, né? Acho que por isso que nós vemos aqui gap importante entre o que está refletido aqui, na casa de 37,5%, e o que a gente tem reportado, que esse último tri agora foi 40%.
Aqui acho que tem dois pontos importantes para destacar nesse slide do lucro, né? Primeiro, o crescimento de lucro no 2T em relação ao 1T nos últimos 12 meses acumulados, essa média móvel, né?
Então tivemos crescimento de R$ 84 milhões em único trimestre, e o lucro recorrente do segmento Tenda, né, que foi de R$ 207 milhões. Aqui, nessa tabela no slide, acho que tem duas considerações importantes que já faz o gancho para o próximo slide da geração de caixa, né?
Nós estamos no lucro recorrente excluindo não só o efeito do swap, mas também o efeito da provisão de stock option, justamente porque o swap, ele é hedge natural para esse pagamento de stock option, né? Então aqui essa despesa de stock option, ela é principalmente contábil, com efeito não caixa, e o desembolso em si, ele tem grande parte dele, né, pelo menos até 2028, ele tá hedgeado com esse swap.
Então acho que isso também ajuda a entender por que que nós fizemos agora esse ajuste não só do swap, mas também como da despesa de stock option. E isso aqui já também traz gancho para o próximo slide de geração de caixa, porque nós vimos aqui na grande maioria das notas dos analistas, né, excluindo esse benefício do swap, mas, por outro lado, a gente, se excluir o benefício do swap, nós deveríamos voltar então com a despesa do stock option efeito caixa que a companhia conseguiu mitigar, né?
Então, por exemplo, no 2T, se nós somarmos pagamento de bônus, encargos, o que foi desembolsado, só isso representou algo em torno de R$ 90 milhões, e a gente conseguiu mitigar. Ainda assim, teria uma parte adicional em relação a isso relacionado ao stock option, né, que não seja encargos, que nós conseguimos mitigar tendo essa posição de swap.
Então, ou seja, o que que eu quero dizer aqui, né? O swap, ele traz efeito não recorrente, mas parcialmente, né, porque ele é hedge para o pagamento de stock option da companhia, e então acho que se a gente for excluir esse efeito aqui também, a gente deveria voltar com o que teria sido o desembolso caixa disso.
Além disso, como eu já mencionei, esse tri também foi tri importante de pagamento, né, de não só de stock option, mas do bônus da companhia como todo. Então isso traz impacto relevante.
A gente provisiona o bônus ao longo do ano e paga no 2T. E terceiro efeito aqui foi também o atraso no recebimento do Pode Entrar, em torno de R$ 15 milhões.
Ou seja, então quando a gente ajusta por todos esses efeitos, a geração de caixa da companhia teria sido muito forte de fato, né? Então eu acho que esse é uma consideração importante porque a gente viu muita gente excluindo, né, o benefício do stock option, mas não voltando com o benefício do swap, mas não voltando com o que a gente evitou aqui de desembolso caixa, né?
Por fim, já estou chegando aqui na parte final, a estrutura de capital seguimos com uma estrutura com uma dívida líquida corporativa sobre patrimônio muito conservadora. É o nosso custo de dívida, ele segue também no patamar competitivo, praticamente equivalente a 100% CDI, pouquinho só acima, em função da nossa dívida atrelada a IPCA e também da dívida atrelada a TR.
Lembrando que nós tivemos uma maior despesa financeira esse tri, especificamente aqui teve efeito sazonal da dívida IPCA. É uma dívida, eu diria hoje, no patamar de hoje, barata, né, em relação às taxas de mercado, ela tá IPCA mais 6,9%, mas o IPCA ele teve impacto maior nesse 2T.
Então acho que aqui também teve efeito sazonal que refletiu na despesa financeira. E aí, para terminar, acho que falar pouquinho de guidance antes de passar a palavra aqui para o Marcos.
Então nós revisamos, como consequência desse resultado positivo, revisamos todos os guidances do segmento Tenda para cima. Então, de vendas, o ponto médio aumentou em 9,5%, EBITDA 15%, e em lucro 12,5%, né?
Esse gap entre o aumento do EBITDA e o aumento do lucro reflete justamente o que nós falamos: uma adequação da provisão de bônus e crescimento do G&A, né? Por isso que tem descasamento aqui entre o crescimento de e outro.
No segmento Alea, o guidance de vendas e de fluxo de caixa foram mantidos, acho que isso é importante, e o guidance do EBITDA teve uma pequena redução de R$ 20 milhões, ainda assim muito mais do que compensada pelo crescimento no segmento Tenda. É isso.
Obrigado. Eu passo a palavra aqui para o Marcos.
Marcos
Bom, bom dia a todos. Prazer estar aqui com vocês a primeira vez.
Eu vou comentar bem rápido só desse começo de integração, que nós estamos seguindo bem à risca o plano que o Rodrigo e o Cláudio explicaram naquele call de transição. Então não completei ainda 2 meses nessa fase de imersão, né?
Nós combinamos fazer primeiro uma imersão dentro da BU Tenda, que é onde eu tenho investido todo o meu tempo nesse começo. Acho que eu já visitei 80% das regionais, uma quantidade razoável de obras, de operações.
Esse período, ele vai até agora final de agosto, e aí setembro efetivamente a gente faz a transição oficial, e aí eu começo a atuar como CEO da Tenda, e o Rodrigo segue como CEO da Alea durante mais o período combinado aí de 9 meses. E aí nesses meses subsequentes a setembro, eu vou acompanhar a operação da Alea para a gente também realizando essa transição prevista para o meio do ano que vem.
É, assim, posso dizer que a transição tá muito muito muito bem feita, muito suave. Eu, nesse período, assim, tô mais entusiasmado com a tese que me trouxe aqui para a Tenda do que eu tava 2 meses atrás.
Acho que, assim, ainda é cedo, né, para fazer qualquer avaliação mais profunda ou qualquer comentário de direcionamento, mas o que eu posso adiantar para vocês é que tá reforçando as premissas que eu tinha quando eu aceitei o convite e a oportunidade de vir, e realmente muito entusiasmado aí com a geração de valor que a empresa tem para os próximos anos. Muito feliz com o que eu tô enxergando até agora.
Isso aí.
Rodrigo Osmo
Ô Léo, só uma coisa, você promoveu o Marcos a co-CEO, eu também quero ser co-CEO.
Marcos
Você foi promovido.
Rodrigo Osmo
Você promoveu ele, eu quero ser promovido a ele, tô nessa também.
Marcos
É nome bonito também.
Rodrigo Osmo
É, exato.
Operator
Dando início às nossas perguntas, a nossa primeira pergunta vem do Pedro Lobato, do Bradesco. Pedro, seu microfone está liberado.
Pedro Lobato
Bom dia, pessoal. Obrigado pelo espaço.
Algumas perguntas aqui em relação ao pró-soluto, né? Então a primeira, vocês comentaram no release que a ideia daqui para frente é reduzir, então, o pró-soluto, né?
Queria entender se essa redução, ela vem em termos nominais aí, né? Então o pró-soluto por unidade ficou aí em R$ 24 mil aproximadamente esse tri, que é meio em linha com o que foi no primeiro tri, mas o preço acabou subindo mais do que isso, né?
Então para entender se essa redução vem no percentual por unidade ou também em termos absolutos. E aí também queria entender pouco a dinâmica do provisionamento aí de vocês, né?
Então vocês me corrijam aqui se eu falar alguma bobagem, mas o índice de cobertura então, olhando para a tabela, né, da carteira de pró-soluto pós-chaves, ficou aí em 24%. Mas aí quando a gente olha para a cobertura, né, por threshold aí de inadimplência, ela caiu em quase todos os segmentos.
Então como que a gente deveria relacionar isso com a também com a margem que a gente viu nesse tri e como vocês esperam que isso se comporte olhando para frente? Obrigado.
Luiz Maurício Garcia
Pedro, vamos lá então. Sobre a redução do pró-soluto, sim, o nosso objetivo é seguir com essa redução, mas eu diria aqui que sem trazer impacto na rentabilidade da companhia, né?
Então eu acho que é provável que você veja algum impacto, você perguntou, né, em termos absolutos, mas eventualmente ele vai estar sendo compensado por, né, pelo preço raso ou qualquer outro fator, mas eu acho que ele tende a ser ainda maior em termos percentuais, né? Mas acho que você deve ver num primeiro momento uma redução até dos dois, né?
Lembrando, né, eu acho que isso aqui são ciclos longos, né, mas uma redução do pró-soluto, ela lá na frente tende a refletir também numa menor PDD, né? Então, naturalmente, se não tá casado, mas eu acho que a gente tende a ter essa redução acontecendo.
Mas, de novo, num primeiro momento, pouco mais no percentual, porque o preço, de certa forma, ele tem que continuar seguindo a inflação, e menos no absoluto, tá? Mas não descartaria ter alguma redução de absoluto porque a gente tá olhando praça a praça.
O que vai até pro seu segundo ponto, né, da provisão, né? Então só recapitulando, né, sobre a provisão de PDD, quando nós iniciamos o ano de 2026, a nossa expectativa era ter uma provisão de PDD em linha com o que nós tivemos no ano anterior, que foi pouco mais baixa.
Então era ter uma provisão na casa de 2,1%, entre 2% e 2,5%, né, da provisão de PDD sobre receita bruta, né, o equivalente. E ela rodou em 2,7%, né?
Acho que esse 2,7%, ele reflete duas coisas, né? Primeiro, ele reflete cenário, de fato, mais desafiador.
Nós estamos vendo, né, o cenário macro e consequentemente alavancagem das famílias, endividamento e etc. Mas segundo, também reflete já o início de conservadorismo maior da nossa parte, né, que já manter e se antecipar a esse cenário e manter uma provisão mais alta.
Para frente, nós estamos assumindo que essa provisão, esse impacto, né, da PDD sobre a receita, ele vai estabilizar em 3% pelo menos num horizonte aqui de curto prazo, né? Então a gente ainda vê ele ficando, né, entre o 2,7% que foi esse tri e 3%.
Então a gente não espera queda desse patamar no curto prazo.
Pedro Lobato
Ótimo. Obrigado, Luiz.
Bom dia, pessoal, e bem-vindo aí, Marcos. Boa sorte.
Operator
Obrigado pela pergunta, Pedro. Nossa próxima pergunta vem do Cambauva, do BTG.
Camba, seu microfone está liberado.
Cambauva
Pessoal, bom dia. Eu queria primeiro se vocês pudessem falar pouquinho da margem bruta, né, essas economias de custo que vocês comentaram ali na apresentação, mas entender mesmo o que que vocês estão vendo, talvez tanto de tendência para economia de obra, né?
Se de fato, pelo que eu entendo, né, vocês reportam, né, essas economias de obra só na entrega, então para entender pouco se essa safra, né, que vocês estão entregando talvez agora, ano que vem, teve conservadorismo maior aí por conta do passado na hora de colocar, vamos dizer, essas gorduras e tudo, e aí se a gente deveria de fato ver uma margem bruta de pouco acima do normalizado por mais tempo, né? E aí também queria entender pouco talvez nesses projetos mais recentes, né?
A gente tem tido uma volatilidade grande aí, né, de preço de commodities, enfim, mas entender pouco talvez nesses lançamentos mais recentes se vocês mudaram também de alguma maneira as estimativas, né, de inflação projetada, de provisão de eventuais, esse tipo de coisa, ou se segue na mesma linha? E a segunda pergunta que eu queria fazer era até aproveitando aí talvez a primeira interação aí com o Marcos, né, ele comentou aí que, enfim, nesses 2 meses tem se surpreendido com a companhia, tá até mais animado aí do que quando aceitou o desafio.
Queria se você pudesse elaborar pouquinho mais só, Marcos. Eu sei que ainda é muito cedo, né, para ter diagnóstico mais completo, mas se você pudesse falar talvez o que que te chamou mais a atenção nesses 2 meses aí de imersão na companhia, o que que são talvez os pontos de destaque ou, eventualmente, se tiver alguma parte da operação que você acha que já se sente aí habilitado a fazer algum diagnóstico de alguma potencial melhoria, enfim, o que que você pode comentar?
Obrigado. Bom dia.
Luiz Maurício Garcia
Camba, obrigado. Vou pegar aqui então a primeira.
Camba, eu diria que não é não foi só conservadorismo, acho que porque o conservadorismo ele conservadorismo maior, né, como você colocou, o conservadorismo acho que ele continua, né? Nós esse ano estamos com uma provisão de inflação implícita de 8%, para novos lançamentos 7%, né, e e com quatro de de de eventuais.
O que que aconteceu que que que tá ligado pouco sim a conservadorismo, mas, de novo, ele continua, e ao cenário, né? Então vamos recapitular, né?
Então lá atrás, quando nós trouxemos essa nova política, né, pós-pandemia, a gente ainda tinha mix de de empreendimentos térreo mais quatro grande, e a gente tava fazendo uma mudança grande para em várias praças para o térreo para o verticalizado, né, vamos dizer, o acima de térreo mais quatro. E lembrando, né, a nossa política, ela era 2% ela é, né, ainda é 2% de provisão de eventuais para o térreo mais quatro e quatro para o verticalizado, justamente porque no na pandemia, né, no vamos dizer, no pós-pandemia, nós vimos o verticalizado sofrer muito mais.
O que aconteceu de lá para cá foi o seguinte: nosso mix de produtos hoje, ele é predominantemente verticalizado, né? Mesmo praças onde antes você tinha no Rio tinha muito térreo mais quatro, né, em várias outras praças, no Nordeste, cada vez menos.
Então a consequência disso foi que a nossa provisão de eventuais, ela passou a ser predominantemente quatro, né, em função do mix. Mais de 80% hoje é térreo mais quatro.
Segundo ponto foi uma, de fato, uma eficiência muito grande, né? Quando você olha eu até até trouxe aqui, né, quando nós chegamos no final de 2024, que o INCC subiu, né, você olha o gráfico do INCC, tá na página 11 do nosso release, ele acelera final de 2024, e quando chegou no início entre final de 2024 e meados de 2025, e naquele momento nós decidimos subir a inflação a provisão de inflação das obras, né, de 2025 em diante para 7%, e ela tava em 5%, nós subimos para 7%.
Mas se você olhar o que aconteceu, foi que boa parte dessa puxada do INCC, ela foi liderada nesse período por mão de obra. E o nosso modelo, ele é justamente menos intensivo em mão de obra, né?
A mão de obra implícita no INCC é o 9 na diretora, 45% ou mais, e na nossa modelo interno 33%, né? Nós até vimos na visita Alea de Ribeirão Preto, né, que a Alea tem potencial para chegar em 22% de custos de mão de obra no canteiro, né?
Ainda não tá lá, né? Esse é o nosso objetivo no no full potential da Alea.
Então, ou seja, eu acho que essa combinação de fatores, ou seja, eu mencionei aqui três fatos: de novo, conservadorismo na provisão de inflação, mas que ele se mantém; a mudança do mix de produto que levou nós termos uma provisão de eventuais mais alta, né, porque o mix passou a ser predominantemente verticalizado; e INCC que nos últimos anos a mão de obra tem andado cinco pontos percentuais à frente de materiais, né? Fechou pouquinho agora de março para cá, né, com o início da guerra, mas eu acho que a gente vai voltar para o estrutural, né, tudo indica.
Então isso faz com que essa safra sim tenha uma uma economia maior. Olhando para frente, nós sempre retroalimentamos, né, os nossos orçamentos, né?
Então essa essa melhor eficiência, né, o nosso os nossos projetos verticalizados, eles tinham quatro de eventuais, mas porque eles foram os que mais desviaram lá no passado. Hoje isso não acontece mais, né?
Hoje os nossos projetos verticalizados não têm mais esse cenário. E isso vai sendo retroalimentado, tanto que nós colocamos, né, na na apresentação do call slide ali mostrando a eficiência construtiva como é que ela tá alta, né?
Então essa melhor eficiência, ela retroalimenta as obras. Então a tendência é sim ter uma economia menor lá na frente, né, mas eu acho que a gente ainda tem uma safra positiva pela frente sim.
Não diria que a ponto de manter 40% de margem, né, acho que é pouco forte, mas a gente ainda enxerga uma safra com positiva quanto à economia, né.
Marcos
Bom, Cambaúva, né? De novo, sem nenhuma pretensão de dar uma avaliação estratégica ou diagnóstico, mas tentando sumarizar pouco do que me trouxe pra Tenda e do que eu vi nesses 2 meses, eu acho que a primeira coisa é o seguinte: a empresa tem conjunto de competências atrelado no modelo de negócios de alta industrialização e de uma obsessão com custo que é muito forte.
Me parece que a empresa aprendeu muito naquele período lá de 2021, 2022. Acho que quem passa por uma situação dessa fica enraizado novos processos e novas mentalidades que tá de fato difundido na empresa inteira.
E essa obsessão de retirar a mão de obra do canteiro, de ter o menor custo de industrialização e de conseguir ter uma abordagem industrial, ela acho que primeiro é uma realidade, e segundo, a empresa segue investindo com muita coisa para o horizonte. Então, eu diria que é uma empresa que investe em P&D de uma forma muito paralela com o que eu via na indústria, né, de manufatura tradicional.
E eu não tenho dúvida que isso com o vento que vem para os próximos 5, 10 anos, a empresa vai colher muito desse benefício. E isso tá tanto na BU Tenda quanto na Alea, né, no conceito inicial da Alea.
Você tem segundo elemento que também me parece muito muito forte, que é a questão da força regional, né? A força regional acho que o fato da empresa tá em 10, 11 praças, acho que a empresa aprendeu a ser local, a ter uma visão centralizada, ter modelo de negócios, mas ser local do ponto de vista de liderança, de geração de negócios e de sua execução.
E eu acho que isso é uma fortaleza muito grande. Esse ano, por exemplo, a empresa relançou a praça do Paraná de forma muito bem-sucedida.
Se olhar o que tá sendo feito lá em Curitiba, João Pessoa, então acho que não é ter número descontrolado de praças ou número exagerado que você não consiga, mas é ter número de praças onde a empresa entra, ela vai entrar para ter uma posição de destaque, ter conhecimento local e fazer uma execução ali. E eu vejo isso como uma fortaleza muito grande para os próximos anos.
E tem terceiro elemento, só para fechar e não me estender demais, que é acho que a empresa, né, tem esse domínio da abordagem industrial, da construção de baixo custo, da retirada da mão de obra do canteiro que dá essa posição de destaque nos pontos mais baixos ou nas faixas mais baixas do programa. Agora a empresa desenvolveu de fato nos últimos 18 meses muita habilidade do ponto de vista de expansão da faixa de produto, da faixa de atuação, de como olhar cliente, e aqui não se trata de migração, mas se trata sim de expansão.
E acho que isso já tá começando a aparecer no que a empresa vem comunicando para vocês nos últimos meses, mas eu vejo essa tendência a aumentar de forma relevante aí nos próximos anos. Então adicionando os campos de atuação e aí combinando essa abordagem industrial, fazer as torres verticais que o Luiz acabou de falar com o custo mais baixo, com produtos diferenciados para diferentes públicos, eu tenho certeza que vai dar uma flexibilidade de atuação realmente única para a empresa.
Então, vou parar aqui nesses três pontos, mas a gente pode expandir mais ao longo dos próximos meses. Obrigado.
Cambauva
Ótimo, gente. Obrigado.
Bom dia a todos.
Operator
Obrigado pela pergunta, Camba. Nossa próxima pergunta vem do Tainan, do UBS.
Tainan, seu microfone está liberado.
Tainan
Opa. Bom dia pessoal, Marcos, Luiz, Osmo.
Eu queria explorar dois pontos. Acho que o primeiro é tamanho da companhia e crescimento pra frente, né?
Nesse trimestre, vocês compraram ali pouco mais de R$ 5 bilhões de terreno na marca Tenda, né? Se a gente olha pouquinho ali o guidance de vendas de vocês anualizado, dá pra entender que segundo semestre tem algum nível de aceleração nessas vendas também, talvez puxado aí por lançamento mais forte.
E aí queria entender como que isso tudo conversa com o tamanho de operação que vocês tão mirando pra marca Tenda em 2026 e 2027, se tiverem algum número de abertura aqui pra número de unidades que vocês pretendem lançar e quais são os gargalos, eventualmente, aqui pra mudar essa dinâmica ou não. E a segunda pergunta acho que é mais entender agora na ponta, após os efeitos que a gente viu ali em junho, né, com a Caixa sendo pouquinho mais restritiva, como é que vocês tão vendo as vendas agora na ponta?
Acho que primeiro se vocês também sentiram, né, essa questão da Caixa sendo mais restritiva e se agora na ponta o ritmo de contratação teve alguma variação, se já voltou aos patamares normalizados ali de abril, maio, primeiro trimestre, ou se ainda tem algum nível aqui de impacto, talvez melhor do que final de junho, mas ainda com algum nível aqui de incômodo em relação à aprovação de crédito e tudo mais. Obrigado, pessoal.
Luiz Maurício Garcia
Tainan, eu acho que vocês acompanharam bem, né? Acho que a gente entre 2021 e 2024, nós ficamos com nível de manutenção em landbank, né, e o foco boa parte desse período foi renegociar o landbank existente, né, renegociar fluxo de pagamento e por aí vai, né.
A partir de 2024, nós miramos a estratégia para, de fato, ter opcionalidade no landbank, né, ou seja, ter uma esteira de projetos em aprovação, né, ou seja, toda a esteira, o rito, desde da negociação até a possibilidade de lançamento desses projetos, ter uma sobra para que a gente de fato, como tá acontecendo esse ano, pudesse aproveitar momento favorável e acelerar o lançamento se ele for condizente com o cenário, né, como é o caso esse ano novamente. Então acho que o landbank, ele reflete duas coisas, né?
Primeiro, essa vontade de crescer. Acho que, como o Marcos bem mencionou aqui, essa força regional da Tenda em várias praças, né, e praças importantes, a gente foca nas principais regiões metropolitanas do país.
Então nós temos feito isso, né? Por exemplo, ano passado, nós lançamos segmento Tenda 22 mil, 23 mil unidades e compramos landbank equivalente a 35 mil unidades, né?
Esse ano, o objetivo de compra no segmento Tenda é parecido, nesse patamar de 35 mil unidades também quanto a landbank. Então o objetivo é ter essa opcionalidade e crescer se fizer sentido, né?
Quanto à possibilidade de crescimento, a gente mantém uma dinâmica que nós falávamos lá atrás, né, que é esse crescimento de 10% a 15%, mas ele é uma combinação de alguma coisa como 5% a 10% número de unidades, 5% de inflação e tem o mix, né? A gente tem crescido faixa 3 e 4.
Então é esse crescimento que a gente enxerga pra frente, mas ele vai ser muito em função do cenário. A gente quer tá pronto para crescer se o cenário permitir, né?
E o crescimento do landbank, ele reflete exatamente isso, né?
Marcos
Tainan, falando de Caixa, objetivamente, o resultado de vendas de julho foi muito parecido com o resultado de vendas de junho, pra dizer verdade, foi até pouco maior. A gente teve sim uma dorzinha de barriga no começo de julho com uma mudança no motor de crédito da Caixa, mas a Caixa logo percebeu que isso foi erro e eles corrigiram.
O que que eu acho que é importante dar pouco o contexto macro do que que tá acontecendo. Politicamente, o governo tem interesse em ter Minha Casa, Minha Vida de enorme sucesso, né?
O governo falando em chegar em 3 milhões de moradias, então é uma vontade política de que isso aconteça. Em paralelo, existe sim uma resolução do Bacen que começou a ter efeito mais forte esse ano, acho que é a 4.966, se eu não me engano, o número da resolução, que aumenta o grau de provisionamento para inadimplência dos bancos na carteira de crédito imobiliário, e a Caixa é o maior player de crédito imobiliário do Brasil disparado, ela precisa fazer ajustes na forma como ela concede crédito.
E além disso, a gente tá vivendo no Brasil momento de precariedade financeira muito grande das famílias de menor renda e alta inadimplência. Então, o que existe é uma vontade da Caixa de resolver esse problema, de reduzir o risco de inadimplência da carteira deles, mas de uma forma que não comprometa a volumetria do programa.
Nós, como setor, a gente vê isso com muito bons olhos. Vocês vão lembrar que há muito tempo que a gente fala que, olha, a gente não pode conceder mais financiamento pelo FGTS do que cabe no balanço deles, a gente não pode matar a galinha dos ovos de ouro.
A gente sempre tem uma preocupação de que estruturalmente o programa ele se sustente, ele seja sustentável no longo prazo. E atacar a questão da inadimplência do agente financeiro, que é a Caixa, é tema muito importante.
Então o setor tá conversando hoje com a Caixa numa conversa muito produtiva, de enorme qualidade técnica, pra gente achar mecanismos de reduzir o risco de inadimplência da carteira imobiliária da Caixa e como é que os agentes, né, tanto a Caixa quanto as incorporadoras, poderiam ajudar com isso. Então, eu diria que o que aconteceu em começo de julho não é mais a realidade, acho que a gente voltou aos patamares de concessão que existiam no trimestre passado, e agora a gente tá junto com a Caixa construindo uma solução, mas que a gente não tem nenhuma expectativa que seja uma solução traumática do ponto de vista de concessão de crédito para baixa renda, não.
Tainan
Não, muito claro, pessoal. Obrigado, Osmo, Luiz.
Operator
Obrigado pela pergunta, Tainan. Nossa próxima pergunta vem do Elvis Credendio, do Itaú.
Elvis, seu microfone está liberado.
Elvis Credendio
Bom dia, pessoal. Dois tópicos aqui do meu lado também.
Primeiro, follow-up ainda nessa pergunta da margem bruta, né? Porque ficou claro na fala do Luiz que 40% não deveria permanecer, né, mas tentando olhar mais a médio e longo prazo, né, a margem bruta novas vendas, só queria double check com vocês se de fato já incorpora todos esses itens que vocês foram comentando, né, a PDD rodando mais perto de 3%, esse provisionamento, né, de inflação futura e para custos eventuais de 7% e 4%, né, respectivamente, e até quando a gente faz uma conta rápida assim olhando para essas inflações futuras aí nos próximos 2 anos, esse que é o ciclo médio de vocês, né, e o provisionamento para eventuais custos, dá uma inflação implícita de uns 9%, né?
Historicamente, acho que nunca foi rodando nesse nível, né, o INCC, ainda mais vocês que têm menos exposição ao principal ofensor aí. Então daria pra gente pensar que de certa forma, né, teria alguma economia implícita aí a longo prazo, mesmo quando a gente olha pra essa margem bruta de novas vendas de uns 37% no segmento Tenda?
Entender pouco onde deveria estabilizar, né, dado que tem muito moving part hoje aí nessa margem bruta do negócio on site. E aí o segundo ponto seria mais falar sobre o que tá implícito do guidance, né?
Quando a gente olha o EBITDA, fica de certa forma implícito que no segundo semestre ele praticamente ficaria flat nos próximos dois trimestres quando você olha mesmo o topo do guidance, né? Queria entender assim o que que vocês esperam de fato para acontecer ali, ou a margem bruta ceder pouco mais, ou G&A, selling foram pouco mais altos do que no primeiro semestre.
Queria entender o que que tá embutido aqui de premissa para de fato caminhar para esse topo do guidance de EBITDA. É isso.
Obrigado, pessoal.
Luiz Maurício Garcia
Sim, Elvis, na margem bruta novas vendas, acho que a gente embute conservadorismo importante, né? Então ele já prevê lá a PDD 3%, né, da receita, acima desse 2,7%, né, que foi o primeiro semestre, e sim, ele não tem nenhum benefício, né, de economia de custo de obra, né?
Então eu acho que ali seria o cenário, vamos dizer, mais conservador se, de fato, a gente não tiver nenhuma melhoria em relação às entregas, né? Então acho que é isso, né?
Ele quase que é reflexo, bom, se o cenário piora, né, e a gente não tem mais nenhuma economia de obra, nem de eventuais, e a PDD, de fato, a que a gente espera, né, vai para esse patamar, onde é que estaria a margem bruta ajustada do segmento Tenda? Estaria nesses 37,5%, né, que é o que tá refletindo ali, né.
Sobre o seu segundo ponto, que é essa questão do guidance implícito, né, eu acho que tem aqui alguns pontos. Tem, de novo, essa questão do conservadorismo da expectativa no semestre, como já mencionamos aqui, tanto em não assumir economias de obra quanto a PDD mais alta.
Tem volume conservador aqui em relação ao que, obviamente, isso aqui leva em consideração ao cenário, né, em relação ao que a gente poderia fazer se não tivesse nenhuma restrição de crédito, mas, como o Rodrigo acabou de colocar, a gente acredita que esse cenário vá ser fato, né, daqui para frente. Então acho que tem os dois impactos aqui estruturais do G&A, né?
Então nós tivemos dois impactos não recorrentes e dois que são recorrentes, né? Mas o recorrente passa por aumento de estrutura e passa por uma readequação da provisão de bônus, né, 2026, para que não aconteça o mesmo efeito lá em 2027, né, quando do pagamento desse bônus relativo a 2026.
E também na linha de contingências, né, que acho que é outro ponto que nós vimos aqui no 2T, também nós assumimos que essa linha de contingência se mantém em 1,5% da receita, né? Então ali no primeiro semestre ela foi abaixo, muito em função do primeiro tri, que foi muito baixo, mas o segundo tri teve aumento importante, mas isso é uma linha sazonal, então para frente nós também conservadoramente assumimos ela num patamar mais adequado.
Rodrigo Osmo
Sem complementos.
Elvis Credendio
Tá ótimo. Perfeito, pessoal.
Obrigado e bem-vindo, Marcos.
Operator
Obrigado pela pergunta, Elvis. Nossa próxima pergunta vem do Igor Altero, da XP.
Igor, seu microfone está liberado.
Igor Altero
Oi, pessoal. Bom dia, tudo bem?
É, obrigado aí pela oportunidade de fazer pergunta. É, primeiro ponto que eu queria entender é mais essa questão da Caixa mesmo, né?
Parece que a Caixa vem estudando aí acabar ou mitigar pouco mais ali, né, o pró-soluto pós-chave, então talvez aí aumentando o LTV, aumentando o comprometimento de renda. Então, eu queria pegar pouco da leitura de vocês, né, como é que vocês veem isso.
E o segundo ponto é mais com relação a melhorias do Minha Casa, Minha Vida, né? A gente tem visto aí, né, na mídia saindo mais ajustes no programa.
Então entender aí se vocês acham que faz sentido, né, mais melhorias, quais são as faixas, né, se vocês veem espaço aí para aumento nas faixas de renda, queda nas taxas de juros, né? Então entender pouco como que isso poderia também impactar vocês, né?
E o timing, né, que vocês acham que a gente poderia ter essa, né, talvez aí uma reunião extraordinária aí, enfim, entender pouco o cenário de vocês aí. Obrigado.
Rodrigo Osmo
Bom, Igor, você me deixou numa saia justa aqui, que você trouxe perguntas muito específicas de negociações que tão rolando hoje com a Caixa. Eu acho que alguns analistas chegaram a ter conversas com diretores da Caixa, e eu acho que eles abriram algumas dessas informações, por exemplo, essa que o Igor trouxe aqui.
Eu, pela sensibilidade da negociação, da gente tá no meio dessas conversas com a Caixa, eu prefiro não ser muito específico com relação a o que que seria desenho de soluções pro problema de inadimplência da Caixa. Mas você citou algumas alternativas que tão na mesa e que tanto a Caixa quanto o setor entendem que são ganha-ganha, que elas reduziriam significativamente o risco da carteira sem comprometer em nada a capacidade de compra das famílias que são beneficiadas pelo programa, tá?
Mas eu peço desculpas, eu não vou ser super específico. Com relação a melhorias no Minha Casa, Minha Vida, vocês leram na mídia várias pedidas que o setor fez, né?
A Abrainc fez, CBIC fez. Eu acho que o setor, ele tá no seu papel de tempos em tempos entender onde que o setor poderia contribuir mais com a formação de moradias, e os pleitos são aqueles que tão no jornal.
Se você perguntar pra mim, eu não acho que tem super espaço de acomodação para melhorias muito relevantes no programa esse ano, né? O programa tá rodando muito bem.
Eu não acho que não vai sobrar subsídio esse ano. E qualquer mudança muito radical certamente engravidaria uma pressão para novas contratações que eu acho que não tem tanto espaço hoje para fazer.
Obviamente, somos entusiastas de melhorias do programa, mas também somos entusiastas de que essas melhorias sejam sustentáveis. Não achamos que hoje tem espaço para tantas melhorias relevantes.
Então, quando a gente olha as nossas projeções daqui para frente, elas não consideram nada disso, não levam nada disso em consideração, tá?
Igor Altero
Tá claro. Tá ótimo.
Se eu só puder, então, já que não deu para responder muito a primeira, assim, outro ponto que eu queria tocar muito rapidamente...
Rodrigo Osmo
Ganhou crédito, você tem mais.
Igor Altero
É, então, me dá esse crédito aí. A gente tem visto alguns players reclamando aí da questão de pagamento do Pode Entrar, né?
Então entender se vocês tão com algum tipo de dificuldade, enfim, como é que vocês tão vendo essa situação? Obrigado.
Rodrigo Osmo
A cidade de São Paulo tá levantando uma dívida para pagar o saldo remanescente do Pode Entrar, então efetivamente tem algumas parcelas poucas, tá, que tão atrasadas. Mas a gente tá numa situação bastante confortável aqui na Tenda, porque a gente tem o saldo a receber, ele é muito maior do que o saldo a gastar em obras, e a gente tá numa posição que é o seguinte: praticamente todas as obras da Tenda, elas vão tá disponibilizadas para entrega dentro desse ano, eu ousaria dizer que a Tenda é a empresa que tá de longe mais antecipada com relação às entregas do Pode Entrar.
Por que que isso é importante? Porque, à medida em que os recursos forem aparecendo, e eles estão aparecendo, não é que não existe o recurso, existe remanejamento, por exemplo, dentro do próprio orçamento da prefeitura, e aqui eu tenho ex-secretário da Fazenda da prefeitura de São Paulo que entende bem isso aqui que se juntou a gente, a prefeitura vai prestigiar o pagamento das unidades que tão prontas, porque ela só pode entregar essas unidades para as famílias quitando o valor remanescente que ela tem com a incorporadora.
E como a gente deve ter todos os nossos projetos prontos para entrega esse ano, a gente entende que a gente tá numa posição muito privilegiada para esse recebimento.
Igor Altero
Ficou claro. Obrigado mais uma vez, Osmo.
Operator
Obrigado pela pergunta, Igor. Nossa próxima pergunta vem do Pedro Peroni, do BofA.
Pedro, seu microfone está liberado.
Pedro Peroni
Bom dia Marcos, Luiz, Osmo, todo o time da Tenda. Obrigado pelo espaço aqui.
Do nosso lado, a gente queria entender pouco sobre a questão da VSO, né? A gente entende que ela passou por recuo aí ao longo desse trimestre, especialmente explicado pelo reflexo da política de precificação e, enfim, para mitigar custos, né?
E dado essa percepção de risco inflacionário pouco mais dissipada a partir desse mês e considerando patamar ali pouco mais saudável para a companhia de VSO entre 25% e 30%, como vocês enxergam o equilíbrio entre velocidade de vendas e rentabilidade daqui para frente, né? A prioridade volta a ser volume ou vocês seguem privilegiando o preço e margem?
E também entender, né, se existe limite a partir do qual vocês preferem priorizar giro mais baixo versus preço, né? Então entender pouco mais essa dinâmica de VSO versus margem aqui para vocês olhando para frente.
Obrigado.
Rodrigo Osmo
Pedro, a gente tem uma diretriz bem clara, que é o 25% a 30% de VSO, que é o horizonte onde a gente gostaria de trabalhar, né? Abaixo de 25%, não é, assim, a gente operou com 24% nesse trimestre, mas abaixo de 25%, a gente entende que a gente tá comprometendo muito o giro do capital, e acima de 30%, a gente tá abrindo mão de uma margem desnecessariamente e incorrendo o risco de ter falta de estoque para uma eventual necessidade num cenário inflacionário.
Então a gente delimitou contabilmente que essa é a banda que a gente quer operar. Então, obviamente, por que que a gente desceu para baixo de 25%?
Porque a gente tava com pouca visibilidade sobre o cenário inflacionário no segundo trimestre. Hoje essa visibilidade ela é muito melhor.
A gente entende que a gente tá muito bem provisionado, a gente tá assumindo uma provisão de inflação para 8% para esse ano, e então a gente gostaria de voltar para a banda. Então o nosso desejo é que neste trimestre a gente voltasse a entrar nessa banda, nada muito radical, não é que a gente muito provavelmente vai tá beliscando aqui os 25% e não buscando os 30% nesse trimestre, mas a ideia é operar nessa banda, sim.
Marcos
É, acho que complementando, vale lembrar que a gente, por decisão, subiu muito o número de lançamentos, né? Se você olhar primeiro semestre de 2025 contra 2026, foi crescimento de 60%.
Acho que foi uma decisão acertada da empresa de aproveitar o momento e colocar produto no mercado. Então, momentaneamente, isso também afeta, né, no cálculo da VSO.
Eu entendo isso como positivo.
Pedro Peroni
Super claro, pessoal. Obrigado.
Operator
Obrigado pela pergunta, Pedro. Nossa próxima pergunta vem do Piero, do Citi.
Piero, seu microfone está liberado.
Piero
Bom dia. Bom dia a todos.
Bem-vindo, Marcos, e obrigado pelo call. Eu tenho duas perguntas.
A primeira é para entender o que vocês tiveram esse trimestre crescimento de preço raso na venda bruta foi 3%, né, tri a tri, mas quando a gente olha a margem bruta das vendas novas, ela ficou flat, né, versus o tri, subiu 10 bps, né? Só entender o que que explica esse aumento de preço com a margem mais estabilizada, o que que mudou talvez de premissa, se foi pouco dessa mudança de PDD na ponta ou se teve algum outro fator que gerou isso.
E a segunda, em Alea, é entender, né, que o guidance foi revisado para uma perda de R$ 70 milhões a R$ 90 milhões no EBITDA, só que o guidance de consumo de caixa, ele foi mantido, né? Então o que que explica essa divergência e o que que teve de ganho talvez em capital de giro, alguma outra linha caixa que teve na Alea, só que isso não foi a caráter de EBITDA, né?
Então são esses dois pontos. Muito obrigado.
Luiz Maurício Garcia
Piero, vamos lá. Então sobre aqui, acho que é sempre importante lembrar o seguinte: essa margem bruta novas vendas, ela olha de fato o mix de venda que aconteceu naquele trimestre, né?
Então, com base naquele mix e a expectativa para aqueles projetos e com todas as provisões, o que que aconteceu, né? E quanto o aumento de preço, eu vou até voltar aqui, acho que vai ficar mais fácil de você entender.
A nossa economia de obra, ela tá predominantemente em obras sendo entregues. Por quê?
Porque é no momento da entrega que a gente tem essa economia das eventuais, né? Então acho que esse aqui é primeiro ponto quando você tá olhando, né, a margem cheia da companhia, né, que ela traz essa questão.
Segundo ponto, quando a gente vai para margem rasa, primeiro tem essa questão de mix, mas acho que a resposta principal aqui é isso mesmo que você trouxe, né? Ela tá na provisão, no conservadorismo da provisão que está embutida ali dentro, né?
Então isso que reflete nesse fato, né, de você ver aumento e ele não tá sendo refletido nesse aumento de margem. Por quê?
A nossa inflação implícita hoje, ela tá em 8%, ou seja, né? Então você mencionou aumento de 7%, né, ano contra ano, mas a inflação implícita que nós usamos ali é 8%.
Ali não tem benefício de reversão de eventuais, né? Então acho que é isso mesmo, né?
A gente tem conservadorismo ainda nas provisões, e vocês sabem, né, nós saímos de uma inflação de 7% para 8% esse ano com todos os aumentos de provisões que nós fizemos, né, no início em março e abril, justamente para fazer frente a esse risco inflacionário. Então acho que isso que explica o fato desse aumento de preço não ter se traduzido num aumento de margem bruta das novas vendas, que foi o que você trouxe ainda, né, mais alto do que apareceu ali.
Rodrigo Osmo
É, e acho que também tem uma questão de PDD, né, que a gente...
Luiz Maurício Garcia
É, as provisões lá dentro.
Rodrigo Osmo
A provisão lá dentro e mix, né? O ganho de preço, ele também veio de a gente tá ganhando representatividade, se a gente for ver, o mix de venda do faixa 3 e 4 foi muito representativo nesse trimestre, né?
Isso ajuda em preço também. Piero, com relação a esse descasamento entre caixa e EBITDA de Alea, o motivo da redução do EBITDA de Alea, o principal é a redução de produção.
A gente, para prestigiar a estabilização operacional, a gente reduziu o volume de casas por dia produzidas na companhia e vai voltar ao patamar anteriormente vislumbrado bem mais para frente. E tem algo muito relevante que saiu do plano, que é Canoas, né?
Canoas eram 1.500 unidades que iam ser produzidas em pouco mais de ano, lembrando que a operação de Alea esse ano deve produzir próximo de 2.000 unidades. Então, assim, Canoas era muito relevante para a composição do resultado da companhia.
Mas numa ótica de prestigiar a estabilidade operacional e não o resultado, a gente chegou à conclusão que Canoas causaria mais fricção nesse momento do que traria de benefício para a companhia. Mas por que que o caixa melhorou?
Vocês podem ver que a gente manteve o guidance, mas hoje, se a gente extrapolar o primeiro semestre, a gente estaria beliscando o topo do guidance, né, que é uma queima de R$ 60 milhões. Aqui é uma gestão muito próxima de capital de giro.
E a empresa tem desde o começo do ano war room de caixa semanal, e a gente, dentro desse war room, a gente toma decisões de o que que maximizaria a geração de caixa da companhia. Então você tem desde formas de medição pela Caixa Econômica, que unidades que você vai vender, aquelas que têm uma maior disponibilidade de caixa, qual que é a ordem produtiva, assim, tem várias decisões focadas em minimizar o consumo de caixa da empresa, tá?
Então, realmente, EBITDA e caixa de Alea não tão conversando porque eles estão em momentos de estabilização muito diferentes.
Piero
Tá claro. Muito obrigado, viu, pessoal?
Bom dia a todos.
Operator
Obrigado pela pergunta, Piero. Nossa próxima pergunta vem do Matheus Meloni, do Santander.
Matheus, seu microfone está liberado.
Matheus Meloni
Opa. Bom dia, pessoal, tudo bom?
Obrigado pelo espaço aqui. Do meu lado, é mais dois follow-ups aqui, tá?
O primeiro em relação ao pró-soluto pós-chaves, né? Queria entender pouco qual que é o prazo médio e o prazo máximo que vocês oferecem para os clientes nesse pró-soluto pós-chaves, tá?
Essa é a primeira. E o segundo follow-up aqui é mais em relação ao comentário que o Osmo fez ali sobre inadimplência da Caixa, enfim.
É, queria entender pouco se vocês estão vendo aí a inadimplência pouco mais elevada em alguma faixa do programa específica ou em alguma região que vocês operam, alguma região mais específica, tá? É mais ter pouco mais essa granularidade da inadimplência.
Do meu lado é isso. Obrigado.
Luiz Maurício Garcia
Matheus, o nosso pró-soluto pós-chaves, ele tem prazo hoje predominantemente na carteira de 72 meses, e ele tem prazo máximo de 84, tá? Mas a carteira hoje, o prazo predominante na nossa carteira hoje em vigor, ele é de até 72 meses para o pós-chaves, tá.
Rodrigo Osmo
Com relação à inadimplência, a inadimplência por faixa segue o óbvio, né? Faixa 1 tem mais inadimplência que faixa 2, que tem mais inadimplência que faixa 3, que tem mais inadimplência que faixa 4.
Por outro lado, o spread da Caixa também é maior na faixa 1 do que na faixa 2 do que na faixa 3. Então isso está, em tese, bem precificado lá dentro.
Com relação a regiões, você tem sim disparidades entre regiões. Uma região que tem uma inadimplência maior do que a média na Caixa é o Rio de Janeiro, e daí as demais regiões têm desvio menor com relação à média da Caixa.
O Rio, dentro das praças onde a gente atua, é uma praça que tem uma inadimplência mais concentrada.
Matheus Meloni
Pô, obrigado, super claro, pessoal. Valeu.
Operator
Obrigado pela pergunta, Matheus. Nossa próxima pergunta vem do Rafael, do Safra.
Rafa, seu microfone está liberado.
Rafael
Vocês estão me ouvindo? Desculpa.
Acho que agora foi aqui. Perdão.
Eu tenho dois pontos também que eu queria abordar. O primeiro, follow-up nessa questão da inadimplência do pró-soluto entre chaves e ver até se isso já começa a conversar pouco com esse mix de vendas que vocês reportaram no tri, né, que a gente viu uma participação do faixa 1 bem mais baixa, com pouco acima dos 25%, né, e vocês estavam rodando num patamar muito mais alto, e se isso até pode ser uma proxy, dado essa exposição, né, do faixa 1 a uma deterioração de crédito pegaria pouco mais lá, e se vocês têm essa vontade talvez de operar nas faixas mais altas, que poderia ter uma inadimplência menor.
E a segunda, mudando aqui pouco de assunto, eu queria ver se vocês podiam comentar pouco como que tá o andar ali da reforma tributária, se vocês já tão sentindo o setor pouco mais preparado, se vocês já sabem, assim, no período de transição ali em 2027 que obras que vocês já vão adotar a reforma, quais outras vocês ainda vão continuar no RET, qual que é o andar assim que teve desde a última conversa. Obrigado.
Rodrigo Osmo
Tudo bom, Rafael? A resposta da tua pergunta é não.
A redução do faixa 1 não tem nada a ver com uma maior restrição de crédito da Caixa Econômica ou uma maior aversão a risco da Tenda com relação à qualidade da carteira. Foi uma coisa episódica.
Vocês podem ver que se vocês pegarem o gráfico que a gente tem no release com relação as vendas por faixa, você tem acho que duas grandes tendências: uma é o faixa 3 e 4 crescendo quase que trimestre a trimestre, e isso deve ser uma tendência que deve se manter, o faixa 3 e 4 vai ganhar representatividade no nosso portfólio; e a outra é que faixas 1 e 2 têm uma volatilidade muito grande entre trimestres, né, e isso tem a ver com vários fatores, mudança de faixa de renda, tem empreendimentos específicos. Realmente foi bem atípico, né, esses 27% de participação do faixa 1 dentro do nosso portfólio de vendas no segundo tri.
Isso é abaixo do que a gente tá imaginando que vai acontecer de forma recorrente. A gente acredita que essa participação deveria voltar lá para o próximo dos 40%, que era a tendência antes dessa anomalia aqui do segundo trimestre.
Então não esperamos ficar nesse patamar de 27 daqui para frente, não.
Luiz Maurício Garcia
Vamos lá, Rafael. Sobre a reforma, a gente segue bem ativo, né, nesse tema.
Nós temos uma reunião semanal com a Receita Federal sobre esse tema, uma reunião semanal com a Caixa Econômica também sobre o tema, mas naturalmente é processo que ele vai dia após o outro, né? Por exemplo, na semana passada a Receita já divulgou a normativa com a nova data, né, quando se torna obrigatória a emissão da nota com as descrições, né, lá do CBS, enfim, seguindo todo o modelo novo a partir de 1º de dezembro.
Mas esse modelo, ele ainda não foi publicado exatamente como é que vai ser. Tem o split payment, né, que é já ter o recolhimento, então vão ter discriminações na nota que é o que a gente chama do modelo da nota que vai ser divulgado pela Receita como ela quer que isso aconteça até para preparar futuramente pro split payment, né, que é o recolhimento já no momento do pagamento, que ele ainda não foi definido.
Então, ou seja, tem uma série de ajustes. Esse é exemplo, né, de vários, mas tem uma série de temas que a gente tá acompanhando de perto.
A gente já tá numa fase bem avançada, já temos motor de crédito interno pronto, e a gente agora só customiza isso para cada projeto. A primeira leitura, né, os projetos de RET 1, esses não vão fazer sentido ter uma migração imediata, mas mesmo a migração do RET, né, a primeira leitura da Receita Federal é que uma vez aderido ao RET que você já adere a Regime Especial de Tributação, você não poderia, né, voltar para o novo regime tributário, né?
Então, ou seja, todos os nossos projetos nascem no lucro real, né? Mas uma vez que ele foi para o RET, ele não poderia fazer uma segunda mudança para o novo regime tributário.
Então, ou seja, tem uma série de conversas que a gente tá tendo, o que gera uma certa incoerência, né, porque você vai ter recolhimento, os seus fornecedores vão ter todo encargo maior pelo crédito que você tomaria esse crédito e não poderia utilizar, mas enfim. Eu acho que tem muita conversa pela frente daqui até dezembro, falta pouco tempo, mas ainda tem muita água para rolar.
Mas a gente tá se preparando para seja qual for o cenário e o objetivo número, como você bem mencionou, é ter a clareza de que caminho seguir para cada projeto. Acho que esse que é o nosso principal objetivo, e isso passa por ter motor parrudo, né, em sistema que a gente consiga simular cada projeto e ter uma definição precisa para cada projeto por onde seguir.
Rafael
Não, perfeito. Tá ótimo, pessoal.
Obrigado, viu? Bom dia.
Operator
Obrigado pela pergunta, Rafa. Nossa próxima pergunta vem do Igor Machado, do Goldman Sachs.
Igor, seu microfone está liberado.
Igor Machado
Bom dia, pessoal. Obrigado pelo espaço aqui para fazer as perguntas.
São duas do nosso lado. A primeira seria em relação ao reajuste de preços, né, e custo de construção, follow-up aqui.
Então a companhia tem essa postura mais cautelosa, né, que vocês já mencionaram, e a gente viu aí essas preocupações em relação ao estouro do INCC com relação à guerra, mas no fim das contas, no primeiro momento, essa pressão acabou não se materializando, né? Mas a possibilidade ainda existe, então queria entender aqui melhor quais seriam os gatilhos para novo reajuste de preço nesse momento, entender quais indicadores vocês estão olhando para trigar esse possível aumento de preço, né?
Qual seria o cenário mais próximo que vocês estão vendo para os próximos meses? E o segundo ponto seria em relação à geração de caixa.
A gente sabe que não tem aqui guidance específico da operação de Tenda, mas queria entender melhor se a conversão do lucro líquido em geração de caixa no segundo semestre vai aumentar o quanto vocês estão esperando dessa conversão, né, de lucro para caixa, e se isso aumenta como vocês estão buscando uma VSO maior? É isso do meu lado.
Obrigado.
Rodrigo Osmo
Tudo bom, Igor? É difícil dizer qual é o gatilho, né?
A gente não tem uma política de gatilho para revisão de preço. O que a gente tem é uma leitura do mercado constante.
Então, qualquer momento que a gente ou já vislumbre custo esperado maior ou o cenário se mostra cenário mais incerto, como foi o segundo trimestre, a nossa política é, cara, nesse momento vamos retrair, vamos privilegiar a margem, primeiro para criar colchão e segundo para a gente ter estoque para poder vender mais caro caso isso venha a ser uma necessidade. Ficou muito claro essa ação nossa no segundo tri.
O momento agora é momento de maior visibilidade, mas se o contexto macro, e eu não sei definir exatamente de antemão o que que seria uma mudança no contexto macro, se deteriorar, a gente tiver menos visibilidade, a gente volta para essa postura mais conservadora.
Marcos
Posso complementar aqui na linha do que eu vi nesses meses, Igor? É que esse é processo contínuo, né, Rodrigo?
Ele é ongoing semana a semana e empreendimento a empreendimento. Então não são grandes eventos, acho que é processo.
Rodrigo Osmo
É, a gente tem uma rotina de gestão que privilegia essas discussões, né, e elas acontecem semana a semana.
Luiz Maurício Garcia
E acho que o último comentário nesse ponto é que acho que o Igor colocou a pressão talvez não tenha se materializado na ordem de grandeza prevista, mas aumentos de custo ocorreram, né? Então a gente teve...
Rodrigo Osmo
É, lembrando, né, a gente começou o ano falando que a gente estava conservador com a inflação, 7% lá na virada do ano, entramos no segundo tri mirando 8%, bateu desespero em alguns analistas falando: "Pô, mas será que vai para 10%?" A gente decidiu tirar pressão de vendas, né, para se preparar para eventual cenário de 10%.
Hoje a gente enxerga que 8% de inflação para 2026 tá com uma visibilidade bastante boa.
Luiz Maurício Garcia
Isso. Bom, Igor, sobre fluxo de caixa, eu acho que a gente não tem guidance, né, específico sobre isso, você sabe, né, para o ano, nem para o segundo semestre.
Mas o que a gente pode dizer quando você olha qualquer série longa, qualquer uma, nós fizemos essa análise desde 2009, né, o início do programa Minha Casa, Minha Vida, né? Então qualquer série longa que você faça uma média móvel de 3 a 5 anos, a Tenda, ela tem a segunda melhor conversão de caixa do setor, né?
Lá atrás chegou em alguns momentos a ser até a melhor, e recentemente, né, tiveram empresas que abriram o capital mais recente, então a gente não consegue trazer essa série lá de trás. Então a gente tem a segunda melhor conversão de lucro caixa, né?
Então e quando a gente olha as variáveis para isso, que é uma VSO saudável, né, nesse patamar que nós miramos, né, ciclo construtivo curto e consequentemente bem vendido, né, que a VSO reflete sobre isso, não empregar capital em terreno antes do lançamento, né, então ter uma disciplina para seja permuta ou pagamentos parcelados após o lançamento, que predomine isso, né? Então todas essas principais variáveis e pró-soluto sob controle, né?
De novo, nosso pró-soluto lá no passado chegou a 14%, ele tá em 10%, e nós miramos reduzir. Acho que são variáveis todas que ajudam nesse ciclo de conversão, né, entre outras, mas enfim, mencionei aqui algumas.
Então, como a gente espera manter todas essas variáveis em patamares saudáveis, ou seja, que contribuem positivamente para essa conversão, a gente acredita que a companhia tem tudo para se manter, pelo menos em segundo, né, aqui entre as empresas de baixa renda listadas em bolsa, nessa conversão de lucro em caixa, não é? A gente espera manter uma boa conversão, como tem acontecido.
Rodrigo Osmo
Eu queria citar mais elemento importante nessa conversão que é o conservadorismo contábil, né? Que é o nosso lucro, ele de fato talvez até tenha upside risk maior do que downside risk, então é lucro que a gente tem uma bastante convicção dele, né?
Luiz Maurício Garcia
É.
Igor Machado
Super claro, pessoal. Obrigado.
Operator
Obrigado pela pergunta, Igor. Não havendo mais perguntas, passo a palavra para o Osmo para as considerações finais.
Rodrigo Osmo
Bom, gente, acho que tem duas grandes manchetes aqui, né? Primeira, o Marcos.
Acho que esse é o último call que o Marcos ele tá só como o principal espectador, né? No próximo acho que ele vai ter protagonismo muito maior.
Ele tá sedento, né, para ter esse protagonismo maior. CEO que é CEO não aguenta ficar só sentado assistindo, né?
Então acho que o Marcos vai falar muito mais na próxima. E acho que a segunda grande mensagem é não só o resultado foi muito bom do trimestre, mas acho que mais importante do que o resultado financeiro foi a qualidade do resultado.
Quando a gente olha os números financeiros da DRE e da geração de caixa, eles são números muito sólidos, mas o que tá por trás desse número é desempenho operacional muito bom, né? A gente revisou o guidance de vendas para cima, a gente tem ganhado preço, preço raso, né, mais importante do que o preço nominal, o preço raso, mas principalmente a qualidade da execução das obras.
Assim, tem gráfico que a gente colocou no release que eu acho que talvez seja o gráfico mais importante da comunicação, que é a eficiência da estrutura. A gente, como vocês viram, a gente tem grau de provisão que a gente considera conservador e a gente tá assumindo que a gente pode ter desvios operacionais, e a gente tem conseguido executar com uma qualidade muito grande.
Esses 99,3% de eficiência na estrutura é número excepcional que a gente nunca conseguiu na história da companhia e depois da gente ter crescido muito de 30 jogos de forma no primeiro trimestre de 2025 para 42 jogos de forma no quarto tri de 2025. Então, assim, a empresa cresceu muito rápido e conseguiu manter uma eficiência operacional importante.
E a outra acho que tema que permeou bastante desse call foi o conservadorismo contábil da Tenda nos seus números. Então, quando eu falo da qualidade dos números, ele tá amparado em uma eficiência operacional muito grande, a execução da operação mesmo, e de uma contabilidade que a gente entende que é uma contabilidade óbvio que vão, assim, se o contexto mudar a gente revê, mas a gente não enxerga nenhum grande fantasma aqui no armário.
Então a gente aumentou a PDD nesse trimestre de 2% para 3%, a gente tá com uma provisão de inflação que a gente sempre teve num viés pouco mais conservador do que o mercado ao longo desse ano, e hoje a gente entende que os 8% são bastante razoáveis, e a gente viu uma safra importante de entregas de obras nesse trimestre, que vieram junto com elas uma reversão de provisão de eventuais, que a gente segura 50% dessa provisão para eventuais até o término da obra, o que mostrou que, ex-post, a gente teve conservadorismo legal nessas obras. Então eu acho que foi resultado muito, muito consistente.
Estamos muito felizes com o resultado desse trimestre. Acho que é isso.
Luiz Maurício Garcia
Muito bem. Obrigado a todos.
Operator
Obrigado, Osmo. Obrigado, Marcos.
Obrigado, Luiz. Obrigado a todos pela participação no nosso call.
Nós iremos encerrar a nossa transmissão.
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