Vulcabras SA

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Q1 FY2026 · Earnings Call TranscriptMay 6, 2026

segment Pedro: Bom dia. Após ano histórico, a Vulcabras iniciou 2026 com mais trimestre de crescimento, reforçando a resiliência do seu modelo de negócio, mesmo diante de ambiente ainda desafiador para o consumo.

A combinação de marcas fortes, operação verticalizada e disciplina comercial sustentou a evolução da companhia, que alcançou o seu 23º trimestre consecutivo de crescimento com avanço de receita e volume. No primeiro trimestre de 2026, a Vulcabras registrou volume bruto de 7,6 milhões de pares e peças, crescimento de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita líquida atingiu R$ 776,4 milhões, uma alta de 10,7% na comparação anual, refletindo a continuidade da estratégia de crescimento com qualificação de mix, ampliação e participação dos produtos de maior valor agregado e boa aceitação do portfólio das marcas. O lucro bruto totalizou R$ 313,5 milhões, crescimento de 11,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025, enquanto a margem bruta alcançou 40,4%, expansão de 0,2 pontos percentuais.

O EBITDA recorrente foi de R$ 156,9 milhões, uma alta de 11,8%, com margem de 20,2%, 0,2 pontos percentuais acima do primeiro trimestre do ano anterior, evidenciando a consistência operacional e a captura contínua de eficiências. A evolução da receita foi impulsionada principalmente pela categoria de calçados esportivos, que cresceu 11,3% no período.

A Olympikus manteve forte desempenho, com destaque para a linha de corrida de performance, enquanto a Under Armour apresentou o maior crescimento relativo entre as marcas, apoiada por novos lançamentos, e a Mizuno seguiu ampliando a sua participação com a expansão consistente do seu portfólio. O canal de e-commerce manteve sua trajetória de evolução qualificada, atingindo R$ 124,4 milhões de faturamento, crescimento de 5,1% sobre o primeiro trimestre de 2025.

O desempenho reforça o papel estratégico do canal no posicionamento das marcas e na oferta de uma experiência completa ao consumidor, preservando a disciplina comercial e evitando estratégias promocionais agressivas. Os resultados reforçam a confiança da Vulcabras em uma trajetória de crescimento ao longo de 2026.

A companhia inicia o ano com uma base operacional sólida, produção equilibrada, níveis de eficiência consolidados e estoques saudáveis no varejo. A carteira de pedidos para 2026 reforça essa visão, indicando mais ano de forte demanda para os produtos da companhia, sustentada pela boa performance de sell-out das coleções recém-lançadas e pela evolução contínua do portfólio.

Seguimos confiantes na capacidade da Vulcabras de crescer de forma consistente, inovar e gerar valor para o consumidor, parceiros e acionistas, mantendo foco e disciplina na execução de sua estratégia de longo prazo. E agora, para a apresentação do nosso desempenho no trimestre, passo a palavra ao Wagner Dantas, nosso CFO e Diretor de Relações com Investidores.

Wagner Dantas

Bom dia a todos. Vamos iniciar a nossa apresentação pelo volume bruto faturado, dos principais indicadores operacionais da companhia, que está detalhado no slide 5.

No primeiro trimestre de 2026, o ambiente de consumo no varejo permaneceu desafiador, caracterizado pela continuidade de cenário promocional intensificado, tanto no varejo físico quanto no online. As liquidações, tradicionalmente concentradas no início do ano, se estenderam até a primeira quinzena de fevereiro, ampliando a pressão competitiva ao longo do trimestre.

Nesse contexto, a companhia manteve sua estratégia de disciplina comercial e preservação de posicionamento das marcas, priorizando vendas com maior qualidade e rentabilidade, reforçando seu compromisso com a geração de resultados sustentáveis. O volume bruto faturado atingiu 7,6 milhões de pares e peças no 1T26, crescimento de 6,8% em relação ao registrado no 1T25.

Mesmo diante de ambiente altamente promocional, a companhia manteve a execução de sua estratégia e ampliou sua participação no mercado de calçados esportivos. Apesar do crescimento consolidado de 6,8%, o desempenho foi impactado por dinâmicas distintas entre as categorias, com destaque positivo para calçados esportivos, parcialmente ofuscado pela retração em outros calçados e outros.

Calçados esportivos, o volume totalizou 4,8 milhões de pares no 1T26, representando crescimento de 10,5% em relação ao 1T25. O desempenho refletiu a demanda consistente pelos produtos das três marcas e foi suportado pelo aumento da capacidade produtiva implementado ao longo de 2025.

A demanda no mercado interno permaneceu sólida, enquanto o desempenho no mercado externo ficou abaixo das expectativas. Outros calçados e outros apresentou retração de 6,9% no volume no 1T26, impactado principalmente pela redução nas vendas de botas de uso profissional.

Esse movimento decorreu sobretudo da menor reposição de estoques por parte dos distribuidores, que iniciaram o período com níveis de estoques acima do esperado. Ao longo do trimestre, observou-se a normalização gradual desses estoques com retomada no fluxo dos pedidos.

O desempenho foi parcialmente compensado pelo crescimento dos volumes nos chinelos esportivos. Vestuário e acessórios apresentou crescimento de 6,2% em relação ao 1T25, com destaque para o desempenho da marca Under Armour.

Avançando para o slide 6, passamos a analisar a receita líquida segmentada por categorias. A receita operacional líquida totalizou R$ 776,4 milhões no 1T26, crescimento de 10,7% em relação ao 1T25, marcando assim o 23º trimestre consecutivo de expansão da companhia.

O resultado foi alcançado em ambiente de elevada competitividade e maior intensidade promocional, sendo sustentado pela estratégia comercial, pelo equilíbrio de portfólio e pela atuação consistente nos canais de venda. A categoria de calçados esportivos cresceu 11,3% em relação ao 1T25.

O desempenho foi impulsionado pela evolução das marcas e pelo fortalecimento no mix de produtos. A Olympikus manteve forte desempenho, com destaque para a linha de corrida de performance.

A Under Armour apresentou o maior crescimento relativo entre as marcas, impulsionada pelo lançamento de novos modelos de running, enquanto a Mizuno seguiu em expansão, apoiada pela ampliação de portfólio. A categoria de outros calçados e outros apresentou crescimento de 14,1% na receita em relação ao 1T25, refletindo o bom desempenho dos chinelos esportivos, que ganharam maior relevância no mix, parcialmente ofuscado pela queda de receita em botas de uso profissional.

A categoria de vestuário e acessórios apresentou expansão de 2,8% no 1T26. Destacaram-se o desempenho da Under Armour no mercado interno e a continuidade da expansão da Olympikus na categoria.

Seguindo para o slide 7, detalhamos agora a receita líquida por mercado, destacando o desempenho no Brasil e no exterior. A receita operacional líquida no mercado interno atingiu R$ 755,6 milhões no 1T26, crescimento de 12,6% em relação ao 1T25.

Mesmo diante de início de ano desafiador, o desempenho foi positivo, sustentado principalmente pela categoria de calçados esportivos, que permaneceu como o principal vetor de crescimento da receita consolidada. O resultado refletiu a evolução das marcas, o fortalecimento da distribuição e a eficiência das ações comerciais, que seguiram impulsionando o crescimento consistente da companhia no Brasil.

A receita operacional líquida no mercado externo totalizou R$ 20,8 milhões no 1T26, uma retração de 30,4% em relação ao 1T25, ainda impactada pelas dificuldades enfrentadas nos principais mercados de atuação da companhia, evidenciando cenário desafiador na América Latina. No slide 8, analisamos o desempenho do canal de e-commerce, que segue como dos pilares estratégicos de crescimento da companhia.

No primeiro trimestre de 2026, o canal de e-commerce operou em ambiente de elevada intensidade promocional, especialmente nos marketplaces, onde as liquidações se estenderam até a primeira quinzena de fevereiro. Nesse contexto, a companhia manteve a estratégia comercial implementada ao final de 2025, priorizando a preservação do posicionamento das principais linhas de produtos e a captura de margens mais saudáveis.

Como resultado, o crescimento da receita ocorreu em ritmo mais moderado. Por outro lado, o desempenho operacional do canal, medido pela margem EBITDA, manteve trajetória de evolução positiva.

A receita líquida do canal totalizou R$ 124,4 milhões, representando crescimento de 5,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A participação do e-commerce na receita líquida consolidada atingiu 16%.

Dando sequência, no slide 9 apresentamos a evolução do lucro bruto e da margem bruta. O aumento no volume produzido e comercializado, somado à elevação da produtividade operacional, proporcionaram a expansão da margem bruta, mesmo diante dos expressivos impactos nos custos dos produtos vendidos.

As plantas industriais da companhia retomaram a sua operação plena após o período de férias coletivas, e com a estabilização do quadro de colaboradores, os indicadores de eficiência passaram a evoluir gradualmente, até atingirem os níveis planejados. Os volumes programados foram alcançados e os custos de produção mantiveram-se dentro do esperado.

No primeiro trimestre de 2026, a companhia alcançou o lucro bruto de R$ 313,5 milhões, representando crescimento de 11,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem bruta consolidada atingiu 40,4%, sendo 0,2 pontos percentuais superior ao resultado apurado no 1T25.

Esse desempenho evidenciou não apenas a resiliência da companhia em ambiente macroeconômico desafiador, mas também reforçou seu compromisso com a inovação, a excelência na entrega de seus produtos e a agilidade na adaptação a novos cenários. No slide 10, passamos a detalhar as despesas relacionadas às vendas e a sua evolução no período.

No primeiro trimestre de 2026, as despesas com vendas, propaganda e PCLD totalizaram R$ 151,9 milhões, crescimento de 3,3% na comparação com igual período de 2025. Desconsiderando os investimentos em propaganda, as despesas com vendas e PCLD somaram R$ 106,6 milhões, crescimento de 8,1% em relação ao 1T25.

Em relação à participação na receita líquida, houve ganho de eficiência de 0,4 pontos percentuais, passando para 13,7% no trimestre. As despesas com comissões diminuíram em relação ao 1T25 devido à mudança no mix de marcas, produtos e canais, reduzindo sua participação sobre o todo.

Já as despesas com frete começaram a sofrer pressão de alta no final do trimestre, mas ainda com impacto pouco relevante no resultado do período. Avançando para o slide 11, analisamos os investimentos em propaganda e marketing.

No primeiro trimestre de 2026, os investimentos em propaganda e marketing somaram R$ 45,3 milhões, crescimento de 27,6% em relação ao 1T25. Esse aumento refletiu a continuidade da intensificação das ações de comunicação e posicionamento de marca ao longo do trimestre, principalmente em função dos eventos em comemoração dos 50 anos da marca Olympikus, que seguiram em ritmo acelerado, aproximando cada vez mais a marca do seu público.

Em relação à receita líquida, as despesas com propaganda e marketing representaram 5,8%, avanço de 0,7 pontos percentuais em comparação ao 1T25. A Olympikus manteve o ritmo de fortalecimento de marca ao combinar inovação e construção de comunidade.

O trimestre foi marcado pelo lançamento do Corre Pace, primeiro ultratênis de corrida desenvolvido no Brasil, reforçando sua proposta de alta performance e posicionamento no segmento premium. A marca também aprofundou o conhecimento do consumidor com a segunda edição do estudo Por Dentro do Corre, que evidenciou a expansão da base de corredores no país.

Como destaque adicional, lançou o projeto Corre do Amanhã, voltado à formação de novos talentos, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento do esporte no Brasil. A Mizuno avançou no posicionamento com foco em inovação e experiência de marca, destacando a evolução da linha Neo e os lançamentos de novos produtos de alta performance, como o Neo Zen 2 e a coleção Hyperwarp.

A marca também reforçou sua presença em corridas de rua com o Circuito Mizuno Atenas e ampliou o alcance da Mizuno Running Station, que atingiu 100 mil pessoas impactadas no trimestre. Em Sportstyle, avançou na conexão entre esporte e cultura com lançamentos e colaborações que ampliam sua relevância no lifestyle esportivo.

A Under Armour fortaleceu sua atuação no treino e avançou na construção de portfólio mais completo em running. Lançou o Charged Verssatile no segmento de treino e estruturou uma pirâmide de produtos de corrida com modelos desenvolvidos no Brasil para diferentes perfis de corredores, como o Sonic, Endless.

No topo do portfólio, trouxe ao país o Velociti Elite 3, reforçando sua competitividade no segmento de alta performance. No slide 12, apresentamos as despesas gerais e administrativas e a sua dinâmica ao longo do trimestre.

No primeiro trimestre de 2026, as despesas gerais e administrativas totalizaram R$ 44,2 milhões, aumento de 0,7% em relação ao 1T25. Quando analisadas em proporção de receita líquida, as despesas representaram 5,7% no 1T26, uma redução de 0,6 pontos percentuais em comparação ao 1T25.

As principais variações observadas decorreram da elevação na rubrica de serviços de manutenção de softwares em função da necessidade de esforços adicionais para a adequação dos sistemas aos requisitos da reforma tributária em curso e da redução nas despesas com pessoal em virtude da reversão de provisões relacionadas aos planos de stock options decorrente do exercício parcial do plano de 2023. Avançando para o slide 13, analisamos o resultado financeiro e a evolução da dívida líquida.

No 1T26, o resultado financeiro líquido foi uma despesa de R$ 27,8 milhões, frente a uma receita de R$ 2,3 milhões no 1T25. Neste trimestre, observou-se aumento nas despesas com juros pagos em função da elevação do passivo financeiro em decorrência do novo perfil de endividamento alcançado ao final do ano de 2025.

A companhia iniciou o ano de 2026 com uma dívida líquida de R$ 769,4 milhões, o que resultou em aumento nas despesas financeiras ao longo do 1T26. Encerramos o trimestre com uma dívida líquida de R$ 658,9 milhões, sendo R$ 110,5 milhões de reais inferior à observada no encerramento de 31 de dezembro de 2025.

Após a elevação da dívida ao longo do ano de 2025 para suportar a maior necessidade de capital de giro, aceleração dos investimentos em Capex e a robusta distribuição de dividendos, a estratégia adotada para o ano de 2026 é de desalavancagem financeira, priorizando a redução da dívida ao longo do ano. No slide 14, destacamos o lucro líquido e o ROIC ajustado.

No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou lucro líquido de R$ 80,1 milhões de reais, o que representou uma queda de 24,5% em relação ao 1T25. A margem líquida do trimestre alcançou 10,3%, queda de 4,8 pontos percentuais em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O lucro líquido do período foi impactado pelo aumento das despesas com resultado financeiro decorrente da elevação do nível de endividamento da companhia ao longo do segundo semestre de 2025. Esse movimento esteve associado à necessidade de suportar o aumento do capital de giro, ampliação dos investimentos em Capex e aceleração na distribuição dos dividendos.

A companhia vem concentrando esforços na redução da alavancagem no menor prazo possível, com o objetivo de promover a consequente diminuição das despesas financeiras. Ao longo do trimestre, foi reconhecido evento não recorrente relacionado à baixa de ativos intangíveis, softwares descontinuados, utilizados na plataforma de backoffice do e-commerce.

Esse efeito impactou negativamente em R$ 6 milhões de reais o resultado da companhia no 1T26, reduzindo o lucro líquido contábil reportado. Desconsiderando esse evento não recorrente, o lucro líquido totalizou R$ 86,1 milhões de reais no 1T26, valor de 18,9% inferior ao lucro líquido recorrente de R$ 106,1 milhões de reais registrado no mesmo período do ano anterior.

No primeiro trimestre de 2026, o retorno sobre o capital investido ajustado anualizado atingiu 36,6%. Dando continuidade, no slide 15 detalhamos a evolução do EBITDA e da margem EBITDA.

No 1T26, o EBITDA da companhia totalizou R$ 150,9 milhões de reais, representando crescimento de 7,5% em relação ao registrado no mesmo período de 2025. Apesar do avanço do EBITDA em termos absolutos, a margem EBITDA apresentou retração na comparação do 1T26 com o 1T25, passando de 20,0% para 19,4%.

Cabe destacar, contudo, que o EBITDA foi impactado negativamente em R$ 6 milhões de reais, com efeito de 0,8% na margem, em decorrência do reconhecimento de evento não recorrente relacionado à baixa de ativos intangíveis relacionados com softwares descontinuados utilizados nas plataformas de backoffice do e-commerce. Desconsiderando esse efeito, o EBITDA recorrente no 1T26 totalizou R$ 156,9 milhões de reais, representando crescimento de 11,8%.

A margem EBITDA recorrente atingiu 20,2%, com expansão de 0,2 pontos percentuais em relação ao 1T25. A margem EBITDA manteve-se em patamar sólido, compatível com a estrutura operacional da companhia, evidenciando sua capacidade de adaptação e resiliência diante dos desafios do período.

No slide 16, abordamos os investimentos realizados no período e a evolução do Capex. No primeiro trimestre de 2026, a companhia realizou investimentos totalizando R$ 47,7 milhões de reais em ativos imobilizados e intangíveis, registrando uma redução de 1,4% em relação aos investimentos realizados no mesmo período do ano anterior.

O acréscimo apresentado nas rubricas de máquinas e equipamentos e instalações industriais se refere à conclusão da expansão na capacidade produtiva iniciada no decorrer do ano de 2025, com a chegada dos últimos equipamentos adquiridos. Por fim, no slide 17, analisamos o fluxo de caixa e os principais movimentos que impactaram a variação do caixa no período.

Encerramos o primeiro trimestre de 2026 com uma disponibilidade de R$ 362,8 milhões de reais e uma dívida líquida de R$ 658,9 milhões de reais. A variação de caixa no trimestre totalizou R$ 156 milhões de reais, mantendo a combinação equilibrada entre forte geração operacional e decisões estratégicas de alocação de capital.

Entre os principais movimentos do período, destacam-se o EBITDA de R$ 150,9 milhões de reais, aumento de capital pelo exercício de stock options de R$ 4,3 milhões de reais, aumento do passivo bancário de R$ 45,5 milhões de reais, redução da necessidade de capital de giro de R$ 34 milhões de reais, investimentos em imobilizado e intangível de R$ 44,5 milhões de reais e resultado financeiro de R$ 27,8 milhões de reais. Esse conjunto de movimentos reforça a disciplina financeira da companhia e a capacidade de sustentar o crescimento com eficiência na alocação de capital ao longo do tempo.

Encerramos aqui a nossa apresentação e, a partir deste momento, ficamos à disposição para responder às perguntas. Obrigado.

Operator

Iniciaremos agora a sessão de perguntas e respostas para investidores e analistas. Participantes podem enviar perguntas por escrito utilizando a ferramenta de Q&A na parte inferior da tela.

Para realizar perguntas via áudio, basta clicar no botão levantar a mão. Quando seu nome for chamado, aparecerá uma notificação para abrir o seu microfone.

A primeira pergunta vem de Victor Rogatis, do Itaú BBA.

Victor Rogatis

Bom dia Pedro, bom dia Wagner, bom dia time da Vulcabras. Obrigado por pegarem nossas perguntas.

A gente tem duas aqui do nosso lado. É, acho que a primeira assim é pensando em crescimento, assim quando a gente olha pro canal digital, né?

Vocês foram bastante vocais ali na questão de priorização de rentabilidade, né? Não quiseram entrar naquela dinâmica de remarcação que vocês viram acontecendo.

Como é que é a cabeça assim daqui pra frente? Assim, dá pra pensar que a gente continua ainda num mercado super agressivo no ambiente online e que a estratégia continua sendo ali o foco em rentabilidade desse canal?

E aí, eventualmente, como consequência aqui, o preço a ser pago é de fato ali crescimento pouco mais tímido? Né?

Acho que essa é a primeira dúvida. Acho que a segunda dúvida aqui é pensando ali do ponto de vista de capital de giro.

Quando a gente olha ali os dias de estoques, né, de vocês ali, teve bom aumento ano contra ano. E curiosamente, né, quando a gente olha dias de fornecedores, teve uma retração ano contra ano.

Se vocês puderem explicar pouquinho a dinâmica do que que houve nesse primeiro trimestre e se os pontos que explicam essa dinâmica do primeiro trimestre assim, a gente deveria imaginar que continuam presentes ali pra segundo trimestre e ao restante do ano. Vou deixar essas duas aqui pros colegas aí fazerem outras perguntas também.

Obrigado pessoal, abraço.

Wagner Dantas

Obrigado Rogatis pelas perguntas. Pedro, não sei se você quer tocar a pergunta do crescimento do estoque ou toca a de capital de giro?

Pedro

Pode deixar. Victor, obrigado.

Bom dia a todos. Sim, o crescimento do e-commerce foi mais modesto no primeiro trimestre.

A gente viu mercado pouco mais liquidado. Inclusive esse primeiro trimestre a gente acabou fazendo algumas adaptações na nossa estratégia pra privilegiar esse resultado.

O crescimento ele tem vindo a 23 trimestres consecutivos, mas a gente precisou fazer algumas adaptações pra privilegiar o resultado. Uma delas foi não entrar nessa guerra de liquidações que a gente viu se intensificar pouco no primeiro trimestre.

Mas tem outro fator que fez com que a gente não continuasse esse ritmo de crescimento, e a gente pretende que a partir desse trimestre ele volte a crescimento maior no e-commerce, que foram os lançamentos, né? Toda a família nova do Corre ela entra a partir de abril.

Então a gente transitou o primeiro trimestre sem nenhuma novidade da linha do Corre, e os nossos e-commerces são muito demandados nos lançamentos de produto e principalmente nessa linha do Corre. Então foi mais modesto, foi impactado por liquidações onde a gente não quis entrar nessa briga, até porque não é só uma questão de manter os resultados e sim também ser disciplinador, né, do comércio eletrônico com as nossas marcas, né?

A gente tem 15% do nosso faturamento em e-commerce, pouco mais já, mas 85% são os nossos clientes e a gente cuida muito dos preços pra que a gente possa ser ótimo negócio pros nossos clientes e gerar rentabilidade dentro de toda a cadeia. Mas foram esses dois pontos, né?

A gente não entrou, o outro, os lançamentos que começam a partir de abril. Minha visão é que a partir de agora os crescimentos comecem a voltar aos níveis anteriores maiores do que foram no primeiro trimestre.

Wagner, toca a segunda pergunta aí, por favor.

Wagner Dantas

Perfeito. Bom Rogatis, capital de giro, né?

A gente tem aí no 1T26 versus 1T25 incremento aí de 10 dias, né, de giro de estoque. A gente sai ali de 158 para 168.

Esse cálculo de dias, né, ele sempre olha o consumo dos últimos 12 meses, né, consumo histórico, né? E acho que esse incremento de estoque ele se explica aí por dois motivos, né?

Primeiro, a gente tem uma expectativa de seguir crescendo, né? Então quando você projeta o giro de estoque pelo consumo projetado, você vai ver que a quantidade de dias, né, a cobertura, ela tá bastante adequada à média histórica e estrutural da empresa.

E tem motivo também que corroborou pontualmente aqui no dia 31 de março, né, que a gente tava ali prestes a realizar nos primeiros dias de abril o lançamento das inovações da família do Corre, né? Então a gente acabou ficando com volume de produto acabado, né, quase que represado ali pra que a gente realizasse os lançamentos ali nos dias seguintes, né?

Então eu acho que tem essa questão de fator lançamento da família do Corre, né, que a gente segura o estoque, represa estoque e que já se normalizou, né? A gente já liberou aí esse volume que constrói o enxoval aí no ponto de venda, que constrói as vendas através do nosso D2C.

Mas tem também a questão do próprio crescimento natural da operação que a gente tá se organizando pra seguir crescendo, né? Então é natural que você cresça estoque pra suportar vendas futuras, né?

E o cálculo dos dias de estoque sempre tá olhando ali pela curva histórica, olhando pra trás, né? Com relação aos fornecedores, a variação foi mínima, caiu 3 dias, né?

A gente tem dias de fornecedores estruturalmente mais baixos, né? A gente compra ali as nossas matérias-primas priorizando, né, o desconto comercial pra alavancar pra ter preço mais competitivo na compra, né?

Então a gente acaba pagando fornecedores num prazo mais curto, mas a variação é mínima, ali saiu de 20 29 dias pra 26 dias, 3 dias. Então não aqui nenhum comentário estrutural ou tendência, né?

É a variação normal aí tri a tri.

Victor Rogatis

Obrigado Wagner, obrigado Pedro.

Wagner Dantas

A gente que agradece, obrigado.

Pedro

Obrigado.

Operator

A próxima pergunta vem de Eric Huang, do Santander.

Eric Huang

É, bom dia Pedro, bom dia Wagner, obrigado aí pelo espaço pras perguntas. É, acho que queria primeiro abordar aqui a questão da margem bruta, né, assim.

Acho que a gente veio de período mais difícil em 25 e agora vocês começam a mostrar uma leve melhoria, uma melhoria boa. É, mas entender como que vocês tão olhando pra essa trajetória ao longo de 26, pensando que ainda, como vocês colocaram, né, ainda tem alguns headwinds e acho que adicionalmente a isso a gente pode ver aí eventualmente uma elevação aí de custo de matéria-prima, talvez pouco mais forte daqui pra frente, e também a questão da escala 6 por 1, né?

Então só pensar aqui como é que tá o desenho de vocês em termos de dinâmica aqui de margem bruta. E também querendo ou não passando pouco pela questão de preço, né?

Como que vocês tão olhando pra precificação do produto ao longo desse ano pensando nos lançamentos que acontecem daqui pra frente aí? Acho que essa é a pergunta aqui do nosso lado.

Obrigado.

Pedro

Eu começo aqui, Wagner. E Eric, obrigado pela tua pergunta.

A gente está satisfeito com esse pequeno crescimento de margem bruta que nós tivemos no primeiro trimestre porque o primeiro trimestre já foi pouco impactado por essa volatilidade toda que a gente vê, né? Algumas coisas já sabidas, né, a oneração da folha, a inflação que existe no Brasil, os efeitos de eleição, de Copa do Mundo.

Mas de fato a guerra trouxe fatores novos, né? Esses ventos contrários eles já começaram a aparecer no custo das matérias-primas, sim.

A gente, por mais que tenha 85% das nossas matérias-primas compradas no Brasil, algumas coisas são dolarizadas e sofrem o efeito de frete e o próprio efeito que tá acontecendo no mundo inteiro, Braskem por exemplo. Mas conseguimos fazer boas adaptações e inclusive aumentar pouquinho a nossa margem bruta.

A gente vem controlando absenteísmo que se tornou maior nos últimos tempos, mas tudo isso a gente já tinha conseguido endereçar. O que faltou endereçar foi esse aumento repentino e maior do que a gente imaginava de matérias-primas.

Pra isso eu te respondo a pergunta de preço, nós já lançamos a partir da semana passada o segundo semestre. A gente não vende a longo prazo como as outras marcas porque a gente produz rápido, entrega e repõe.

Fizemos reajustes nos preços, sim, já foram feitos e a gente vai ter segundo semestre com preços reajustados. Então o cenário que a gente vê hoje de absenteísmo, de crescimento de matéria-prima, a situação inteira do Brasil, a gente já se adaptou e pretende continuar nossa agenda de crescimento, mas principalmente de manter a saúde financeira do nosso negócio, as margens, os resultados.

O primeiro trimestre a gente já passou por isso, o EBITDA e a própria margem bruta cresceram pouquinho e a gente vê pra frente as adaptações como muito pertinentes e corretas pra que a gente continue essa nossa agenda. A escala 6 a 1 é algo que a gente está observando aqui.

A gente já tem algumas adaptações que a gente vai ter que fazer caso ela seja implementada, e a gente acredita que isso será implementado, conforme é falado, se for, a longo prazo. A gente vai ter que se adaptar a isso também.

A Vulcabras é uma empresa que é bastante flexível, resiliente, rápida. Eu acho que a gente vai se adaptar, mas é algo que vai vir pra prejudicar pouco a vida de todo mundo, né?

De todas as empresas. O que a gente fica também, por outro lado, é defendendo pouco a indústria local das importações que já cresceram muito nos últimos anos.

A gente já aprendeu a trabalhar com bastante liquidações no Brasil, mas que seria talvez uma possibilidade de trazer pouco mais de igualdade de condições restringindo alguma coisa ou dificultando pouco mais a questão das importações que têm entrado muito subsidiadas. Mas do cenário que a gente conhece, a gente já endereçou as nossas mudanças e o aumento do custo da matéria-prima já foi repassado através dos nossos preços.

Não são todos os produtos que a gente aumenta o preço, alguns produtos a gente não pode aumentar, não são commodities que a gente pode aumentar uma tabela, mas no que era necessário pra fazer frente a esses custos, a gente já fez. Então agora falta confirmar todas as nossas carteiras, fazer os produtos chegarem aos consumidores.

Wagner, por favor, me complementa no que você achar necessário.

Wagner Dantas

Não Pedro, acho que cobriu bem, né? Já havíamos precificado, né, variáveis ou aumentos ou pressões inflacionárias que tínhamos conhecimento, né, ao início do ano.

A novidade ao longo do primeiro trimestre, né, foi a questão do Oriente Médio, isso desencadeou aí uma pressão, né, de preços de matéria-prima que já traz algum tipo de impacto, mas que deve se intensificar à medida que a gente gira os nossos estoques, né? E isso acontece mais ao longo do segundo semestre, já se inicia aqui no segundo tri.

E já corrigimos isso também pra coleção do segundo semestre, né? A gente precificou a coleção, apresentamos aí pra nossa força de vendas, né, que hoje tá rodando aí o Brasil capturando, né, os pedidos.

Então a gente já tem esse elemento também precificado, né, ajustado. Como decorrência disso vai promover aumento de preço, né, em vários produtos, não vamos aumentar 100% dos produtos, mas a gente já tomou a medida cabível aí dentro do que é sabido, né?

Com relação à escala 6 por 1, acho que você também cobriu bem. Tamo acompanhando o tema.

É tema que deve ganhar força, né, nas próximas semanas, e a gente também já tem mapeado aí a necessidade de adaptação que a gente vai precisar implementar, né, caso ele seja aprovado da forma que foi submetido. Mas é tema que traz peso adicional pra indústria brasileira que já tem aí uma concorrência desleal contra a produção asiática, né?

Então acho que é pouco do que a gente sempre explana e defende, né? Então é pouco disso, Eric.

Eric Huang

Ótimo, super claro e obrigado pelas respostas.

Pedro

Obrigado a você.

Wagner Dantas

Obrigado.

Operator

A próxima pergunta vem de Pedro Caravina, da XP.

Pedro Caravina

Bom dia Pedro, Wagner. Obrigado pelo espaço.

Parabéns pelo resultado pessoal. Acho que tá bem resiliente aí num cenário de varejo pressionado.

É, acho que tem dois temas que eu queria explorar aqui. Primeiro, só duplo clique talvez na margem bruta, se vocês puderem comentar pouco do que mais que dá pra fazer pra tentar mitigar esses eventuais impactos, né, vindos principalmente de matéria-prima.

É claro que preço é o principal, que vocês já comentaram, mas dentro de casa, enfim, algum ajuste na fábrica ou se vocês tão com capacidade ociosa pra aumentar a produtividade? Que mais vocês enxergam de alavancas pra tentar mitigar isso?

E aí, se eu puder também, pensando em estrutura de capital, acho que a alavancagem já evoluiu bem no tri a tri. É, e ainda tem esse efeito que o Wagner comentou das vendas represadas no lançamento do Corre, que já deveria ter normalizado no segundo trimestre.

Como a gente deve pensar em remuneração pra acionista pra 2026? Eu entendo que vocês aceleraram bastante dividendos em 2025, mas vocês já enxergam espaço, dado o contexto atual, pra talvez resumir pagamento de dividendos pouco acima do patamar mínimo ali pra 26 ou isso fica mais pra 2027 mesmo?

Como tá a cabeça pra isso?

Pedro

Wagner, deixa eu só complementar então a margem bruta, né? E obrigado pela pergunta, Pedro.

De fato esses aumentos que aconteceram fazem com que a gente tenha que mudar pouco o pensamento dentro da empresa. Então, olhando pouco mais pra estratégia da empresa, o que a gente tem feito é tornado o nosso orçamento, o nosso ano ano de pouco mais de austeridade.

E pra fazer isso a gente acaba trocando pouco nosso perfil de atuação pra perfil de mais curto prazo do que de longo prazo. Então, o cenário que a gente fez esse orçamento desse ano lá no final do ano passado era, hoje é outro.

A gente acaba privilegiando não só produtos, mas as nossas ações mais de curto prazo, já o que a gente já vê mais consolidado. Reduz pouco os nossos investimentos de longo prazo, esperando pouco o cenário ficar pouco mais previsível, tá?

Mas isso sendo simples, nós estamos reduzindo pouco as nossas despesas no que pode ser feito e privilegiando muito mais as estratégias de curto prazo do que de longo prazo. A empresa cresce a 23 trimestres consecutivos não em cima somente dos produtos que ela já lançou e sim ela vai ampliando novas categorias, novos produtos, novas coleções.

A gente continua com essa agenda, mas aqueles investimentos de longo prazo vão ficar pouquinho parados agora até que a gente veja cenário mais claro. Então é o que dá pra fazer pra margem bruta é olhar pra empresa mais a curto prazo.

Isso prejudica a gente no crescimento? Acredito que não, mas assim que a gente vê cenário mais certo, a Vulcabras é uma empresa rápida, a gente retoma a nossa agenda de olhar pra dois anos pra frente, três anos pra frente.

Wagner Dantas

Perfeito. Acho que só pequeno complemento aqui, Pedro, em cima da margem bruta que é a questão de eficiência, né?

A gente veio ali de 2025 onde fizemos talvez o principal investimento que nós fizemos ao longo do ano foi a contratação do quadro produtivo, né? A gente cresceu de forma muito relevante e isso trouxe ali efeito colateral que é uma ineficiência inicial, né, dos novos operadores entrando na empresa.

A gente viu ali ao longo do quarto trimestre e se consolidou bastante ainda no primeiro tri a maturidade, né, a evolução dessa curva de aprendizado desses novos operadores vem promovendo uma eficiência mais em linha aí com o padrão, com o planejado. E acho que agora a gente começa a entrar segundo trimestre, segundo semestre, né, é o momento do ano onde a gente tem mais dias de produção, é o momento do ano onde a gente deve capturar, né, esse last mile de ganho, de evolução da maturidade aí da eficiência dos nossos operadores à medida que a gente vem mantendo o quadro estável, né?

Então a estabilidade na nossa produção promove melhores eficiências. Isso deve corroborar aí, corroborou bastante já no quarto trimestre, primeiro tri, e acho que a gente colhe aí o último fruto ao longo do segundo trimestre, né?

Pegando já aqui a palavra, né, e falando da segunda pergunta a respeito de alocação de capital e como a gente enxerga a evolução do ano, né? A gente rodou com a empresa com o nosso balanço praticamente caixa líquido aí os últimos três anos, né?

A empresa tem como cultura, né, buscar ser uma ótima alocadora de capital. No excedente desse capital, né, toda vez que a gente virou caixa líquido, né, a gente promoveu distribuições mais relevantes, mais robustas, antecipação de distribuições.

E no ano passado a gente, na iminência, né, da reforma tributária, a questão da tributação sobre dividendos, a gente tomou e se planejou e se organizou dentro de uma decisão estratégica de antecipar uma distribuição que naturalmente a geração de caixa da empresa suportaria, né? E pra isso a gente precisou buscar uma alavancagem financeira pontual e que hoje o nosso mindset é de buscar, né, a redução dessa alavancagem financeira já no curto prazo, né?

Então a gente vira ali dezembro com o balanço ali alavancado em 0,9 vezes de EBITDA, né? É uma alavancagem ainda modesta, pequena se comparado aos patamares aí dos peers, né, dos comparáveis de bolsa, mas distante da nossa zona de conforto, né, ou do patamar que a gente entende como saudável pra navegar dentro da volatilidade, dos riscos brasileiros, né?

E a gente tem aqui como norte ao longo de 2026 ir reduzindo isso conforme a geração de caixa for se realizando, né, e os vencimentos dessas dívidas forem acontecendo. A nossa meta aqui é de ir reduzindo, né?

Acho que o primeiro passo que foi o primeiro trimestre a gente já deu passo muito positivo, né? A alavancagem já caiu de 0,9 pra 0,7 vezes.

A nossa expectativa é de ir realizando, né, as dívidas conforme os seus vencimentos e reduzindo isso ao longo de 2026. Então acho que a gente não vai se furtar de manter os investimentos, a gente tá priorizando, como o Pedro disse, né, investimentos que promovam retorno mais acelerado, focando, né, na captura do benefício desses investimentos aí no curto prazo, mas a gente não deve ter uma agenda tão proativa, né, e pujante de distribuições ao longo de 2026 à medida que a gente vai priorizar a redução aí dessa dívida que, apesar do perfil da nossa dívida ser uma dívida CDI mais 0,6, 0,5, uma dívida muito bem equacionada, o CDI continua caro, né?

E com principalmente agora com os eventos do Oriente Médio, pressão inflacionária global, né, a tendência de queda de juros talvez não seja conforme o mercado inteiro tinha como expectativa no começo do ano, né? Então isso reforça ainda mais eu acho que a disciplina de focar na redução desse endividamento porque ele é custoso pelo CDI, não pelo spread em si.

Mas é pouco aí da nossa cabeça. Acho que a ótima notícia é que com uma geração de caixa pujante que a empresa vem conquistando e segue muito confiante em manter ao longo de 2026, a gente vai ter condições aí de reduzir isso de forma rápida, né?

Então já a partir de 2027 eu acho que a gente começa a entrar num cenário mantendo pilares sólidos, mantendo o nosso balanço desalavancado de retomar aí a agenda e de retomar a discussão pela melhor alocação de capital, né? Investimentos ou aquisições aonde a gente possa alocar o capital mantendo o ROIC nos patamares que a gente performa e na inexistência desse investimento, no excedente de caixa, retornar isso aí pro acionista.

O nosso mindset não muda, né? Então é uma política de buscar sempre a melhor alocação de capital.

Pedro Caravina

Super claro pessoal, obrigado.

Pedro

Obrigado.

Wagner Dantas

Valeu, obrigado Pedro, obrigado.

Operator

A próxima pergunta vem de Isabella Lamas, da UBS.

Isabella Lamas

Bom dia Pedro, Wagner, obrigada pelo espaço aqui. Do nosso lado acho que somente follow-up aqui entrando pouco mais no detalhe no canal de e-commerce que vocês já detalharam ali no começo, né, em todo esse contexto aí da estratégia que vocês seguiram de priorizar margens e reposicionar marcas, né, no ambiente mais promocional, se vocês pudessem abrir pouco melhor ali a estratégia de vocês entre as vendas em marketplace e vendas no site próprio, né?

Como é que vocês têm atuado e se vocês buscam, por exemplo, reduzir a exposição a marketplace, né, pensando tanto num curto quanto num médio prazo? E como é que fica essa expectativa, esse equilíbrio pra frente aí ao longo do ano e a estratégia geral da companhia?

Obrigada.

Pedro

Quer falar Wagner? Fica à vontade.

Wagner Dantas

Posso puxar aqui e qualquer ponto que eu perdi aqui você pode me complementar como sempre. Eu acho que a nossa estratégia dentro do e-commerce, Isabella, ela é uma estratégia de complementaridade priorizando rentabilidade, né?

A gente não tem a minha prerrogativa de seguir crescendo a qualquer custo e a gente até usa bastante essa terminologia aqui dentro, né? Se a gente tiver que fazer trade-off entre rentabilidade e crescimento, a gente vai optar por rentabilidade à medida que essa venda desse canal ela é complementar, né?

Ela vem com o objetivo de complementar o wholesale, com o objetivo de acessar consumidores que às vezes pelo canal multimarcas a gente tem dificuldade, tem desafio ali de estratégia do parceiro pra conseguir acessar. Isto posto, né, eu acho que toda vez que o ambiente promocional for extremamente agressivo, né, e isso aconteceu quase que ao longo do quarto trimestre inteiro e no primeiro trimestre eu acho que ele perdurou bastante, mais do que o que seria razoável, né, a gente acaba desacelerando pouco as vendas pelo 3P, pelo marketplace, porque é o lugar onde o consumidor, né, tá buscando a compra de tênis, né?

E aí ele vai muito drivado por preço e quando a concorrência tá destruindo o valor, a gente prefere não entrar nessa disputa, a gente prefere priorizar, né, os investimentos, canalizar a nossa estratégia pra 1P, onde de fato a gente tem consumidor que não tá apenas atrás de comprar tênis, mas sim tênis da marca Olympikus, tênis da marca Under Armour, tênis da marca Mizuno, né? Então é uma venda muito mais qualificada dentro desse ambiente de competitividade agressiva ou irracional, né?

À medida que o marketplace volta pra patamar razoável, né, em termos de precificação, em termos de portfólio, a gente volta a acelerar também nesse canal. É canal importante, é canal estratégico, é canal onde a gente apesar de ter take rate, né, pesado, comissões ali onde a gente paga pro parceiro, a gente tem o benefício de fluxo, né, muito relevante que esses portais, que esses marketplaces promovem, né?

Então acho que é uma embreagem que a gente vai administrando, né, na estratégia do marketplace, onde quando a gente começa a entrar numa zona de destruição de valor, a gente desacelera pouco. É da forma que a gente performou ali ou desenhou a estratégia ao longo do quarto e primeiro tri, e é pouco do mindset que a gente deve permear aí a estratégia do canal nos próximos trimestres, né?

Então acho que só pra finalizar aqui, Pedro, por favor, fica à vontade pra me complementar. Muita disposição, estrutura, estratégia pra crescer, mas não vamos crescer a qualquer custo.

A gente não tá disposto a crescer destruindo o valor, a gente tá disposto a crescer entregando o nível de serviço competitivo, entregando experiência, entregando precificação justa, entregando o que as marcas têm de melhor através do e-commerce.

Pedro

Pra mim tá perfeito, Wagner. Obrigado, Isabella.

Isabella Lamas

Tá ótimo. Obrigada a vocês.

Operator

Lembrando que para fazer perguntas, basta clicar em levantar a mão ou enviar por texto através do ícone Q&A.

Wagner Dantas

Pessoal, não temos mais perguntas aqui pelo áudio e a gente recebeu uma pergunta aqui pelo chat. Eu vou ler ela aqui, Pedro, e a gente define quem toca ela, né?

A pergunta veio do Matheus Soares, da Market Makers, nos parabenizando pelo resultado e são três perguntas, né? A primeira: qual parcela do aumento de estoques do primeiro trimestre decorre da preparação para pedidos já firmes versus antecipação de produção/capacidade?

Bom, acho que eu já vou pegar essa pergunta aqui, Pedro, aí eu já leio a segunda pergunta e a terceira na sequência, só pra não perder o raciocínio, né? Eu acho que questão dos estoques, Matheus, a gente explorou pouco isso nas perguntas anteriores, né?

Na pergunta que acho se eu não me engano o Rogatis fez a respeito da evolução do capital de giro. E eu acho que ela se responde principalmente na questão do lançamento da família do Corre.

O estoque ele tá muito bem equacionado e ajustado pra uma empresa que segue crescendo. E pontualmente ali no primeiro trimestre a gente tinha a iminência do lançamento da coleção do Corre.

É uma coleção que traz volumes relevantes, que traz potencial de vendas relevante. É uma coleção que em termos de custo de produto produzido é custo maior que a média, né, porque são calçados mais tecnológicos, mas no fornecimento, na venda pra fazer o enxoval do wholesale e no início, né, do sell-out através do nosso e-commerce isso já tá normalizado.

Então acho que o ponto do estoque não tem nenhum comentário aqui estrutural a fazer, eu acho que é mais conjuntural na medida que a empresa segue crescendo e conjuntural à medida que a gente tava prestes ali a momento de lançamento importante pra empresa. Obrigado aí por essa pergunta.

A segunda pergunta dele é: a nova capacidade produtiva já está operando em níveis normalizados de eficiência? Há espaço adicional de diluição industrial ao longo de 2026?

Acho que essa pergunta também já cobri pouco, mas quiser complementar aqui, Pedro, fica à vontade.

Pedro

Obrigado Matheus pela pergunta. Nós fizemos aumento de investimentos, o nosso Capex aumentou muito até o final do ano passado.

A gente ainda está terminando algumas pequenas ampliações na unidade da Bahia, mas nós projetamos Capex de aumento de produção que tá praticamente terminando agora pra sustentar o nosso crescimento dos próximos 2 anos. Esse ano é ano de crescimento, a gente já vem crescendo no primeiro trimestre, tem uma agenda de continuar crescendo ao longo do ano.

Estamos trabalhando muito em eficiência pra manter quadro de pessoal, hoje que tá em torno de 24 mil pessoas, mas não temos ociosidade. A gente tem teto, como eu falo aqui, né, capaz de absorver pouco mais de produção, mas a gente procura trabalhar na empresa, eu acho que isso vem muito desde a nossa época de reestruturação e de eficiência máxima que a gente acabou buscando, foco, especializado esportivo, etc., é de a gente trabalhar sempre com praticamente zero de ociosidade.

Claro que tem uma máquina ou outra que possa não tá sendo utilizada, mas se você for nas nossas fábricas você não vai ver espaço sobrando assim, você vai ver tudo muito bem ocupado porque essa falta de ociosidade traz realmente uma eficiência a todo o processo. Então a gente tem capacidade sim, se a gente visualizar aumento de demanda a gente consegue atendê-la até com rapidez porque como a gente já fez esses investimentos seria só contratação de pessoas.

Mas tá muito bem projetado, inclusive as adaptações que a gente fez ao longo desse primeiro trimestre devido a todas essas novidades que vieram, por exemplo, aumento de custos, guerra, etc., a gente está privilegiando não mexer na nossa produção. A gente aumentou preços, mudou pouco o perfil de alguns produtos, mas a gente quer manter esse quadro, até porque a gente cresceu muito rapidamente no ano passado e esse crescimento gerou algum tipo de ineficiência, pressionou pouco a nossa margem até treinar bem as pessoas.

Então esse ano é ano de crescimento, mas também ano de estabilidade, a gente tem falado muito de ser ano de rentabilizar os investimentos todos que a gente fez. Então pro que a gente planeja estamos muito bem organizados e estamos muito bem organizados pra planejar o crescimento não só desse ano, mas pelo menos do próximo também.

Wagner Dantas

Obrigado, Matheus.

Operator

A próxima pergunta é via áudio do Victor Rogatis, do Itaú BBA.

Victor Rogatis

Oi pessoal, voltei. Deixa eu só fazer mais uma aqui.

É, chamou bastante atenção o volume de calçados esportivos ali no crescimento, né, do volume ali no primeiro trimestre, né? Foi bem maior do que a gente tava esperando.

Só que daí a contrapartida foi que o aumento de preço também ele ficou bem mais baixo do que a gente tava imaginando. Então, se vocês puderem explicar pouquinho assim a dinâmica do que aconteceu nesse primeiro tri e aí pra gente entender se esses vetores ali eles continuam presentes no segundo trimestre, seriam ótimos.

Obrigado pessoal.

Wagner Dantas

Rogatis, obrigado aí pela

Pedro

Deixa eu começar aqui. Bom, de fato a gente vem numa agenda de aumento, né, de distribuição, etc.

A gente está num setor que cresce pouco mais que o mercado, a gente sabe, então a gente tem isso muito bem mapeado. Mas essa proporcionalidade entre o crescimento em volume e preço, com certeza ela tem bastante a ver com os lançamentos que entram a partir de abril, e isso se equaliza pouco mais.

A gente de fato tá bastante satisfeito com o nosso primeiro trimestre porque com tantas novidades e incertezas e tudo mais, a gente conseguiu fazer a nossa meta, o nosso orçamento, subir pouquinho a margem bruta e o próprio EBITDA mesmo sem ter a maior parte dos nossos lançamentos e os mais importantes, que, por exemplo, a nossa linha do Corre. Então o Corre 5 que entra a partir de agora, entrou dentro desse mês aqui, já tá vendendo super bem, tem as cores novas pra entrar, uma sequência que vai até dezembro, etc.

Então a gente fez sem esses produtos que não só aumentam a venda, mas também aumentam o nosso preço médio, etc., que são os produtos, por exemplo, da Olympikus, os mais caros. Wagner, pode complementar aí, por favor.

Wagner Dantas

Sim Pedro, acho que o efeito mix ocasionado, né, pela ausência de lançamentos que têm preço médio maior ao longo do primeiro tri ele foi importante, mas tem outro componente importante de mencionar aqui que é a questão do mercado externo, né? O mercado externo ele vem trimestre a trimestre, né, perdendo relevância no todo da empresa, mas ainda tem alguma relevância e ele teve uma queda bem importante pro mercado externo contra mercado externo, né, de 30% na queda de receita.

O preço médio do mercado externo caiu, né, 12% e mercado externo a gente exporta só calçado esportivo, né? Então esse efeito negativo que o mercado externo trouxe e que no todo, né, ele tá ficando cada vez menos relevante, ele dentro da categoria de calçados esportivos ele acaba distorcendo, puxando pouquinho pra baixo, né?

Se a gente olha o mercado interno como todo, né, o preço médio cresceu 4,2%, né? Então acho que a gente tem primeiro a grande fortaleza de não só contar com uma marca ou com uma faixa de preço, a gente hoje tem portfólio de produtos muito amplo, né, e que nesse trimestre volume carregou bastante aí a nossa evolução de receita.

A gente teve ao longo do primeiro tri essa ausência, né, de novos lançamentos e focados em price points mais altos, né, e a gente teve jogando contra, né, o mercado externo que no KPI de preço médio aí de calçados esportivos funcionou como pesinho aí e que não deixou aí deslanchar também o preço médio da categoria como todo, né? Acho que são esses os elementos.

Victor Rogatis

Tá claro. Obrigado Pedro, obrigado Wagner.

Wagner Dantas

A gente que agradece.

Operator

Mais uma vez, lembrando que para fazer perguntas, basta clicar em levantar a mão ou enviar por texto através do ícone Q&A. Não havendo mais perguntas, eu gostaria de passar a palavra ao senhor Pedro para as considerações finais.

Pedro

Bom, agradecer a todos pelo interesse. Eu só aproveitar essa última pergunta do Victor pra falar minutinho sobre o mercado externo.

O mercado externo já foi muito mais relevante pra gente. A empresa continua com a vontade de distribuir os seus produtos esportivos nos nossos vizinhos.

O maior problema é a dificuldade desses países em fazer negócios e as dificuldades que vocês sabem que passam os países. O principal país pra gente é a Argentina, e a Argentina eu até falei nos últimos calls aqui que a gente estava vendo uma recuperação, de fato ela veio acontecendo, mas agora a gente está fazendo uma modificação lá na distribuição, nos parceiros, etc., pra gente voltar a retomar.

É lento, mas tem uma grande oportunidade porque já foi três vezes maior do que é hoje, por exemplo, a nossa participação no mercado externo. Nós não fizemos projeções otimistas pra esse ano, mas quando esses países voltarem a performar pouco melhor, as condições de negócio melhorarem, eu acho que a gente tem grande estado brasileiro aí que pode vir pra se somar às nossas vendas.

Fora isso, a Vulcabras está muito bem adaptada a essa nova condição, né? Essas dificuldades que vieram de custos de matéria-prima, a gente já endereçou em aumento de preços e austeridade dentro da empresa, busca de eficiência máxima.

A empresa tá olhando pouco mais pro curto prazo e o nosso grande foco é continuar com a nossa agenda de crescimento, mas principalmente ir melhorando os nossos resultados e ter uma empresa bastante saudável. Deixar os nossos canais de RI sempre à disposição de vocês, mais uma vez agradecer aí o tempo de todo mundo e desejar uma boa semana.

Obrigado a todos.

Wagner Dantas

Obrigado pessoal, uma boa semana.

Operator

A videoconferência da Vulcabras está encerrada. Agradecemos a participação de todos e tenham ótimo dia.